quarta-feira, 16 de julho de 2008

Jogador da MLS deixa futebol para se tornar padre

Saudações queridos leitores!

Vocações surgem em todos os lugares. Fiquem com uma reportagem muito interessante do Terra (fonte aqui).

Jogador da MLS deixa futebol para se tornar padre

Rob Hughes

A transação da semana no futebol não foi uma transferência multimilionária envolvendo Ronaldinho ou Cristiano Ronaldo, mas a decisão de Chase Hilgenbrinck de trocar o New England Revs pela Igreja Católica.

Ele acaba de deixar o time para iniciar os seis anos de aprendizado que o farão padre. O salário dele no futebol, reportado como US$ 36 mil por temporada, não interessaria aos talentosos futebolistas brasileiros que ganham quantia semelhante por dia.

Mas, assim que a história de Hingelbrinck foi informada em um artigo da agência de notícias Associated Press, na última segunda-feira, rapidamente se tornou manchete, da América Latina à Ásia, da Europa ao Pacífico Sul. O zagueiro, 26 anos, de idade havia acabado de se transferir de volta ao futebol dos Estados Unidos, depois de quatro temporadas jogando no Chile, e anunciou sua decisão de trocar o futebol pelo estudo da teologia e da filosofia.

Ele foi aceito no Seminário de Mount St. Mary, em Emmitsburg, Maryland, com o objetivo de um dia se tornar o padre de sua paróquia de origem, no Illinois. A preparação requerida é um pouco mais longa que a do futebol, esporte no qual jogadores se transformam em astros ocasionalmente ainda muito jovens.

"Do ponto de vista do Revs, exclusivamente", disse Michael Burns, vice-presidente de pessoal do New England Revolution, "isso não é nada bom".

"Mas muitos jogadores terminam abandonando o esporte sem que isso aconteça por escolha própria. Hilgenbrinck o fez claramente de acordo com suas convicções, e isso com certeza é bom para ele", acrescentou.

Hilgenbrinck afirma que não está desiludido com o futebol, mas que esperar o final natural de sua carreira antes de se dedicar ao sacerdócio já não era mais viável. "Podem confiar", ele disse à AP. "Eu pensei nisso. Continuo muito apaixonado pelo esporte, e não o deixaria por nenhum outro emprego. Mas estou trocando o futebol pelo Senhor".

A Igreja e o futebol não são antagônicos. O Papa João Paulo II jogou como goleiro em sua Polônia natal, e continuou a acompanhar o esporte pelo resto da vida. O Vaticano tem uma equipe amadora, que joga de amarelo e branco, e o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado da Igreja, é torcedor dedicado da Juventus e entusiasta do futebol entre os jovens religiosos.

De fato, os Estados Unidos foram um dos 50 países que enviaram 311 jogadores à Copa Clericus, o torneio interno de futebol da Igreja Católica, disputado na Itália no ano passado. O futebol chega a toda parte, como eu mesmo testemunhei ao ser convencido a participar de uma disputada partida improvisada com monges budistas sul-coreanos na ilha de Jeju, antes da Copa do Mundo de 2002.

Devo confessar que jamais havia ouvido falar de Hingelbrinck antes de surgir a notícia de que ele trocaria o futebol pela Igreja, na última segunda-feira. Mas visitando sites e lendo entrevistas que ele concedeu, a impressão que surge é a de um jovem decente e determinado a seguir o caminho que lhe permita viver de acordo com seus princípios.

Criado em uma família católica devota, em Bloomington, Illinois, ele se transferiu como profissional ao Chile depois de defender a Universidade Clemson e não ser selecionado por nenhuma equipe profissional da Major League Soccer, a liga profissional de futebol dos Estados Unidos, em 2004. Um técnico chileno, Claudio Aureas, abriu as portas para que Hingelbrinck tentasse a sorte no futebol e em meio a outra cultura, a 16 mil quilômetros de sua terra.

Depois de passar por um período de testes no Huachipato e de ser emprestado a uma equipe da segunda divisão chilena, o Naval, ele se deixou atrair pelas igrejas católicas do país. Para ele, parecia tão natural quanto comparecer às aulas dominicais de catecismo na igreja da Santíssima Trindade, em sua infância. Por fim, ele encontrou vaga no Nublense, time que Hingelbrinck ajudou a levar à primeira divisão do futebol chileno. Ele rejeitou propostas que o levariam a times sediados mais perto da capital do país, Santiago, porque se sentia confortável no Nublense e bem integrado ao time.

Em sua temporada final, jogando como lateral esquerdo e ocasionalmente como meia, devido às necessidades do time, ele fez 10 assistências e marcou três gols. Voltou a Illinois em dezembro, à espera de uma vaga na Major League Soccer.

"No Chile, o futebol é bastante técnico", ele disse. "Aqui, os jogadores são maiores, mais rápidos e mais fortes. É mais tático, como na tradição européia". Sua primeira oportunidade de adaptação surgiu no Colorado Rapids, cujo técnico o contratou como lateral esquerdo titular. Mas em uma semana a equipe contratou dois outros jogadores para a posição e Hingelbrinck se tornou, em suas palavras, "o reserva do reserva". Terminou dispensado pelo Colorado quando o clube teve de cortar seus gastos a fim de poder pagar a Christian Gomez, o armador argentino da equipe, o salário anual de US$ 400 mil que ele merece.

"Infelizmente, é assim que os contratos da MLS funcionam", disse Hilgenbrinck ao American Soccer News. "Eles podem dispensar você quando quiserem". Mas ele acrescentou que a decisão, em retrospecto, tinha um significado maior do que era aparente em abril: "Acredito firmemente que Deus nos coloca no lugar em que devemos estar".

Ele em breve foi contratado pelo New England. O técnico do Revolution, Steve Nichol, fala com o mesmo vigor que usava como zagueiro da equipe inglesa Aston Villa. "Ele é um técnico rigoroso", disse Hingelbrinck, em entrevista à American Soccer News. "Mas gosto disso".

O relacionamento entre eles foi curto, mas não há queixas, da parte do jogador. Ele conseguiu um contrato apenas alguns dias depois de passar pelos testes. Logo encontrou lugar no banco, e chegou a jogar quatro partidas pelo New England na MLS, duas delas a distância suficiente do Illinois para que seus pais pudessem vê-lo em campo.

Ele estava o tempo todo se preparando para outro time. "Houve um momento, ele diz, "em que achei que minha vocação talvez fosse o futebol profissional. Mas descobri que minha alma anseia por outra coisa".

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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