Recebi um link para um artigo publicado no site Prosa & Política. A julgar pelo layout do site, a autora deve ter sido censurada por algum político. Isso vem muito ao caso, pois o conteúdo do artigo tem muito a ver com isso. Acompanhem eu em preto e o artigo em vermelho (agora combinando com o layout do website!).
Um Bispo negacionista
Por Giulio Sanmartini
O anti-semitismo na Igreja Católica Apostólica Romana é um preconceito que se arrasta há 2 mil anos, desde que os hebreus foram considerados deicidas.
O anti-semitismo não é um problema da Igreja Católica. Existem anti-semitas entre os Católicos? Infelizmente sim. Mas não se pode usar isso para dizer que a Igreja é anti-semita, pois existem anti-semitas brasileiros e todos sabemos que é um absurdo monumental dizermos que o Brasil é um país anti-semita. Portanto, argumento falacioso!
Nos anos 50, eu estudava num colégio Salesiano, em uma discussão com um colega o chamei de filho da puta, mas o padre conselheiro, que era um polonês chamado Romeu, ouviu e admoestou-me vigorosamente, justifiquei-me explicando que o outro também xingara minha mãe. Aí o padre com muita simplicidade disse: “Quando for assim, xinga ele de judeu que é a mesma coisa”. Ou seja, uma manifestação inconteste de anti-semitismo em tempos bem próximos.
O mesmo argumento utilizado anteriormente. Estivesse ele estudando em um colégio do Estado e o professor lhe desse semelhante conselho, isso seria motivo para dizermos que o Estado é anti-semita? Claro que não. Esse é um caso clássico em que a falta de um é usada para imputar um crime em todo um grupo.
A tentativa sistemática da destruição da religião judaica e de seus praticantes, começou na Europa m 1231, no Concílio de Toulouse, sob a liderança d Gregório IX, papa de 1227 a 1241, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, um tribunal eclesiástico com o objetivo de extirpar e “heresia judaica”. Em 1965, com o papa Paulo VI, passou a ser chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi tão somente uma mudança de nome, os princípios continuam sem mudanças significativas por quase 8 Séculos.
Aqui a coisa degringola de vez, pois fica patente a ignorância histórica e religiosa de quem escreve o artigo. Mas dou um desconto, pois se ele aprendeu sobre a Santa Inquisição com o mesmo professor que lhe deu aquele conselho lamentável, é de se esperar. Pois bem, vamos aprender um pouquinho de História da Igreja com o Titio Fernando: Segundo a Catholic Encyclopedia, os cânons do Concílio de Toulouse referiam-se, apenas e tão somente, aos problemas decorrente dos cátaros, um grupo de hereges da região da Catária, na qual os eles estavam fazendo enormes agitações. Tratou-se de uma determinação de cunho local, de natureza disciplinar e temporária, tendo em vista a salvação eterna das almas daqueles que se expunham às heresias dos Cátaros. A expansão dos trabalhos da Santa Inquisição devem-se à disseminação das heresias cátaras e de muitas outras, que acometiam os batizados. A Inquisição não perseguiu os não-batizados, como os judeus. Porém, alguns Estados, como a Espanha, lideraram suas próprias inquisições, que tinham objetivos diferentes da Igreja e que foram admoestadas pela Mesma. Isso foi pauta de um dos primeiros textos em meu blog.
Todavia, a tentativa de exterminar os hebreus mais cruel e recente foi a perpetrada pelo nazi-fascismo teuto/italiano durante Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando nos campos de concentração foram eliminados 6 milhões de judeus.
Ingenuidade pensar que apenas os judeus foram perseguidos durante o tempo do nazismo. Também foram perseguidos ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, Católicos e qualquer um que se opusesse aos delírios de Hitler.
Pessoas até de certa importância insistem em negar esse assassinato em massa, que é chamado Holocausto. Em vários países, incluindo Israel, França, Alemanha e Áustria, a “negação do Holocausto” é contra a lei, e os “negadores” têm sido punidos com pesadas multas e com sentenças de prisão.
Não tenho nada a ver com esses negadores, porém, reconheço o direito que eles têm de ser idiotas. Punir uma opinião como um crime é um ato autoritário. O que faz com que as pessoas possam negar e em alguns casos até exaltar os extermínios que são promovido pelas ditaduras comunistas até hoje e que não possamos sequer pensar em negar o extermínio que os judeus sofreram? Ambas as tragédias são igualmente verdadeiras, mas têm tratamentos muito diferentes.
O mais conhecido desses negacionistas é o facinoroso presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, que não perde uma ocasião para declarar sua negação.
É um escroque que vai pagar por seus crimes, seja nesse mundo, seja na hora de seu juízo.
Mas é de pasmar, ver junto a esse marginal da civilização, comungando essa absurda idéia, um prelado Católico Romano, trata-se do bispo britânico Richard Nelson Williamson (70). Ele, fazendo uso de seu site na Internet, conforme anunciou revista alemã “Der Spiegel”, afirma a seus correligionários da Fraternidade São Pio X que a Shoah (*) foi uma “gigantesca mentira“ e ainda vai além: “Os 1,3 milhões de judeus deportados para Treblinka, Majdanek, Belzec e Sobibor (campos de extermínio nn.), não terminaram nas câmeras de gás, os nazistas os transferiram para a região da União Soviética ocupada pelas tropas de Hitler.”
Monsenhor Williamson falou bobeira, isso é fato. Mas isso é lá com ele. Não se pode dizer que a postura pessoal de Dom Williamson seja compartilhada pela SSPX e pela Igreja. Ademais, fora a entrevista dele na Suécia, não vi essas declarações mencionadas pelo autor do artigo. Procurei e não achei. Se alguém souber, poste nos comentários, mas se foi algo inventado, é uma mentira injustificável, que não deve passar batida só porque é lançada contra alguém que não consideram "bom".
Uma pessoa que nega o Holocausto passa a fazer parte do próprio crime do Holocausto.
Retórica furada. Uma pessoa que nega o Holocausto é só mais um idiota. Quem nega o Holocausto não precisa necessariamente fazer parte do crime, que já ocorreu e que foi lamentável, reitero. Que todos nós saibamos separar a idiotice pura e simples dos verdadeiros crimes.
Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.
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Na última semana foi divulgada a intenção da 










