segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Comunhão na mão e a gripe

Saudações queridos leitores!

Nesse domingo recebi a Sagrada Comunhão na mão pela primeira vez em muito tempo. Confesso que fiquei muito apreensivo, além de um pouco triste com a situação que vivemos. Essa medida está sendo adotada em várias dioceses Brasil afora por causa da pandemia de gripe H1N1, conhecida como gripe suína, mas que não tem a ver com porcos.

Pois bem, não vou entrar no mérito técnico das medidas de prevenção, já que não tenho formação para tal. Mas uma coisa que me chama muito a atenção são os decretos que os bispos estão emitindo em relação a esse caso. Como exemplo, vejamos o decreto emitido por Dom Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos.

Diante do crescimento dos casos de “gripe suína” em nosso País, particularmente em nosso Estado, e considerando que todos têm a responsabilidade de evitar situações e circunstâncias que facilitem a transmissão do vírus, determino, para a Diocese de São José dos Campos:

- que, nas celebrações, sejam omitidos o abraço de paz bem como o costume de rezar o Pai-Nosso de mãos dadas;

- que a Sagrada Comunhão seja distribuída aos fiéis somente sob a espécie de pão na mão.

São José dos Campos, 25 de julho de 2009.

Dom Moacir Silva

Bispo Diocesano.

Pois bem, a primeira parte do decreto é realmente louvável, pois vai acabar com a baderna que tornou-se o momento do abraço da paz, onde vemos gente correndo por toda a Igreja, gritando, dando abracinhos e pulinhos, enquanto Cristo imolado no altar fica a ver navios. Até mesmo muitos padres acabam por largar o presbitério e "ir pra galera". É um desrespeito que espero que acabe mesmo.

Quanto ao costume de se rezar o Pai-Nosso de mãos dadas, é bom que acabe também, pois isso é fruto de um sentimentalismo estranho à Igreja Católica. É algo desnecessário e por vezes constrangedor para muitas pessoas. A celebração da Santa Missa, se for feita como mandam as regras, é bem mais austera do que imaginamos.

Mas o que me preocupa é a segunda recomendação. De acordo com o decreto, a Sagrada Comunhão deve ser distribuída à assembleia apenas em forma de pão e na mão. Existe um problema gravíssimo em relação a isso, pois o fiel não pode ser impedido de receber a Sagrada Comunhão na boca e, quando um bispo toma tal medida, está indo contra a própria Igreja.

A Redemptionis Sacramentum é bem clara quanto a isso: "[92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia.".

O ponto 178 a que faz referência a citação é a Instrução Geral do Missal Romano, que diz em seu ponto 161 que "se a Comunhão é dada sob a espécie do pão somente, o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada, dizendo: O Corpo de Cristo. Quem vai comungar responde: Amém, recebe o Sacramento, na boca ou, onde for concedido, na mão, à sua livre escolha. O comungante, assim que recebe a santa hóstia, consome-a inteiramente.".

Portanto, há um confronto claro entre os decretos que estão sendo emitidos pelo Brasil e as normas milenares da Igreja. Penso que é muito necessário um posicionamento da Santa Sé em relação a isso, pois corre-se o risco de sepultar uma norma da Igreja.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Nenhum comentário: