sábado, 26 de janeiro de 2008

Secretário da CNBB exigiu retiro de vídeo com falsas católicas

Saudações queridos leitores!

Novidades sobre as CDD no DVD da Campanha da Fraternidade 2008. Fiquem com notícia da ACI, volto depois.

Escritório de imprensa: Secretário da CNBB exigiu retiro de vídeo com falsas católicas

.- O Pe. Geraldo Martins Dias, assessor de imprensa da Conferência de Bispos Católicos do Brasil (CNBB) precisou que o Secretário Geral deste organismo, Dom Dimas Lara Barbosa, exigiu o retiro do vídeo produzido por Verbo Filmes para a Campanha da Fraternidade 2008 (CF-2008) com a participação do grupo abortista Católicas pelo Direito a Decidir (CDD).

O sacerdote saiu assim ao encontro da polêmica surgida no Brasil logo que as CDD fossem convidadas pela produtora Verbo Filmes para que participassem do vídeo da Campanha da Fraternidade 2008 "Escolhe pois a vida", no que apareciam criticando a firme defesa da vida da Igreja Católica. O vídeo foi retirado por ordem dos bispos exigindo à produtora uma nova edição do mesmo, sem as abortistas.

"De fato, Verbo Filmess produziu um DVD sobre a CF-2008 no que se incluía a palavra do movimento Católicas pelo Direito a Decidir. O vídeo não é iniciativa da CNBB e não faz parte do material oficial da CF-2008", explica o Pe. Dias.

"Assim como Verbo Filmes –prossegue o sacerdote– várias regiões, dioceses, congregações, editoras e produtoras de rádio e TV católicas também produzem subsídios, não só para a CF, mas também para os distintos tempos do ano litúrgico. Todos têm autonomia para isso sempre e quando deixem claro que não se trata de material oficial da CNBB".

"No caso do vídeo de Verbo Filmes, assim que soube-se do acontecido, o Secretário Geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, solicitou à produtora recolher o material comercializado, já que o vídeo comprometia a CNBB por conter seu logotipo. Imediatamente Verbo Filmes o fez e produziu uma segunda edição sem o conteúdo mencionado", finaliza o assessor de imprensa da CNBB.

Voltei. Os abortistas são astutos. Aproveitaram a ocasião e fizeram sua propaganda da morte direitinho, aproveitando-se da oportunidade que lhes foi dada. Os erros cometidos nesse episódios são vários. Entre eles:

- A Verbo Filmes permitiu que as abortistas fizessem propaganda do aborto e contra a Igreja em um material que deveria exercer a função contrária;

- O DVD saiu com a logmarca da CNBB e sem nenhuma referência a sua extra-oficialidade. É natural que todos julguem que o DVD é material oficial da CNBB;

- O recolhimento do DVD foi absurdamente ineficiente. Dias depois da ordem de recolhimento ainda era possível encontrar o DVD com o depoimento das abortistas nas lojas;

- A reação da CNBB foi extremamente tardia e muito abaixo da intensidade necessária para um escândalo dessas proporções. Se o assunto fosse tratado com mais seriedade, muitas cabeças rolariam na Verbo Filmes e na CNBB, onde todos sabemos que existem pessoas com posicionamento radicalmente contra a Fé Católica.

Já é mais do que hora de agir!

Que Deus nos livre da maldição do aborto!

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Igreja promete entrar na Justiça contra pílula do dia seguinte

Saudações queridos leitores!

Fiquem com reportagem da Folha (íntegra aqui), volto depois.

Igreja promete entrar na Justiça contra pílula do dia seguinte em PE

FÁBIO GUIBU

da Agência Folha, em Recife

O arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, anunciou hoje que a Igreja vai entrar com uma ação para tentar evitar que a Prefeitura de Recife distribua a pílula do dia seguinte na cidade durante o Carnaval deste ano.

A ação será proposta pela Pastoral da Saúde da arquidiocese e terá como base a proibição do aborto no Brasil. "Nenhum ser humano tem o direito de suprimir a vida de um inocente. É pecado grave", disse o arcebispo, para quem o medicamento tem efeitos abortivos.

"O aborto é um homicídio ainda mais grave, porque suprime a vida de um inocente que não tem a mínima condição de defesa", afirmou dom José.

A Secretaria da Saúde de Recife disse que o anticoncepcional de emergência não é abortivo e que manterá a iniciativa. O projeto prevê a distribuição da pílula em dois postos de saúde móveis montados em focos de animação do centro da cidade.

Para ter acesso ao medicamento, a mulher que procurar o posto deverá relatar ao médico plantonista que manteve uma relação sexual sem proteção, que o método tradicional de anticoncepção usado por ela falhou ou então que foi vítima de violência sexual.

(...)

Troco

O Fórum de Mulheres de Pernambuco e a Rede Feminista de Saúde, por sua vez, entraram hoje com uma ação contra a arquidiocese. Na ação, as entidades disseram que a instituição religiosa fere a Lei de Planejamento Familiar ao usar "valores morais e de cunho religioso para repassar à população informações equivocadas quanto à ação do contraceptivo de emergência". Elas pediram uma retratação pública.

Voltei. É realmente espantosa a falta de critérios para a distribuição da pílula. Esse medicamento, além de abortivo, é uma verdadeira bomba hormonal e será distribuído a qualquer mulher que relatar que teve relações íntimas sem proteção ou que foi vítima de violência sexual. Os efeitos a longo prazo do uso da pílula não são conhecidos e mesmo assim não há informações sobre a quantia de pílulas que cada mulher poderá receber, quer dizer que se ela quiser, pode receber o medicamento e tomar dez vezes no carnaval e dane-se os efeitos que isso pode provocar no corpo. É um monstro de irresponsabilidade.

Agora, pra variar, uma entidade feminista resolve pedir a cabeça da Arquidiocese. Elas querem uma retratação, alegando que a Arquidiocese usa de valores morais e de cunho religioso para repassar à população informações equivocadas quanto à ação do contraceptivo de emergência", o que é mentira, visto que a Igreja se apóia em estudos sérios para fundamentar sua posição. S liberdade que elas pregam é aquela que só vale para quem concorda com suas teses. É a mania de unanimidade.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Papa critica "vulgaridade" dos meios de comunicação

Saudações queridos leitores!

Todos sabem como vários veículos da imprensa tratam a Igreja. O Papa também sabe disso e hoje ele criticou esse comportamento de certos setores da imprensa. Fiquem com notícia da Folha (fonte aqui), volto depois.

