sábado, 9 de fevereiro de 2008

Evento em Universidade de Bologna critica suspensa visita do Papa a La Sapienza

Saudações queridos leitores!

A Universidade de Bologna organiza evento em que critica os protestos que culminaram com a suspensão da visita do Papa à uiversidade La Sapienza. Fiquem com notícia de ACI, volto depois.

Evento em Universidade de Bologna critica suspensa visita do Papa a La Sapienza

.- Um recente evento titulado "Bento XVI e La Sapienza: Uma lição que não deve perder-se" realizou-se na Universidade de Bologna, em que distinguidos homens da Igreja e a cultura criticaram a mente estreita dos que opondo-se à visita papal para a inauguração do ano acadêmico, expressaram seu "medo ao diálogo entre fé e razão".

Fabio Ruggiero escreveu um artigo publicado em L'Osservatore Romano (LOR) no que dá conta deste encontro que contou com a participação, entre outros, dos cardeais Giacomo Biffi e Carlo Cafarra; assim como do reitor magnífico da Universidade de Bologna, Pier Ugo Calzolari. Este evento foi promovido pelo Instituto Veritatis Splendor e o Centro Cultural Enrico Manfredini.

O Cardeal Cafarra, atual Arcebispo de Bologna, recordou em sua intervenção �lida por outra pessoa por haver-se ausentado por enfermidade� que o Papa recorda que "o convite à razão a não auto-encarcerar-se dentro dos fenômenos verificáveis é um convite ao homem, a cada homem, a não renunciar a procurar a resposta a nenhuma pergunta sensata; a não contentar-se com coisas pequenas, mas a procurar a verdade última no sentido radical. É este o 'desejo extremo' do homem".

Dirigindo-se aos jovens presentes os exortou a "não ocultar nenhuma pergunta que surja de seu coração. Que a busca e a possessão da verdade seja sua alegria mais pura. Talvez a mais bela definição de universidade a deu São Alberto Magno: in dulcedine societatis quarere veritatem. A doçura de uma indivisível busca da verdade, queridos jovens, é o que lhes auguro".

"Por sua parte, o reitor magnífico da Universidade de Bologna, Pier Ugo Calzolari, evidenciou o valor da ciência e seus limites, o risco do reduzionismo de aparência positivista, o significado da laicidade retamente entendida", escreve Ruggiero.

"O reitor também fez notar a inconsistência racional de quantos sustentaram a impossibilidade de discutir com quem, como o Papa, a seu modo de ver, afirmam ser já possuidores da verdade. Em realidade, uma maneira parecida de argumentar constitui um verdadeiro e tangível curto-circuito lógico, que levado até o extremo, pode conduzir a uma espécie de 'inquisição leiga', profundamente liberal", prossegue o colunista.

Para Calzolari, "o incidente de Roma demonstrou desconsoladamente como o pensamento leigo menos preparado perdeu a orientação, esquecendo do princípio de autonomia, que postula necessariamente a confrontação com o outro".

Voltei. Não pretendo me estender nesse assunto, pois já disse o que queria dizer. O evento em Bologna enfraquece ainda mais o grupo de baderneiros obscurantistas que fez barulho para impedir a visita do Papa. Esse ato é um fortalecimento não do Papa, mas sim da verdadeira liberdade, aquela plena, não a "liberdade" das esquerdas, que quer silenciar os opositores.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Dar orientações morais não é entrar em campanha eleitoral

Saudações queridos leitores!

Nosso mundo é maravilhoso. Todo mundo tem voz, todo mundo pode se expressar, todo mundo pode ter suas opiniões... exceto a Igreja! Fiquem com notícia de ACI, volto depois.

Porta-voz do Episcopado: Dar orientações morais não é entrar em campanha eleitoral.- O porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Dom Juan Antonio Martínez Camino, respondeu aos ataques socialistas e assinalou que a nota emitida pelo Episcopado não significa se posicionar por algum dos agrupamentos políticos, senão apenas o dever de fornecer uma série de orientações que os católicos devem levar em conta ao momento de votar em 9 de março próximo.

"Os bispos não dizem a quem terá que votar. demos uma série de critérios para que quem nos quer escutar tenham uma idéia (…) Estes são alguns conselhos sobre assuntos como o aborto ou a educação", expressou o Prelado em declarações a Telecinco.

Nesse sentido, reafirmou que "os bispos respeitam a quem vota de outra maneira", mas isso não quer dizer que não devam lembrar a ética social. "É mais preocupante ainda, que porque a Igreja exerça sua obrigação pastoral e seu direito a expressar-se, alguém diga que está fora da democracia", assinalou em referência aos ataques socialistas que afirmam que a nota emitida pela CEE é uma inclinação a favor do Partido Popular.

"O que se diz nessa nota se baseia na pastoral. Não é uma doutrina inventada ontem", expressou o Prelado, ao mesmo tempo que assinalou que nenhum dos agrupamentos políticos cumpre com as diretrizes dadas pelos bispos, por isso se trata de "votar pelo mal menor"

Voltei. Essa é a liberdade que eles pregam. Qualquer um pode falar o que quiser sobre qualquer assunto, menos a Igreja. Se a Igreja se pronuncia sobre aborto e métodos contraceptivos, logo dizem que ela está se metendo em saúde pública. Se lembra aos fiéis sobre as obrigações pastorais acerca da escolha de candidatos, está assumindo partido nas eleições.

Para esse povo não é possível deixar de ser a favor sem ser contra. Eles só conhecem essa dicotomia a favor/contra. A Conferência Episcopal Espanhola está mais do que certa de lembrar aos fiéis sobre como devem votar. Uma coisa engraçada é que a CNBB tem um posicionamento por diversas vezes abertamente esquerdista e ninguém diz que ela toma partido nas eleições. Ah, já sei: os luminares do esquerdismo não reclamam nesse caso porque são os favorecidos.

É a balança esquerdista: dois pesos, duas medidas.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Ex-bispo paraguaio oficializou candidatura presidencial

Saudações queridos leitores!

Esquerda é esquerda em qualquer lugar. Fiquem com notícia da ACI, volto depois.


.- A pesar da suspensão "A divinis" da Santa Sé e seus irmãos no Episcopado, o Bispo católico suspenso, Fernando Lugo, inscreveu nesta quinta-feira na Justiça Eleitoral do Paraguai sua candidatura presidencial apoiado pela coalizão opositora Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

Nas eleições gerais de 20 de abril, o APC tentará tirar do poder ao oficialista Partido Colorado, com 61 anos ininterruptos no poder.

A APC é integrada por 11 partidos políticos e movimentos sociais e sindicais de esquerda.

Lugo se inscreveu no mesmo dia que o ex-comandante do exército, General Lino César Oviedo, do partido Unace.

Voltei. Não entendo porque as pessoas desobedecem a Igreja. A briga desse bispo para se candidatar era de longa data. Ele foi afastado porque se candidatou, e não pediu afastamento para tal. Mais um TL que larga o rebanho em prol da ideologia macabra. Vamos ver o que ele faz caso perca as eleições.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Governo vietnamita acorda devolver antiga Nunciatura "por respeito ao Santo Padre"

Saudações queridos leitores!

A situação da Igreja no Vietnã é desconhecida para muitos, inclusive para mim. Hoje publico uma notícia muito boa vinda de lá. Notícia da ACI.

