quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Posição de Obama em relação ao aborto em 2003 gera novas críticas ao candidato em 2008

Saudações queridos leitores!

Sou irrelevante em relação à corrida presidencial dos Estados Unidos, mas isso não me impede de ficar na torcida. Em uma entrevista que Barack Obama concedeu à Rede de Difusão Cristã na noite do último sábado, voltou à tona um assunto delicado, que vira e mexe atormenta os candidatos de lá muito mais que os daqui. O aborto.

A celeuma é complicada e tentarei expor o mais claramente possível. Em 2002, o presidente Bush assinou uma lei federal do "nascimento vivo". A medida foi aprovada por amplas maiorias no Congresso Americano, com o apoio de muitos parlamentares que geralmente votam contra legislações apoiadas pelos grupos que procuram derrubar a Roe v. Wade, a decisão da Suprema Corte legalizando o aborto. Até mesmo organizações como a Liga Nacional de Ação para os Direitos Reprodutivos e o Aborto, atualmente conhecida como Naral Pro-Choice America, não se opuseram à legislação. Acontece que Obama, enquanto era senador estadual em Illinois, barrou uma lei similar que agiria em âmbito estadual, alegando que essa lei vinha acompanhada de uma outra lei. Esta legislação, denominada Lei da Obrigação Induzida para com os Bebês, permitiria ações legais "em nome da criança devido a danos, incluindo os custos do tratamento para preservar e proteger a vida, a saúde e a segurança da criança, danos punitivos e custos e despesas com advogados, contra um hospital, instalação de tratamento de saúde ou provedor de cuidados médicos que prejudique ou negligencie a criança ou não forneça cuidados médicos à esta após o seu nascimento".

Vários grupos favoráveis aos direitos ao aborto dizem que a lei teria criado a possibilidade de que os médicos pudessem ser processados por não adotarem medidas extraordinárias para salvar as vidas de bebês "pré-viáveis" (que nome mais feio!), aqueles nascidos tão prematuramente que provavelmente não sobreviveriam. Eles argumentam que, como resultado disto, as organizações anti-aborto estão sendo maliciosas ao alegarem que Obama procurou acabar somente com uma lei de caráter limitado e inócua idêntica à lei federal.

A coisa fica feia aí, pois os grupos anti-aborto alegam que apesar de ambas as legislações apresentadas em Illinois não serem parte de um pacote (o que quer dizer que poderiam ser votadas separadamente), Obama insiste nessa tese para ter rejeitado o pacote todo.

Douglas Johnson, diretor legislativo do Comitê Nacional de Direito à Vida afirma que "Obama confunde essas legislações, que são totalmente distintas". E explica que "elas [as legislações] tinham números seqüenciais, mas não estavam de maneira alguma vinculadas. Chamá-las de pacote é uma tática para desviar as atenções".

Algumas perguntas ficam no ar:

- Qual a real posição de Barack Obama com relação a esse assunto?
- Se os ativistas pró-vida que dizem que as leis não estavam atreladas estavam mentindo, por que não foram desmentidos?
- Se era possível aprovar ambas as leis separadamente, por que Barack Obama não o fez?

Todas essas questões estão no ar mas Barack Obama não está se esforçando para respondê-las.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Nenhum comentário: