sábado, 22 de março de 2008

Sábado, Vigília Pascal

Saudações queridos leitores!

Sábado, 22 de março - Mt 28, 1-10 (Vigília Pascal)

O Cristo Ressuscitado, de Fra Angélico

1Ao romper da alva do primeiro dia da semana, depois do sábado, foram Maria Madalena e a outra Maria ver o sepulcro. 2Senão quando sentiu-se um grande terramoto, porque um Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. 3O seu aspecto era como o relâmpago, e o vestido branco como neve. 4Com medo dele, assombraram-se os guardas e ficaram como mortos. 5Mas o Anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não tenhais medo, vós, pois sei que buscais a Jesus, o crucificado. 6Não está aqui, porque ressuscitou como tinha dito. Vinde ver o lugar onde jazia 7e depois ide depressa dizer aos discípulos: Ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis. Eis que eu vo-lo disse.
8Elas saíram à pressa do sepulcro com medo e com grande alegria e correram a dar a notícia aos discípulos. 9E eis que Jesus lhes saiu ao encontro, dizendo: Deus vos salve. E elas aproximaram-se, abraçaram-se-Lhe aos pés e adoraram-No. 10Disse-lhes então Jesus: Não temais. Ide dar a notícia aos Meus irmãos, para que vão para a Galileia e lá Me verão.

Palavra da Salvação.

Reflexão de Santo Hesíquio (?-c. 451), monge, presbítero

I Homilia para a Páscoa

“Esta é a noite em que Cristo, quebrando as cadeias da morte, Se levanta vitorioso do túmulo”

O céu brilha quando é iluminado pelo coro das estrelas, e o universo brilha ainda mais quando se ergue a estrela da manhã. Mas esta noite resplandece, não tanto com o brilho dos astros, mas de alegria perante a vitória do nosso Deus e Salvador: “Tende confiança! Eu venci o mundo”, diz Ele (Jo 16, 3). Depois desta vitória de Deus sobre o inimigo invisível, também nós obteremos certamente a vitória sobre os demónios. Permaneçamos, pois, junto da cruz da nossa salvação, a fim de colhermos os primeiros frutos dos dons de Jesus. Celebremos esta noite santa com chamas sagradas; façamos erguer a música divina, cantemos um hino celeste. O “Sol da justiça” (Mal 3, 20), Nosso Senhor Jesus Cristo, iluminou este dia para todo o mundo, erguendo-Se por meio da cruz e salvando os crentes. […]

A nossa assembleia, meus irmãos, é uma festa de vitória, a vitória do Rei do Universo, Filho de Deus. Hoje, o demónio foi destruído pelo Crucificado, e a humanidade encheu-se de alegria pelo Ressuscitado. […] Exclama este dia: “Hoje, vi o Rei do Céu, cingido de luz, subir acima do brilho e de toda a claridade, acima do sol e das águas, acima das nuvens.” […] Ele esteve oculto, primeiro no seio de uma mulher, depois no seio da terra, primeiro santificando aqueles que são gerados, em seguida concedendo a vida pela Sua ressurreição àqueles que morreram, porque “deles fugirão a tristeza e os gemidos” (Is 35, 10). […]

Hoje, o paraíso foi aberto pelo Ressuscitado, Adão voltou à vida, Eva foi consolada, o chamamento foi ouvido, o Reino está preparado, o homem foi salvo, Cristo é adorado. Ele esmagou a morte a Seus pés, aprisionou esse tirano, desbaratou a mansão dos mortos. Ele sobe aos céus, vitorioso como um rei, glorioso como um chefe […], e diz a Seu Pai: “Eis-Me aqui, e os filhos que Me deu o Senhor” (Heb 2, 13). Glória a Ele, agora e pelos séculos dos séculos.

Fiquem com Deus,
Fernando.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sexta-feira, Paixão e Morte de Jesus

Saudações queridos leitores!

Sexta-feira, 21 de março - Jo 18, 1-40; 19, 1-42 (Paixão e Morte de Jesus)

1Dito isto, saiu Jesus com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron, onde havia um jardim, em que Ele entrou com os discípulos. 2Ora Judas, o que O ia entregar, conhecia também aquele sítio, por Jesus Se ter lá reunido muitas vezes com os discípulos. 3Judas, portanto, depois de tomar a coorte e alguns dos guardas dos Sumos Sacerdotes e dos Fariseus, vem ali ter, com archotes, lanternas e armas.
4Então Jesus, que sabia tudo o que Lhe ia acontecer, adiantou-Se e disse-lhes: A quem buscais? 5Responderam-Lhe: A Jesus de Nazaré! Sou Eu! - retorquiu-lhes Jesus. Judas, o que O ia entregar, também se encontrava com eles. 6Mas quando lhes disse: "sou Eu", recuaram e caíram por terra. 7Perguntou-lhes então novamente: A quem buscais? A Jesus de Nazaré! 8Já vos disse que sou Eu, replicou-lhes Jesus; se é, pois, a Mim que buscais, deixai que estes se retirem. 9Isto, para se cumprir a palavra que havia proferido: "Daqueles que Me deste, não perdi nenhum!"
10Então Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o criado do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O criado chamava-se Malco. 11Jesus, porém, disse a Pedro: Mete a espada na bainha. Não havia de beber o cálice que o Pai Me deu?
12Então a coorte, o tribuno e os guardas dos Judeus apoderaram-se de Jesus, e ligaram-No.
13E levaram-No a Anás em primeiro lugar, por ser o sogro de Caifás, que era o Sumo Sacerdote desse ano. 14Tinha sido Caifás que havia dado este conselho aos Judeus: "Interessa que morra um só homem pelo povo!"
15Entretanto, Simão Pedro ia seguindo a Jesus com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou juntamente com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote, 16enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora. Saiu então o outro discípulo, conhecido do Sumo Sacerdote, falou à porteira e levou Pedro para dentro. 17Diz a Pedro a criada que servia de porteira: Tu não és também dos discípulos desse homem? Ele responde: Não sou! 18Achavam-se ali presentes os criados e os guardas, que, por estar frio, tinham feito um brasido e estavam a aquecer-se. Pedro encontrava-se igualmente ali com eles a aquecer-se.
19O Sumo Sacerdote interrogou Jesus sobre os Seus discípulos e a Sua doutrina. 20Jesus respondeu-lhe: Eu falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no Templo, onde todos os Judeus se reúnem, e não falei de nada em segredo. 21Porque Me interrogas? Pergunta aos que ouviram aquilo que Eu lhes falei; eles bem sabem o que Eu disse.
22A estas palavras, um dos guardas, que ali estava, deu uma bofetada a Jesus, dizendo: É assim que respondes ao Sumo Sacerdote? 23Jesus respondeu-lhe: Se falei mal, mostra onde está o mal. Mas se falei bem, porque Me bates? 24Então Anás mandou-O ligado ao Sumo Sacerdote Caifás.
25Entretanto, Simão Pedro estava ali a aquecer-se. Disseram-lhe então: Tu não és também dos discípulos d'Ele? Pedro negou, dizendo: Não sou! 26Replicou um dos criados do Sumo Sacerdote, que era parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Então eu não te vi com Ele no jardim? 27Pedro negou novamente, e logo um galo cantou.
28Levam, então, Jesus de Caifás ao pretório. Era de manhã. Eles, porém, não entraram no pretório, para não contraírem impureza e poderem comer a páscoa. 29Pilatos, então, veio cá fora ter com eles e disse: Que acusação trazeis contra este homem? 30Responderam-lhe: Se Ele não fosse malfeitor, não t'O haveríamos entregado. 31Retorquiu-lhes Pilatos: Tomai-O vós e julgai-O segundo a vossa Lei! Replicaram-lhe os Judeus: Não nos é permitido dar morte a ninguém. 32Isto, para se cumprir a palavra que Jesus dissera, ao indicar de que morte ia morrer.
33Então Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e disse-Lhe: Tu és o Rei dos Judeus? 34Jesus respondeu-lhe: É por ti mesmo que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim? 35Porventura sou eu judeu? replicou Pilatos. A Tua nação e os Sumos Sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste? 36Jesus retorquiu: O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, os Meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue aos Judeus. Mas, de facto, o Meu Reino não é daqui. 37Disse-Lhe então Pilatos: Logo Tu és Rei? É como dizes - retorquiu Jesus - sou Rei! Para isso é que Eu nasci e para isso é que vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a Minha voz. 38Diz-Lhe Pilatos: Que é a verdade?
Dito isto, foi novamente lá fora ter com os Judeus e disse-lhes: Eu não encontro n'Ele culpa alguma. 39Vós tendes, porém, como um costume que eu vos solte alguém pela Páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? 40Então eles gritaram de novo: Esse não! Antes Barrabás. Ora Barrabás era um salteador.