Governo vietnamita acorda devolver antiga Nunciatura "por respeito ao Santo Padre"

.- Depois de anos de esforços e muitas orações, os católicos em Hanoi acordaram deter seus protestos pacíficos dado que o Governo decidiu devolver o prédio da antiga Nunciatura, convertido em um complexo esportivo, à Arquidiocese de Hanoi.

Apenas ontem o Secretário de estado Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, enviou uma carta ao Arcebispo de Hanoi lhe expressando o apoio da Santa Sé aos esforços dos católicos.

Horas depois da publicação da carta do Cardeal, uma fonte da Igreja em Hanoi informou a Catholic News Agency (CNA) que o Governo de Vietnã, como expressão de "boa vontade e respeito ao Santo Padre" está outorgando à Arquidiocese o direito a usar o mencionado prédio".

Além disso, acrescenta CNA, após conhecer a carta do Cardeal Bertone, os católicos locais acordaram suspender os protestos que poderiam provocar violência "em obediência ao Santo Padre".

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Ideologia de Gênero, pelo Cardeal Cañizares

Saudações queridos leitores!

Poder destruidor da ideologia de gênero, segundo cardeal Cañizares

Intervenção no Congresso Internacional do dicastério para os Leigos

Por Marta Lago

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «Revolução cultural em todos os âmbitos», mais insidiosa e destruidora do que se possa pensar: esta é a trajetória da ideologia de gênero, sobre a qual alerta o cardeal Antonio Cañizares na reflexão internacional que o Conselho Pontifício para os Leigos promove.

Roma acolhe, de quinta-feira a sábado, participantes de 50 países dos cinco continentes em um Congresso, «Mulher e homem, a totalidade dohumanum», pelo XX aniversário da carta apostólica «Mulieris dignitatem», o primeiro documento pontifício dedicado inteiramente à mulher.

Desde o texto de João Paulo II, o cardeal primaz da Espanha, na primeira intervenção do encontro, fez um balanço e traçou perspectivas que alertam sobre o respeito à verdade da pessoa – homem e mulher.

«Mulieris dignitatem» é mais atual que nunca porque nesta carta o Papa expressa «a verdade do homem, que é homem e mulher, e indica seus princípios antropológicos» – sintetizou o cardeal Cañizares a Zenit. E neste momento, uma revolução de gênero no fundo está questionando essa verdade do homem, inseparável, por outra parte, de Deus».

Chave no texto pontifício é que «o homem é criado por Deus, está constituído com uma verdade, uma humanidade única diferenciada, homem-mulher», acrescentou o purpurado.

Tal «diferença leva à unidade, à comunhão; não pode haver domínio de um sobre o outro, mas com relação à dignidade de ambos em sua singularidade e irrepetibilidade», sublinhou.

Na ideologia de gênero, a sexualidade não se aceita «propriamente como constitutiva do homem» – recordou –, mas «o ser humano seria o resultado do desejo da escolha», de maneira que, «seja qual for seu sexo físico», a pessoa – seja mulher ou homem – «poderia escolher seu gênero» e modificar sua opção quando quiser: homossexualidade, heterossexualidade, transexualismo, etc.

Adverte que «a mudança cultural e social que o fenômeno leva é de grande alcance», dado que para esta ideologia «não existe natureza, não existe verdade do homem, só liberdade onímoda».

Nesta revolução cultural, «o nexo indivíduo-família-sociedade se perde e a pessoa se reduz a indivíduo» e se constata, portanto, «o questionamento radical da família e de sua verdade – o matrimônio entre um homem e uma mulher aberto à vida – e de toda a sociedade», afirma.

«Ser homem» e «ser mulher» são realidades «queridas por Deus»: «em sua igualdade e em sua diferença, um e outro têm uma comum dignidade», aspecto que o cardeal Cañizares enfatizou de forma especial.

A carta de João Paulo II – «Mulieris dignitatem» – enfatizou que homem e mulher «são criados como pessoas à imagem de Deus Amor para viver em comunhão»; daí sua reciprocidade e daí que a pessoa esteja chamada também a existir para os demais, convertendo-se em um dom.

A conseqüência é de extrema importância, porque assim, na família «os filhos se encontram no solo de uma realidade sólida e percebem que viver é uma possibilidade gozosa e uma graça – aponta; não uma desgraça ou um azarado destino».

Voltei. Existe uma tendência muito forte hoje em dia que é a de tratar as diferenças inerentes à natureza do homem e da mulher como fatores irrelevantes na vida. Isso não existe. Apesar de sermos (homem e mulher) diferentes, somos igualmente dignos. Nossas diferenças são o que nos permite completarmos um ao outro.

Afirmar que tais diferenças são irrelevantes é anti-natural. Se tal posicionamento fosse natural, não teríamos sexo, oras.

Esse comportamento anti-natural, se fosse seguido ao pé da letra, levaria a humanidade à extinção. Já é mais que o suficiente para ser rejeitado.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja

Saudações queridos leitores!

Está acontecendo em Aparecida o 1° Congresso Internacional em Defesa da Vida. Fiquem com reportagem sobre Dom Carmo Rhoden, por ZENIT, (fonte aqui).

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja, diz bispo

Dom Carmo Rhoden abriu os trabalhos do Congresso em Defesa da Vida, em Aparecida

Por Alexandre Ribeiro

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Na conferência inaugural do 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, essa quinta-feira, no Santuário de Aparecida, o bispo de Taubaté (São Paulo), Dom Carmo Rhoden, afirmou que uma das estratégias dos promotores do aborto é minar a ação da Igreja Católica.

Diante disso, o bispo convidou os fiéis a defenderem a vida não apenas instintivamente, mas também cristãmente.

Segundo o prelado, a Igreja é por natureza promotora da vida plena, ao dar seguimento ao mandato de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida» e «vida em plenitude» (Jo 10, 10).

Dom Carmo afirmou que «nós, Igreja, escolhemos a vida, hasteando sua bandeira», e, para além disso, «pelo discipulado de Cristo, queremos assumi-la com amor».

«Não só a defendemos, mas a cultivamos em todos os níveis, em busca da felicidade, que, teologicamente, tem outro sinônimo, santidade», disse.

O bispo de Taubaté enfatizou que os cristãos devem estar à frente na tarefa da defesa da vida, dando testemunho, pois a Igreja «ama e gera a vida em Cristo».

Segundo o prelado, nos dias de hoje, a defesa da vida se torna «um desafio crescente». Dom Carmo recordou que, a partir dos anos 50, surgiram nos Estados Unidos fundações, como a Rockefeller e a Ford, dedicadas a promover o aborto como parte de uma grande estratégia de redução populacional.

«São verdadeiras centrais de formação da mentalidade pró-aborto», dotadas de «consistentes ajudas econômicas», disse o bispo, enfatizando que estes organismos internacionais têm como meta alcançar a legalização do aborto em todo o mundo até 2015.

Para conseguir esse objetivo, o bispo destacou que uma das estratégias é «minar a ação da Igreja Católica por todos os meios possíveis».

Diante dessas dificuldades, expressou Dom Carmo, a Igreja «deve reagir de modo mais incisivo e firme», especialmente na América Latina e Caribe, pois «a Igreja não é apenas um exército em defesa da vida, mas uma comunidade profética, amante da vida, que deseja transformar-se sempre mais em uma família formadora de heróis e de santos».

Voltei. Esse congresso acontece em momento oportuno, visto que a Campanha da Fraternidade está em grande evidência na TV, mesmo que muitos estejam apenas criticando. Lembrando que o Congresso vai até o dia 10.

Que Deus nos livre da maldição do aborto!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa

Saudações queridos leitores!

Vivemos em um tempo em que a instituição familiar é atacada por todos os lados. Fiquem com reportagem de ZENIT (íntegra aqui), volto depois.

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa

Pede ajudas para combater a precariedade e a violência contra a mulher

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (
ZENIT.org).- Bento XVI reconheceu hoje que a crise da família não repercute só na sociedade, mas também na vida eclesial, pedindo a mobilização dos católicos para promover seu bem e sua defesa.

Assim explicou aos bispos da Costa Rica, que concluíam sua qüinqüenal visita ao Papa e a seus colaboradores na Cúria Romana, com quem analisou os desafios que a Igreja deve enfrentar neste país centro-americano de profundas raízes cristãs.

«Certamente vos preocupa uma crescente deterioração da instituição familiar, com graves repercussões tanto no âmbito social como na vida eclesial», começou constatando o Santo Padre.


A este respeito, assegurou, «é necessário promover o bem da família e defender seus direitos ante as instâncias pertinentes, assim como desenvolver uma atenção pastoral que a proteja e ajude de maneira direta em suas dificuldades».

Voltei. A deterioração dos valores familiares que foram moldados com o passar dos séculos, além de deformar a moral das pessoas que participam na Igreja, causando uma aceitação cada vez menor da Sã Doutrina, repercute em toda a sociedade, levando a um exacerbado hedonismo, ao egoísmo e à legitimação de práticas que transgridem a Lei de Deus.

Ao se minar a solidez da base familiar, compromete-se todo o caráter do ser humano.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Carta do Prelado (fevereiro de 2008)

Saudações queridos leitores!

Todos os meses publico a carta enviada pelo Prelado do Opus Dei, Dom Javier Echevarría. É uma grande fonte de meditação e conhecimento, além de mostrar ao mundo muito do carisma da Obra.

Carta do Prelado (fevereiro de 2008)

O Prelado do Opus Dei anima a viver a Quaresma com otimismo e com desejos de conversão, para gozar com Deus da felicidade. Publicamos a sua carta pastoral de fevereiro.

07 de fevereiro de 2008

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Estamos às portas da Quaresma: tempo em que a Igreja, como boa Mãe, recorda insistentemente aos seus filhos a necessidade de converterem-se uma e outra vez a Deus, retificando o que tenha que ser mudado na nossa existência pessoal. Certamente, como recordava o Papa numa circunstância análoga, este itinerário de conversão não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida [1].

Durante o rito litúrgico da Quarta-Feira de Cinzas, o sacerdote, ao impor-nos as cinzas, pronuncia umas palavras que constituem uma chamada urgente a examinarmo-nos: lembra-te de que és pó e ao pó voltarás [2]. Assim reza uma das fórmulas previstas. É um lembrete muito expressivo da nossa condição de criaturas mortais: chegará o momento em que o Senhor nos chamará à sua presença, julgará os nossos pensamentos, palavras e ações, e nos dará a recompensa – de glória, de purificação ou de condenação – que a nossa existência tiver merecido.

A consideração desta realidade não deve assustar-nos, mas mover-nos à dor pelas nossas faltas, a propósitos de melhora e à alegria do encontro definitivo com a Trindade. Recorda-o o Santo Padre em sua última carta encíclica: Já desde os primeiros tempos, a perspectiva do Juízo influenciou os cristãos até na sua própria vida cotidiana enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto esperança na justiça de Deus [3].

É o que enfatiza a outra fórmula que pode ser empregada nesse rito: convertei-vos e crede no Evangelho [4]. Somos pecadores, necessitados do perdão de Deus; por isso, somos convidados a uma profunda mudança, a endereçar o rumo da nossa peregrinação terrena à meta definitiva: a felicidade eterna com Deus. Desejo que, com um sentido de otimismo, vejamos nestas palavras a exigência de melhorar dia após dia: se mantivermos essa luta, para nós o Juiz divino não será Juiz – no sentido austero da palavra –, mas simplesmente Jesus [5], o “nosso” Jesus: um Deus que perdoa.

Meditemos, portanto, o que escreveu São Josemaria: Devemos considerar esta maravilha que são os cuidados que Deus tem conosco, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada instante à palavra do homem. Seja em que tempo for – mas agora de um modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a purificar-se –, Ele nos escuta, e não deixará de atender às súplicas de um coração contrito e humilhado (Sal 50, 19).

A Igreja Santa nos mostra, uma e outra vez, com uma pedagogia muito acertada, as idéias fundamentais, a fim de que fiquem bem gravadas em nós e não as esqueçamos. Ao começar a Quaresma, enquanto o sacerdote atua nessa cerimônia da Quarta-Feira de Cinzas, convida-nos a entoar um cântico repleto de esperança: renovemos a nossa vida com um espírito de humildade e de penitência; jejuemos e choremos diante do Senhor, porque a misericórdia do nosso Deus está sempre disposta a perdoar os nossos pecados [7].

Todos os anos consideramos que o espírito da Quaresma se resume a três práticas tradicionais deste período: a oração, a penitência, as obras de misericórdia. Convidei-vos a que vos detenhais nestes pontos, precisamente por ocasião deste tempo litúrgico. Agora, quereria fixar-me especialmente no espírito de penitência, que nos há de mover – com dor e refugiando-nos na misericórdia divina – a reparar pelos nossos pecados e pelos de todas as criaturas.

Glosando a chamada do profeta Joel ao arrependimento – convertei-vos a mim de todo coração –, que a liturgia propõe no começo da Quaresma [8], São Jerônimo se expressava da seguinte maneira: «Que a vossa penitência interior se manifeste através do jejum, do pranto e das lágrimas. Assim, jejuando agora, depois sereis saciados; chorando agora, depois podereis rir; lamentando-vos agora, depois sereis consolados (…). Não duvideis, pois, do perdão, por maiores que sejam as vossas culpas, a grandeza da sua misericórdia remirá, sem dúvida, a abundância dos vossos muitos pecados» [9].

Em primeiro lugar, reparemos pelas nossas faltas pessoais. Todos nós recebemos o Batismo, que nos converteu em filhos de Deus e membros do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Não é lógico que correspondamos a tanto amor com toda a nossa alma? No entanto, devemos reconhecer que, com freqüência, em razão da nossa debilidade, não cumprimos a Vontade de Deus ou, pelo menos, não correspondemos ao seu Amor com a prontidão e a generosidade que tem direito a esperar de nós.

Como o nosso Padre se condoia de que tantos cristãos esquecessem a grandeza e dignidade da sua filiação divina! Podemos aplicar a nós as suas palavras. Reage. – Ouve o que te diz o Espírito Santo: «Si inimicus meus maledixisset mihi, sustinuissem utique» – que o meu inimigo me ofenda, não é estranho e é mais tolerável. Mas tu… «tu vero homo unaminis, dux meus, et notus meus, qui simul mecum dulces capiebas cibos» – tu, meu amigo, meu apóstolo, que te sentas à minha mesa e comes comigo doces manjares! [10].

Filhas e filhos meus, sem nunca perdermos a paz, reconheçamos, sem rodeios, os nossos pecados e as nossas faltas: Pai e muito Pai nosso é o Senhor, sempre disposto a acolher-nos em seus braços. Façamos bem, diariamente, os minutos de exame – sem escrúpulos, mas com delicadeza de consciência –, para descobrirmos com a luz do Espírito Santo o que fizemos bem, o que fizemos mal, o que poderíamos fazer melhor. Perante as boas ações, reajamos com sincera gratidão; perante as faltas, imploremos filialmente o perdão; e sempre terminemos com um ato de contrição – dor de amor – e com algum propósito de luta bem concreto; pequeno talvez, mas com determinado desejo de crescimento interior.

Deste modo, quando recorrermos ao sacramento da Penitência, fá-lo-emos bem preparados, e obteremos mais proveito espiritual. Somos conscientes de que, ao praticar o exame de consciência – de antiga tradição cristã –, abrimos a nossa alma ao Senhor? Damo-nos conta de que Deus está disposto a nos conceder a sua graça para que o amemos mais?

A Igreja recomendou e continua a recomendar a prática da confissão freqüente. Sem este meio de santificação pessoal é muito difícil – por não dizer impossível – manter um alto nível de vida cristã; mais ainda quando, no ambiente que nos cerca, abundam as ocasiões de afastar-se do Senhor. Por isso, não me canso de animar-vos a continuar realizando um intenso e extenso apostolado da Confissão. Não nos deixemos levar pelos falsos respeitos humanos e alimentemos em nossos amigos, parentes, colegas este desejo de ajudar as pessoas com quem convivem.

Dizei a todos – também para que nos vejam convencidos do que manifestamos – que aproveitem a abundante graça da Quaresma para purificarem a fundo as suas almas e descobrirem ou intensificarem um íntimo relacionamento com o Senhor. Ficarão repletos de paz e serão mais felizes, pois não há contentamento maior que sabermo-nos filhos de Deus. Orientemo-los a recorrerem periodicamente a este sacramento da alegria, como o qualificava o nosso Padre.

Eu também vos mencionava a necessidade de pedir perdão pelos pecados dos demais. Para isto, não é preciso realizar grande tarefas. Isso já o fez Nosso Senhor, morrendo na Cruz por nós. Ele deseja, porém, que unamos ao seu Sacrifício redentor as pequenas mortificações e penitências que a própria existência traz consigo: os incômodos de uma doença, as incompreensões por parte dos outros, as dificuldades do trabalho, o fracasso de um plano que tínhamos traçado com grande entusiasmo… Para aceitar com bom humor as contrariedades desse tipo, que constituem matéria da nossa santificação pessoal, convém que – especialmente durante essas semanas – acrescentemos com generosidade pequenas mortificações na comida, na bebida, na comodidade, nos momentos de descanso ou de distração, de modo que nos unamos mais à Cruz de Jesus Cristo e nos preparemos para obter muito fruto da Páscoa.

Recentemente, Bento XVI recordou a todos a validade perene deste modo de comportar-se. Escreve em sua encíclica sobre a esperança: Fazia parte de uma forma de devoção – talvez menos praticada hoje, mas não ainda há muito tempo era bastante difundida – a idéia de poder “oferecer” as pequenas canseiras da vida cotidiana, que nos ferem com freqüência como alfinetadas mais ou menos incômodas, dando-lhes assim um sentido [11]. E acrescenta o Papa, lamentando-se do esquecimento em que parecem ter caído essas mostras de amor a Deus, que as almas piedosas, mediante o oferecimento das contrariedades do dia, estavam convencidas de poderem inserir no grande compadecer de Cristo as suas pequenas canseiras, que entravam assim, de algum modo, a fazer parte do tesouro de compaixão de que o gênero humano necessita [12]. E conclui: Deveríamos talvez interrogar-nos se verdadeiramente isto não poderia voltar a ser uma perspectiva sensata também para nós [13]. É uma pergunta que vos remeto, para que cada um de vós a considere, redescobrindo o valor do sacrifício escondido e silencioso [14] e para que façais ressoar no ouvido das pessoas com quem vos relacionais.

Como todos os meses, peço-vos que estejais muito unidos às minhas intenções. Rezai, agora de modo especial, pelo começo do trabalho apostólico estável na Romênia e na Indonésia; passos concretos estão sendo dados para pô-lo em andamento, se Deus quiser, dentro deste ano. E continuai a rezar pelo Papa e pelas suas intenções, entre as quais ocupa um lugar importante a desejada união de todos os cristãos, começando por uma unidade mais profunda e sobrenatural entre os católicos.

Também desejo que rezemos diariamente pelas pessoas doentes: o Senhor nos concede com abundância o tesouro de poder atender a tantas e a tantos que sofrem. Interessa-me que, assim como o Senhor ia ao encontro dos adoecidos, a fim de curá-los e consolá-los, todas e todos nós nos enriqueçamos com essa caridade –carinho autêntico – atendendo aos que necessitem.

Não quero alongar-me, mas peço que recorrais ao caríssimo Dom Álvaro – que comemora o seu onomástico no dia 19 de fevereiro. Peçamos-lhe que nos obtenha do Senhor uma superabundância de caridade fraterna, de modo que todos na Obra – em qualquer momento e mais ainda se algumas ou alguns passam por um período de doença – experimentemos vivamente que o Opus Dei é família, família de verdade, na qual nos desvivemos com gosto uns pelos outros.

Com todo carinho, abençoa-vos

o vosso Padre

+ Javier

Roma, 1º de fevereiro de 2008.


[1] Bento XVI, Discurso na audiência geral, 21-II-2007.

[2] Missal Romano, Quarta-Feira de Cinzas, “Imposição das cinzas” (cf. Gn 3, 19).

[3] Bento XVI, Carta encíclica Spe salvi, 30-XI-2007, n. 41.

[4] Missal Romano, Quarta-Feira de Cinzas, Imposição das cinzas (cf. Mc 1, 15).

[5] São Josemaria, Caminho, n. 168.

[6] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 57.

[7] Missal Romano, Quarta-Feira de Cinzas, Antífona na imposição das cinzas (cf. Jl 2, 13).

[8] Missal Romano, Quarta-Feira de Cinzas, Primeira leitura (Jl 2, 12).

[9] São Jerônimo, Comentário sobre o livro do profeta Joel II, 12-13.

[10] São Josemaria, Caminho, n. 244.

[11] Bento XVI, Carta encíclica Spe salvi, 30-XI-2007, n. 40.

[12] Ibid.

[13] Ibid.

[14] Cf. São Josemaria, Caminho, nn. 185 e 509.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

De volta à rotina

Saudações queridos leitores!

Fiz uma pequena cirurgia no ombro que me deixou encostado durante esses últimos 15 dias. Como ocorreram fatos que considero pertinentes, comentarei algumas coisas passadas para não deixar em branco.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Aborto entra na campanha eleitoral espanhola

Saudações queridos leitores!

Na Espanha há uma guerra declarada contra o laicismo e o socialismo que estão no poder lá atualmente. Fiquem com notícia de ZENIT (fonte aqui), volto depois.

Os socialistas querem ampliar o aborto na Espanha se ganharem as eleições

VALÊNCIA, quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Em 2 de fevereiro de 1983, o então governo socialista de Felipe González aprovava a descriminalização do aborto na Espanha, após vários meses de polêmicas e manifestações na rua, a favor e contra. Em 1985, uma sentença do Tribunal Constitucional ratificava a validade da lei ante o recurso proposto por um grupo de deputados.

Desde 1985, fora algumas iniciativas a favor do aborto livre apresentadas no Parlamento por partidos radicais minoritários de esquerda, a questão do aborto não havia voltado a ser proposta seriamente à opinião pública.

Contudo, nestes dias, justamente 25 anos depois de sua aprovação, o governo de José Luis Rodríguez Zapatero anunciou sua intenção de «garantir o direito ao aborto», segundo expressou a vice-presidenta do Governo, María Teresa Fernández de la Vega em 1º de fevereiro passado, «melhorando a Lei se após o amplo debate social que este tema suscitar chegarmos à conclusão de que assim deve ser feito».

O governo por enquanto impulsionará um decreto (é a única medida que pode ser colocada em andamento após dissolver-se as Cortes e antes das eleições) no qual «protegerá a intimidade das mulheres que abortaram», assim como «a segurança do pessoal de saúde que realiza abortos».

No Código Penal, o aborto continua sendo um delito descriminalizado em três circunstâncias: má-formação do feto (até as 22 semanas), estupro (até as 12 semanas) ou risco psíquico ou físico para a mãe (sem limite, a qualquer momento até justamente antes do parto). Para acreditar este último requisito é necessário que haja ao menos um laudo emitido por um psiquiatra.

A irrupção do aborto na campanha eleitoral espanhola se produz após as denúncias e posteriores investigações de várias clínicas abortistas de Madri e Barcelona por realizar abortos fora do prazo legal, e da publicação dos números de abortos de 2006, que indicam que já se superam os cem mil anuais (101.592 exatamente). Ou seja, que uma de cada 100 mulheres em idade fértil aborta na Espanha a cada ano, em mais de 90% acolhendo-se ao requisito de «perigo psicológico para a mãe», segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística.

O presidente Rodrigo Zapatero, durante os primeiros dias da campanha eleitoral, afirmou que tem a intenção de «garantir os direitos reprodutivos das mulheres». O Partido Popular anunciou que não pensa em modificar a lei atual, e os comunistas da IU (Esquerda Unida) insistem em uma «Lei de Prazos» que permita o aborto livre dentro das 14 primeiras semanas, e com restrições até quase o final da gravidez. Em todo caso, pretende-se mudar a tipologia jurídica, ao passar de «delito descriminalizado» a «direito reprodutivo».

Voltei. Cadê a "esquerda católica"? Onde estão aqueles arautos que defendem auq eo comunismo é a melhor saída para o mundo? Se nos deixarmos guiar por eles, matarão os bebês e os idosos. Não haverá gente suficiente no mundo para saciar a sede de sangue deles.

Os comunistas querem ampliara a legalização da pena de morte na Espanha. O crime do aborto, proposto da maneira que está, gera uma onda de laudos frios para moças que desejam simplesmente se livrar de uma vida gerada por um ato delas mesmas.

A lei, do jeito que está, é um escândalo. Se ampliarem o direito ao assassinato, será pior ainda.

Que Deus nos livre da maldição do aborto!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quaresma

Saudações queridos leitores!

Hoje começa a Quaresma, tempo de reflexão, meditação e conversão. Para que comecemos bem esse tempo, trago a mensagem do Papa para a Quaresma de 2008.

Mensagem do Papa para a Quaresma 2008
No próximo dia 6 de fevereiro, começa a Quaresma: quarenta dias dedicados pelos cristãos para preparação da Semana Santa. Neste ano, o Santo Padre convida a redescobrir “o valor de ser cristão” e reflete sobre a esmola. Esta é a sua mensagem feita pública ontem.

30 de janeiro de 2008
Queridos irmãos e irmãs!

1. Todos os anos, a Quaresma oferece-nos uma providencial ocasião para aprofundar o sentido e o valor do nosso ser de cristãos, e estimula-nos a redescobrir a misericórdia de Deus a fim de nos tornarmos, por nossa vez, mais misericordiosos para com os irmãos. No tempo quaresmal, a Igreja tem o cuidado de propor alguns compromissos específicos que ajudem, concretamente, os fiéis neste processo de renovação interior: tais são a oração, o jejum e a esmola. Este ano, na habitual Mensagem quaresmal, desejo deter-me sobre a prática da esmola, que representa uma forma concreta de socorrer quem se encontra em necessidade e, ao mesmo tempo, uma prática ascética para se libertar da afeição aos bens terrenos. Jesus declara, de maneira peremptória, quão forte é a atração das riquezas materiais e como deve ser clara a nossa decisão de não as idolatrar, quando afirma: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Lc 16, 13).

A esmola ajuda-nos a vencer esta incessante tentação, educando-nos para ir ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Tal é a finalidade das coletas especiais para os pobres, que são promovidas em muitas partes do mundo durante a Quaresma. Desta forma, a purificação interior é corroborada por um gesto de comunhão eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva. São Paulo fala disto mesmo quando, nas suas Cartas, se refere à coleta para a comunidade de Jerusalém (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27).

2. Segundo o ensinamento evangélico, não somos proprietários, mas administradores dos bens que possuímos: assim, estes não devem ser considerados propriedade exclusiva, mas meios através dos quais o Senhor chama cada um de nós a fazer-se intermediário da sua providência junto do próximo. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, os bens materiais possuem um valor social, exigido pelo princípio do seu destino universal (cf. n. 2403).

É evidente, no Evangelho, a admoestação que Jesus faz a quem possui e usa só para si as riquezas terrenas. À vista das multidões carentes de tudo, que passam fome, adquirem o tom de forte reprovação estas palavras de São João: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus?» (1 Jo 3, 17). Entretanto, este apelo à partilha ressoa, com maior eloqüência, nos Países cuja população é composta, na sua maioria, por cristãos, porque é ainda mais grave a sua responsabilidade face às multidões que penam na indigência e no abandono. Socorrê-las é um dever de justiça, ainda antes de ser um gesto de caridade.

3. O Evangelho ressalta uma característica típica da esmola cristã: deve ficar escondida. «Que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita», diz Jesus, «a fim de que a tua esmola permaneça em segredo» (Mt 6, 3-4). E, pouco antes, tinha dito que não devemos vangloriar-nos das nossas boas ações, para não corrermos o risco de ficar privados da recompensa celeste (cf. Mt 6, 1-2). A preocupação do discípulo é que tudo seja para a maior glória de Deus. Jesus admoesta: «Brilhe a vossa luz diante dos homens de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos Céus» (Mt 5, 16). Portanto, tudo deve ser realizado para glória de Deus, e não nossa. Queridos irmãos e irmãs, que esta consciência acompanhe cada gesto de ajuda ao próximo evitando que se transforme num meio nos pormos em destaque. Se, ao praticarmos uma boa ação, não tivermos como finalidade a glória de Deus e o verdadeiro bem dos irmãos, mas visarmos antes uma compensação de interesse pessoal ou simplesmente de louvor, colocamo-nos fora da lógica evangélica. Na moderna sociedade da imagem, é preciso redobrar de atenção, dado que esta tentação é freqüente. A esmola evangélica não é simples filantropia: trata-se antes de uma expressão concreta da caridade, virtude teologal que exige a conversão interior ao amor de Deus e dos irmãos, à imitação de Jesus Cristo, que, ao morrer na cruz, Se entregou totalmente por nós. Como não agradecer a Deus por tantas pessoas que no silêncio, longe dos refletores da sociedade mediática, realizam com este espírito generosas ações de apoio ao próximo em dificuldade? De pouco serve dar os próprios bens aos outros, se o coração se ensoberbece com isso: tal é o motivo por que não procura um reconhecimento humano para as obras de misericórdia realizadas quem sabe que Deus «vê no segredo» e no segredo recompensará.

