segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Mais entulho no ensino

Saudações queridos leitores!

A cada dia eu me convenço mais de que a imposição de novas disciplinas ao sistema de ensino, tais como filosofia e religião tornam-se invariavelmente entulho curricular, pois o país não tem professores suficientes para ensinar o português e a matemática e os poucos que têm já sofrem muito para lecionar, imagina arrumar professores para ministrar essas novas disciplinas!

O Brasil é um país curioso. Tem certas coisas que só se encontram por aqui. Uma delas é essa tal obrigatoriedade que a rede pública tem de oferecer disciplina religiosa para os alunos do ensino fundamental. Mas ao mesmo tempo o aluno tem a liberdade de escolher se freqüenta ou não tais aulas.

Cá pra nós, isso é uma perda de tempo e de recursos. Os professores encarregados do ensino religioso podem ser qualquer professor da escola, não necessariamente adepto da religião que ensina. Um exemplo: um professor de história ateu pode ser o encarregado de ministrar a parte sobre a Igreja Católica do ensino religioso! Ao mesmo tempo que um professor de língua portuguesa que seja Católico seja obrigado a ensinar sobre o budismo!

É uma estrovenga intelectual! Isso sem contar os problemas das minorias religiosas. Quem pode garantir que um adepto da fé Ba'hai (é assim que escreve?) não queira entrar com uma liminar para que sua doutrina também seja abordada pelo ensino religoso? Ou será que para uma doutrina ser ensinada ela tem que contar com um número mínimo de adeptos? Quem é que regula isso?

Como vêem, ao invés de resolver os problemas atuais, os nossos ministros e intelectuais só ficam arrumando mais sarna para se coçar. E quem paga o pato é o país, que presencia, amortecido, suas futuras gerações tornando-se cada vez menos promissoras.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

Thiago disse...

Em tempo, Fernando.

No Rio, através de Lei, o ensino religioso nas escolas públicas é ministrado por professores com licenciatura "e" autorizados pela respectiva autoridade religiosa. No nosso caso, a Diocese.

Assim, o problema repousa aqui no fato de haver risco de as dioceses selecionarem professores de índole heterodoxa, por exemplo, com tendência TL, etc., mas, em si, o sistema deveria funcionar bem.

Na Arquidiocese do Rio, os professores de ensino religioso necessitam da formação específica da EME - Escola Mater Ecclesiae, outrora dirigida por Dom Estevão, de feliz memória. Infelizmente, não se pode garantir a ortodoxia em todos os núcleos e o mérito passa a ser somente a existência do critério de seleção.

Como cada Diocese é autônoma, em outras igrejas particulares pode não haver tanta objetividade. O Bispo tem poder para autorizar quem ele quiser a lecionar.

Pax,