Papa critica "vulgaridade" dos meios de comunicação

da Efe, na Cidade do Vaticano

O papa Bento 16 denunciou nesta quinta-feira o uso da "transgressão, vulgaridade e violência" à qual recorrem alguns meios de comunicação para aumentar sua audiência. A mensagem foi dirigida à próxima Rodada Mundial das Comunicações Sociais.

Na mensagem, que este ano teve como título "A imprensa: na encruzilhada entre liderança e serviço. Buscar a verdade para compartilhá-la", o papa também criticou a comunicação "usada para fins ideológicos ou para a venda de bens de consumo por meio de publicidade obsessiva".

O pontífice advertiu também que é necessário "evitar que a imprensa se transforme em um porta-voz do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas de nosso tempo".

Bento 16, porém, destacou que "é inegável a contribuição [que a imprensa] pode dar ao fluxo de notícias, ao conhecimento dos fatos e à difusão do saber", e seu papel, por exemplo, "na alfabetização e na socialização, [bem como no] desenvolvimento da democracia e o diálogo entre os povos".

No entanto, para o papa, existe o risco de que os meios "se transformem em sistemas dedicados a submeter o homem à lógicas ditadas pelos interesses dominantes do momento".

Por isto, pediu a quem trabalha no mundo da comunicação que "defenda zelosamente a pessoa e respeite plenamente sua dignidade".

O papa concluiu sua mensagem citando João Paulo 2º e pedindo "comunicadores valentes e testemunhas autênticas da verdade".

Voltei. Muitos órgãos da imprensa que vestem um certo manto de "imparcialidade" pensam que só há imparcialidade na discordância com a Igreja. Certos setores do jornalismo caracterizam de "reacionário" tudo o que esteja em desacordo com o politicamente correto, sendo assim, esses meios de comunicação, para manterem sua aura de isenção, descem o sarrafo na Igreja, seja em que caso for.

No nosso mundo, todos têm voz e têm vez, exceto a Igreja. Muitos dos meios de comunicação acham que para serem isentos, corretos, devem bater nos dois lados, como se apontar o erro em um dos lados fosse algo proibido. Eles têm em mente que não podem concordar, então têm que malhar. As últimas intervenções com relação a preservativos e aborto têm sido tratadas desse jeito, como se a posição da Igreja fosse uma coisa bizarra, seguida por uma seita maluca. Está provado, inclusive com pesquisas, que não é assim.

Não sei se a imprensa vai melhorar depois desse alerta do Papa, mas eu continuo como sempre fui: aplaudo o bom e vaio o ruim, sem sacrificar minhas convicções no altar do bom-mocismo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Pernambuco pretende distribuir a pílula do dia seguinte no carnaval

Saudações queridos leitores!

O carnaval pernambucano nem começou e já há uma polêmica. A Secretaria de Saúde do Recife e a prefeitura do município de Paulista pretendem distribuir a pílula abortiva do dia seguinte para os foliões nesse carnaval. Fiquem com reportagem do Terra (fonte aqui), volto depois.

PE: distribuição de pílula do dia seguinte causa polêmica


O carnaval ainda nem começou e uma polêmica já toma conta de Penambuco. A Secretaria Municipal de Saúde do Recife e do município de Paulista decidiram disponibilizar a pílula do dia seguinte nos postos móveis de saúde nos pólos de folia durante os 4 dias de carnaval. A Arquidiocese de Olinda e Recife classificou a medida das prefeituras como "aberração".

Segundo a Igreja Católica, a distribuição do contraceptivo de emergência é um incentivo à prática de sexo. O coordenador arquidiocesano da Pastoral da Saúde, Vandeson Holanda, enviou um documento ao prefeito do Recife, João Paulo, expondo a postura da Igreja.

De acordo com a Arquidiocese, caso a decisão da Prefeitura seja mantida, a entidade vai acionar o Ministério Público. A Secretaria de Saúde do Recife não divulga quantas pílulas vão estar disponíveis.

Através de nota, o órgão divulgou que as usuárias que quiserem fazer uso da pílula vão ser atendidas por um médico e um enfermeiro, receberão orientação e um kit composto de 2 comprimidos contraceptivos, uma camisinha masculina e uma feminina, além de uma cartilha sobre orientação sexual.

Voltei. Dom José Cardoso Sobrinho é um dos Arcebispos mais corajosos que conheço. Quem dera tivéssemos mais gente como ele aqui no Brasil. Essa atitude dos órgãos de saúde de Pernambuco é uma violência dupla contra a dignidade humana: ela atenta diretamente contra a vida ao disponibilizar um medicamento abortivo ao acesso de qualquer pessoa e incita ao sexo irresponsável.

Tais iniciativas não servem de nada para prevenção, apenas desvirtuam a noção do sexo. Hoje em dia a propaganda oficial faz com que muitos jovens se sintam compelidos a ter relações o quanto antes, promovendo uma total banalização do ato sexual. Muitos jovens despreparados acabam tendo péssimas experiências e colocando-se sob um enorme perigo. Talvez tenhamos menos meninas grávidas e muito mais pessoas com doenças sexualmente transmissíveis.

Alerto a todos: protejam seus filhos do governo, pois ele está se tornando um perigo para os jovens.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Matemático judeu criticado por defender Papa

Saudações queridos leitores!

Da série de vozes que se erguem contra a censura imposta pelos obscurantistas da La Sapienza e o que acontece com elas. Fiquem com entrevista publicada em ZENIT (fonte aqui).


Matemático judeu criticado por defender Papa

Entrevista com Giorgio Israel, professor da universidade «La Sapienza»

Por Paolo Centofanti

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Defender Bento XVI dos ataques dos que se opuseram a sua visita à universidade «La Sapienza», em Roma, implica pagar um preço, confessa Giorgio Israel, professor de Matemática neste centro universitário.

O docente de origem judaica interveio com um artigo em «L’Osservatore Romano» e com declarações públicas para explicar que Joseph Ratzinger defendeu Galileu na conferência pronunciada em 1990, pela qual foi acusado erroneamente por 67 professores (dos 4.500) de «La Sapienza».

Zenit entrevistou o matemático, convencido promotor do diálogo entre fé e religião.

Considera que a imagem e a credibilidade de sua universidade em âmbito nacional e internacional sofreram após a oposição de um grupo de professores e alunos à visita do pontífice?

–Professor Israel: Creio que o dano é muito sério. Recebi cartas por parte de professores norte-americanos que estavam desconcertados; nos Estados Unidos se podem encontram todas as posições possíveis e imagináveis, mas não se dá esta forma violenta de rechaço do diálogo com o Papa, e ademais apenas com o Papa, pois «La Sapienza» tem convidado todos. É algo desconcertante e, portanto, desde meu ponto de vista, o dano para a imagem é muito elevado.

Considerando seu ponto vista pessoal e seus contatos como professor, acredita haver motivações veladas por trás dos pretextos?

–Professor Israel: Não creio. Sei que alguns têm dito que tudo isso se deve, em parte, às rivalidades entre grupos acadêmicos para a reeleição do reitor. Mas francamente não creio. É mais que provável que alguém se aproveite disso, mas meu juízo é que o mundo universitário, que sempre esteve ligado à extrema esquerda, em particular ao partido comunista, com o final da ideologia marxista ficou «órfão» desta ideologia. E, em certo sentido, construíram como uma teologia substituta, como disse George Steiner: o cientificismo e o laicismo mais obstinados. Na universidade encontramos uma concentração sumamente elevada de pessoas que têm uma visão deste tipo, muito mais que no resto da sociedade civil.

Crê que a intervenção do Papa poderia desarticular este tipo de ideologias?

–Professor Israel: Não, pois é um processo sumamente lento. De um ponto de vista, dada a oposição, e as dificuldades circunstanciais, creio que a decisão de não forçar a situação foi muito adequada. Creio que há que distinguir três elementos. Entre os estudantes, o grupo que se opôs é uma pequena minoria, e esta é a maldição de «La Sapienza»: sempre há um grupo de revoltosos que consegue impor sua vontade à imensa maioria dos estudantes. Acredito que entre os estudantes esta posição não está muito estendida. Entre os professores, é diferente. Só assinaram a carta 67, mas creio que são muito mais numerosos os que têm uma posição deste tipo. Digo isso por conhecimento de causa. Logo há muitos que pensam de uma maneira totalmente diferente. É difícil fazer porcentagens. Mas talvez se trata de uma divisão meio a meio. Mas não se trata apenas de 67, são muito mais.

Perante esta situação, penso que foi certo não ir à universidade e dar uma lição de aula, enviando um discurso que em certo sentido desmantela todos os pretextos do rechaço, da oposição à visita do Papa. Do meu ponto de vista, a mudança desta mentalidade apenas pode vir com um processo muito lento, de discussão, no qual se mostre progressivamente que estas posições de caráter cientificista, laicista, radical, são posições equivocadas. Mas, repito, estes processo requerem muito tempo; não é algo que se consegue em poucos dias, nem sequer em meses ou um ano. Precisa de tempo.

Além de tirar de contexto a citação de Ratzinger sobre a frase de Feyerabend na que falava do «caso» Galileu, houve erros de comunicação?

–Professor Israel: Não sei. Penso que tudo isso reflete uma degradação cultural, porque quem faz algo assim e não se envergonha, ou inclusive não se dá conta, como constato em alguns casos, é uma pessoa que culturalmente desceu muito baixo.

Tem sofrido críticas ou ataques por ter tomado posição estes dias?

–Professo Israel: Não vi muitas pessoas estes dias, mas é a situação de sempre. Quer dizer, quem toma posições como as que tomo paga um preço. Há pessoas que deixam de falar com você, porque – repito – é um clima sumamente ideologizado.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Carta à CNBB sobre o DVD da CF 2008

Saudações queridos leitores!

Em um esforço conjunto com outros apostolados e entidades, publico a carta enviada à CNBB sobre o caso dos DVDs da Campanha da Fraternidade de 2008. Fonte aqui.

CARTA À CNBB SOBRE O DVD DA CF2008
Por Equipe VS


Brasília-DF, 08 de janeiro de 2008.



Excelentíssimo Reverendíssimo Senhor

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


Excelentíssimo Reverendíssimo Senhor
Dom Dimas Lara Barbosa

Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


Católicos em todo o Brasil têm se mostrado perplexos após a divulgação da notícia segundo a qual o DVD da Campanha da Fraternidade 2008, produzido pela Verbo Filmes e portando o logotipo da CNBB, dedicou um bloco de quase seis minutos para a participação da sra. Dulce Xavier, líder da organização "Católicas pelo Direito de Decidir", em que defende o direito ao aborto, os métodos anticoncepcionais artificiais e outras condutas diametralmente opostas ao ensinamento católico, o qual invariável e infalivelmente proclama desde sempre que "o aborto [...] destrói a vida de um ser humano [...], opõe-se à virtude da justiça e viola diretamente o preceito divino 'não matarás" (SS. Papa João Paulo II, Enc. Evangelium Viate, nº13), acrescentando ainda que "o sangue de Cristo, ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta também como o homem é precioso aos olhos de Deus e quão inestimável seja o valor da sua vida" (idem, nº25).

Em fóruns e listas de discussão da Internet de que fazemos parte, muitas pessoas têm se perguntado - consternadas - o motivo desta infeliz inserção e buscando maiores informações sobre o assunto.


Até o momento, as informações mais completas e confiáveis que obtivemos foram aquelas fornecidas pelo sítio do Pró-Vida de Anápolis (http://www.providaanap
olis.org.br/). Segundo o responsável por esse sítio, pe. Lodi, a participação das Católicas pelo Direito de Decidir foi "incluída sem a autorização da CNBB", tendo essa Conferência, após tomar ciência do ocorrido, ordenado à produtora Verbo Filmes o recolhimento de todos os DVDs que incluíam críticas à Igreja feitas pela mencionada senhora.

No entanto, sabemos que tal operação de recolhimento foi falha ou incompleta, pois hoje mesmo um membro do nosso Apostolado conseguiu adquirir normalmente o DVD em Brasília (onde essa Conferência mantém sede), na loja da Editora Vozes, sito na SQN 704 [cupom fiscal anexo]. Segundo a própria atendente, eles não receberam qualquer orientação ou pedido de recolhimento dos volumes referentes à essa primeira edição.


Inquieta-nos e causa-nos estranheza o silêncio dessa Conferência até o momento. Visitando o sítio da CNBB na Internet, não encontramos sequer uma nota de esclarecimento sobre o assunto, para orientar os fiéis católicos que porventura adquiriram a primeira edição do vídeo e acreditem que a CNBB esteja endossando o que foi dito pela srª. Dulce Xavier.

Não entendemos por que essa Conferência ainda não se manifestou pública e oficialmente, antecipando-se à possibilidade de que o assunto venha a ser explorado de maneira sensacionalista pelos veículos de comunicação anti-católicos e, muito provavelmente, também pela dita organização "Católicas pelo Direito de Decidir". Acreditamos que Vossas Excelências Reverendíssimas fariam muito bem às almas dos católicos brasileiros se se apressassem a esclarecer pontualmente o episódio que, apesar das informações fornecidas pelo sítio Pró-Vida de Anápolis, continua ainda com muitas lacunas.

