segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Burka e a liberdade

Saudações queridos leitores!

Na última semana foi divulgada a intenção da França de proibir o uso da burka e no niqab, peças típicas de algumas correntes islâmicas que consistem em véus ou panos que cobrem totalmente o rosto e o corpo das mulheres. Na mesma semana, a Dinamarca anunciou intenção de elaborar um projeto de lei de teor semelhante. As razões alegadas por ambos os governos são de que tais adereços, ao impedir a identificação de quem os usa, coloca em risco as populações locais, pois possíveis terroristas podem fazer uso de tais artifícios para cometer atentados.

Sou contrário ao uso da burka e do niqab pelas mulheres, porém, sou mais contrário ainda ao método que está sendo usado para a proibição de tais vestes: o poder do Estado. Um Estado que se pretende laico - e a França é a pátria-mãe do laicismo - não pode usar de seu poder para atacar símbolos religiosos. A preocupação com a segurança, apesar de válida, não pode ser justificativa para um atentado à liberdade do exercício da fé. Assim como a França já não permite o uso do véu islâmico e cruzes pelo alunos de escolas públicas, a proibição das vestimentas das mulheres muçulmanas é uma intromissão do Estado nos indivíduos.

Reparem em toda a atenção que dão à suposta ofensa que a ostentação dos símbolos gera em certas pessoas, mas ignora-se completamente a igual ofensa que esses indivíduos sofrem por não poder manifestar abertamente sua fé individual no ambiente em que vivem. Um Católico não pode deixar de ser Católico ao sair na rua, tornando-se um ser laico enquanto transita e, ao chegar em algum local fechado que não seja público, vestir-se de Católico. É um ultraje. Pior ainda para as muçulmanas, pois, por mais que tais costumes não nos sejam agradáveis, devemos respeitar a liberdade das consciências.

O Estado, em muitos lugares, vai adquirindo características cada vez mais ditatoriais e totalitárias, sempre apoiando-se em uma suposta tolerância, em um suposto respeito aos outros. Pelo que vemos, o único respeito com o qual eles se importam é o respeito àqueles que são ideologicamente iguais a eles.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

4 comentários:

Iasmin disse...

A minha pergunta fica aqui, como muçulmana convertida e filha de um pai que ja foi franciscano e ama francisco de assis (e eu tambem o amo): por que a oposiçao ao uso de roupas que cobrem a mulher? Por que voces acham que isso é opressao? Nós amamos nos cobrir, e é muito melhor andarmos cobertas e mantermos nosso respeito do que andarmos sem nada.

Iasmin disse...
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Iasmin disse...
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Fernando Tavolaro de Castro disse...

Olá Iasmin!

Se você reparar, verá que eu condeno a proibição do uso da burka e do niqab por parte do governo da França. Porém, também sou contrário à imposição do uso de tais vestes a muitas mulheres muçulmanas mundo afora. Ou você acha que todas as mulheres muçulmanas usam véus, burkas e niquabs porque querem?

Também sou contrário às punições contra as mulheres que tentam livrar-se de tais vestes e são condenadas com base na sharia às mais diversas punições, chegando em casos extremos, à morte.

Fique com Deus,
Fernando.