quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um comentário desonesto para um Bispo "negacionista"

Saudações queridos leitores!

Recebi um link para um artigo publicado no site Prosa & Política. A julgar pelo layout do site, a autora deve ter sido censurada por algum político. Isso vem muito ao caso, pois o conteúdo do artigo tem muito a ver com isso. Acompanhem eu em preto e o artigo em vermelho (agora combinando com o layout do website!).

Um Bispo negacionista

Por Giulio Sanmartini

O anti-semitismo na Igreja Católica Apostólica Romana é um preconceito que se arrasta há 2 mil anos, desde que os hebreus foram considerados deicidas.


O anti-semitismo não é um problema da Igreja Católica. Existem anti-semitas entre os Católicos? Infelizmente sim. Mas não se pode usar isso para dizer que a Igreja é anti-semita, pois existem anti-semitas brasileiros e todos sabemos que é um absurdo monumental dizermos que o Brasil é um país anti-semita. Portanto, argumento falacioso!

Nos anos 50, eu estudava num colégio Salesiano, em uma discussão com um colega o chamei de filho da puta, mas o padre conselheiro, que era um polonês chamado Romeu, ouviu e admoestou-me vigorosamente, justifiquei-me explicando que o outro também xingara minha mãe. Aí o padre com muita simplicidade disse: “Quando for assim, xinga ele de judeu que é a mesma coisa”. Ou seja, uma manifestação inconteste de anti-semitismo em tempos bem próximos.

O mesmo argumento utilizado anteriormente. Estivesse ele estudando em um colégio do Estado e o professor lhe desse semelhante conselho, isso seria motivo para dizermos que o Estado é anti-semita? Claro que não. Esse é um caso clássico em que a falta de um é usada para imputar um crime em todo um grupo.

A tentativa sistemática da destruição da religião judaica e de seus praticantes, começou na Europa m 1231, no Concílio de Toulouse, sob a liderança d Gregório IX, papa de 1227 a 1241, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, um tribunal eclesiástico com o objetivo de extirpar e “heresia judaica”. Em 1965, com o papa Paulo VI, passou a ser chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi tão somente uma mudança de nome, os princípios continuam sem mudanças significativas por quase 8 Séculos.

Aqui a coisa degringola de vez, pois fica patente a ignorância histórica e religiosa de quem escreve o artigo. Mas dou um desconto, pois se ele aprendeu sobre a Santa Inquisição com o mesmo professor que lhe deu aquele conselho lamentável, é de se esperar. Pois bem, vamos aprender um pouquinho de História da Igreja com o Titio Fernando: Segundo a Catholic Encyclopedia, os cânons do Concílio de Toulouse referiam-se, apenas e tão somente, aos problemas decorrente dos cátaros, um grupo de hereges da região da Catária, na qual os eles estavam fazendo enormes agitações. Tratou-se de uma determinação de cunho local, de natureza disciplinar e temporária, tendo em vista a salvação eterna das almas daqueles que se expunham às heresias dos Cátaros. A expansão dos trabalhos da Santa Inquisição devem-se à disseminação das heresias cátaras e de muitas outras, que acometiam os batizados. A Inquisição não perseguiu os não-batizados, como os judeus. Porém, alguns Estados, como a Espanha, lideraram suas próprias inquisições, que tinham objetivos diferentes da Igreja e que foram admoestadas pela Mesma. Isso foi pauta de um dos primeiros textos em meu blog.

Todavia, a tentativa de exterminar os hebreus mais cruel e recente foi a perpetrada pelo nazi-fascismo teuto/italiano durante Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando nos campos de concentração foram eliminados 6 milhões de judeus.

Ingenuidade pensar que apenas os judeus foram perseguidos durante o tempo do nazismo. Também foram perseguidos ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, Católicos e qualquer um que se opusesse aos delírios de Hitler.

Pessoas até de certa importância insistem em negar esse assassinato em massa, que é chamado Holocausto. Em vários países, incluindo Israel, França, Alemanha e Áustria, a “negação do Holocausto” é contra a lei, e os “negadores” têm sido punidos com pesadas multas e com sentenças de prisão.

Não tenho nada a ver com esses negadores, porém, reconheço o direito que eles têm de ser idiotas. Punir uma opinião como um crime é um ato autoritário. O que faz com que as pessoas possam negar e em alguns casos até exaltar os extermínios que são promovido pelas ditaduras comunistas até hoje e que não possamos sequer pensar em negar o extermínio que os judeus sofreram? Ambas as tragédias são igualmente verdadeiras, mas têm tratamentos muito diferentes.

O mais conhecido desses negacionistas é o facinoroso presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, que não perde uma ocasião para declarar sua negação.

É um escroque que vai pagar por seus crimes, seja nesse mundo, seja na hora de seu juízo.

Mas é de pasmar, ver junto a esse marginal da civilização, comungando essa absurda idéia, um prelado Católico Romano, trata-se do bispo britânico Richard Nelson Williamson (70). Ele, fazendo uso de seu site na Internet, conforme anunciou revista alemã “Der Spiegel”, afirma a seus correligionários da Fraternidade São Pio X que a Shoah (*) foi uma “gigantesca mentira“ e ainda vai além: “Os 1,3 milhões de judeus deportados para Treblinka, Majdanek, Belzec e Sobibor (campos de extermínio nn.), não terminaram nas câmeras de gás, os nazistas os transferiram para a região da União Soviética ocupada pelas tropas de Hitler.”

Monsenhor Williamson falou bobeira, isso é fato. Mas isso é lá com ele. Não se pode dizer que a postura pessoal de Dom Williamson seja compartilhada pela SSPX e pela Igreja. Ademais, fora a entrevista dele na Suécia, não vi essas declarações mencionadas pelo autor do artigo. Procurei e não achei. Se alguém souber, poste nos comentários, mas se foi algo inventado, é uma mentira injustificável, que não deve passar batida só porque é lançada contra alguém que não consideram "bom".

Uma pessoa que nega o Holocausto passa a fazer parte do próprio crime do Holocausto.

Retórica furada. Uma pessoa que nega o Holocausto é só mais um idiota. Quem nega o Holocausto não precisa necessariamente fazer parte do crime, que já ocorreu e que foi lamentável, reitero. Que todos nós saibamos separar a idiotice pura e simples dos verdadeiros crimes.

Um último comentário. No título da postagem, negacionista está entre aspas porque não consegui confirmar as declarações exibidas pelo autor do artigo. Como só vi Dom Williamson negar a dimensão do Holocausto, o que, por si só, já é uma besteira e tanto, isso não o classifica como negacionista, mas como algo do tipo "reducionista". Uma posição lamentável de qualquer jeito.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Ajude a defender a Igreja - http://www.defesacatolica.com.br/

Suplicy vai dar voz de prisão ao General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho?

Saudações queridos leitores!

Ontem na Comissão de Constituição e Justiça ocorreu uma sabatina com o General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, que é candidato a uma vaga no STM (Superior Tribunal Militar).

Na sabatina, o General disse que "a vida militar se reveste de características que podem não se enquadrar em quem tem esse tipo de comportamento". O General disse que não vê problemas na presença de gays se mantiverem a "dignidade e a honra". "Mas não vejo que é compatível com o trabalho nas Forças Armadas", afirmou o General.

Sobre suas declarações, Cerqueira Filho alegou que preferiu ser sincero e expor o que, em sua experiência como General do Exército Brasileiro, constatou. Mesmo com a declaração o nome de Cerqueir Filho foi aprovado por unanimidade para que ele integre o STM.

Pois bem. O valente bastião da democracia no Brasil, o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quer o General Cerqueira Filho seja chamado novamente à CCJ para dar maiores explicações sobre sua declaração. Suplicy diz que "como a Constituição tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, sem preconceito de sexo, cor e idade, quero sugerir que possam de novo comparecer à CCJ para expressar que não estão contrariando a Constituição".