Não sabemos, por exemplo, de quem foi a idéia de incluir a participação das Católicas pelo Direito de Decidir no DVD; não sabemos se algum representante da CNBB assistiu ao vídeo completo antes de liberá-lo para comercialização; não sabemos se a Conferência já tomou as providências esperadas no sentido de afastar os responsáveis por esse episódio lamentável que macula a Campanha da Fraternidade deste ano, a qual provavelmente é a mais importante dos últimos anos;não sabemos, por fim, qual a contra-argumentação da CNBB para os dizeres da srª. Dulce Xavier que constam nesse DVD institucional da Campanha da Fraternidade 2008.

Por último, gostaríamos de pedir a Vossas Excelências Reverendíssimas que os Bispos do Brasil sigam o exemplo dos seus irmãos norte-americanos no Episcopado, e se pronunciem oficialmente a respeito das Católicas pelo Direito de Decidir: uma entidade não-católica que se atreve a usurpar o nome dos católicos para promover doutrinas verdadeiramente anti-cristãs.

Respeitosamente, subscrevemo-nos, aguardando para breve uma resposta, a qual poderá ser encaminhada para o endereço constante do envelope.
Membros do Apostolado Veritatis Splendor
Alessandro Ricardo Lima
Alexandre Semedo
Carlos Martins Nabeto
Cledson Ramos
Emerson de Oliveira
Jaime Francisco de Moura
Joathas Bello
Marcos Monteiro Grillo
Márcio Antonio de Castro Campos
Rafael Vitola Brodbeck
Rafael Cresci
Rondinelly Ribeiro
Sílvio Medeiros
Taiguara Fernandes de Sousa


Clique sobre as imagens para ampliá-las.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

domingo, 20 de janeiro de 2008

A intolerância dos tolerantes – “O Último Jantar” - por Reinaldo Azevedo

Saudações queridos leitores!

Conforme prometido, reproduzo abaixo o texto de Reinaldo Azevedo sobre a intolerância dos tolerantes. A íntegra da postagem pode ser conferida aqui.

A intolerância dos tolerantes – “O Último Jantar”

A quantidade de agressões que passei a receber depois que "eles" resolveram se juntar no “todos contra um” é formidável. É do jogo. São quem são. Ser este o blog de política mais visitado do país é um tapa na cara desses vagabundos. Demonstrei o que queria demonstrar. Não tenho mais tempo pra eles. Meus interlocutores são vocês. A palavra de ordem da Al Qaeda eletrônica é: “Vamos derrotar Reinaldo Azevedo; ele é intolerante e de direita”.

Na quarta de madrugada, a Globo exibiu um filme bastante interessante, que eu já tinha visto em vídeo. Se vocês não assistiram, recomendo. Chama-se O Último Jantar (The Last Supper), de 1995, dirigido por Stacy Title. Ainda que venham a detestá-lo, vale por Cameron Diaz, que está uma belezoca (tá, essa dica é para os rapazes). Mas as moças têm lá bons estímulos ao intelecto, hehe.

Estudantes “liberais” (nos EUA, isso quer dizer “a esquerda possível”, já que, para sorte deles, a história os blindou contra certo tipo de delírio do atraso), todos com aspirações intelectuais e libertárias, moram juntos. São jovens, modernos, divertidos e se acham tolerantes e inteligentes. Um deles pega carona, sem saber, com um homicida perigoso. O cara acaba ficando para o jantar. É um gorila de extrema direita: xenófobo, militarista, antipacifista. O choque com os “liberais” é inevitável e chega ao confronto físico. Resumo: um dos “pacifistas” acaba por cravar-lhe uma faca nas costas.

A “turma do bem” havia cometido um assassinato. Ocorre que o brutamontes dizia coisas tão desprezíveis e era tão violento, que o ato se confundiu com legítima defesa. Passado o torpor, tem início a racionalização da morte:

- era um fascista; merecia viver?;
- vivo, ele tornaria o mundo melhor ou pior?;
- os “liberais” não vinham sendo muito moles e covardes? Não havia chegado a hora de agir?

Os “tolerantes” têm uma idéia: começam a chamar para jantar pessoas pelas quais nutrem um olímpico desprezo. Todas elas são submetidas a um “julgamento”. Ignorantes do risco que correm, são estimuladas, incitadas mesmo, a dizer o que pensam. Passam pelo festim diabólico, entre outros:

- o reverendo homofóbico que vê na aids um castigo de Deus;
- o machista misógino;
- a militante antiaborto;
- o sujeito que não acredita no efeito-estufa;
- um rapaz contrário ao direito dos sem-teto;
- a moça que detesta arte contemporânea...

A todos é dado um certo “direito de defesa”, embora não saibam que estão sendo julgados. A cada coisa chocante que dizem, segue uma pergunta para que digam algo ainda pior. “Reprovados”, são induzidos a tomar um vinho envenenado. O tribunal dos liberais, dos progressistas, dos modernos, é implacável. A fala das vítimas é não mais do que uma caricatura do que seriam as opiniões “conservadoras”.

O que Title faz é jogar na boca dos "condenados" aquilo que seus algozes gostariam de ouvir. Explico-me: eles querem eliminar seus adversários — assim, quanto mais idiotas e simplistas eles forem, melhor. A regra é a seguinte: reduza seu oponente a um borrão de tudo aquilo que você mais odeia, e haverá, então, um bom motivo para eliminá-lo. É a intolerância dos tolerantes.

Contei o fim do filme? Não! O desfecho é surpreendente. Aqueles pobres idiotas, que reivindicam o direito de dizer quem pode e quem não pode viver, não estavam preparados para uma abordagem um pouco mais requintada do mundo. E terão a chance de experimentá-la, o que os humilha intelectualmente. Não vou contar mais. Vejam.

No Brasil

Os esquerdistas no Brasil gostariam que seus adversários fossem tão tolos quanto são os dos assassinos de O Último Jantar. Se a Igreja Católica — a séria — combate a abordagem oficial sobre a camisinha, então ela é “responsável pela expansão da aids porque estimularia o sexo sem proteção”; se alguém acusa o Bolsa Família de ser a indústria da miséria, então é porque quer que os pobres morram de fome; se faz restrições de natureza ética ao aborto, então é porque despreza os direitos da mulher. Aí fica fácil: ao reduzir o Outro à estupidez, podem matar sem culpa.