1Então Pilatos mandou que tomassem a Jesus e O açoitassem. 2Os soldados, depois de tecerem uma coroa de espinhos, colocaram-Lha na cabeça e envolveram-No com um manto de púrpura. 3Depois, avançavam com Ele e diziam: Salve, ó Rei dos Judeus! E davam-Lhe bofetadas.
4Pilatos, então, foi novamente lá fora e disse-lhes: Olhai que vo-Lo trago cá fora, para saberdes que não encontro n'Ele culpa alguma. 5Veio, pois, Jesus cá fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Aqui está o homem! lhes diz Pilatos. 6Quando O viram, os Sumos Sacerdotes e os guardas disseram a gritar: Crucifica-O, crucifica-O! Tomai-O vós mesmos e crucificai-O, lhes diz Pilatos, que eu não encontro n'Ele culpa. 7Responderam-lhe os Judeus: Nós temos uma lei e, segundo essa lei, Ele deve morrer, por Se ter feito Filho de Deus!
8Quando Pilatos ouviu tais palavras, mais se assustou. 9Voltou a entrar no pretório e disse a Jesus: Donde és Tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. 10Diz-Lhe então Pilatos: Não me falas? Não sabes que tenho poder para Te soltar e poder para Te crucificar? 11Jesus respondeu: Não terias qualquer poder sobre Mim, se Te não fora dado lá do Alto! Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado. 12A partir de então, procurava Pilatos libertá-Lo. Mas os Judeus disseram a gritar: Se O libertares, não és amigo de César: todo aquele que se faz rei declara-se contra César.
13Então Pilatos, ao ouvir tais palavras, trouxe Jesus cá para fora e veio sentar-se no tribunal, num lugar que se chamava Lajeado, em hebraico Gabatá. 14Era a Preparação da Páscoa e por volta da hora sexta. Disse ele aos Judeus: Aí está o vosso Rei! 15Mas eles gritaram: À morte, à morte. Crucifica-O! Disse-lhes Pilatos: Hei-de crucificar o vosso Rei? Retorquiram os Sumos Sacerdotes: Não temos como rei senão a César! 16Então, entregou-lh'O para ser crucificado.
17Levaram, pois, Jesus consigo. Este, carregando com a cruz, saiu para o chamado lugar do Crânio, que em hebraico se diz Gólgota. 18Lá O crucificaram e, com Ele, mais dois: um de cada lado e Jesus no meio. 19Pilatos escreveu também um letreiro e colocou-o na cruz. Tinha escrito: "Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus". 20Este letreiro, leram-no muitos dos Judeus, porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado estava perto da cidade. Estava escrito em hebraico, em latim e em grego. 21Diziam então a Pilatos os Sumos Sacerdotes dos Judeus: Não escrevas: "O Rei dos Judeus", mas que "Ele afirmou: Eu sou o Rei dos Judeus". 22Pilatos retorquiu: O que escrevi está escrito!
23Quando os soldados crucificaram Jesus, tomaram as Suas vestes, - de que fizeram quatro lotes, um para cada soldado, - e também a túnica. A túnica era sem costura, tecida toda inteira de alto a baixo. 24Disseram, pois, entre si: Não a rasguemos, vamos antes tirá-la à sorte, para ver de quem será. Isto, para se cumprir a Escritura, que diz: Repartiram entre si as Minhas vestes e sobre a Minha túnica deitaram sortes. Assim fizeram, pois, os soldados.
25Estavam junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria de Magdala. 26Jesus, ao ver a mãe e o discípulo que amava, ali presente, diz à mãe: Senhora, eis o teu filho. 27A seguir, diz ao discípulo: Eis a tua mãe. E a partir daquele momento, recebeu-a o discípulo em sua casa.
28Depois disto, sabendo Jesus que tudo estava consumado, exclama, para se cumprir plenamente a Escritura: Tenho sede! 29Estava ali um recipiente cheio de vinagre. Aplicando, pois, a uma haste numa esponja embebida em vinagre, levaram-Lha à boca. 30Depois de tomar o vinagre, Jesus disse: Tudo está consumado! E, inclinando a cabeça, expirou.
31Então os Judeus, visto ser a Preparação, para os corpos não ficarem na cruz ao sábado, pois era um grande dia aquele sábado, pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 32Vieram, pois, os soldados e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com Ele. 33Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, 34mas um dos soldados perfurou-Lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água. 35Aquele que o viu é que o atesta, e é verdadeiro o seu testemunho; ele sabe que diz a verdade, para vós também acreditardes. 36É que isto sucedeu para se cumprir a Escritura: Nem um só dos seus ossos se há-de quebrar! 37Diz ainda outro passo da Escritura: Hão-de olhar para Aquele que trespassaram!
38Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos Judeus, pediu a Pilatos para levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. Veio, pois, tirar-Lhe o corpo. 39Veio, também Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Ele de noite; trazia uma mistura de cerca de cem libras de mirra e aloés. 40Tomaram, pois, o corpo de Jesus, e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes, segundo é costume sepultar entre os Judeus. 41No lugar onde Ele tinha sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, no qual ainda ninguém fora depositado. 42Foi, pois, ali que, por causa da Preparação dos Judeus e por o túmulo ficar perto, depositaram Jesus.

