sábado, 28 de junho de 2008

A Fé de Petry, o Cristofóbico

Saudações queridos leitores!

André Petry odeia a Igreja Católica. Ele odeia todas as formas de fé, exceto o seu agnosticismo. Mas seu ódio contra a Igreja Católica é maior. E ele faz desse ódio sua bandeira. Em seu mais recente artigo para Veja, mais uma vez ele nos dá uma demonstração de como se destilar ódio irracional. Fiquem com ele em vermelho e eu em preto.

Em 1946, quando os negros reivindicaram a inclusão de alguns direitos na Constituição, foi um salseiro. Foram acusados de antidemocráticos e racistas por congressistas e estudantes da UNE. Em 1988, a Constituição promoveu o racismo de contravenção a crime. Ninguém chiou. Na década de 50, quando se discutia o divórcio, teve cardeal dizendo que se devia pegar em armas para combater a proposta. Em 1977, o Congresso aprovou o divórcio. Não houve tiroteio, e a igreja do cardeal nunca mais tocou no assunto. Recordar é viver.

Ah sim, claro. Ele coloca no mesmo saco racistas, partidários do divórcio e defensores da liberdade religiosa. O parágrafo acima é pura retórica fajuta. Com a astúcia de uma cobra, ele omite a posição da Igreja sobre a declaração do Cardeal de que os Católicos deviam pegar em armas para evitar a aprovação do divórcio. É claro, se ele coloca que a Igreja rejeita tal posição, perde o crédito. Então, dá uma de cretino e ignora isso.

Agora, os evangélicos estão anunciando o apocalipse caso o Senado faça o que a Câmara já fez: aprovar lei punindo a homofobia com prisão. A lei em vigor pune a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição por discriminação contra homossexuais. Cerca de 1 000 evangélicos tentaram invadir o Senado em protesto. Dizem que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que, cedo ou tarde, a lei, ou outra qualquer com objetivo similar, será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular sem nada de extraordinário.

Que os protestantes foram afoitos e agiram mal em tentar invadir o Congresso, vá lá. Apesar de que eu não vi o Petry condenar os Sem-Terra que tentaram fazer algo similar. Agora que a lei, interpretada literalmente abre um precedente perigosíssimo para qualquer pessoa que se manifeste publicamente contra o homossexualismo é fato. Basta ler o texto do projeto de lei. Não sei que curso regular André Petry vê no mundo hoje em dia. Se vivemos uma crise de moral, decréscimo populacional e epidemias (falo em relação ao mundo todo), boa parte desses fatos podem ser atribuídos às tais políticas contrárias à moral conhecida que ganham cada vez mais espaço em nosso mundo.

Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé.

Fácil vai ser acharmos gente com má-fé para usar tais interpretações. Se alguém chamar um heterossexual de “veado”, pratica homofobia ou não? E se o sujeito for gay? E se um homossexual se sentir ofendido por um padre que evoque a história de Sodoma e Gomorra, esse homossexual poderá processr o padre (Art. 8°)? E se dois homossexuais derem um beijo dentro de uma Igreja? As pessoas que pedirem para que eles parem estarão sujeitas a prisão (Art. 7°)? O reitor de um seminário que não admitir o ingresso de um aluno homossexual será punido com 3 a 5 anos de reclusão (Art. 5°)?

Tal como está, a lei não proíbe a crítica. Proíbe a discriminação. Não pune a opinião. Pune a manifestação do preconceito. Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados. É tão reacionário quanto uma Ku Klux Klan alegar que a proibição da segregação racial fere sua liberdade de expressão. Querem a liberdade de usar a tecnologia Holerite de cartões perfurados pela IBM?

André Petry adora misturar alhos com bugalhos para tentar ter razão. Nesse caso, ele usa a compraração com a Ku Klux Klan, que é sabidamente descabida. Quem está defendendo segregação racial? Se o projeto de lei for aprovado, aí sim haverá segregação, mas as vítimas serão todos aqueles que manifestarem opiniões contrárias ao homossexualismo. Todas as pessoas terão que se policiar de maneira neurótica, pois qualquer palavra saída de suas bocas pode ser mal interpretada e levá-los para a cadeia.

Alegam que a liberdade religiosa fica limitada porque combater o pecado vira crime. É um duplo equívoco. O primeiro é achar que uma doutrina de crença em forças sobrenaturais autoriza o fiel a discriminar o herege. O segundo é atribuir à lei valor moral. O direito penal não é instrumento para infundir virtudes. É um meio para garantir o convívio minimamente pacífico em sociedade. Matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada. Dúvidas? Recorram ao Supremo Tribunal Federal. Na democracia, é assim. Lei não é bíblia de moralidade.

Petry revela nesse parágrafo sua terrível moral. Ao admitir que o homicídio não é condenado por ser imoral, mas sim por um entendimento da sociedade de que a vida deve ser preservada, ele abre as portas para que nos tornemos bárbaros. E se a sociedade mudar seu entendimento e resolver que o assassinato é aceitável? Existe aquele ditado que diz que a voz do povo é a voz de Deus. Sempre que alguém me diz isso eu pergunto: então foi a voz de Deus que libertou Barrabás? Usar critérios supostamente democráticos para tratar de assuntos relacionados à moral não é uma boa idéia. O raciocínio de André Petry legitima o nazismo, o comunismo e quaisquer comportamentos, por mais bizarros que sejam, desde que a sociedade aprove.

O que essa proposta pretende dar aos gays, e sabe-se lá se terá alguma eficácia, é aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral. Os evangélicos, pelo menos os que foram a Brasília, dão prova de desconhecer que seres humanos não diferem de coisas só porque são um fim em si mesmos. Os seres humanos diferem das coisas porque, além de tudo, têm dignidade. As coisas têm preço.

Ora essa! Conversa pra boi dormir! Direitos iguais todos temos garantidos pela Constituição. Se for esse o medo, basta colocar a Constituição em prática. O que se está tentando aprovar são privilégios. E privilégios são proibidos pela Constituição, visto que quebra com o princípio de que todos são iguais perante a Lei.

Petry combate a liberdade que permite a ele dizer todas as suas bobagens.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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