Tá aí, concordo com o Senador. Agora, vamos ver se ele vai ser democrata o suficiente para pedir a prisão do General em plena CCJ caso ele conclua que a declaração do General Cerqueira Filho é um desrespeito à Constituição, caracterizando crime de discriminação. Caso Suplicy não faça isso, dará mais uma prova de sua hipocrisia, que, mais que uma característica pessoal, é parte do método de seu partido.

O recém-empossado presidente da OAB, Ophir Cavalcante já emitiu seu parecer, taxando as declarações de discriminatórias. Então, Doutor Ophir, o que está esperando para denunciar o crime e pedir a prisão do General Cerqueira Filho? Cuidado, pois alguém pode invocar e lhe denunciar como cúmplice do General, já que sabe que ele cometeu um crime e não tomou as devidas providências!

Queridos, preparem-se, pois já chegou o tempo em que as opiniões se tornaram crime!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ações da CNBB renovam o ânimo dos que lutam pela Igreja

Saudações queridos leitores!

Alguma coisa acontece na CNBB. Quem vem acompanhando seus últimos pronunciamentos percebe uma mudança no tom e no conteúdo de suas manifestações. E a mudança é para melhor.

Podemos constatar isso com o artigo de Dom Aloísio Roque Oppermann criticando o tal "Socialismo Cristão" (alô @gabriel_chalita!!), o pronunciamento dos 67 bispos contra o PNDH-3, o panfleto da Regional Sul-1 da CNBB que compara Lula a Herodes e a nota da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família sobre o mesmo PNDH-3!

Essas iniciativas, apesar de serem poucas perante a necessidade dos brasileiros, já servem para dar um ânimo novo nos soldados que estão tão cansados de lutar quase que sozinhos contra inimigos tão persistentes! A propósito, o trabalho da CNBB e dos organismos a ela ligados em relação à defesa da vida, seja lutando contra o aborto, seja no caso das células-tronco embrionárias é algo que deve ser ressaltado!

Rezemos e combatamos para que os frutos possam ser colhidos abundantemente e para que as áreas da CNBB que ainda estão contaminadas com as ideologias inimigas da Igreja sejam logo purificadas pelos esforços dos verdadeiros fiéis!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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IMPORTANTE - VOLUNTÁRIOS PARA O APOSTOLADO DEFESA CATÓLICA

Saudações queridos leitores!

Essa mensagem vai para todos aqueles que quiserem colaborar com o apostolado da Associação de Santa Cruz para a Defesa Católica. Estou recebendo várias manifestações pelos comentários e pelo Twitter e sou muito grato por isso.

Mas preciso ter uma maneira de retornar o contato dos que se dispuserem a ajudar. Para isso, podem entrar em contato por e-mail pelo endereço pergunte@blogdofernando.com.br . Lembrando que os que se dispõem a me ajudar nos comentários precisam deixar um modo de retorno do contato.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Defesa Católica - Voluntários

Saudações queridos leitores!

Há algum tempo, mantenho um apostolado na internet, a Associação de Santa Cruz para a Defesa Católica. O trabalho exercido por esse apostolado consiste em defender a Igreja de ataques sofridos na mídia no Brasil. No último ano os trabalhos do apostolado estiveram parados por conta de meus compromissos profissionais e pessoais. Agora, com mais tempo para me dedicar aos trabalhos, gostaria de ter alguns voluntários para me ajudar a escrever artigos, entrar em contato com meios de comunicação e sugerir abordagens.

Todos são bem-vindos a ajudar no que puderem, mas gostaria de avisar que profissionais e estudantes de direito são especialmente necessários.

Conto com a ajuda de todos!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Eventos - Questões de bioética em debate

Saudações queridos leitores!

Está um pouco em cima da hora mas ainda dá tempo de divulgar: A Profª Drª Lenise Garcia, Professora da UnB e Presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida - Brasil sem Aborto estará no próximo dia 6 de fevereiro (nesse sábado já!) no evento "Questões de Bioética em Debate".

Recomendo a todos a presença no evento, que é organizado pela Arquidiocese de Niterói e traz uma das grandes defensoras da vida em nossos tempos. Fica abaixo o cartaz. Para ampliar, basta clicar no mesmo.