Palavra da Salvação.

Reflexão do Beato Guerric d'Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense.

IV Sermão para os Ramos “Felizes os que Nele procuram abrigo” (Sl 2, 12)

Bem-aventurado seja Aquele que, para me permitir ocultar-me “nas fendas dos rochedos” (Cant 2, 14), deixou que Lhe perfurassem as mãos, os pés e o lado. Bem-aventurado Aquele que Se abriu por completo a mim, a fim de que eu pudesse penetrar no admirável santuário (Sl 41, 5) e “abrigar-me na Sua tenda” (Sl 26, 5). Este rochedo é um refúgio […], doce lugar de repouso para as pombas, e os orifícios escancarados das chagas que tem por todo o corpo oferecem o perdão aos pecadores e concedem a graça aos justos. É morada segura, irmãos, “torre sólida contra o inimigo” (Sl 60, 4), habitar por meio da meditação amante e constante as chagas de Cristo Nosso Senhor, procurar na fé e no amor pelo crucificado abrigo seguro para a nossa alma, abrigo contra a veemência da carne, as trevas deste mundo, os assaltos do demónio. A protecção deste santuário sobrepõe-se a todas as vantagens deste mundo. […]

Entra pois neste rochedo, esconde-te […], refugia-te no Crucificado. […] O que é a chaga do lado de Cristo, senão a porta aberta da arca para os que serão preservados do dilúvio? Mas a Arca de Noé era apenas um símbolo; isto é a realidade; já não se trata de salvar a vida mortal, mas de receber a imortalidade. […]

É pois razoável que a pomba de Cristo, a sua amiga formosa (Cant 2, 13-14) […], cante hoje os Seus louvores com alegria. Da memória ou da imitação da Paixão, da meditação das Suas santas chagas, como das fendas do rochedo, a sua voz dulcíssima ressoa aos ouvidos do Esposo (Cant 2, 14).

Fiquem com Deus,
Fernando.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Quinta-feira, A Última Ceia

Saudações queridos leitores!

Quinta-feira, 20 de março - Jo 13, 1-15 (Última Ceia)

1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os Seus, que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles. 2E, no decorrer da ceia, como o Diabo já tivesse metido na cabeça a Judas Iscariotes, filho de Simão, que O entregasse, 3sabendo Ele que o Pai tudo Lhe pusera nas mãos, e ainda que de Deus saíra e para Deus voltava, 4levanta-Se da mesa, depõe as vestes e, tomando uma toalha, põe-na à cintura. 5A seguir, deita água numa bacia e começa a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.
6Chega então a Simão Pedro. Senhor - Lhe diz ele - Tu vai lavar-me os pés?! 7Respondeu-lhe Jesus: O que Eu estou a fazer, não o podes entender por agora, hás-de compreendê-lo depois. 8Não - diz-lhe Pedro - nunca me lavarás os pés! Respondeu-lhe Jesus: Se não te lavar, não terás parte comigo. 9Senhor - Lhe diz Simão Pedro - então não só os pés, mas também as mãos e a cabeça! 10Jesus respondeu-lhe: Quem tomou banho não precisa de se lavar; está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos! ... 11É que Ele bem sabia quem O ia entregar; por isso é que disse: "Nem todos estais limpos". 12Depois de lhes lavar os pés, de retomar as vestes e de Se pôr de novo à mesa, disse-lhes: 13Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, visto que o sou. 14Ora, se Eu vos lavei os pés, sendo Senhor e Mestre, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15É que Eu dei-vos o exemplo para que, assim como Eu vos fiz, vós façais também.

Palavra da Salvação.

Reflexão de Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, co-padroeira da Europa

Carta 129

“Sabendo que a sua hora tinha chegado…, Jesus amou-os até ao fim”

Sede obedientes até à morte, a exemplo do Cordeiro sem mancha que obedeceu a seu Pai até à morte vergonhosa da cruz. Pensem que ele é o caminho e a regra que deveis seguir. Tende-o sempre presente diante dos olhos do vosso espírito. Vede como ele é obediente, este Verbo, a Palavra de Deus! Ele não recusa transportar o fardo das dores de que seu Pai o encarregou; pelo contrário, ele lança-se, animado de um grande desejo. Não é isso que ele manifesta na Ceia de quinta-feira santa quando diz: “Tenho ardentemente desejado comer convosco esta Páscoa, antes de padecer” (Lc 22,15)? Por “comer a Páscoa”, ele entende o cumprimento da vontade do Pai e do seu desejo. Não vendo quase mais nenhum tempo à sua frente (ele via-se já no fim, quando devia sacrificar o seu corpo por nós), ele exulta, rejubila e diz com alegria: “ Desejei ardentemente”. Aqui está a Páscoa de que ele falava, aquela que consistia em se dar a si próprio em alimento, a imolar o seu próprio corpo para obedecer ao Pai.

Jesus tinha celebrado muitas outras Páscoas com os discípulos, mas nunca esta, ó indizível, doce e ardente caridade! Tu não pensas nem nas tuas dores nem na tua morte ignominiosa; se tivesses pensado nisso, não terias sido tão feliz, não lhe terias chamado uma Páscoa. O Verbo viu que foi ele próprio que foi escolhido, ele próprio que recebeu por esposa a nossa humanidade. Pediram-lhe que nos desse o seu próprio sangue a fim de que a vontade do Pai se cumprisse em nós, a fim de que seja o seu sangue que nos santifica. Vede bem a doce Páscoa que aceita este cordeiro sem mancha (Ex 12, 5), e é com um grande amor e um grande desejo que ele cumpre a vontade do Pai e que observa inteiramente o seu desejo. Que doce amor indizível!...

É por isso, meus bem-amados, que vos peço que nunca tenham medo de nada e que coloquem toda a vossa confiança no sangue de Cristo crucificado… Que qualquer temor servil seja banido do vosso espírito. Direis com S. Paulo…: Por Cristo crucificado, tudo posso, pois ele está em mim por desejo e por amor, e fortalece-me (Fil 4,13; Gal 2,20). Amai, amai, amai! Pelo seu sangue, o doce cordeiro fez da vossa alma um rochedo inabalável.

Fiquem com Deus,
Fernando.

quarta-feira, 19 de março de 2008

São José é exemplo para missionários, afirma Arcebispo mexicano

Saudações queridos leitores!

Hoje é dia de São José, pai nutrício de Jesus, padroeiro dos pais e da minha cidade, São José dos Campos. Fiquem com reportagem de ACI.

São José é exemplo para missionários, afirma Arcebispo mexicano

.- O Arcebispo de Yucatán, Dom Emilio Carlos Berlie Belaunzarán, afirmou aos participantes da Mega-missão de Semana Santa, que São José é um exemplo para o missionário que diante da incerteza confia em Deus.

