quarta-feira, 14 de maio de 2008

Padre conta os segredos do trabalho de exorcista

Saudações queridos leitores!

Em uma reportagem boa, o jornal El Pais mostra um pouco (bem pouquinho mesmo) do trabalho de um padre exorcista, espécie rara hoje em dia. A íntegra da reportagem está acessível aqui (somente para assinantes). Fiquem com trechos da reportagem, volto depois.

Padre conta os segredos do trabalho de exorcista

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O padre Fortea veste batina com um duro colarinho branco, estudou teologia na Universidade de Navarra e é pároco de Anchuelo, um povoado de 700 habitantes nas proximidades de Alcalá de Henares. Seu bispo o enviou para lá para que tivesse mais tempo de escrever livros e dar conferências. O prelado auxiliar de Madri e porta-voz da Conferência Episcopal, Juan Antonio Martínez Camino, dirigiu sua tese na faculdade de teologia da Pontifícia Universidade Católica de Comillas. Intitula-se "O Exorcismo na Época Atual". O sábio teólogo são Tomás de Aquino escreveu a "Suma Teológica". O padre Fortea publica agora sua "Summa Daemoniaca", um tratado completo de demonologia (editado na Espanha pela La Esfera de los Libros). Entre seus outros livros há um que se intitula "Exorcística", um manual de uso imprescindível por seus colegas.

O aspecto de Fortea é o de um padre da Opus Dei. De aparência tímida, voz contida, mas firme nos princípios, quase desafiador, fala com a segurança dos convictos, inclusive sobre as reticências de seus superiores pelo fato de ele sair tanto na mídia. Nasceu na mesma cidade que são Josemaría Escrivá [o fundador da Opus Dei], Barbastro (Huesca), em 1968. Mas não. "Não sou da Opus Dei, nunca fui. Fui a Navarra porque sua faculdade de teologia é uma das melhores do mundo, e em seu seminário havia uma grande vida espiritual. Sabia que sempre me considerariam da Opus Dei por ter ido, mas não me importava. O importante era me formar bem", afirma.

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Apesar de suas relações com os demônios, Fortea concorda com o papa em que o inferno, como lugar concreto, não existe. Não é que compartilhe a afirmação de Schopenhauer -"o inferno é o mundo"- ou a de Sartre -"o inferno são os outros"-, mas quase. "O que são os campos de concentração senão o inferno? Grandes demônios Hitler e o doutor Mengele, por exemplo. O inferno é viver a ausência de Deus. Mas Deus tem de ser justo. Não pode não acontecer nada. O inferno é uma necessidade de justiça", diz. Sobre outros assuntos pode sair pela tangente. Afinal, "até Deus, às vezes, gosta de não ser sério; às vezes tem um senso de humor incrível".

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Voltei. No primeiro trecho da reportagem, vemos como a Universidade de Navarra e o Opus Dei são caracterizados como instituições conservadoras, o que realmente são, mas não no sentido em que são. Parece soar confuso, mas isso acontece porque o significado de conservador para a mídia hoje em dia é algo quase que pejorativo, revestido de um tradicionalismo e um ritualismo que apenas remetem aos tempos medievais. Besteira! O conservadorismo está longe disso, está em se conservar aspectos imutáveis da humanidade.

No segundo trecho que destaco há um escorregão fenomenal, que tirou muito do crédito da reportagem. Lá diz que o Padre Fortea compartilha da visão de Bento XVI de que o inferno como um lugar concreto não existe. Isso está em desacordo com o que o próprio El Pais publicou alguns meses atrás, onde dizia em uma reportagem que o inferno realmente existe. A reportagem está aqui. Eles que se decidam sobre o que publicam sobre o Papa. Ficar desse jeito é que não dá.

Outro ponto a se esclarecer é que nem Bento XVI e nem João Paulo II, de grande memória, jamais negaram a existência do inferno como um lugar onde há dor. João Paulo II, ao dizer que o inferno é a ausência de Deus, não resume a idéia a isso, mas expõe um aspecto complementar, já que, no inferno, as almer terão o vislumbre eterno do Amor de Deus, mas nunca o alcançarão, passando a eternidade buscando algo que jamais poderão ter. É um aspecto muito terrível, mas não é tudo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

fortea disse...

ao menos que saiba que o papa (a Igreja) nega a existência do inferno como um lugar físico.
"Apesar de suas relações com os demônios, Fortea concorda com o papa em que o inferno, como lugar concreto, não existe."
http://artureduardo.blogspot.com/2008/05/segredos-de-exorcistas-revelados.html