Questões de Bioética em Debate
Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Incapacidade de ter vergonha de ser desmentido

Saudações queridos leitores!

Desde a madrugada que planejo escrever algo sobre a total e incompleta capacidade que certas pessoas têm de sentir vergonha de serem desmentidas. Vi que meu amigo Taiguara, do En Garde! escreveu um pouco sobre isso em seu blog, ao desmentir um jornalista comunista que escreveu um artigo sofrível sobre Boris Casoy e o Opus Dei.

Pois bem, fazendo coro a ele, venho aqui denunciar não apenas um comportamento, mas um método. Desde que iniciei o blog, recebo diversos comentários com mentiras que já foram exaustivamente refutadas sobre os mais diversos assuntos. Mas então, qual o motivo dessas calúnias ainda prosperarem?

Uma das causas dessas calúnias ainda serem perpetradas está em quem as repete. Muitas vezes os ataques partem de marxistas e comunistoides, verdadeiros pirralhos intelectuais que acham que todos são mais burros do que eles. Marx e sua filosofia são marcados por uma falta de apreço à verdade. É aquela velha máxima de que os fins justificam os meios. Para atacar um inimigo, não importa que o argumento seja verdadeiro, basta que se use o que puder para atacar. O desejo do ataque torna-se maior que o apreço à verdade.

É exatamente por essas coisas que muitas das calúnias contra Pio XII ainda são papagaiadas por aí por alguns ressentidos judeus que em alguns casos devem sua existência ao próprio Pio XII e por muitos comunistas, inimigos declarados da Igreja, que vivem com o propósito de tentar destruir a Imaculada Esposa de Cristo, fazendo o trabalho sujo das hordas de demônios de satanás.

Também é por isso que ainda hoje alguns associam o Opus Dei ao fascismo espanhol. Mas esses mesmos detratores não levam em consideração fatos, como a história de Antonio Fontán, um membro do Opus Dei opositor ao ditador Franco, que foi nomeado pelo IPI (International Press Institute) um dos cinquenta "Herois da Liberdade de Imprensa" no 50° aniversário da entidade, em maio de 2000. Também é ignorado o fato de Rafael Calvo Serer, membro do Opus Dei e opositor ao regime de Franco ter morrido em Paris no ano de 1988, exilado por sua oposição à ditadura.

Ainda há muitos outros testemunhos tanto da oposição de Pio XII ao nazismo quanto da oposição do Opus Dei e de São Josemaría à ditadura de Franco. Portanto, espero que os canalhas de plantão, quando tentarem caluniar novamente, ao menos pensem em refutar os fatos e a história.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Arquivo Vaticano da época de Pio XII será aberto em cinco anos

Saudações queridos leitores!

Hoje saiu no Estadão uma notícia que todos já deveriam saber. Os arquivos do Vaticano referentes ao período do Pontificado de Pio XII serão abertos daqui a cinco anos. Em primeiro lugar, é bom esclarecer que a única razão para que o acesso aos arquivos seja restrito no momento é de ordem técnica, pois catalogar e organizar cerca de 16 milhões de arquivos (só do período de Pio XII) é algo complicado, tarefa para especialistas mesmo.

Hoje, no mesmo Estadão, foi publicada uma notícia de que pesquisas de um historiador nos arquivos britânicos que reforça a ideia de que Pio XII foi omisso em relação ao sofrimento dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a notícia, destaca-se um telegrama datado de 19 de outubro de 1943, que cita um encontro entre o representante dos Estados Unidos na Santa Sé Harold Tittimann e Pio XII. Na ocasião, Pio XII se mostra mais indignado com as "grupos comunistas que se instalam nos arredores de Roma" do que com a deportação de mais de mil judeus romanos para campos de concentração nazistas, fato ocorrido no dia anterior.

Infelizmente não tenho acesso à integra das comunicações, mas pelo que vejo aqui, um dos motivos alegados é que Pio XII não tenha se mostrado indignado o suficiente com os atos dos nazistas, mas tenha achado que a ameaça comunista era, no momento, algo mais preocupante. Todos sabemos como os comunistas estavam atacando a Igreja desde antes da Segunda Guerra, com vários religiosos sendo assassinados por toda a Europa. Os mesmos comunistas que matavam religiosos estavam cercando Roma, quem sabe o que eles poderiam fazer contra o Vaticano e contra todos os religiosos que viem na Itália?