"São José, depois da incerteza de que sua prometida (Maria), tinha concebido antes do matrimônio, foi convidado a uma missão extraordinária mas sem recursos extraordinários", afirmou o Prelado ante as centenas de participantes que assistiram à Missa celebrada na Paróquia Cristo Ressuscitado.

Nesse sentido, assinalou que "São José pode resultar de grande utilidade no que chamamos exemplaridade, como exemplo de vida". Recordou que durante sua vida "teve dúvidas, incertezas e perplexidades. Não sabia o que fazer e como atuar, mas ainda sem conhecer nehuma de suas palavras conhecemos suas respostas".

Por isso, disse aos missionários que em seu trabalho pastoral "vão encontrar situações parecidas", mas também, assim como o santo, devem confiar em Deus.

Dom Berlie Belaunzarán pediu para que São José "nos faça assim, cheios de fé, para que Deus abençoes todo o trabalho e que os frutos fiquem na misericórdia de Deus".

São José, rogai por nós.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Dia de São José

Saudações queridos leitores!

Minha singela homenagem a São José. Fonte: Católico.org.br

São José


São José é o padroeiro da Igreja Universal, o advogado dos lares cristãos e o modelo dos operários. Assim como Abraão e os patriarcas, José aguardava ansiosamente o cumprimento das promessas de Deus, entretanto, realiza suas promessas provando-o na fé. Com efeito, São José está comprometido com Maria, que fica grávida de um filho que não é dele. Não entende o que se passa. Vacila. Fica confuso e agoniado, mas acolhe a Palavra que lhe ordena tomar Maria como esposa e acolher o Menino que vai nascer. O próprio nascimento de Jesus não pôde ser programado. O Menino nasce em um estábulo, em meio a animais, à margem da sociedade. Os que vêm prestar-lhe culto é gente estranha, moradores fora das fronteiras de seu país. Não bastasse isso, Jesus é ameaçado de morte. José é obrigado a deixar a terra natal e fugir para o Egito. No Egito, luta arduamente para sobreviver numa terra estrangeira na clandestinidade. Aguarda o momento do regresso, quando a vida de Jesus não mais estiver ameaçada. Todavia, a vida do Messias estará sempre ameaçada durante todos os seus dias, até sua morte, e continua ameaçada ainda hoje, nas pessoas daqueles que lutam pela implantação do Reino na face da terra.

Oração

Prece do homem justo

"Hoje um grande triunfo cantamos, celebrando fiéis este dia. São José mereceu hoje a vida, e entrou na eterna alegria. É feliz por demais este homem que, na hora de extrema agonia, recebeu o supremo conforto pela voz de Jesus e Maria. Homem justo, na paz adormece, libertado dos laços mortais, e recebe brilhante coroa no esplendor das mansões eternais. Ao que reina, fiéis imploremos, fique perto de nós, os mortais; nos liberte da culpa e nos dê o presente supremo da paz. A vós glória, poder, majestade, trino Deus, que no alto reinais, com áurea coroa para sempre, vosso servo fiel premiais". (Hino - Liturgia das Horas, op. cit., p.1496) ORAÇÃO A SÃO JOSÉ A vós, São José, recorremos em nossas tribulações, e depois de ter implorado o auxílio de vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, o nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas do seus inimigos e de todas as adversidades. Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Assim seja!

São José, rogai por nós!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Projeto torna Nossa Senhora padroeira apenas dos católicos

Saudações queridos leitores!

Por isso que a política do Brasil está nessa situação lastimável. Enquanto tem tanta coisa importante a ser feita, tem gente usando o Estado para destilar ódio religioso. Fiquem com reportagem do Clicknews (fonte aqui).

Projeto torna Nossa Senhora padroeira apenas dos católicos

O Projeto de Lei 2623/07, do ex-deputado Professor Victorio Galli, retira de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. "O País, por ser um Estado laico, não deve ter este ou aquele padroeiro", afirma Galli.

Apesar da mudança, segundo o projeto, o feriado religioso será mantido. A proposta altera a Lei 6.802/80, que institui o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida. O projeto substitui a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" e a expressão "culto público e oficial" por "homenagem oficial".

Victorio Galli ressalta que o Estado está impedido de instituir qualquer tipo de culto, conforme o artigo 19 da Constituição de 1988. Segundo Galli, a alteração proposta "deve ser considerada democraticamente útil para a promoção da igualdade entre os cidadãos brasileiros, sem privilégios à maioria de orientação cristã". Segundo ele, a proposta foi sugerida por cidadãos que não professam a fé católica.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Voltei. Isso é puro ranço religioso. O deputado usa o argumento do Estado Laico, que eu já expliquei aqui o que é. Mas tem gente que convenientemente esquece o real significado disso. Mesmo sendo um Estado Laico, a população Católica é maioria no Brasil e merece ter suas crenças manifestadas. Ademais, para os protestantes, qual a diferença de que Nossa Senhora Aparecida seja ou não a Padroeira do Brasil? Afinal, se eles não acreditam, isso é irrelevante pra eles.

Conclamo a todos os católicos que assinem o abaixo assinado contra este projeto aqui.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, rogai por nós!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 18 de março de 2008

Substituição da confissão individual pela comunitária é abuso

Saudações queridos leitores!

Estamos na Semana Santa. No período final de nossas reflexões que antecede a Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, muitas pessoas buscam uma aproximação com a Igreja através do Sacramento da Confissão. Fiquem com ZENIT (íntegra aqui), volto depois.

Substituição da confissão individual pela comunitária é abuso, diz arcebispo Deve ser facultado aos fiéis o direito de se confessar, diz Dom Eurico dos Santos Veloso Por Alexandre Ribeiro JUIZ DE FORA, terça-feira, 18 de março de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Juiz de Fora (Minas Gerais, sudeste do Brasil) afirma que a substituição da confissão individual pela comunitária é um abuso.

Dom Eurico dos Santos Veloso comenta, em artigo enviado a Zenit essa segunda-feira, que «infelizmente, por descuido ou mesmo por falta de amor ao sacramento da confissão, em muitos lugares foi sendo substituída a confissão individual pela confissão comunitária». Mas «isso é um abuso», enfatiza.

Dom Eurico destaca que, como forma de preparação para a Páscoa, em sua arquidiocese foi realizado um mutirão de confissões, em que os sacerdotes de uma forania se reuniram para o atendimento de confissão individual dos fiéis, pois a estes «deve ser facultado o direito de se confessar».

Voltei. Devemos sempre buscar a reconciliação com Deus, especialmente nesse tempo. A confissão comunitária é um recurso que já foi usado de maneira muito abusiva no Brasil, mas, com a graça de Deus, diminuiu. Mas como vemos, ainda hoje há sacerdotes e principalmente leigos que fazem um uso abusivo e desnecessário da confissão comunitária.

Todos devem buscar a confissão individual. É um direito do fiel e um dever do sacerdote.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

segunda-feira, 17 de março de 2008

BBC apresentará série que exonera de culpa a Judas, Pilatos e Caifás

Saudações queridos leitores!

Toda vez que algum feriado religioso importante se aproxima, sei que determinados meios de comunicação lançarão algo que afronta a Igreja. Isso é tão certo quanto o dia de amanhã. Vejamos o que a BBC vai lançar esse ano. Fiquem com notícia de ACI, volto depois.

BBC apresentará série que exonera de culpa a Judas, Pilatos e Caifás

Uma das cenas de "The Passion"

.- A cadeia televisiva BBC de Londres, conhecida pelo seu corte anti-católico, apresentará uma mini-série sobre a última semana da vida de Cristo em que exonera de responsabilidade na morte de Jesus a Judas, Pôncio Pilatos e Caifás.

Nesta produção se ve a um Judas que se angustia entre suas lealdades a Jesus e Caifás; um Pilatos que luta por dirigir as aspirações sociais de sua esposa e sua carreira enquanto trata de manter sob controle as tensões em Jerusalém.

Os criadores de "The Passion", nome da mini-série que será transmitida em quatro episódios, consideram que o único que fazem é "tratar de entender as motivações dos personagens".

Para Frank Deasy, o escritor, este programa revelaria os motivos de Judas. "Sempre tive um problema com Judas nas histórias sobre a Paixão nas que de repente e sem explicação trai Jesus. Queria desenvolver uma realidade psicológica no perfil de Judas".

Em opinião de Nigel Stafford-Clark, produtor de "The Passion", o objetivo foi colocar as ações dos personagens em contexto "para que se possa ver desde seu ponto de vista e todos se dêem conta de que o que fizeram o sentiam legítimo".

Em uma entrevista concedida a Rádio Times, Stafford-Clark comentou que "com tais fatos no tempo, Caifás foi reconhecido como um homem justo e um bom sacerdote. Era um homem fazendo um trabalho difícil e o fez bem".

De outro lado, um porta-voz da BBC respondeu às críticas indicando que "não procuramos subverter ou rescrever a narrativa do Evangelho: somente estamos contando-a novamente para lhe dar vida para uma audiência contemporânea".

Esta produção, que curiosamente emitirá seu último capítulo no domingo de Páscoa, conta com a participação dos atores Paul Mawle, quem interpreta a Jesus; Paul Nicholls, quem faz de Judas; James Nesbitt, quem dá vida a Pilatos; entre outros.

Voltei. Engraçado o que esses sujeitos politicamente corretos são capazes de fazer. Ao agir de tal maneira tentam negar a existência de pessoas simplesmente más. Hoje, tentam inocentar Judas e Pilatos. Amanhã, podem estar culpando Nosso Senhor Jesus Cristo por Sua própria crucificação.

Naquela época as pessoas tinham que fazer escolhas, do mesmo jeito que hoje. Suas escolhas marcam o modo como ficaram conhecidos. É besteira essa história de que eles querem colocar as ações deles em um contexto. Tais ações são escolhas morais e como tal, revelam muito sobre a moral das pessoas. A partir do momento que eles sabem o que é certo mas não o fazem, já é sinal de falha de caráter.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Nhá Chica

Saudações queridos leitores!

O Brasil é uma terra onde muitas pessoas buscam viver heroicamente as virtudes cristãs. Um exemplo que fiquei conhecendo hoje é Nhá Chica. Vejam um pedaço de sua biografia.

Francisca de Paula de Jesus, carinhosamente chamada de Nhá Chica, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito de São João Del Rey (MG), aos 26 de abril de 1810. Ainda menina, mudou-se com a mãe e o irmão para Baependi (MG). Pouco tempo depois, ficou órfã. Desde então, resolveu seguir o conselho de sua mãe: dedicar-se à fé e à caridade. Assim viveu até a sua morte em 14 de junho de 1895.

Por sua fé e clarividência, Nhá Chica passou a ser aclamada pelo povo como 'a Santa de Baependi'. Hoje é reconhecida como Serva de Deus, título que recebeu oficialmente da Congregação das Causas dos Santos, do Vaticano, em 1991.

No link passado há muito mais informações sobre sua vida e o andamento de seu processo de beatificação. Vale a pena conferir.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Cardeal Tettamanzi responde dúvidas de fiéis através do YouTube

Saudações queridos leitores!

Ah! As infinitas possibilidades das novas mídias. Cardeal Tettamanzi responde algumas dúvidas de internautas através do YouTube. Fiquem com notícia da ACI, volto depois.

Cardeal Tettamanzi responde dúvidas de fiéis através do YouTube

.- O Arcebispo de Milão, Cardeal Dionigi Tettamanzi, responde cada semana através do site Web de vídeos YouTube, às perguntas que os fiéis lhe fazem sobre temas como a Quaresma e o Batismo, expressou um porta-voz do Arcebispado.

Conforme informou a agência AFP, o Pe. Davide Milani, porta-voz do Cardeal, indicou que o primeiro vídeo foi pendurado faz quatro semanas e já foi visto mais de 65 mil vezes, sobre tudo por cibernautas italianos. "Decidimos lançar a iniciativa no YouTube para chegar a um público mais amplo com os ensinamentos de Tettamanzi", explicou o sacerdote.

Explicou que o Cardeal recebeu 400 perguntas, das quais as mais comuns som "por que os batizados são considerados filhos de Deus?; Não somos todos filhos de Deus?" ou "O batismo existia desde antes da época de Jesus?".

Os vídeos (em italiano) duram uns dez minutos e podem ser vistos em: http://www.youtube.com/user/itleditore

Voltei. Sou um entusiasta da mídia digital. Muitos Católicos e até mesmo pessoas de outras religiões têm uma admiração pelos Cardeais. A possibilidade de um maior contato com representantes da Cúria Romana é algo que desperta a curiosidade e a admiração de muitas pessoas.

Comparo essa iniciativa do Cardeal Tettamanzi com o Encontro que o Santo Padre teve com os universitários no começo de março. A possibilidade de um encontro, nem que seja virtual, com o Papa, faz com que os jovens se sintam muito importantes e torna-se um meio de incentivá-los a estar na Igreja, onde descobrirão que são importantes não apenas para o Papa, mas sim para Cristo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

domingo, 16 de março de 2008

Responsabilidade dos médicos na promoção da cultura da vida

Saudações queridos leitores!