E qual é a suposição intectualmente verossímil para que possam ser assassinos éticos? Os “direitistas” estariam defendendo “o passado”, enquanto eles, os “esquerdistas”, teriam a nos oferecer um futuro glorioso.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Alocução do Santo Padre Bento XVI na «La Sapienza”

Saudações queridos leitores!

Se na La Sapienza um bando de obscurantistas não dá espaço para a voz do Santo Padre, aqui no meu Blog ele sempre terá vez. Como servo indigno do Doce Cristo na Terra que sou, abro meu blog para o discursoque seria proferido na Universidade italiana (extraído de ZENIT, íntegra aqui):

Alocução do Santo Padre Bento XVI na «La Sapienza”

Texto enviado ao reitor da universidade

CIDADE DO VATICANO, domingo, 20 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o texto da alocução que o Santo Padre Bento XVI teria pronunciado no curso da Visita à Universidade de Estudos “La Sapienza” de Roma, prevista para 17 de janeiro, depois cancelada em 15 de janeiro de 2008.

* * *

Magnífico Reitor,

Autoridades políticas e civis,

Ilustres docentes e pessoal técnico-administrativo,

Caros jovens estudantes!

Para mim é motivo de profunda alegria encontrar a comunidade de “La Sapienza”, universidade de Roma, por ocasião da inauguração do ano acadêmico. Desde há séculos, esta Universidade marca o caminho e a vida da cidade de Roma, fazendo frutificar as melhores energias intelectuais em todo campo do saber. Seja no tempo em que, após a fundação querida pelo Papa Bonifácio VIII, a instituição estava em direta dependência da autoridade eclesiástica, seja após isso, quanto o Studium Urbis se desenvolveu como instituição do Estado italiano, a vossa comunidade acadêmica conservou um grande nível científico e cultural, que a coloca entre as mais prestigiosas universidades do mundo. Desde sempre a Igreja de Roma olha com simpatia e admiração para este centro universitário, reconhecendo o seu esforço, tantas vezes árduo e trabalhoso, da pesquisa e da formação das novas gerações. Não faltaram nestes últimos anos momentos significativos de colaboração e de diálogo. Gostaria de lembrar, em particular, o Encontro Mundial dos Reitores por ocasião do Jubileu das Universidades, que viu a vossa comunidade encarregar-se não só da acolhida e da organização, mas principalmente da proposta profética e complexa da elaboração de “um novo humanismo para o terceiro milênio”.

Desejo muito, nesta circunstância, expressar minha gratidão pelo convite que me foi dirigido de vir à vossa universidade para vos dar uma aula. Diante desta perspectiva, fiz-me antes de mais nada uma pergunta: o que pode e deve dizer um Papa numa ocasião como esta? Na minha aula em Ratisbona falei, sim, como Papa, mas principalmente falei no meu papel de ex-professor daquela minha universidade, procurando entrelaçar recordações e atualidade. Na universidade “La Sapienza”, a antiga universidade de Roma, porém, fui convidado justamente como Bispo de Roma, e por isso devo falar como tal. Certamente, “La Sapienza” foi no passado a universidade do Papa, mas hoje é uma universidade laica, com aquela autonomia que, com base em seu próprio conceito fundacional, sempre fez parte da natureza de universidade, a qual deve estar ligada exclusivamente à autoridade da verdade. É na sua liberdade de autoridades políticas e eclesiásticas que a universidade encontra a sua função particular, justamente em vista da sociedade moderna, que precisa de uma instituição desse tipo.

Retomo minha pergunta inicial: o que o Papa pode e deve dizer no encontro com a universidade de sua cidade? Refletindo sobre essa pergunta, pareceu-me que ela deveria incluir outras duas, cujo esclarecimento poderia levar por si mesmo à resposta. Com efeito, é preciso perguntar: qual é a natureza e a missão do papado? E ainda: qual é a natureza e a missão da universidade? Não quero passar aqui convosco em longas digressões sobre a natureza do Papado. Bastará um breve comentário. O Papa é, antes de mais nada, Bispo de Roma e, como tal, em virtude da sucessão do Apóstolo Pedro, tem uma responsabilidade episcopal que diz respeito à toda a Igreja Católica. A palavra “bispo” – episkopos –, que no seu significado imediato quer dizer “vigilante”, já no Novo Testamento se fundiu com o conceito bíblico de pastor: ele é aquele que, desde um ponto de observação mais elevado, olha o conjunto, velando pelo justo caminho e pela coesão do conjunto. Neste sentido, esta designação do seu papel orienta o olhar principalmente ao interior da comunidade dos fiéis. O Bispo – o Pastor – é o homem que cuida desta comunidade; aquele que a conserva unida, mantendo-a no caminho rumo a Deus, indicada segundo a fé cristã por Jesus – e não apenas indicada: Ele mesmo é para nós o caminho. Mas esta comunidade da qual o Bispo cuida – pequena ou grande – vive no mundo; suas condições, seu caminho, seu exemplo e sua palavra influem inevitavelmente sobre toda a comunidade humana em seu conjunto. Quanto maior ela for, mais as suas boas condições ou a sua eventual decadência repercutirão no conjunto da humanidade. Vemos hoje, com muita clareza, como as condições das religiões e como a situação da Igreja – suas crises e suas renovações – agem sobre a humanidade como um todo. Assim, o Papa, justamente como Pastor da sua comunidade, foi se tornando cada vez mais também uma voz da razão ética da humanidade.

Aqui, porém, surge logo a objeção, segundo a qual o Papa, de fato, não falaria realmente com base na razão ética, mas tiraria suas afirmações da fé, e por isso não poderia pretender uma validade das mesmas para os que não compartilham esta fé. Vamos voltar ainda sobre este tema, porque aqui se coloca a questão absolutamente fundamental: o que é a razão? Como pode uma afirmação – sobretudo uma norma moral – demonstrar-se como “razoável”? Neste ponto, eu gostaria por um momento de comentar brevemente que John Rawls, mesmo negando a doutrinas religiosas em geral o caráter de razão “pública”, vê no entanto na sua razão “não-pública” ao menos uma razão que não poderia, em nome de uma racionalidade secularisticamente endurecida, ser simplesmente desconhecida por aqueles que a apóiam. Ele vê um critério desta razoabilidade, entre outros fatores, no fato de que essas doutrinas derivam de uma tradição responsável e motivada, na qual, ao longo de muito tempo, foram desenvolvidas argumentações boas o suficiente para apoiar as respectivas doutrinas. Nesta afirmação, parece-me importante o reconhecimento de que a experiência e a demonstração no decurso de gerações, o fundo histórico da sabedoria humana, são também um sinal da sua razoabilidade e do seu significado perdurável. Frente a uma razão a-histórica que se procura autoconstruir apenas numa racionalidade a-histórica, a sabedoria da humanidade como tal – a sabedoria das grandes tradições religiosas – é de valorizar-se como realidade que não se pode impunemente jogar no cesto de lixo da história das idéias.