Além do mais, não penso que o fato de que Pio XII não tenha guardado a maior indignação para a situação dos judeus do que para a situação sua e de seu próprio rebanho seja um indicador de que ele tenha se omitido, pois os Católicos eram perseguidos na época e o Papa devia zelar também por seu próprio rebanho. Será que Pio XII ficaria conhecido como um Papa que abandonou o próprio rebanho em detrimento dos judeus caso ele deixasse que os católicos perseguidos pelos nazistas perecessem?

Seus filhos e os filhos do vizinho estão se afogando em um rio. Quais deles você se esforça mais para salvar?

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

A Burka e a liberdade

Saudações queridos leitores!

Na última semana foi divulgada a intenção da França de proibir o uso da burka e no niqab, peças típicas de algumas correntes islâmicas que consistem em véus ou panos que cobrem totalmente o rosto e o corpo das mulheres. Na mesma semana, a Dinamarca anunciou intenção de elaborar um projeto de lei de teor semelhante. As razões alegadas por ambos os governos são de que tais adereços, ao impedir a identificação de quem os usa, coloca em risco as populações locais, pois possíveis terroristas podem fazer uso de tais artifícios para cometer atentados.

Sou contrário ao uso da burka e do niqab pelas mulheres, porém, sou mais contrário ainda ao método que está sendo usado para a proibição de tais vestes: o poder do Estado. Um Estado que se pretende laico - e a França é a pátria-mãe do laicismo - não pode usar de seu poder para atacar símbolos religiosos. A preocupação com a segurança, apesar de válida, não pode ser justificativa para um atentado à liberdade do exercício da fé. Assim como a França já não permite o uso do véu islâmico e cruzes pelo alunos de escolas públicas, a proibição das vestimentas das mulheres muçulmanas é uma intromissão do Estado nos indivíduos.

Reparem em toda a atenção que dão à suposta ofensa que a ostentação dos símbolos gera em certas pessoas, mas ignora-se completamente a igual ofensa que esses indivíduos sofrem por não poder manifestar abertamente sua fé individual no ambiente em que vivem. Um Católico não pode deixar de ser Católico ao sair na rua, tornando-se um ser laico enquanto transita e, ao chegar em algum local fechado que não seja público, vestir-se de Católico. É um ultraje. Pior ainda para as muçulmanas, pois, por mais que tais costumes não nos sejam agradáveis, devemos respeitar a liberdade das consciências.

O Estado, em muitos lugares, vai adquirindo características cada vez mais ditatoriais e totalitárias, sempre apoiando-se em uma suposta tolerância, em um suposto respeito aos outros. Pelo que vemos, o único respeito com o qual eles se importam é o respeito àqueles que são ideologicamente iguais a eles.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Pronunciamento acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos

Saudações queridos leitores!

67 bispos brasileiros publicaram na semana que passou um pronunciamento sobre o 3° PNDH, aquele documento de caráter ditatorial que o Presidente Lula assinou sem ler. No documento, os bispos se manifestaram fortemente contra os diversos aspectos de caráter totalitário que estão expressos no plano. Vocês já devem ter lido em outros lugares, mas mesmo assim deixo a íntegra aqui, para que todos possam tomar conhecimento do mesmo. Ainda hoje falarei sobre a iniciativa de Paulo Vanucchi de remover as propostas do aborto do programa.

Pronunciamento acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos

Nós abaixo-assinados, impelidos por nosso dever pastoral como Bispos católicos, provenientes de várias regiões do País, reunidos em um encontro de atualização pastoral – prosseguindo a tradição profética da Igreja Católica no Brasil que, nos momentos mais significativos da história de nosso País, sempre se manifestou em favor da democracia, dos legítimos direitos humanos e do bem comum da sociedade, em continuidade com a Declaração da CNBB do dia 15 de Janeiro de 2010 e com a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família e em consonância com os pareceres emitidos por diversos segmentos da sociedade brasileira feridos pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo Preside nte da República no dia 21 de dezembro de 2009 – nos vemos no dever de manifestar publicamente nossa rejeição a determinados pontos deste Programa.