Todos sabem que vivemos tempos difíceis, onde a cultura da morte nos é imposta de forma muito enérgica. O Brasil não é exceção, vide a discussão constante sobre o aborto e o julgamento sobre a possibilidade do assassinato de embriões para pesquisas. José María Simón Castellvi concedeu uma entrevista a ZENIT sobre o assunto, dividida em duas partes (que podem ser acessadas aqui e aqui). Fiquem com a íntegra das duas partes abaixo:

Responsabilidade dos médicos na promoção da cultura da vida

Fala José María Simón Castellvi, da Federação Internacional de Médicos Católicos

Por Inmaculada Álvarez

BARCELONA, sexta-feira, 14 de março de 2008 (ZENIT.org).- A Federação Internacional de Médicos Católicos (FIAMC) prepara um documento internacional sobre o uso de métodos anticoncepcionais que será publicado antes do verão europeu, provavelmente em Roma, por ocasião do 40º aniversário da encíclica Humanae Vitae de Paulo VI. O atual presidente de FIAMC, o espanhol José María Simón Castellví, adiantou à Zenit alguns aspectos do conteúdo do documento, atualmente em fase de redação.

A FIAMC foi constituída em 1966 com a aprovação de seus estatutos por parte do 11º congresso Internacional de Médicos Católicos, celebrado em Manila, e por parte da Santa Sé. Contudo, o associacionismo de médicos católicos é muito anterior: a primeira associação de médicos católicos foi fundada na França em 1884 durante o pontificado de Leão XIII, seguida de outras em vários países da Europa.

Em 1924 se formou um Secretariado Internacional de Sociedades Nacionais de Médicos católicos, que organizou os primeiros encontros internacionais destas associações (o primeiro em Bruxelas em 1935), visando a estabelecer uma federação de alcance mundial. No 11º Congresso, realizado em Manila em 1966, os Estatutos oficiais e orientações da FIAMC foram adotados pela Assembléia Geral e aprovados pela Santa Sé. Atualmente conta entre seus membros associações dos cinco continentes.

–Com que propósito se elabora o documento e a quem está dirigido?

–José María Simón: O documento está dirigido aos médicos, católicos ou não, que compartilham os princípios éticos e antropológicos da cultura da vida. O palestrante é o professor suíço de Ginecologia e Obstetrícia Rudolf Ehmann, egrégio membro de nossa Federação, que agora mesmo está trabalhando em Camarões. Terá também contribuições de nosso comitê executivo e do assistente eclesiástico, Dom Maurízio Calipari.

A encíclica de Paulo VI é magistério, que só pode fazer o Papa ou os bispos em comunhão com ele; a respeito do nosso documento, deve considerar-se mais como uma «perícia qualificada». A própria encíclica, em um de seus parágrafos, dizia: «considerem os médicos e as demais equipes da saúde, como próprio dever profissional, dar conselhos e diretrizes aos esposos que os consultam». Somos conscientes, como profissionais, da dificuldade de promover esta doutrina, e depois de quarenta anos aceitamos o desafio.

O tema do documento é o anticoncepcional e a regulação da natalidade, porque não esquecemos que os meios aceitos pela Igreja, chamados «naturais» porque respeitam os ciclos naturais da mulher, não servem só para dar espaços entre um nascimento e outro, mas também para buscar os nascimentos. A encíclica, portanto, não deve ser vista desde o ponto de vista exclusivamente negativo, como rejeição da anticoncepção.

Por outro lado, o que a doutrina propõe é o natural, porque uma mulher fértil não é uma doente, portanto dar-lhe um fármaco não concorda muito com seu estado de saúde. Toma-se um remédio quando se tem um problema a ser corrigido, não quando se está sadio.

–Existe um pouco de confusão com os tipos de pílulas existentes: se são abortivas ou não, etc. Que juízo o senhor pode dar-nos como médico?

–José María Simón: Existem três tipos de pílula: a Ru-486, a do dia seguinte e a anticoncepcional. Sobre a primeira, o juízo está claro, trata-se de um combinado produzido para provocar uma morte, e nem sequer merece o nome de medicamento. A pílula do dia seguinte é um fármaco que, em 70% das vezes em que atua, o faz para eliminar um óvulo humano fecundado e, portanto, também é abortiva. A pílula anticoncepcional tem outra avaliação porque não produz a morte do embrião. A avaliação não é positiva, mas não tem a mesma gravidade moral que as anteriores.

Como médico, devo dizer que nenhum dos três tipos de pílula é inócuo para o organismo feminino, ao contrário. A Ru-486 pode chegar a produzir a morte; a pílula do dia seguinte tem também muitos efeitos colaterais. Também deve-se assinalar que o uso da pílula do dia seguinte contradiz o mito do «sexo seguro», porque a única coisa que impede é a gravidez, e não o contágio das 26 doenças sexualmente transmissíveis conhecidas até agora.

Com relação à pílula anticoncepcional, o que produz é uma alteração hormonal para evitar a ovulação, e isso a longo prazo pode estar associado a fenômenos de trombose, hipertensão ou depressões.

De qualquer forma, o juízo moral negativo não se remete aos efeitos colaterais, porque se amanhã se desenhar uma pílula que não os tivesse, o juízo continuará sendo negativo. Eu costumo dizer que um adultério de pensamento não tem efeitos materiais, mas não por isso deixa de ser ruim.

O documento que estamos preparando, e que estamos fazendo com muito carinho, enfrenta muitas destas questões, porque entendemos que a responsabilidade não recai só sobre nossos pastores: sem a opinião qualificada dos médicos católicos, a questão da defesa da vida ficaria um pouco paralisada. Na gravidez e no parto, a figura do médico é necessária, somos um elemento-chave, e não só o ginecologista, também o médico de família, ao que muitas vezes se pede orientação.

–Que responsabilidade têm os médicos na extensão da «mentalidade contrária à vida» que triunfa atualmente no Ocidente?

–José María Simón: Somos evidentemente uma peça-chave. Também nós estamos às vezes manipulados pelo mundo do dinheiro, pela indústria farmacêutica que muitas vezes impulsiona o médico a práticas que não são necessárias.

Em todo caso, o médico é um elemento importante, porque tem um alto reconhecimento, tanto dentro como fora da Igreja. No caso da Humanae Vitae, a pouca aceitação que teve esta doutrina nos permite agora propor os pontos de vista contidos nela sem que seja interpretada como uma imposição, desde uma boa práxis médica e uma antropologia saudável.

De qualquer forma, no Ocidente existia, dentro da profissão médica, uma transmissão de valores éticos que não se realizava nas universidades, mas fundamentalmente na relação professor-aluno: aprendia-se se usar na profissão fazendo estágio em um serviço médico às ordens de um facultativo mais idoso, e lá se exercitava na prática, nos gestos, muitos valores, como o trato respeitoso do paciente, o valor da vida enferma, etc.

Contudo, desde a aparição das matérias de bioética, esta aprendizagem pessoal está-se perdendo, e foi invadida pelas ideologias. Então, dependendo de que faculdade se trate, ensinam umas ideologias ou outras. Infelizmente, um estudante ou recém-formado hoje, como mostram as estatísticas, não tem as idéias éticas claras, e é mais influenciável.

A Humanae Vitae foi muito criticada no momento de sua publicação, inclusive por alguns episcopados, ainda que praticamente todos a tenham aceitado logo. Quais foram os aspectos que mais rejeição provocou entre os próprios católicos?

