sábado, 26 de julho de 2008

Os Monges de Heiligenkreuz

Saudações queridos leitores!

Os monges cistercienses de Heiligenkreuz, um mosteiro de Viena, estão famosos. Eles foram descobertos pela gravadora Universal após colocarem um vídeo no YouTube.

Pois bem, a revista Veja publicou uma reportagem sobre os monges e sobre o sucesso que eles estão fazendo. O que me chamou a atenção foi o tom desrespeitoso e que às vezes chega a parecer jocoso utilizado na reportagem.

Vejam o trecho que destaco abaixo:

"Situado nos arredores de Viena, o Mosteiro de Heiligenkreuz é um dos pontos de peregrinação do catolicismo. Ano após ano, cerca de 170 000 fiéis visitam o local, a fim de adorar uma relíquia da cruz onde supostamente morreu Jesus Cristo."

A sentença acima é duplamente capiciosa. Qual a intenção do repórter em se referir à relíquia como se fosse da cruz onde "supostamente" morreu Jesus Cristo? Para a reportagem, simplesmente nenhuma. E veja o mal uso do termo adorar. Ao escrever que os peregrinos vão lá para "adorar" a relíquia, ele quer instituir que os Católicos são idólatras. Avaliando o repórter pelo texto escrito, certamente ele não está mencionando a adoração indireta.

A frase seguinte também não ajuda muito. Vejam:

"Atualmente, contudo, novos turistas percorrem os corredores do mosteiro. São fãs de música clássica, que querem conferir a cantoria dos monges ali residentes."

Cantoria é o que a gente faz no chuveiro! O canto gregoriano tem toda uma sacralidade e um propósito que o impedem de ser classificado como tal. O canto gregoriano é uma das mais majestosas formas de oração, que serve para elevar o espírito dos fiéis e tornar o contato com Deus mais fácil. Está muito além da mera cantoria.

O último parágrafo da reportagem começa de forma ultrajante:

"O monge Wallner promoveu a música de seus confrades com a habilidade comercial de um vendilhão do templo."

Eu tenho uma teoria de que pessoas sem noção simplesmente existem. Mas isso é demais. Será que esse repórter não tem o mínimo de bom senso necessário para perceber que fazer tal comparação sobre um monge é simplesmente um ultraje? É uma afronta que um monge saiba aproveitar devidamente o sucesso de seu trabalho seja comparado com um vendilhão. Nunca vi repórter algum fazer comparação semelhante com o Edir Macedo, expoente máximo da exploração dos pobres coitados alienados que vendem as cuecas para dar dinheiro para a seita dele. Só porque Dom Wallner é um monge ele é obrigado a ser inocente e ser passado facilmente pra trás? Ah, tenha santa paciência.

Como diz o Marcio Antonio: Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que escrevem.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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