quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pergunte ao Fernando: O Levítico e o aborto

Saudações queridos leitores!

Recebi hoje pela manhã pelo e-mail pergunte@blogdofernando.com.br uma dúvida do leitor e amigo Teodorico. Como é algo que tem relação com um tema da maior importância para todo mundo, reproduzo sua dúvida e a minha resposta.

Olá, Fernando

(...)

Minha dúvida (da vez, rs), é a seguinte (não lembro se já fiz essa pergunta, em caso positivo, peço desculpas, mas não lembro da resposta):

Ao assistir um filme é citado (para defender o aborto) que a alma não surge no momento da concepção (óvulo + espermatozóide) e sim após 18 dias que é quando o feto possui sangue, e foi citado Levítico 17,1: "Pois a alma da carne está no sangue e dei-vos esse sangue para o altar, a fim de que ele sirva de expiação por vossas almas, porque é pela alma que o sangue expia" Como fundamentar este argumento que deve ter alguma falha que não consigo encontrar devido ao fato de não ter conhecimentos teológicos suficientes?

(...)

Abração Cristão.

Francisco Teodorico Pires de Souza
http://reflexoeseutopias.wordpress.com/

Olá Francisco!

Para respondermos a tal afirmativa, devemos ter em mente que as Sagradas Escrituras não foram escritas com a intenção de ser um livro científico, mas que elas foram escritas para que possamos alcançar a Salvação.

Diversas passagens bíblicas fazem descrições imprecisas e até incorretas em relação a fatos científicos, mas isso não tem importância prática, pois, além de ser o conhecimento da época, não são elementos necessários à Salvação. Um exemplo que posso dar é quando se fala nos Evangelhos que o grão de mostarda é a menor semente existente. Apesar do grão de mostarda ser uma semente bem pequena, hoje em dia sabemos que existem sementes menores na natureza. Isso invalida a parábola que foi ilustrada pelo exemplo? Definitivamente não.

Da mesma forma, a afirmação de que a alma reside no sangue da pessoa não tem valor salvífico, pois a ideia que é passada, que é a de que a alma está em nós desde o princípio, dado que para os judeus onde não há sangue não há vida, é um conceito que não podemos levar ao pé da letra. Mas a ideia foi perfeitamente passada: já que para os judeus o sangue é sinônimo de vida (lembre-se de que eles não comem carne com sangue), ao afirmar que a alma reside no sangue, devemos entender que a alma reside onde existe a vida. Portanto, desde que esteja vivo, já tem alma. Hoje sabemos que a partir da concepção é um ser inteiramente novo, porém totalmente dependente, que existe.

Pense também nas transfusões de sangue. Será que ao recebermos sangue via transfusão recebemos também um "pedacinho" da alma do doador? E será que perdemos parte de nossa alma toda vez que sangramos?

Mande você também suas dúvidas para pergunte@blogdofernando.com.br.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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