–José María Simón: Quando se tem um problema (ou crê que o tem) e crê que não deve ter mais filhos, o pessoal da saúde nesse momento tem de dar uma resposta antropologicamente correta. Nesse momento, a pílula anticoncepcional parecia uma solução rápida, barata e direta, que não propunha os problemas éticos do aborto. Isto, unido à pressão da indústria farmacêutica, fez que se esquecessem outros meios.

A própria associação de médicos católicos dos Estados Unidos sofreu a esse respeito uma crise interna importante pelo apoio à pílula. Hoje, contudo, sua presidenta, Kathleen M. Raviele, é uma médica especialista em métodos naturais de regulação da fertilidade. As coisas foram mudando, mas agora, depois de quarenta anos, precisamos de um novo impulso.

Creio que neste tempo os médicos católicos não fizemos o que tínhamos de fazer. Muitas vezes não é só questão dos sacerdotes ou dar conselhos aos esposos em questões íntimas. Em nossas associações somos muitos os que vemos o problema, e queremos enfrentar nossa responsabilidade.

O que é que produziu essa mudança de postura com respeito à pílula?

–José María Simón: A volta ao respeito da natureza. Por exemplo, não sei se você recorda, quando eu era pequeno estava muito na moda a rejeição da lactação materna e a utilização massiva dos leites artificiais para alimentar os bebês. Isso se via como um avanço, ao contrário, agora é unânime o apoio à lactação materna. Esse industrialismo que parece que resolve tantas coisas, no fundo não é a solução.

Pois com a regulação da fertilidade acontece o mesmo: se a mulher tem dias férteis e outros inférteis, que permitem regular os nascimentos de forma natural, para que utilizar um método artificial que não respeita a natureza? Também a experiência mostra que os métodos naturais funcionam muito bem. Talvez existe o inconveniente de que deve-se aprendê-lo bem, etc. Mas a mulher que toma a pílula tem de fazer análises regulares, tem de fazer controles... tampouco é um método fácil.

Talvez estes métodos, que são apoiados nos ciclos da mulher e portanto são gratuitos, às vezes não são valorizados. Logo há mulheres com problemas, ciclos irregulares, patologias. Os métodos estão precisamente para isso, para orientar.

Crê que os métodos naturais deveriam ser ensinados nas Faculdades de Medicina, pelo menos naquelas que se dizem católicas?

–José María Smión: Sem dúvida. Também na Humanae Vitae, Paulo VI passava esta responsabilidade aos médicos. Talvez deveria figurar, não tanto como uma matéria em si, mas como um anexo importante da matéria de Obstetrícia.

Em todo caso, o nó do assunto, como propunha a Humanae Vitae, não é tanto o método anticoncepcional em si mas o valorizar a maternidade como um bem...

–José María Simón: Efetivamente, Paulo VI falava de «razões graves», que é preciso valorizar os esposos, que os filhos são um bem. Hoje, contudo, alguns esposos que querem ter os filhos que Deus lhes dê sofrem um preconceito grande, por parte muitas vezes dos próprios agentes de saúde. Há especialidades nas quais é melhor ir hoje ao profissional católico para evitar esse preconceito, por exemplo, no caso dos ginecologistas ou inclusive dos psicólogos e psiquiatras. E o problema aumenta porque não há muitas ginecologistas que sigam a doutrina da Igreja.

Nós estamos preparando atualmente um congresso de ginecologistas católicos que vai ser celebrado em Roma, e constatamos este problema. Muitas mulheres católicas não podem ir a ginecologistas que respeitem suas crenças: portanto, existe um mobbing para a maternidade, que muitas vezes não é direto mas existe: o gesto de uma parteira, a atitude de um médico... e não é a exceção, mas, infelizmente, a regra geral.

Por último, do conteúdo deste documento que a Fiamc prepara, o que poderá avançar como mais novo?

–José María Simón: Sem dúvidas, a assunção de suas responsabilidades por parte do médico católico. É uma responsabilidade da qual não podemos esquivar, nem sequer formalmente. Temos um problema, e nós somos uma peça chave nele, e portanto temos de enfrentá-lo.

Que Deus nos livre da maldição do aborto!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

CNBB estuda estratégias para popularizar debate sobre pesquisa com embriões

Saudações queridos leitores!

A articulação da CNBB em relação às pesquisas com células tronco embrionárias tem sido muito boa, salvo um ou outro deslize. Fiquem com notícia de ZENIT (íntegra aqui), volto depois.

CNBB estuda estratégias para popularizar debate sobre pesquisa com embriões

BRASÍLIA, domingo, 16 de março de 2008 (ZENIT.org).- A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) promoveu uma reunião em Brasília, na quinta-feira passada, com especialistas, para discutir estratégias para popularizar o debate sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias, que está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal do país.

Segundo informa a CNBB, reuniram-se 20 representantes dos vários setores do conhecimento científico, especialistas que formam o Grupo de Trabalho em Defesa da Vida, do organismo episcopal.

Segundo o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e membro do Grupo em Defesa da Vida, pe. Luiz Antônio Bento, «o objetivo da reunião foi discutir critérios para desmontar o argumento a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Britto. O grupo estuda estratégias para popularizar o debate na sociedade», afirmou.

Voltei. Tenho muitas restrições sobre o modo que a CNBB trata uma série de assuntos, mas a promoção da vida não é um deles. Tirando o lamentável episódio das abortistas que faziam uma apologia escandalosa ao aborto em um vídeo com a logomarca da Conferência, os bispos têm agido muito bem com relação à promoção e defesa da vida. Os fetos nas Igrejas do Rio foram uma tacada de mestre.

Toda essa coordenação que vemos sendo arquitetada já é antiga nos meios que visam promover a morte. A verdade é que tal método de trabalho hoje em dia é necessário para que possamos vencer um inimigo que não se cansa jamais de batalhar pelos seus propósitos.

Penso que um dos pontos mais cruciais nesse debate são os cadeirantes. Muitas pessoas favoráveis às pesquisas com células embrionárias vêm utilizando da imagem dos cadeirantes como se para eles as pesquisas com células embrionárias fossem o Santo Graal. Muitos pensam, iludidos com as distorções da mídia e alimentados por falsas esperanças que, pouco tempo após a liberação das pesquisas, curas começarão a aparecer no Brasil. É mentira.

Em vários países da América e da Europa, onde tais pesquisas são permitidas, não há nenhum avanço significativo que indique que tal linha de pesquisa produzirá resultados tão cedo, se é que produzirá. Sinto muito pelas pessoa que sofrem de doenças degenerativas e que são alimentadas com a falsa esperança de que as células tronco embrionárias são a saída certa para sua situação.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Evangelho de Domingo - Domingo de Ramos

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, juntamente com a bênção de Ramos, com comentários de Santo Antônio.

Benção de Ramos Mateus (Mt 21, 1-11)

Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, 2dizendo-lhes: "Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! 3Se alguém vos disser alguma coisa, direis: 'O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá"'. 4Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: 5"Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta". 6Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. 7Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. 8A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 9As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!" 10Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: "Quem é este homem?" 11E as multidões respondiam: "Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia".