4. Convidando-nos a ver a esmola com um olhar mais profundo que transcenda a dimensão meramente material, a Escritura ensina-nos que há mais alegria em dar do que em receber (cf. At 20, 35). Quando agimos com amor, exprimimos a verdade do nosso ser: de fato, fomos criados a fim de vivermos não para nós próprios, mas para Deus e para os irmãos (cf. 2 Cor 5, 15). Todas as vezes que por amor de Deus partilhamos os nossos bens com o próximo necessitado, experimentamos que a plenitude de vida provém do amor e tudo nos retorna como bênção sob forma de paz, satisfação interior e alegria. O Pai celeste recompensa as nossas esmolas com a sua alegria. Mais ainda: São Pedro cita, entre os frutos espirituais da esmola, o perdão dos pecados. «A caridade – escreve ele – cobre a multidão dos pecados» (1 Pd 4, 8). Como se repete com freqüência na liturgia quaresmal, Deus oferece-nos, a nós pecadores, a possibilidade de sermos perdoados. O fato de partilhar com os pobres o que possuímos, predispõe-nos para recebermos tal dom. Penso, neste momento, em quantos experimentam o peso do mal praticado e, por isso mesmo, se sentem longe de Deus, receosos e quase incapazes de recorrer a Ele. A esmola, aproximando-nos dos outros, aproxima-nos de Deus também e pode tornar-se instrumento de autêntica conversão e reconciliação com Ele e com os irmãos.

5. A esmola educa para a generosidade do amor. São José Bento Cottolengo costumava recomendar: «Nunca conteis as moedas que dais, porque eu sempre digo: se ao dar a esmola a mão esquerda não há de saber o que faz a direita, também a direita não deve saber ela mesma o que faz» (Detti e pensieri, Edilibri, n. 201). A este propósito, é muito significativo o episódio evangélico da viúva que, da sua pobreza, lança no tesouro do templo «tudo o que tinha para viver» (Mc 12, 44). A sua pequena e insignificante moeda tornou-se um símbolo eloqüente: esta viúva dá a Deus não o supérfluo, não tanto o que tem como sobretudo aquilo que é; entrega-se totalmente a si mesma.

Este episódio comovedor está inserido na descrição dos dias que precedem imediatamente a paixão e morte de Jesus, o Qual, como observa São Paulo, fez-Se pobre para nos enriquecer pela sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9); entregou-Se totalmente por nós. A Quaresma, nomeadamente através da prática da esmola, impele-nos a seguir o seu exemplo. Na sua escola, podemos aprender a fazer da nossa vida um dom total; imitando-O, conseguimos tornar-nos disponíveis para dar não tanto algo do que possuímos, mas darmo-nos a nós próprios. Não se resume porventura todo o Evangelho no único mandamento da caridade? A prática quaresmal da esmola torna-se, portanto, um meio para aprofundar a nossa vocação cristã. Quando se oferece gratuitamente a si mesmo, o cristão testemunha que não é a riqueza material que dita as leis da existência, mas o amor. Deste modo, o que dá valor à esmola é o amor, que inspira formas diversas de doação, segundo as possibilidades e as condições de cada um.

6. Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma convida-nos a «treinar-nos» espiritualmente, nomeadamente através da prática da esmola, para crescermos na caridade e nos pobres reconhecermos o próprio Cristo. Nos Atos dos Apóstolos, conta-se que o apóstolo Pedro disse ao coxo que pedia esmola à porta do templo: «Não tenho ouro nem prata, mas vou dar-te o que tenho: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda» (At 3, 6). Com a esmola, oferecemos algo de material, sinal do dom maior que podemos oferecer aos outros com o anúncio e o testemunho de Cristo, em cujo nome temos a vida verdadeira. Que este período se caracterize, portanto, por um esforço pessoal e comunitário de adesão a Cristo para sermos testemunhas do seu amor. Maria, Mãe e Serva fiel do Senhor, ajude os crentes a regerem o «combate espiritual» da Quaresma armados com a oração, o jejum e a prática da esmola, para chegarem às celebrações das Festas Pascais renovados no espírito. Com estes votos, de bom grado concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 30 de Outubro de 2007.

“A esmola evangélica não é simples filantropia: trata-se antes de uma expressão concreta da caridade, virtude teologal que exige a conversão interior ao amor de Deus e dos irmãos”.
BENEDICTUS PP. XVI

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Fetos chutam tumor de útero e 'salvam a vida da mãe'

Saudações queridos leitores!

Fiquem com notícia muito interessante da BBC Brasil.


Fetos chutam tumor de útero e 'salvam a vida da mãe'


Ela decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia

BBC Brasil

SÃO PAULO - Uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez foi salva pelos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor.

Michelle Stepney, de 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada opara o hospital com um sangramento.

No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.

"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle.

Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez.

Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a
cada 15 dias.

As gêmeas, Alice e Harriet, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por
causa dos efeitos da quimioterapia.

Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. Os médicos acreditam que ela esteja curada.

A britânica disse que deve "a vida às filhas".

No dia 12 de fevereiro, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o
câncer.

Sem dúvida, é uma notícia interessante e um bom fato para a comunidade pró-vida. E ainda tem gente querendo legalizar a maldição do aborto...

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Pílula: Igreja que cuide das almas, diz prefeito

Saudações queridos leitores!

Como tem gente que não sabe o que falar! Fiquem com notícia do Terra (fonte aqui), volto depois.

Pílula: Igreja que cuide das almas, diz prefeito


No último dia do Carnaval, o prefeito do Recife, João Paulo, afirmou que contornou as pressões da Igreja Católica em relação à distribuição da pílula do dia seguinte. "Se a Igreja quiser cuidar das almas que cuide, mas não da saúde pública", disse ele nesta terça-feira.

O projeto da Secretaria Municipal da Saúde do Recife de distribuir a pílula em postos junto às regiões de folia foi criticado pelo arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho. A Igreja tentou entrar com uma ação judicial, alegando que o contraceptivo era abortivo e contrário à vida, mas o Ministério Público Estadual (MP-PE) não levou o processo adiante.

João Paulo admitiu estar acostumado com polêmicas em seu governo, mas alegou que a prefeitura não poderia acatar a posição da arquidiocese. Ele ressaltou que seu governo seguiu uma orientação internacional de saúde pública, proveniente da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Ficou demonstrado que não só a sociedade não aceitou essa posição (da Igreja), como também a Justiça", disse.

João Paulo, no entanto, não quis comentar o resultado da campanha de contracepção feita durante o Carnaval. Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que a entrega de pílulas foi baixa nos primeiros quatro dias de folia, com apenas 20 comprimidos distribuídos. Os número oficiais devem sair somente na Quarta-feira de Cinzas.

