terça-feira, 1 de julho de 2008

Um Bispo a desserviço da Igreja

Saudações queridos leitores!

Dom Clemente Isnard, 91 anos, ainda não sabe como a Igreja funciona. Ele deve achar que é uma democracia. Depois de tantos anos de serviços prestados à Igreja, Dom Isnard lança um livro que é um verdadeiro desserviço.

Ele deu uma entrevista (enorme) ao jornal O Globo, que pode ser conferida aqui. Não vou comentar a entrevista toda, senão não saio daqui hoje, mas pincelo os pontos mais críticos, ainda mais vindo de um sucessor dos Apóstolos.

O GLOBO ONLINE-O senhor defende o fim do celibato dos padres?

DOM CLEMENTE - Eu defendo a possibilidade de permitir o casamento dos padres bons e zelosos.

O sexo está super valorizado em nossa sociedade. E é esse super valor todo que traz essa tendência de marginalizarem o celibato. Isso é uma norma da Igreja para auxiliar uma melhor administração das paróquia pelos padres. Afinal de contas, com os poucos padres que temos, imagina se eles forem casados, tendo que cuidar, além da Igreja, da administração de uma casa, esposa, filhos... Se hoje em dia muitos sacerdotes celibatários não dão conta nem das paróquias...

O GLOBO ONLINE-O senhor acredita que o celibato cria para a igreja um outro problema, que é o do homossexualismo?

DOM CLEMENTE -Não há duvida que a lei do celibato contribui para que nos seminários alguns se encaminhem para o homossexualismo. O celibato não cria o homossexualismo, mas pode favorecer alguns casos. O problema do homossexualismo é muito delicado.

Dom Clemente pisa em um terreno perigoso. Se o celibato favorecesse o homossexualismo, tal prática seria muito menor fora dos seminários do que dentro. O que vemos é justamente o contrário. Não se pode dizer com base científica qual comportamento favorece o desvio da sexualidade dessa maneira. Mas tenham certeza de que não é liberando o casamento dos sacerdotes que essa prática vai ser coibida. Quem é homossexual não vai querer se casar com uma mulher e manter um relacionamento heterossexual, é evidente. Se tal premissa fosse verdadeira, poderíamos acabar com o homossexualismo no mundo obrigando os gays a se casar com pessoas do sexo oposto, oras!

O GLOBO ONLINE- Na Igreja Católica, faltam padres, mas mulher não reza missa. Por que é assim?

DOM CLEMENTE - A tradição católica vem do judaísmo, só admitir o sacerdócio masculino. Assim fez Jesus Cristo. O papa João Paulo II escreveu uma encíclica em que dava uma decisão que ele chamou definitiva contra a ordenação de mulheres. Mas os comentadores acham que não é "ex-catedra" e que a Igreja poderá resolver ainda outras coisas.

Nossa! João Paulo II, de grande memória solta um documento Ex Cathedra, mas parece que ele não tem autoridade suficiente para isso, visto que alguns comentadores (quem será) "acham" que não é. Desse jeito parece que o documento escrito pelo Santo Padre é algo obscuro, de difícil entendimento. Que parte do "mulheres não podem ser ordenadas" ele não entendeu?

Essa fala é patética demais para acreditar que veio de um Bispo.

O GLOBO ONLINE- O senhor defende que elas passem a rezar missa e fazer casamentos?

DOM CLEMENTE - Fazer batizados e casamentos podiam na minha diocese de Nova Friburgo. E podem até hoje. Tínhamos uma religiosa, Madre Cosmelli, que era solicitada mais que os padres para casamentos. Alguns até rejeitavam o Vigário para ela abençoar as núpcias.

Ihh, quantos casamentos nulos não devem haver na Diocese de Dom Isnard, hein? Visto que um Ministro ordenado é condição sine qua non para a validade do matrimônio. Alô, casais! É melhor vocês irem a uma Igreja para checar sua situação!

Nesse mesmo parágrafo podemos ver outro abuso escandaloso ocorrido com a anuência (e ouso especular apoio) de Dom Isnard. Uma Madre era escalada para "celebrar" casamentos, mesmo com padres disponíveis. Um ministro ordenado (padre ou diácono) é condição sine qua non para a validade de um casamento entre católicos.

O GLOBO ONLINE-O senhor defende mudança neste processo [de escolha dos bispos]?

DOM CLEMENTE - Acho que o bispo deveria ser eleito pelo clero de sua Diocese, pelas freiras e por uma delegação de leigos, e confirmado pelo Papa. Era assim que se fazia na Igreja primitiva.

Invocar o primitivismo aqui não tem sentido. As eleições eram feitas dessa maneira na antigüidade não por ser uma fórmula acertada, mas porque o desenvolvimento da Igreja como instituição foi algo gradual. Nosso Senhor Jesus Cristo não chegou a Pedro e entregou a ele a Igreja pronta, com os prédios erguidos, dicastérios formados, Conselhos Pontifícios e estrutura da Cúria. Tudo isso foi se desenvolvendo com o passar dos anos.

Assim também foi se aperfeiçoando o modelo de eleição de novos bispos. Voltar a um método anterior é desnecessário, visto que o Papa tem autoridade para escolher quem ele bem entender. E também seria um retrocesso feito em nome da democracia que Dom Isnard tanto defende.

O GLOBO ONLINE-A Igreja é contra o uso de camisinha, embora tenha um amplo trabalho de ajuda a portadores do vírus da Aids. Isso é um contra-senso?


DOM CLEMENTE - A Igreja condena o uso da camisinha para os que podem ter filhos mas não querem. Mas admito o uso da mesma para que um dos cônjuges não contraia um vírus incurável como o HIV.

Ao admitiro uso de preservativos sob qualquer circunstância, Dom Isnard está usurpando de uma autoridade que ele não tem, visto que a Igreja condena o uso em qualquer circunstância. Nesse caso temo pelo povo, que é guiado para um buraco, mas tenho um temor ainda maior por Dom Clemente, que é o responsável direto por levar todas essas almas para o buraco.

O GLOBO ONLINE-Na sua opinião, no Brasil, o aborto deve ser discutido como uma questão de saúde pública ou de direito à vida?

DOM CLEMENTE - O aborto deve ser condenado por respeito à vida.

Ufa! Pelo menos nisso ele está de acordo com a Doutrina da Igreja.

O GLOBO ONLINE- Por que os integrantes da Igreja que são favoráveis [ao casamento de padres e eleição de bispos por comissões] se calam?

DOM CLEMENTE - Por que os integrantes da Igreja se calam, sendo favoráveis? Porque não sabem se são maioria para aprovar.

Aqui Dom Clemente se engana de novo. Ele pensa que a Igreja é uma democracia. Se assim fosse, já não existiríamos a muito, muito tempo. O fato de serem maioria ou não é totalmente irrelevante nesse caso, visto que a Palavra de Deus não se dobra a clamores democráticos. Nem se fossem cem por cento pedindo, a Igreja nunca vai mudar essas questões por causa disso.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

cristiano disse...

Gostaria de saber onde estar dizendo na Palavra de Deus que Jesus não deixou todas as regras para se ter uma igreja santa,agora se os Cristãos do Sec. IV,preferiram fica do lado do Imperio ai é outra coisa e para isso mataram todos que foram contra sendo assim fico calado.