Palavra da Salvação.


Evangelho (Mt 26,14-75.27,1-66 (3º Domingo de Ramos)

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus.

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17No primeiro dia da festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" 18Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos"'. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa.
20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" 23Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" 25Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes".
26Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu-o aos discípulos, e disse: "Tomai e comei, isto é o meu corpo". 27Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: "Bebei dele todos. 28Pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. 29Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai". 30Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras. 31Então Jesus disse aos discípulos: "Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa. Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão'. 32Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia". 33Disse Pedro a Jesus: "Ainda que todos fiquem decepcionados por tua causa, eu jamais ficarei". 34Jesus lhe declarou: "Em verdade eu te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". 35Pedro respondeu: "Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei". E todos os discípulos disseram a mesma coisa.
36Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: "Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!" 37Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. 38Então Jesus lhes disse: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo!" 39Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: "Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres". 40Voltando para junto dos discípulos, Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo? 41Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". 42Jesus se afastou pela segunda vez e rezou: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!" 43Ele voltou de novo e encontrou os discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono. 44Deixando-os, Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45Então voltou para junto dos discípulos e disse: "Agora podeis dormir e descansar. Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. 46Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está chegando". Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. 47Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. 48O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: "Jesus é aquele que eu beijar; prendei-o!" 49Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: "Salve, Mestre!" E beijou-o. 50Jesus lhe disse: "Amigo, a que vieste?" Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. 51Nesse momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada, e feriu o servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha. 52Jesus, porém, lhe disse: "Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada morrerão. 53Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? 54Então, como se cumpririam as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?" 55E, naquela hora, Jesus disse à multidão: "Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e vós não me prendestes". 56Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram. Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram.
57Aqueles que prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os mestres da Lei e os anciãos. 58pedro seguiu Jesus de longe até o pátio interno da casa do Sumo Sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo. 59Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. 60E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, 61que afirmaram: "Este homem declarou: 'posso destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias" 62Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: "Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?" 63Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: "Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Messias, o Filho de Deus". 64Jesus respondeu: "Tu o dizes. Além disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". 65Então o Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse: "Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia. 66Que vos parece?" Responderam: "E réu de morte!" 67Então cuspiram no rosto de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas, 68dizendo: "Faze-nos uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?"
69pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: "Tu também estavas com Jesus, o Galileu!" 70Mas ele negou diante de todos: "Não sei o que tu estás dizendo". 71E saiu para a entrada do pátio. Então uma outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: "Este também estava com Jesus, o Nazareno". 72pedro negou outra vez, jurando: "Nem conheço esse homem!" 73Pouco depois, os que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: "É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia". 74pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem! E nesse instante o galo cantou. 75pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". E saindo dali, chorou amargamente.
27,1De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte. 2Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.
3Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, 4dizendo: "Pequei, entregando à morte um homem inocente". Eles responderam: "O que temos nós com isso? O problema é teu". 5Judas jogou as moedas no santuário, saiu e foi se enforcar. 6Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: "E contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue". 7Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. 8É por isso que aquele campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue". 9Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram - 10e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!"
11Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É como dizes", 12e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. 13Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão reunida: "Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus; a quem chamam de Cristo?" 18pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele". 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois quereis que eu solte?" Eles gritaram: "Barrabás". 22pilatos perguntou: "Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" 23pilatos falou: "Mas, que mal ele fez?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!" 24pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!" 25O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos". 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.
27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: "Salve, rei dos judeus!" 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar.
32Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer "lugar da caveira . 34Mi deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando guarda. 37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.
39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: 40"Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!" 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: 42"A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus". 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: "Eli, Eli, lamá sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" 47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: "Ele está chamando Elias!" 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros, porém, disseram: "Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!" 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: "Ele era mesmo Filho de Deus!" 55Grande número de mulheres estava ali, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. 56Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. 57Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. 58Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. 59José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo, 60e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se. 61Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
62No dia seguinte, como era o dia depois da preparação para o sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos, 63e disseram: "Senhor, nós nos lembramos de que quando este impostor ainda estava vivo, disse: 'Depois de três dias eu ressuscitarei!' 64Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos mortos!' pois essa última impostura seria pior do que a primeira". 65pilatos respondeu: "Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos parecer". 66Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a pedra e montaram guarda.

Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

Santo Antônio (c. 1195-1231), franciscano, Doutor da Igreja

Sermões para o domingo e as festas dos santos

“Eis o teu Rei”

“Eis o teu Rei” (Za 9, 9), acerca do qual Jeremias nos fala nos seguintes termos: “Ninguém há semelhante a Vós, Senhor! Vós sois grande! Grande e poderoso é o Vosso nome. Quem Vos não temerá, Rei dos povos?” (Jer 10, 6-7). Deste Rei diz-nos o Apocalipse: “Sobre o Seu manto e sobre a Sua coxa, um nome está escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19, 16). O Seu manto são as faixas; a Sua coxa é a carne. Em Nazaré, onde tomou carne, foi coroado como que com um diadema; em Belém, foi envolvido em faixas como que de púrpura real. Tais foram as primeiras insígnias da Sua realeza. E foi contra estas insígnias que se encarniçaram os Seus inimigos, para assinalar a vontade que tinham de Lhe retirar a realeza; no decurso da Paixão, despojaram-No das Suas vestes, a Sua carne foi trespassada com pregos. Ou melhor, foi nessa altura que Lhe foi dado o complemento das Suas insígnias reais: já tinha a coroa e a púrpura, recebeu o ceptro quando, “carregando às costas a cruz, saiu para o lugar chamado Crânio” (Jo 19, 17). Então, nas palavras de Isaías, teve “a soberania sobre os seus ombros” (9, 5); e diz a Carta aos Hebreus: “Vemos, porém, coroado de honra e glória aquele Jesus que por um pouco tempo foi feito inferior aos anjos, em virtude de ter padecido a morte” (Heb 2, 9).

Eis, pois, o teu rei, que vem a ti, para te dar a felicidade. Vem na mansidão, para Se fazer amar, e não no poder, para Se fazer temer. Vem sentado num burrinho. […] As virtudes próprias dos reis são a justiça e a bondade. Assim, o teu Rei é justo: “Retribuirá a cada um conforme o seu procedimento” (Mt 16, 27). É manso; é “o teu Redentor” (Is 54, 5). E também é pobre; como diz o Apóstolo Paulo, “despojou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo” (Fil 2, 7).

No paraíso terrestre, Adão recusou-se a servir o Senhor; então, o Senhor tomou a forma de escravo, fez-Se servo do escravo, a fim de que o escravo já não corasse por servir o Senhor. Fez-Se igual aos homens; “tornando-Se semelhante aos homens” (Fil 2, 7). […] É pobre, Ele que “não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20), até ao momento em que, “inclinando a cabeça” na cruz, “rendeu o espírito” (Jo, 19, 30).

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.