Voltemos à pergunta inicial. O Papa fala como representante de uma comunidade de fé, na qual, durante os séculos de sua existência, foi amadurecendo uma determinada sabedoria da vida; fala como representante de uma comunidade que custodia em si um tesouro de conhecimento e de experiências éticas, que vem a ser importante para toda a humanidade: neste sentido, fala como representante de uma razão ética.

Mas agora é preciso perguntar: e o que é a universidade? Qual é o seu papel? É uma pergunta gigantesca, à qual, mais uma vez, posso procurar responder somente num estilo quase telegráfico, com algumas observações. Penso que é possível dizer que a verdadeira, íntima origem da universidade esteja na fome de conhecimento que é própria do homem. Ele quer saber o que é tudo o que o circunda. Neste sentido, podemos ver no interrogar-se de Sócrates o impulso do qual nasceu a universidade ocidental. Penso, por exemplo – apenas para mencionar um texto – na disputa com Eutífron, que, diante de Sócrates, defende a religião mítica e sua devoção. A isso Sócrates contrapõe a pergunta: “Tu acreditas que entre os deuses existam realmente uma guerra mútua e terríveis inimizades e combates... Devemos, Eutífron, realmente dizer que tudo isso é verdade?” (6 b – c). Nesta pergunta, aparentemente pouco devota – que, porém, em Sócrates derivava de uma religiosidade mais profunda e mais pura, da busca do Deus realmente divino –, os cristãos dos primeiros séculos reconheceram-se a si mesmos e o próprio caminho. Acolheram a sua fé não num modo positivista, ou como a saída para responder a desejos insatisfeitos; eles a entenderam como o fim da névoa da religião mitológica para dar lugar à descoberta daquele Deus que é Razão criadora e ao mesmo tempo Razão-Amor. Por isso, o questionamento sobre o Deus supremo, assim como sobre a verdadeira natureza e o verdadeiro sentido do ser humano não era para eles uma forma problemática de falta de religiosidade, mas fazia parte da essência do seu modo de ser religiosos. Não precisavam, portanto, dissolver ou deixar de lado o questionamento socrático, mas podiam, ou melhor, deviam acolhê-lo e reconhecer como parte da própria identidade a busca afanosa da razão, para chegar ao conhecimento da verdade por inteiro. Deste modo, a universidade podia, até mesmo devia, nascer no âmbito da fé cristã, no mundo cristão.

É preciso dar mais um passo. O homem quer conhecer – quer verdade. Verdade é, primeiramente, algo ligado ao ver, ao compreender, à theoria, como é chamada pela razão grega. Mas a verdade nunca é somente teórica. Agostinho, ao fazer a correlação entre as Bem-Aventuranças no Sermão da Montanha e os dons do Espírito mencionados em Isaías 11, afirmou uma reciprocidade entre a “scientia” e a “tristitia”: o mero saber, diz ele, nos deixa tristes. E de fato – quem vê e apreende somente tudo o que acontece no mundo, termina por ficar triste. Mas verdade significa mais do que saber: o conhecimento da verdade tem como meta o conhecimento do bem. Este é também o sentido do questionamento socrático: Qual é o bem que nos torna verdadeiros? A verdade nos torna bons, e a bondade é verdadeira: é este o otimismo que vive na fé cristã, dado que a ela foi concedida a visão do Logos, da Razão criadora que, na encarnação de Deus, revelou-se ao mesmo tempo como o Bem, como a própria Bondade.

Na teologia medieval houve uma disputa profunda sobre a relação entre teoria e práxis, sobre a justa relação entre conhecer e agir – uma disputa que não vamos desenvolver aqui. De fato, a universidade medieval, com as suas quatro faculdades, apresenta esta correlação. Comecemos com a faculdade que, de acordo com a compreensão da época, era a quarta, a de medicina. Mesmo sendo considerada mais como uma “arte” que como uma ciência, sua inserção no cosmo da “universitas” significava claramente que era colocada no âmbito da racionalidade, que a arte de curar estava sob a direção da razão e era subtraída ao âmbito da magia. Curar é uma tarefa que cada vez mais requer a simples razão, mas justamente por isso precisa da conexão entre saber e poder, precisa pertencer à esfera da ratio. Surge inevitavelmente a questão da relação entre prática e teoria, entre conhecimento e agir na faculdade de Direito. Trata-se de dar uma justa forma à liberdade humana que é sempre liberdade na comunhão recíproca: o direito é o pressuposto da liberdade, não o seu antagonista. Mas logo vem à tona a pergunta: como identificar os critérios que tornam possível uma liberdade vivida em conjunto e servem ao “ser bom” do homem? A esta altura um salto no presente se faz imperioso: é a questão de como poder encontrar uma normativa jurídica que constitua um ordenamento da liberdade, da dignidade humana e dos direitos do homem. É a questão que nos ocupa hoje nos processos democráticos de formação da opinião, e que ao mesmo tempo nos angustia como questão para o futuro da humanidade. Jürgen Habermas exprime, na minha opinião, um vasto consenso do pensamento atual, quando diz que a legitimidade de uma constituição, como pressuposto da legalidade, derivaria de duas fontes: da participação política igualitária de todos os cidadãos e da forma razoável na qual os contrastes políticos são resolvidos. Sobre essa “forma razoável”, ele faz notar que ela não pode ser apenas uma luta por maiorias aritméticas; deve ser caracterizada como um “processo de argumentação sensível à verdade” (wahrheitssensibles Argumentationsverfahren). A expressão é ótima, mas é algo muito difícil de transformar em práxis política. Os representantes daquele “processo de argumentação” público são – bem o sabemos – prevalentemente os partidos, como responsáveis pela formação da vontade política. De fato, eles terão inelutavelmente como meta principal a consecução de maiorias, e por isso se preocuparão quase inevitavelmente com os interesses que prometem satisfazer; estes interesses, contudo, são com muita freqüência particulares, e não servem realmente ao todo. A sensibilidade pela verdade é mais uma vez sufocada sob a sensibilidade pelos interesses. Acho significativo o fato de que Habermas fale da sensibilidade pela verdade como elemento necessário no processo de argumentação política, reinserindo assim o conceito de verdade no debate filosófico e político.

