sexta-feira, 11 de julho de 2008

Laicidade e laicismo

Saudações queridos leitores!

A civilização ocidental deve a sua existência à Igreja Católica. Foi a Igreja que moldou o Direito, que defendeu Roma das invasões bárbaras e que agiu de maneira direta na reconquista da península ibérica. A gênese do mundo ocidental existe graças ao esforço da Igreja. A Igreja sempre trabalhou pelo bem da sociedade e, mesmo quando alguns excessos foram cometidos por seus filhos, ela sempre buscou fazer o melhor.

Mas, como um filho que cresce e rejeita a seu pai, o ocidente rejeita hoje a Igreja que lhe gerou tal como é. As liberdades que foram garantidas graças à Igreja são usadas para que essa mesma Igreja seja expulsa do mundo. Essa é a laicidade. Diferente do laicismo, que visa separar os diferentes assuntos das diferentes esferas de modo que cada um possa trabalhar da melhor maneira possível, a laicidade é um movimento que visa expulsar a Igreja de todos os ambientes, encurralando a religião como um aspecto meramente pessoal. Isso é errado. Pois a Igreja, como uma organização inserida no Estado Democrático e de Direito, deve ter o mesmo direito de manifestação que quaisquer outras organizações, já que constitui um ente legal no Estado.

Infelizmente não é isso que vemos, seja aqui no Brasil, seja na Europa. O Cardeal Tarcicio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano lembrou nessa quinta-feira, dia 10, que a Igreja está sendo marginalizada na Itália. "A Igreja católica não pede privilégios, mas só a possibilidade de desenvolver livremente a própria missão pastoral e social", afirmou o Cardeal.

De acordo com o Cardeal Bertone, "não poucos pensadores expressam um conceito de laicidade aberta ao diálogo e ao confronto construtivo entre posições distintas". A essa idéia, o secretário de Estado do Vaticano contrapõe um "laicismo, (...) esse veiculado pela imprensa", conotado por um "critério de exclusão" do aspecto religioso.

Em um alerta quanto à marginalização da religião, alerta o Cardeal: "Existe a premissa, já 'descontada', da secularização como privatização da religião, que, no momento histórico de seu retorno a um protagonismo social e cultural, é acusada de invadir ilegitimamente a esfera publica. (...) A Constituição italiana é laica, mas não laicista. É interessante notar como na Itália foi preciso marcar esse binômio para distinguir a laicidade saudável daquela radical e anticlerical".

Infelizmente esse é um fenômeno que não atinge somente a Itália, mas bem toda a Europa, com uma especial força na Espanha, onde o governo socialista visa expulsar a religião de todo e qualquer ambiente externo. Sem querer ser alarmista, mas começo a temer o dia em que os ditos iluministas tentarão novamente transformar Notre Dame no templo da razão, em uma prova cabal de irracionalidade.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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