quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cada macaco no seu galho

Saudações queridos leitores!

O Brasil é uma piada! A tal separação entre Igreja e Estado, um mantra recitado ad nauseam pelos laicistas, é ignorado quando o Estado quer! Duas propostas, uma na Câmara e outra no Senado, tentam regulamentar a profissão de Teólogo. As propostas estão causando polêmica pela forma como conferem o título líderes religiosos. Para ser teólogo, bastaria "praticar vida contemplativa" ou "realizar ação social na comunidade", por exemplo.

Tal proposta é uma afronta à liberdade religiosa e uma intromissão indevida do Estado na religião. Não cabe a nenhum órgão estatal definir diretivas sobre quem pode ou não pode ser denominado teólogo. Por mais que as seitas de galpão intitulem como teólogos, apóstolos, missionários e bispos quem eles bem entenderem, cabe ao povo e às denominações que, apesar de não conter a plenitude da Verdade, serem mais sérias, fazer o trabalho de apologética e filtrar todas essas seitas que aparecem por aí concedento títulos a torto e a direito.

O presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), Afonso Ligorio Soares, afirma que o teólogo presta, antes de mais nada, um serviço interno à comunidade a que pertence. E, só em um segundo momento, atua como porta-voz e intérprete das perspectivas da sua religião para a sociedade em geral. "Não cabe ao Estado dizer quem é o porta-voz de uma igreja", afirma Soares.

Analisando os projetos, percebo que se tais propostas esdrúxulas (de autoria de protestantes) forem aprovadas, qualquer um, mas qualquer um mesmo, poderia se intitular Teólogo. O primeiro projeto é do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (tinha que ser!) e candidato à prefeitura do Rio, reconhece o não-diplomado que há mais de cinco anos exerça efetivamente a ''atividade de teólogo''.

O segundo, do ex-deputado Victorio Galli (PMDB-MT), pastor da Assembléia de Deus é ainda pior. Diz que "Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social na comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição". Mais vago, impossível.

O serviço prestado pelo Teólogo é algo interno em sua comunidade e cabe à própria comunidade regulá-lo. Hoje em dia os Teólogos devem possuir um curso de graduação.

Um dos beneficiados por esse projeto seria o próprio Senador Crivella. Ele declarou ao Estado que "Acima de qualquer outra profissão, a profissão de fé exige muito mais de vocação e devoção do que de formação acadêmica", afirmou. "Contudo, creio que seja útil, embora não indispensável, uma formação em Teologia.'' Questionado sobre sua formação, o senador Crivella respondeu que ela ocorreu "na prática". "Professo o evangelismo desde os meus 14 anos de idade e, a par do ministério que exerci no Brasil, também atuei como missionário por quase dez anos na África. Assim, a minha formação decorre de uma longa experiência de convívio com Deus e a Sua Palavra." Assim fica fácil conseguir um título.

O projeto de Crivella ainda institui um órgão estatal para a regulamentação dos teólogos. É o cúmulo da intromissão do Estado. Daqui a pouco a gente vê uma igreja patriótica como na China.

Segundo o presidente do Conselho Federal de Teólogos, o pastor Walter da Silva Filho, da Assembléia de Deus, foi o próprio Conselho que sugeriu ao senador Crivella a regulamentação da profissão de teólogo. O texto de Crivella prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Conselho Nacional de Teólogos que, na avaliação de Silva Filho, poderia ser o órgão que ele preside. Que cômodo.

"Há nos bastidores uma tentativa de forçar, após a aprovação do projeto, a aceitação pelo governo do CFT como órgão competente para registro da profissão de teólogo", adverte o pastor Jorge Leibe Pereira, da Assembléia de Deus. Presidente da Ordem Federal de Teólogos Interdenominacionais do Brasil (Otib), que, assim como o CFT, cobra taxas pela expedição de registro de diplomas e certificados, Leibe afirma que dirigentes do CFT querem o monopólio da Teologia no Brasil, "o que é inaceitável". Para Crivella, caso seu projeto seja aprovado, "o natural será nos encaminharmos para representação única".

É o Estado se intrometendo na religião, sendo usado como artifício de grupos que querem cercear o direito à liberdade religiosa no Brasil.

Mais detalhes no Estadão.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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