Os monges cistercienses de Heiligenkreuz, um mosteiro de Viena, estão famosos. Eles foram descobertos pela gravadora Universal após colocarem um vídeo no YouTube.
Pois bem, a revista Veja publicou uma reportagem sobre os monges e sobre o sucesso que eles estão fazendo. O que me chamou a atenção foi o tom desrespeitoso e que às vezes chega a parecer jocoso utilizado na reportagem.
Vejam o trecho que destaco abaixo:
"Situado nos arredores de Viena, o Mosteiro de Heiligenkreuz é um dos pontos de peregrinação do catolicismo. Ano após ano, cerca de 170 000 fiéis visitam o local, a fim de adorar uma relíquia da cruz onde supostamente morreu Jesus Cristo."
A sentença acima é duplamente capiciosa. Qual a intenção do repórter em se referir à relíquia como se fosse da cruz onde "supostamente" morreu Jesus Cristo? Para a reportagem, simplesmente nenhuma. E veja o mal uso do termo adorar. Ao escrever que os peregrinos vão lá para "adorar" a relíquia, ele quer instituir que os Católicos são idólatras. Avaliando o repórter pelo texto escrito, certamente ele não está mencionando a adoração indireta.
A frase seguinte também não ajuda muito. Vejam:
"Atualmente, contudo, novos turistas percorrem os corredores do mosteiro. São fãs de música clássica, que querem conferir a cantoria dos monges ali residentes."
Cantoria é o que a gente faz no chuveiro! O canto gregoriano tem toda uma sacralidade e um propósito que o impedem de ser classificado como tal. O canto gregoriano é uma das mais majestosas formas de oração, que serve para elevar o espírito dos fiéis e tornar o contato com Deus mais fácil. Está muito além da mera cantoria.
O último parágrafo da reportagem começa de forma ultrajante:
"O monge Wallner promoveu a música de seus confrades com a habilidade comercial de um vendilhão do templo."
Eu tenho uma teoria de que pessoas sem noção simplesmente existem. Mas isso é demais. Será que esse repórter não tem o mínimo de bom senso necessário para perceber que fazer tal comparação sobre um monge é simplesmente um ultraje? É uma afronta que um monge saiba aproveitar devidamente o sucesso de seu trabalho seja comparado com um vendilhão. Nunca vi repórter algum fazer comparação semelhante com o Edir Macedo, expoente máximo da exploração dos pobres coitados alienados que vendem as cuecas para dar dinheiro para a seita dele. Só porque Dom Wallner é um monge ele é obrigado a ser inocente e ser passado facilmente pra trás? Ah, tenha santa paciência.
Como diz o Marcio Antonio: Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que escrevem.
Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.