Mas então se torna inevitável a pergunta de Pilatos: o que é a verdade? E como pode ser reconhecida? Se a isso se responde apelando à “razão pública”, como faz Rawls, segue necessariamente outra vez a pergunta: O que é razoável? Como uma razão se demonstra como razão verdadeira? Em todo caso se torna evidente que, na busca do direito à liberdade, à verdade da justa convivência, devem ser ouvidas outras instâncias além dos partidos e grupos de interesse, sem com isso querer minimamente contestar a sua importância. Voltamos assim à estrutura da universidade medieval. Ao lado do Direito estavam as faculdades de Filosofia e Teologia, às quais era confiada a pesquisa sobre o ser humano em sua totalidade e, com isso, a missão de manter desperta a sensibilidade pela verdade. Poderíamos até dizer que este é o sentido permanente e verdadeiro de ambas as faculdades: ser guardiãs da sensibilidade pela verdade, não permitir que o homem seja desvinculado da busca da verdade. Mas como elas podem cumprir essa tarefa? Esta é uma pergunta pela qual é preciso trabalhar sempre de novo, nunca está definitivamente resolvida. Sendo assim, neste ponto nem eu posso oferecer propriamente uma resposta, apenas um convite, de prosseguir no caminho com esta pergunta – no caminho com os grandes que, ao longo de toda a história, lutaram e procuraram, com suas respostas e com seu interesse pela verdade, que continuamente nos faz ir muito além de toda resposta particular.

Teologia e filosofia formam nisso uma peculiar dupla de gêmeos, na qual nenhuma das duas pode ser totalmente descolada da outra e, no entanto, cada uma deve conservar a própria tarefa e a própria identidade. É mérito histórico de S. Tomás de Aquino – frente à resposta diferente dos Padres, causada por um outro contexto histórico – de ter evidenciado a autonomia da filosofia e, com ela, o direito e a responsabilidade peculiares da razão que se interroga com base em suas próprias forças. Diferenciando-se das filosofias neoplatônicas, nas quais religião e filosofia estavam inseparavelmente entrelaçadas, os Padres tinham apresentado a fé cristã como a verdadeira filosofia, salientando também que esta fé corresponde às exigências da razão em busca da verdade; que a fé é o “sim” à verdade, comparada com as religiões míticas, que tinham se tornado simples tradições. Mas depois, no momento em que a universidade nasceu, não existiam mais no Ocidente aquelas religiões, somente o cristianismo, e assim era preciso salientar de uma nova forma a responsabilidade própria da razão, que não é absorvida pela fé. Tomás se encontrou num momento privilegiado: pela primeira vez, os escritos filosóficos de Aristóteles eram acessíveis na sua integralidade; estavam presentes as filosofias hebraica e árabe, como apropriações e desenvolvimentos específicos da filosofia grega. Deste modo, o cristianismo, num novo diálogo com a razão dos outros, teve de lutar pela própria razoabilidade. A faculdade de Filosofia, que até aquele momento era chamada “faculdade dos artistas”, por ser apenas uma propedêutica à teologia, torna-se agora uma Faculdade propriamente dita, um parceiro autônomo da teologia e da fé refletida nela. Não podemos nos deter aqui no interessante confronto que derivou disso. Eu diria que a idéia de S. Tomás sobre a relação entre filosofia e teologia poderia ser expressa na fórmula tirada do Concílio de Calcedônia para a cristologia: filosofia e teologia devem relacionar-se “sem confusão e sem separação”. “Sem confusão” quer dizer que cada uma das duas deve conservar a própria identidade. A filosofia deve permanecer sendo realmente uma pesquisa da razão na própria liberdade e na própria responsabilidade; deve ver os seus limites e também, na mesma medida, a sua grandeza e vastidão. A teologia deve continuar a alimentar-se de um tesouro de conhecimento que ela mesma não inventou, que sempre a supera e que, não sendo nunca totalmente esgotável pela reflexão, justamente por isso sempre provoca de novo o pensamento. Junto ao “sem confusão” é importante também o “sem separação”: a filosofia não recomeça sempre do ponto zero do sujeito pensante de modo isolado, mas vive no grande diálogo da sabedoria histórica, que ela – criticamente e, ao mesmo tempo, docilmente – sempre acolhe e desenvolve de novo; mas também não deve se fechar diante do que as religiões e, em particular, a fé cristã, receberam e doaram à humanidade como indicação do caminho. Várias coisas ditas pelos teólogos no decorrer da história, ou até mesmo praticadas pelas autoridades eclesiais, foram demonstradas falsas pela história e hoje nos envergonham. Mas, ao mesmo tempo, é verdade que a história dos santos, a história do humanismo crescido na base da fé cristã, demonstra a verdade desta fé no seu núcleo essencial, tornando-a assim também uma instância para a razão pública. É verdade, muito do que a teologia e a fé dizem só pode ser feito no interior da fé, e portanto não pode ser apresentado como exigência para aqueles para os quais a fé permanece inacessível. Mas também é verdade que a mensagem da fé cristã não é nunca uma mera “comprehensive religious doctrine”, no entender de Rawls, e sim uma força purificadora para a própria razão, que a ajuda a ser mais ela mesma. A mensagem cristã, com base em sua origem, deveria ser sempre um encorajamento à verdade e, por isso mesmo, uma força contra a pressão do poder e dos interesses.

Pois bem, até agora só falei da universidade medieval, procurando porém deixar transparecer a natureza permanente da universidade e da sua missão. Nos tempos modernos descortinaram-se novas dimensões do saber, que na universidade são valorizadas principalmente em dois grandes âmbitos: em primeiro lugar, nas ciências naturais, que se desenvolveram com base na conexão entre a experimentação e a pressuposta racionalidade da matéria; em segundo lugar, nas ciências históricas e humanísticas, nas quais o homem, perscrutando o espelho de sua história e iluminando as dimensões de sua natureza, procura compreender melhor a si mesmo. Neste desenvolvimento, foi aberta à humanidade não somente uma medida imensa de saber e de poder; cresceram também o conhecimento e o reconhecimento dos direitos e da dignidade do homem, e por isso só podemos estar agradecidos. Mas o caminho do homem nunca pode dizer-se já completado, e o perigo de cair na desumanidade nunca está simplesmente esconjurado: podemos vê-lo – e como! – no panorama da história atual. O perigo do mundo ocidental – para falar somente dele – é que hoje o homem, justamente em consideração da grandeza do seu saber e poder, se renda diante da questão da verdade. E isso significa ao mesmo tempo que a razão, no final, sucumbe ante as pressões dos interesses e do atrativo da utilidade, obrigada a reconhecê-la como critério último. Isso, do ponto de vista da estrutura da universidade, é o mesmo que dizer que há o perigo que a filosofia, não se sentindo mais capaz da sua verdadeira tarefa, se degrade em positivismo; que a teologia, com sua mensagem à razão, fique confinada na esfera privada de um grupo mais ou menos grande. Mas se a razão – ciosa da sua suposta pureza – fica surda à grande mensagem que vem da fé cristã e da sua sabedoria, torna-se árida como uma árvore cujas raízes já não tocam as águas que lhe dão vida. Perde a coragem para a verdade e deste modo não se torna maior, mas pequena. Aplicando isso à nossa cultura européia, significa: se ela pretende apenas se autoconstruir baseada na espiral das próprias argumentações e no que de momento a convence e – ciosa de sua laicidade – se desvincula das raízes pelas quais vive, então não se torna mais racional e mais pura, mas se decompõe e se fragmenta.