Na Cúria Metropolitana e na residência oficial do arcebispo, ninguém foi encontrado para comentar as declarações do prefeito.

Voltei. Mais um que não sabe o que fala. Munido do laicismo em sua forma mais daninha, já dispara contra a Igreja, sem lembrar que o Estado Laico também garante voz à Igreja, senão seria Estado anti-Cristão.

A colocação do prefeito é inoportuna e inútil. Serviu pra lembrar que a campanha pela pílula abortiva do dia seguinte foi um fiasco.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Procura por pílula do dia seguinte fica abaixo do esperado

Saudações queridos leitores!

O Carnaval está passando... agora, fiquem com notícia do Terra (fonte aqui), volto depois.

Recife: procura por pílula do dia seguinte fica abaixo do esperado


A procura pela pílula do dia seguinte ficou abaixo do esperado durante os primeiros quatro dias do Carnaval do Recife. De acordo com o coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Secretaria Municipal da Saúde, Carlos Figueiredo, desde sexta-feira, aproximadamente 20 pílulas foram entregues.

A distribuição do método contraceptivo causou polêmica em meio à Igreja Católica e outras instituições da sociedade civil. A Arquidiocese de Olinda e Recife chegou a fazer o pedido ao Ministério Público Estadual (MP-PE) para que a distribuição fosse suspensa. A promotora de Defesa da Saúde, Maria Ivana Botelho, no entanto, decidiu não enviar o pedido à Justiça e manteve a distribuição. A Associação de Defesa dos Usuários de Seguros e Sistema de Saúde (Aduseps) entrou na Justiça para barrar a pílula, mas teve a solicitação negada.

Segundo Figueiredo, a procura maior pelas pílulas foi na segunda-feira, quando a Secretaria distribuiu 11 delas. "Pensamos que o povo fosse procurar muito mais, por conta da polêmica", afirmou.

Ele acredita que a baixa procura também esteja relacionada ao fato de as pessoas estarem se protegendo com preservativos, que também são distribuídos gratuitamente nos postos de saúde montados pela secretaria.

A médica Benita Spineli, gerente de Atenção à Saúde da Mulher, disse que muitas pessoas não estão bem informadas a respeito da distribuição da pílula. Para receber o medicamento, é preciso passar por uma avaliação médica, que pode ser feita nos próprios postos de distribuição.

Conforme Benita, desde 2003, ano em que a distribuição passou a ser feita gratuitamente pela prefeitura, a procura não tem sido elevada. "Consideramos o método como sendo de emergência, não é recomendável para todos os casos", afirmou.

A prefeitura do Recife só vai divulgar os números oficiais da entrega das pílulas na Quarta-feira de Cinzas, depois do Carnaval. Nesta terça-feira, o contraceptivo ainda pode ser encontrado nos postos de saúde instalados no Marco Zero e na praça do Diário, além de maternidades e policlínicas do município.

Voltei. A campanha foi um fiasco. Para o nosso bem, o Ministério da Saúde foi incompetente demais durante essa campanha. Bem feito para eles!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Receber Comunhão na mão enfraquece devoção diante do Santíssimo

Saudações queridos leitores!

A Quaresma se aproxima e como preparação, proponho uma mudança de atitude com relação à Santíssima Eucaristia. Fiquem com notícia da ACI.

Receber Comunhão na mão enfraquece devoção diante do Santíssimo, diz autoridade vaticano

.- O Arcebispo Albert Malcolm Ranjith, Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, sublinhou que ao receber a Comunhão na mão se produz “um crescente enfraquecimento de uma conduta devota diante do Santíssimo Sacramento”. Em sua opinião a Igreja deveria reconsiderar a permissão para recebê-la desta forma.Segundo o sítio Web Kath.net o Prelado fez pública esta proposta, no prólogo do livro “Dominus Est: Pensamentos de um Bispo da Ásia Central sobre a Sagrada Eucaristia” escrito pelo Bispo Auxiliar de Karaganda, Dom Athanasius Schneider, e editado pela livraria do Vaticano em janeiro deste ano.

Dom Ranjith recalcou que a Sagrada Eucaristia deve ser recebida “com reverência e atitude de devota adoração”. Ressaltou que a prática de receber a comunhão na mão foi “introduzida de maneira abusiva e precipitada em alguns âmbitos” e posteriormente reconhecida pelo Vaticano. Além disso recordou que no Concílio Vaticano II nunca se legitimou esta prática.

Aqui não se trata de argumentos capciosos, recalcou Dom Ranjith, “acredito que chegou a hora de avaliar esta prática e reconsiderá-la e, quando for necessário, deixá-la”, demarcou.

Voltei. Está aí uma boa prática de piedade para exercermos nesse tempo de reflexão.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Evangelho de Domingo - 4° Domingo do Tempo Comum

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários dos Padres de Navarra.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus.

Evangelho (Mt 5, 1-12a (4º Domingo do Tempo Comum))

1Vendo Ele as multidões, subiu ao monte e sentou-Se. Acercaram-se os discípulos 2e Ele, tomando a palavra, pôs-se a ensiná-los, dizendo:

3Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

4Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

5Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra.

6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.

7Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

8Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

9Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.

10Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

11Bem-aventurados sois, quando, por minha causa, vos injuriarem e perseguirem e disserem, falsamente, contra vós toda a espécie de mal.

12Alegrai-vos e exultai, porque será grande nos Céus a vossa recompensa.

Palavra da Salvação.

1-2. O Sermão da Montanha ocupa integralmente os caps. 5, 6 e 7 de São Mateus. Trata-se do primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus que aparecem neste Evangelho. Compreende uma considerável parte dos ensinamentos do Senhor.

Não é fácil de reduzir o discurso a um só tema, mas os diversos ensinamentos podem comodamente agrupar-se à volta destes cinco pontos: 1) o espírito que se deve ter para entrar no Reino dos Céus (as Bem-aventuranças, sal da terra e luz do mundo, Jesus e a Sua doutrina, plenitude da Lei); 2) rectidão de intenção nas práticas de piedade (aqui se inclui a oração do Senhor ou Pai-Nosso); 3) confiança na Providência paternal de Deus; 4) as relações fraternas dos filhos de Deus (não julgar o próximo, respeito pelas coisas santas, eficácia da oração e a regra de oiro da caridade); e 5) condições e fundamento para a entrada no reino (a porta estreita, os falsos profetas e edificar sobre rocha).

2. "Pôs-se a ensiná-los": Refere-se tanto aos discípulos que rodeavam Jesus como às multidões ali presentes, segundo aparece no fim do Sermão da Montanha (Mt 7,28).

As Bem-aventuranças (5,3-12) constituem como que o pórtico do Sermão da Montanha. Para uma recta compreensão das Bem-aventuranças é conveniente ter em conta que nelas não se promete a salvação a umas determinadas classes de pessoas que aqui se enumerariam, mas a todos aqueles que alcancem as disposições religiosas e o comportamento moral que Jesus Cristo exige. Quer dizer, os pobres de espírito, os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos e os que sofrem perseguição por buscar a santidade, não indicam pessoas distintas entre si, mas são como que diversas exigências de santidade dirigidas a quem quer ser discípulo de Cristo.

Pela mesma razão, também não prometem a salvação a determinados grupos da sociedade, mas a toda a pessoa que, seja qual for a sua situação no mundo, se esforce por viver o espírito e as exigências das Bem-aventuranças.