Diz a referida Declaração: “A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à discriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.

Não podemos aceitar que o legítimo direito humano, já reconhecido na Declaração de 1948, de liberdade religiosa em todos os niveis, inclusive o público, possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito exclusivamente privado. Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs que ninguém tem o direito de cancelar.

Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio, cerceiam a liberdade de expressão na imprensa, reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada, limitam o exercício do poder judiciário, como ainda correm o perigo de reacendar conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia. Estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social.

Fazemos nossas as palavras do Cardeal Dom Geraldo Majela Agnelo, Primaz do Brasil, referidas à proposta de discriminalização do aborto, mas extensivas aos demais aspectos negativos do programa. O PNHD 3 “pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria, já que a maioria da população brasileira manifestou explicitamente sua vontade contrária. Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por orgãos legitimos traz à tona métodos autoritários, dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”.

“Firmes na esperança, pacientes na tribulação, constantes na oração” (Rm 12, 12), confiamos a Deus, Senhor supremo da Vida e da História, os rumos de nossa Pátria brasileira.

Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2010.

+ Alano Maria Pena, Arcebispo de Niteroi, RJ
+ Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira
+ Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ
+ Benedito Gonçalves Santos, Bispo de Presidente Prudente, SP
+ Joaquim Carreira, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ Juarez Silva, Bispo de Oeiras, PI
+ Manoel Pestana Filho, Bispo emérito de Anápolis, GO
+ José Moreira da Silva, Bispo de Januária, MG
+ Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo de Divinópolis, MG
+ Guiliano Frigenni, Bispo de Parintins, AM
+ Paulo Francisco Machado, Bispo de Uberlândia
+ Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo de Imperatriz, MA
+ Philipe Dickmans, Bispo de Miracema, TO
+ Edney Gouvêa Mattoso, Bispo eleito de Nova Friburgo, RJ
+ Carlos Alberto dos Santos, Bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, BA
+ Walter Michael Ebejer, Bispo emérito de União da Vitória, PR
+ José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas – Francisco Beltrão, PR
+ Franco Cuter, Bispo de Grajaú, MA
+ Karl Josef Romer, Secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família
+ Roberto Lopes, Abade do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, RJ
+ Orani João Tempesta OCist., Arcebispo do Rio de Janeiro, RJ
+ Eugenio de Araujo Card. Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro, RJ
+ João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia
+ Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu, RJ
+ Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+ Wilson Tadeu Jönck, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
+ Pedro Brito Guimarães, Bispo de São Raimundo Nonato, PI
+ Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, PE
+ Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos, SP
+ José Moureira de Mello, Bispo de Itapeva, SP
+ José Francisco Rezende Dias, Bispo de Duque de Caxias, RJ
+ Laurindo Guizzardi, Bispo de Foz do Iguaçu, PR
+ Gornônio Alves da Encarnação Neto, Bispo de Itapetininga, SP
+ Carmo João Rhoden, Bispo de Taubaté, SP
+ Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, BA
+ João Bosco de Sousa, Bispo de União da Vitória, PR]
+ Osvino José Both, Arcebispo Militar do Brasil, BSB
+ Capistrano Francisco Heim, Bispo Prelado de Itaituba, PA
+ Aldo di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB
+ Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, MG
+ Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos, SP
+ Diamantino Prata de Carvalho, Bispo de Campanha, MG
+ Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, SP
+ Aléssio Saccardo, Bispo de Ponta de Pedras, PA
+ Heitor de Araújo Sales, Arcebispo emérito de Natal, RN
+ Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal, RN
+ Geraldo Dantas de Andrade, Bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, MA
+ Bonifácio Piccinini, Arcebispo emérito de Cuiabá, MT
+ Tarcísio Scamarussa, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ Celso José Pinto da Silva, Arcebispo emérito de Teresina, PI
+ José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju, SE
+ Antônio Carlos Altieri, Bispo de Caraguatatuba, SP
+ Aloisio Hilário de Pinho, Bispo emérito de Jataí, GO
+ Guilherme Porto, Bispo de Sete Lagoas, MG
+ Adalberto Paulo da Silva, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE
+ Bruno Pedron, Bispo de Ji-Paraná, RO
+ Fernando Mason, Bispo de Piracicaba, SP
+ João Mamede Filho, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
+ José Maria Pires, Arcebispo emérito de Paraíba, PB
+ Alfredo Schaffler, Bispo de Parnaíba, PI
+ João Messi, Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda, RJ
+ Friederich Heimler, Bispo de Cruz Alta, RS
+ Osvaldo Giuntini, Bispo de Marília, SP
+ Assis Lopes, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+ Edson de Castro Homem, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
+Alessandro Ruffinoni, Bispo auxiliar de Porto Alegre, RS
+ Leonardo Menezes da Silva, Bispo auxiliar de Salvador, BA

