terça-feira, 17 de junho de 2008

História de amizade entre católico e judeu

Saudações queridos leitores!

Muito se fala de tolerância em nosso mundo. Mas o que muitos consideram tolerância, não passa de condescendência com o erro. Não falo nem de um ponto de vista religioso, mas sim da moral universal. Toleram-se diferenças, mas não se tolera um erro. Um erro deve ser combatido sempre da forma mais eficaz possível, analisado através do todo.

Mas não vou falar de erros ou de lógica nesse texto. Vou trazer uma reportagem de ZENIT sobre como conviver com as diferenças.

História de amizade entre católico e judeu

Um livro sobre como a amizade pode vencer a morte e construir a paz

Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 16 de junho de 2008 (ZENIT.org).- A amizade entre os homens, ainda mais se é reflexo do amor de Deus, pode vencer a morte e consolidar a paz.

É esta a mensagem que emerge do livro em italiano «Aspettare insieme» (Esperar juntos, editora Mariaetti), que narra o caminho de conhecimento de Deus de dois jovens amigos, um americano de origem irlandesa, Jonah Lynch, e o outro francês de raízes judaicas, David Gritz.

Os dois se encontram na Universidade McGill de Montreal, tocando violão e violino. Na busca da verdade, dialogam sobre tudo, amor, mulheres, literatura, música, vida, justiça, beleza.

Em uma carta que David escreve de Paris a Jonah, na primavera de 98, pergunta: «Mas as estrelas podem ser alcançadas?».

Desde o ponto de vista religioso, Jonah havia perdido a fé transmitida por seus pais, e David, filho de judeu e católica não-praticante, era agnóstico. Contudo, os dois, através da amizade, aproximam-se do Senhor.

Graças ao movimento Comunhão e Libertação, Jonah havia entrado no seminário e David havia encontrado na ética da Torá, lida com os olhos de Emmanuel Lévinas, um pensamento universal.

Por este motivo, acabados os estudos em Ciências Políticas em 2002, David optou por ir a Jerusalém para fazer uma tese sobre a Torre de Babel e o pluralismo político.

Naquele verão, Jonah foi aos Estados Unidos para trabalhar com alguns sacerdotes missionários da Fraternidade de São Carlos Borromeu, levou um grupo de jovens a Toronto para a Jornada Mundial da Juventude, e voltando a passar por Montreal, recebeu uma ligação dos pais de David: ele havia morrido, despedaçado por uma bomba terrorista na cantina da Universidade em Jerusalém.

Jonah escreve na introdução ao livro: «Meu primeiríssimo pensamento, irreflexivo, era: agora ele vê. Agora vê a verdade. Logo as lágrimas me inundaram, enquanto repassava na mente seis anos de amizade».

Para dar sentido à dor inconsolável pela perda de um querido amigo e para encontrar esperança na consciência ditada pela fé, Jonah Lynch decidiu publicar este livro.

Segundo Jonah Lynch, que, após formar-se em Astrofísica, tornou-se sacerdote em 2006 e agora é vice-reitor do seminário da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeou, «aquela amizade, nunca interrompida, pode converter-se em motivo de esperança para todo um povo».

E Massimo Camisasca, superior da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeu, acrescenta no prólogo do livro: «A morte de David não pode deixar-nos indiferentes».

«A divisão que nasceu em torno de Jerusalém - acrescenta - permanece como uma espada em nosso ânimo e se torna súplica para que os olhos de todos se abram.»

Com este livro, Jonah pretende dar razões à esperança, porque «em uma terra disputada e despedaçada pelas divisões, a amizade entre um católico e um judeu é o simples testemunho de que existe um caminho para a paz».

Neste sentido, o sacerdote americano escreve no prólogo: «Quero descrever uma amizade» para «dar um pouco de razão de minha grande esperança».

«O fato de que tenha irmãos, por muito amados que sejam, não elimina a necessidade do amigo. Para viver entre os irmãos deve-se ter um amigo, ainda que seja distante.» Assim escreveu o teólogo russo Pavel Florenskij, mártir no campo de concentração soviético das ilhas Solovki.

«Ter um amigo permite viver o drama desta vida sem reduções ou fugas - conclui Jonah. É um companheiro de viagem, inclusive quando não está fisicamente presente. É uma presença que vence toda distância.»

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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