A todas elas é também comum o sentido escatológico, isto é, é-nos prometida a salvação definitiva não neste mundo, mas na vida eterna. Mas o espírito das Bem-aventuranças produz, já na vida presente, a paz no meio das tribulações. Na história da humanidade, as Bem-aventuranças constituem uma mudança completa dos critérios humanos habituais: desqualificam o horizonte da piedade farisaica, que via na felicidade terrena a bênção e prémio de Deus e, na infelicidade e desgraça, o castigo. Em todos os tempos as Bem-aventuranças põem muito por cima os bens do espírito sobre os bens materiais. Sãos e doentes, poderosos e débeis, ricos e pobres... são chamados, por cima das suas circunstâncias, à felicidade profunda daqueles que alcançam as Bem-aventuranças de Jesus.

É evidente que as Bem-aventuranças não contêm toda a doutrina evangélica. Não obstante contém, como que em germe, todo o programa de perfeição cristã.

3. Neste versículo exprime-se de modo amplo a relação da pobreza com o espírito. Este conceito religioso de pobre tinha já uma longa tradição no AT (cfr, p. ex., Soph 2,3 s). Mais que a condição social de pobre, expressa a atitude religiosa de indigência e de humildade diante de Deus: é pobre o que acorre a Deus sem considerar méritos próprios e confia só na misericórdia divina para ser salvo. Esta atitude religiosa da pobreza está muito aparentada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada em propriedade; tudo é de Deus seu Pai e a Ele o deve. De qualquer modo a pobreza em espírito, quer dizer, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e austeridade no uso deles. A alguns, os religiosos, Deus pede-lhes o desprendimento inclusive jurídico das suas propriedades, como testemunho perante o mundo da condição passageira das coisas terrenas.

4. "Os que choram": Chama aqui bem-aventurados Nosso Senhor todos os que estão aflitos por alguma causa e, de modo particular, aqueles que estão verdadeiramente arrependidos dos seus pecados, ou aflitos pelas ofensas que outros fazem a Deus, e que levam o seu sofrimento com amor e desejos de reparação.

"Choras? - Não te envergonhes. Chora; sim, os homens também choram, como tu, na solidão e diante de Deus. - Durante a noite, diz o rei David, regarei de lágrimas o meu leito.
Com essas lágrimas, ardentes e viris, podes purificar o teu passado e sobrenaturalizar a tua vida actual" (Caminho, n° 216).

O Espírito de Deus consolará com paz e alegria, mesmo neste mundo, os que choram os pecados, e depois participarão da plenitude da felicidade e da glória do céu: esses são bem-aventurados.

5. "Mansos": quer dizer, os que sofrem com paciência as perseguições injustas; os que nas adversidades mantêm o ânimo sereno, humilde e firme, e não se deixam levar pela ira ou pelo abatimento. É a virtude da mansidão muito necessária para a vida cristã. Normalmente as frequentes manifestações externas de irritabilidade procedem da falta de humildade e de paz interior.

"A terra": Comummente entende-se em sentido transcendente, quer dizer, a pátria celestial

6. O conceito de justiça na Sagrada Escritura é essencialmente religioso. Chama-se justo a quem se esforça sinceramente por cumprir a Vontade de Deus, que se manifesta nos mandamentos, nos deveres de estado e na união da alma com Deus. Por isso a justiça, na linguagem da Bíblia, coincide com o que actualmente costuma chamar-se santidade (1 Ioh 2,29; 3,7-10; Apc 22,11; Gen 15,6; Dt 9,4).

Como comenta São Jerônimo (Comm. in Matth. 5.6), esta quarta bem-aventurança de Nosso Senhor exige não um simples desejo vago de justiça, mas ter fome e sede dela, isto é, amar e buscar com todas as forças aquilo que torna justo o homem diante de Deus. O que de verdade quer a santidade cristã tem de amar os meios que a Igreja, instrumento universal de salvação, oferece e ensina a viver a todos os homens: frequência de sacramentos, convivência íntima com Deus na oração, fortaleza em cumprir os deveres familiares, profissionais, sociais.

7. A misericórdia não consiste apenas em dar esmola aos pobres, mas também em compreender os defeitos que possam ter os outros, desculpá-los, ajudá-los a superá-los e amá-los mesmo com os defeitos que tenham. Também faz parte da misericórdia alegrar-se e sofrer com as alegrias e dores alheias.

8. A doutrina de Cristo ensina que a raiz da qualidade dos actos humanos está no coração, quer dizer, no interior do homem, no fundo do seu espírito:
"Quando falamos de um coração humano, não nos referimos só aos sentimentos: aludimos à pessoa toda que quer, que ama, que convive com os outros. Ora, na maneira de os homens se exprimirem, que a Sagrada Escritura utiliza para nos ajudar a compreender as coisas divinas, o coração é tido por resumo e fonte, expressão e fundo íntimo dos pensamentos, das palavras, das acções. Um homem vale o que vale o seu coração - diríamos com palavras bem humanas" (Cristo que passa, n° 164).

A pureza de coração é um dom de Deus, que se manifesta na capacidade de amar, no olhar recto e puro para tudo o que é nobre. Como diz o Apóstolo, "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, é o que deveis ter em mente" (Phil 4,8). O cristão, ajudado pela graça de Deus, deve lutar continuamente para purificar o seu coração e adquirir essa pureza, em virtude da qual se promete a visão de Deus.

9. A palavra "pacíficos" é a usual nas traduções e, além disso, etimologicamente é fiel ao texto. No livro sagrado tem claramente um sentido activo: "os que promovem a paz" em si mesmos, nos outros e, sobretudo, como fundamento do anterior, procuram reconciliar-se e reconciliar os outros com Deus. A paz com Deus é a causa e o cume de toda a paz. Será vã e enganadora qualquer paz no mundo que não se baseie nessa paz divina.

"Serão chamados filhos de Deus": É um hebraísmo muito frequente na Sagrada Escritura; é o mesmo que dizer " serão filhos de Deus". A primeira Epístola de São João (1 Ioh 3, 1) dá-nos a exegese autêntica desta bem-aventurança: "Vede que amor nos mostrou o Pai: que sejamos chamados filhos de Deus e que realmente o sejamos".

10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por ser santos ou pelo seu empenho em ser santos, porque deles é o Reino dos Céus.

Portanto, é bem-aventurado o que sofre perseguição por ser fiel a Jesus Cristo, e a suporta não só com paciência mas com alegria. Na vida do cristão apresentam-se circunstâncias heróicas, nas quais não têm lugar meios termos; ou se é fiel a Jesus Cristo jogando-se a honra, a vida e os bens, ou O renegamos. São Bernardo (Sermão da Festa de Todos os Santos) diz que esta oitava bem-aventurança era como que a prerrogativa dos santos mártires. O cristão que é fiel à doutrina de Jesus Cristo é de facto também um "mártir" (testemunha) que reflecte ou cumpre esta bem-aventurança, mesmo sem chegar à morte corporal,

11-12.
As Bem-aventuranças são as condições que Cristo pôs para entrar no Reino dos Céus. O versículo, à maneira de recapitulação, é um convite global a viver estes ensinamentos. A vida cristã não é, pois, tarefa fácil, mas vale a pena pela plenitude de vida que o Filho de Deus promete.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.