Com isso volto ao ponto de partida. O que tem a fazer ou a dizer o Papa na universidade? Certamente, não deve procurar impor aos outros de modo autoritário a fé, que só pode ser doada em liberdade. Indo além do seu ministério de Pastor da Igreja e com base na natureza intrínseca deste ministério pastoral, é tarefa sua a de manter desperta a sensibilidade pela verdade; convidar sempre de novo a razão a pôr-se em busca do que é verdadeiro, do bem, de Deus, e, neste caminho, solicitar que ela aproveite as luzes tão úteis surgidas ao longo da história da fé cristã e a perceber assim Jesus Cristo como a Luz que ilumina a história e ajuda e encontrar o caminho para o futuro.

Do Vaticano, 17 de janeiro de 2008

BENEDICTUS XVI

[Tradução: Pe. Celso Nogueira, L.C. Revisão: Aline Banchieri]

Viva o Papa!

Fiquem com Deus e divirtam-se

Evangelho de Domingo - 2° Domingo do Tempo Comum

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários dos Padres de Navarra.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João.

Evangelho (Jo 1, 29-34 (2º Domingo do Tempo Comum))

29No dia seguinte, vê este a Jesus, que vinha ter com ele, e diz: Aí está o Cordeiro de Deus, que vai tirar o pecado do mundo. 30Era d'Este que eu dizia: "Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque era antes de mim". 31E eu não O conhecia; mas para Ele Se manifestar a Israel é que eu vim batizar em água.
32João deu mais este testemunho: Eu vi o Espírito que descia do Céu, como uma pomba e permaneceu sobre Ele. 33E eu não O conhecia, mas quem me enviou a batizar em água é que me disse: "Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo". 34Ora eu vi e sou testemunha de que Ele é o Filho de Deus.

Palavra da Salvação.

29. Pela primeira vez no Evangelho se chama a Cristo "Cordeiro de Deus". Este nome alude ao sacrifício redentor de Cristo. Já Isaías tinha comparado os sofrimentos do Servo de Yahwéh, do Messias, com o sacrifício de um cordeiro (cfr Is 53,7); por outro lado, o sangue do cordeiro pascal, aspergido sobre as portas das casas, tinha servido para livrar da morte os primogênitos dos israelitas no Egipto (cfr Ex 12,6-7). Tudo isso era promessa e figura do verdadeiro Cordeiro, Cristo, vítima no sacrifício do Calvário em favor de toda a humanidade. Por isto. São Paulo dirá que "o nosso Cordeiro pascal, Cristo, foi imolado" (l Cor 5,7). A expressão "Cordeiro de Deus" indica também a inocência imaculada do Redentor (cfr l Pet 1,18-20; l Ioh 3,5).


O texto sagrado diz "o pecado do mundo", no singular, para manifestar de modo absoluto que tirou todo o gênero de pecados. Cristo, na verdade, veio livrar-nos do pecado original, que em Adão atingiu todos os homens, e de todos os pecados pessoais.

O livro do Apocalipse revela-nos que Jesus está triunfante e glorioso nos Céus como o "Cordeiro imolado" (Apc 5,6-14), rodeado dos santos, dos mártires e das virgens (Apc 7,9.14; 14,1-5), dos quais recebe louvor e glória por ser Deus (Apc 7,10).

Sendo a Sagrada Comunhão a participação no Sacrifício de Cristo, os sacerdotes pronunciam estas palavras do Baptista antes de administrar a Sagrada Comunhão, para suscitar nos fiéis o agradecimento ao Senhor por Se ter entregado à morte para nossa salvação e por Se nos dar como alimento das nossas almas.

30-31. João Baptista declara aqui a superioridade de Jesus ao dizer que Ele existia já antes dele, apesar de ter nascido depois. Mostra assim a divindade de Cristo, gerado pelo Pai desde toda a eternidade e nascido de Maria Virgem no tempo. É como se o Baptista dissesse: "Embora eu tenha nascido antes d'Ele, a Ele não O limitam os laços do Seu nascimento; porque mesmo quando nasce de Sua Mãe no tempo, foi gerado pelo Pai fora do tempo" (In Evangelia homiliae, 7).

Com as palavras do v. 31 o Precursor não pretende negar o conhecimento pessoal que tinha de Jesus (cfr Lc l,36 e Mt 3,14), mas manifestar que conheceu por revelação divina o momento de proclamar publicamente a condição do Senhor como Messias e Filho de Deus, e que compreendeu também que a sua própria missão de Precursor não tinha outra finalidade a não ser dar testemunho de Jesus Cristo.

32-34. Para confirmar a divindade de Jesus Cristo, o evangelista recolhe o testemunho do Precursor sobre o Baptismo de Jesus (vejam-se os outros Evangelhos que descrevem com mais pormenor como aconteceu o Baptismo, cfr Mt 3,13-17 e par.). É um dos momentos cume da vida do Senhor em que se revela o mistério da Santíssima Trindade.

A pomba é símbolo do Espírito Santo, de quem se diz no Gen 1,2 que revoava sobre as águas. Com este sinal cumprem-se as profecias de Is 11,2-5; 42,1-2, segundo as quais o Messias estaria cheio da força do Espírito Santo. O Baptista manifesta a grande diferença entre o seu baptismo e o de Cristo; em Ioh 3, Jesus falará deste novo Baptismo na água e no Espírito (cfr Act 1,5; Tit 3,5).

"O Filho de Deus": É de notar que a expressão tem artigo no texto original, o que quer dizer que João Baptista confessa diante dos seus ouvintes o carácter sobrenatural e transcendente do messianismo de Cristo, tão distante da idéia político-religiosa que tinham forjado os dirigentes do judaísmo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.