Que Deus nos livre das malditas ditaduras totalitárias!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Evangelho de Domingo - 4° Domingo do Tempo Comum

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários de São Cirilo de Alexandria.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João.

Evangelho (LC 4,21-30 (4º Domingo do Tempo Comum))

21Começou então a dizer-lhes: Cumpriu-se hoje este passo da Escritura que acabais de ouvir. 22Todos davam testemunho em favor d'Ele e admiravam-se com as graciosas palavras que saíam da Sua boca. Não é Este — diziam — o filho de José? 23Disse-lhes Ele: Dir-Me-eis por certo este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Quanto ouvimos que se realizou em Cafarnaum, fá-lo aqui também na Tua terra. 24E continuou: Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra; 25mas, na realidade, vos digo Eu, muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a Terra, 26e a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta de Sidónia. 27E muitos leprosos havia em Israel, no tempo do Profeta Eliseu, mas nenhum deles foi limpo senão o sírio Naamã.

28Todos na sinagoga se encheram de furor, ao ouvirem estas coisas. 29Ergueram-se então, lançaram-No fora da cidade e levaram-No até a uma escarpa do outeiro em que estava construída a cidade, a fim de O precipitarem. 30Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o Seu caminho.

Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cirilo de Alexandria (380-444), Bispo e Doutor da Igreja.

Comentário ao evangelho de São Lucas, 22

«E o pão que Eu hei-de dar é a Minha carne, pela vida do mundo»


Como podia o homem, inexoravelmente preso à terra e submetido à morte, ter de novo acesso à imortalidade ? Era preciso que a sua carne se tornasse participante da força vivificadora que é Deus. Ora, a força vivificadora de Deus nosso Pai é a Sua Palavra, é o Filho Único; foi Ele que Deus nos enviou como Salvador e Redentor. [...]

Se deitares um pedacinho de pão em azeite, água ou vinho, impregnar-se-á das propriedades destes. Se o ferro estiver em contato com o fogo, será tomado pela energia deste e, ainda que de facto o ferro seja por natureza ferro somente, tornar-se-á semelhante ao fogo. Do mesmo modo, portanto, o Verbo vivificador de Deus, ao unir-Se à carne de que Se apropriou, tornou-a vivificadora.

Disse, com efeito: «Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida». E ainda: «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar, é a Minha carne. Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós». Do mesmo modo, portanto, ao comermos a carne de Cristo, Salvador de todos nós, e ao bebermos o Seu sangue, temos em nós a vida, tornamo-nos um com Ele, e Ele permanece em nós.

Ele tinha de vir até nós da maneira que convém a Deus, pelo Espírito Santo, e de integrar-Se de alguma forma nos nossos corpos, pela Sua santa carne e pelo Seu precioso sangue que, em benção vivificadora, recebemos no pão e no vinho. De facto [...], Deus usou de condescendência para com a nossa fragilidade e pôs toda a força da Sua vida nos elementos do pão e do vinho, que estão, assim, dotados da energia da Sua própria vida. Não hesiteis pois em crer, pois o próprio Senhor claramente o disse: «Isto é o Meu corpo» e «Isto é o Meu sangue».

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.