quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um comentário desonesto para um Bispo "negacionista"

Saudações queridos leitores!

Recebi um link para um artigo publicado no site Prosa & Política. A julgar pelo layout do site, a autora deve ter sido censurada por algum político. Isso vem muito ao caso, pois o conteúdo do artigo tem muito a ver com isso. Acompanhem eu em preto e o artigo em vermelho (agora combinando com o layout do website!).

Um Bispo negacionista

Por Giulio Sanmartini

O anti-semitismo na Igreja Católica Apostólica Romana é um preconceito que se arrasta há 2 mil anos, desde que os hebreus foram considerados deicidas.


O anti-semitismo não é um problema da Igreja Católica. Existem anti-semitas entre os Católicos? Infelizmente sim. Mas não se pode usar isso para dizer que a Igreja é anti-semita, pois existem anti-semitas brasileiros e todos sabemos que é um absurdo monumental dizermos que o Brasil é um país anti-semita. Portanto, argumento falacioso!

Nos anos 50, eu estudava num colégio Salesiano, em uma discussão com um colega o chamei de filho da puta, mas o padre conselheiro, que era um polonês chamado Romeu, ouviu e admoestou-me vigorosamente, justifiquei-me explicando que o outro também xingara minha mãe. Aí o padre com muita simplicidade disse: “Quando for assim, xinga ele de judeu que é a mesma coisa”. Ou seja, uma manifestação inconteste de anti-semitismo em tempos bem próximos.

O mesmo argumento utilizado anteriormente. Estivesse ele estudando em um colégio do Estado e o professor lhe desse semelhante conselho, isso seria motivo para dizermos que o Estado é anti-semita? Claro que não. Esse é um caso clássico em que a falta de um é usada para imputar um crime em todo um grupo.

A tentativa sistemática da destruição da religião judaica e de seus praticantes, começou na Europa m 1231, no Concílio de Toulouse, sob a liderança d Gregório IX, papa de 1227 a 1241, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, um tribunal eclesiástico com o objetivo de extirpar e “heresia judaica”. Em 1965, com o papa Paulo VI, passou a ser chamado de Congregação para a Doutrina da Fé, foi tão somente uma mudança de nome, os princípios continuam sem mudanças significativas por quase 8 Séculos.

Aqui a coisa degringola de vez, pois fica patente a ignorância histórica e religiosa de quem escreve o artigo. Mas dou um desconto, pois se ele aprendeu sobre a Santa Inquisição com o mesmo professor que lhe deu aquele conselho lamentável, é de se esperar. Pois bem, vamos aprender um pouquinho de História da Igreja com o Titio Fernando: Segundo a Catholic Encyclopedia, os cânons do Concílio de Toulouse referiam-se, apenas e tão somente, aos problemas decorrente dos cátaros, um grupo de hereges da região da Catária, na qual os eles estavam fazendo enormes agitações. Tratou-se de uma determinação de cunho local, de natureza disciplinar e temporária, tendo em vista a salvação eterna das almas daqueles que se expunham às heresias dos Cátaros. A expansão dos trabalhos da Santa Inquisição devem-se à disseminação das heresias cátaras e de muitas outras, que acometiam os batizados. A Inquisição não perseguiu os não-batizados, como os judeus. Porém, alguns Estados, como a Espanha, lideraram suas próprias inquisições, que tinham objetivos diferentes da Igreja e que foram admoestadas pela Mesma. Isso foi pauta de um dos primeiros textos em meu blog.

Todavia, a tentativa de exterminar os hebreus mais cruel e recente foi a perpetrada pelo nazi-fascismo teuto/italiano durante Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando nos campos de concentração foram eliminados 6 milhões de judeus.

Ingenuidade pensar que apenas os judeus foram perseguidos durante o tempo do nazismo. Também foram perseguidos ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, Católicos e qualquer um que se opusesse aos delírios de Hitler.

Pessoas até de certa importância insistem em negar esse assassinato em massa, que é chamado Holocausto. Em vários países, incluindo Israel, França, Alemanha e Áustria, a “negação do Holocausto” é contra a lei, e os “negadores” têm sido punidos com pesadas multas e com sentenças de prisão.

Não tenho nada a ver com esses negadores, porém, reconheço o direito que eles têm de ser idiotas. Punir uma opinião como um crime é um ato autoritário. O que faz com que as pessoas possam negar e em alguns casos até exaltar os extermínios que são promovido pelas ditaduras comunistas até hoje e que não possamos sequer pensar em negar o extermínio que os judeus sofreram? Ambas as tragédias são igualmente verdadeiras, mas têm tratamentos muito diferentes.

O mais conhecido desses negacionistas é o facinoroso presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, que não perde uma ocasião para declarar sua negação.

É um escroque que vai pagar por seus crimes, seja nesse mundo, seja na hora de seu juízo.

Mas é de pasmar, ver junto a esse marginal da civilização, comungando essa absurda idéia, um prelado Católico Romano, trata-se do bispo britânico Richard Nelson Williamson (70). Ele, fazendo uso de seu site na Internet, conforme anunciou revista alemã “Der Spiegel”, afirma a seus correligionários da Fraternidade São Pio X que a Shoah (*) foi uma “gigantesca mentira“ e ainda vai além: “Os 1,3 milhões de judeus deportados para Treblinka, Majdanek, Belzec e Sobibor (campos de extermínio nn.), não terminaram nas câmeras de gás, os nazistas os transferiram para a região da União Soviética ocupada pelas tropas de Hitler.”

Monsenhor Williamson falou bobeira, isso é fato. Mas isso é lá com ele. Não se pode dizer que a postura pessoal de Dom Williamson seja compartilhada pela SSPX e pela Igreja. Ademais, fora a entrevista dele na Suécia, não vi essas declarações mencionadas pelo autor do artigo. Procurei e não achei. Se alguém souber, poste nos comentários, mas se foi algo inventado, é uma mentira injustificável, que não deve passar batida só porque é lançada contra alguém que não consideram "bom".

Uma pessoa que nega o Holocausto passa a fazer parte do próprio crime do Holocausto.

Retórica furada. Uma pessoa que nega o Holocausto é só mais um idiota. Quem nega o Holocausto não precisa necessariamente fazer parte do crime, que já ocorreu e que foi lamentável, reitero. Que todos nós saibamos separar a idiotice pura e simples dos verdadeiros crimes.

Um último comentário. No título da postagem, negacionista está entre aspas porque não consegui confirmar as declarações exibidas pelo autor do artigo. Como só vi Dom Williamson negar a dimensão do Holocausto, o que, por si só, já é uma besteira e tanto, isso não o classifica como negacionista, mas como algo do tipo "reducionista". Uma posição lamentável de qualquer jeito.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Ajude a defender a Igreja - http://www.defesacatolica.com.br/

Um comentário:

liberdade de expressão disse...

Boa refutação.
O negócio do artigo é tipo: "anticatolicismo sim, antissemitismo não!"
Criminalizar idéias e opiniões (e até estudos, como acontece com os revisionistas) é uma coisa ridícula, e ainda por cima extremamente injusta quando trata de beneficiar apenas um dos lados.
Como você disse, ninguém é punido ou perseguido por defender o comunismo ou "negar" os genocídios nos regimes socialistas, mas...
Abs,
Carlos