segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Novos fatos revelam o tamanho da luta de Pio XII pelos judeus

Saudações queridos leitores!

A canonização de Pio XII é iminente. Essa impressão não é só minha. Bento XVI tem trabalhado pela continuidade do processo de canonização de seu antecessor, muito difamado por alguns grupos judaicos que o acusam de não ter feito o suficiente durante o Holocausto. Mas Bento XVI não cede aos protestos. Nos últimos meses, que antecederam a lembrança dos 50 anos da morte do Pontífice, a Igreja tem trabalhado por destruir a teia de argumentos falaciosos que foi lançada sobre Pio XII.

O jornal Der Spiegel escreveu uma reportagem (aqui, só para assinantes UOL) sobre os protestos contra a continuidade do processo de canonização e sobre como o atual Papa vem enfrentando tais investidas. Mas a reportagem já começa com uma imprecisão. O jornalista diz que o processo de beatificação (o correto é canonização, a beatificação é uma etapa do processo) é algo que ocorre a portas fechadas. Apesar de que alguns aspectos são mantidos longe do grande público por uma questão de isenção, já que devotos mais exaltados podem tentar influenciar o processo, ele normalmente é conhecido das pessoas, principalmente da comunidade de onde o candidato é originário.

Alguns historiadores e líderes judeus estão protestando contra a continuidade do processo de canonização de Pio XII, argumentando que ele não fez o suficiente para salvar os judeus durante o Holocausto. Esses historiadores estão se metendo onde não devem. O processo de canonização é algo que diz respeito à Igreja e aos seus fiéis, portanto, a opinião dos judeus nesse caso é irrelevante.

Entre as vozes contrárias, está o Rabino Chefe de Haifa, Shear Yashuv Cohen, que foi o primeiro judeu a discursar em um Sínodo no Vaticano e protagonizou o ato pérfido de usar o espaço cedido a ele em que deveria se manifestar sobre as Escrituras para atacar de maneira vil e ardilosa a memória de Pio XII.

Em um livro de 1999 chamado "Hitler's Pope" (O Papa de Hitler), o escritor britânico John Cornwell documentou o papel de Pio XII antes de se tornar Papa, na negociação do "Reichskonkordat", tratado assinado entre a Alemanha Nazista e a Igreja Católica em 1933. Muitos historiadores argumentaram que esse acordo fornecia ao regime nazista um grau substancial de legitimidade internacional, mas ignoram que acordos semelhantes foram assinados pelas maiores denominações protestantes da época.

Mas a afirmação de Cornwell de que o papa Pio XII falhou em tomar uma ação séria para salvar os judeus tem sido confrontada e o próprio autor se retratou de algumas de suas alegações mais controversas em relação à suposta aquiescência de Eugene Pacelli.

Ademais, maior parte dos judeus reconhecem o papel que Pio XII teve durante o extermínio de judeus pela Europa, escondendo quantos judeus fosse possível em intalações religiosas. Durante a invasão das tropas nazistas a Roma, em 1943, Pio XII ordenou que os portões do Vaticano fossem abertos aos judeus. Não existem números precisos sobre quantos judeus foram salvos pela ação de Pio XII, mas sabe-se que somente na cidade de Roma, 155 conventos e mosteiros, além da residência de Castelgandolfo foram usados para esconder cerca de cinco mil judeus.

As críticas dos judeus contra Pio XII se concentram no fato do Pontífice não ter condenado o nazismo de forma mais aberta. Mas tal condenação seria inútil, já que seria censurada na Alemanha, além de voltar os olhos do regime aos católicos, o que dificultaria os planos do Vaticano de executar o plano de salvação secreto. Um indício do que poderia ter acontecido em escala continental aos católicos em caso de uma manifestação mais incisiva de Pio XII é relatado pelo historiador José Pereira da Silva, da Diocese de Taubaté. Ele cita o exemplo dos bispos holandeses, que protestaram abertamente contra a perseguição dos judeus em 1942. Isso provocou a deportação de todos os católicos de origem judaica, como Edith Stein. "Com toda probabilidade os judeus-católicos teriam sobrevivido, como aconteceu com a maioria dos judeus-protestantes holandeses, se os bispos tivessem agido de outra maneira", assinala o historiador. Portanto, tal experiência fundamenta de maneira ainda mais sólida a discrição de Pio XII em relação a manifestações contra o nazismo.

A foto de Pio XII no museu do Holocausto Yad Vashem inclui uma descrição difamatória, que não faz jus a todo o esforço do Pontífice. "Mesmo quando notícias do assassinato de judeus chegaram ao Vaticano, o papa não protestou nem verbalmente nem escrevendo", diz a legenda. "Em dezembro de 1942, ele se absteve de assinar a declaração aliada condenando o extermínio de judeus. Quando os judeus foram deportados de Roma para Auschwitz, o papa não interveio."

Tal legenda revoltaria Golda Meir, ministra israelense de relações exteriores Golda Meir, que foi perseguida pelo regime nazista e salva por ações de Pio XII, tanto que ela o homenageou em sua morte, em outubro de 1958.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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