sexta-feira, 30 de maio de 2008

O Futuro

Saudações queridos leitores!

Ontem, conforme amplamente noticiado na imprensa e no Blog, as pesquisas com células-tronco embrionárias foi declarada constitucional. Por um placar de 6 x 5, foi indeferida a Ação direta de Inconstitucionalidade que questionava a realização das pesquisas.

Escrever um texto sobre o assunto na manhã após os dois dias tensos que se passaram não é fácil. Sinto que qualquer coisa que eu escrever poderá ser interpretada como choro dos derrotados. Mas não é assim. Não lamento pela derrota, pois as minhas convicções não saem abaladas nesse processo. Lamento pelos embriões que perderam o amparo do Estado no tocante à proteção de suas vidas. Essa decisão, por mais que tenha sido tomada pela Corte Suprema do Brasil não tem o peso da Verdade. Nem de longe. Quem pensa o contrário, deve admitir a possibilidade de que se o STF declarar que dois mais dois são cinco, a sentença matemática tenha que ser realmente mudada no Brasil.

Até o momento, essa é uma guerra que tem apenas perdedores. Não existe certeza quanto aos resultados das pesquisas, mas existe a certeza da morte para os embriões que serão sacrificados em nome de dúvidas. Sua destruição, além de inaceitável, tem a possibilidade de ser inócua. Se, no futuro os cientistas chegarem à conclusão de que não é possível fazer os tratamentos imaginados com as células-tronco embrionárias, será que eles dirão aos pais que seus filhos foram sacrificados em vão? Algum cientista sentirá remorso pelo assassinato dos inocentes em vão?

Uma coisa que me deixou estarrecido mesmo foram os canais de televisão. Mostrar pessoas deficientes, em cadeiras de rodas, ou não, dando a entender que a autorização para as pesquisas fosse resolver seus problemas. É iludir a opinião pública, já que ninguém garante o sucesso da experiência com células embrionárias.

Voltando ao julgamento, poucas vezes vi na democracia moderna algo parecido. A Igreja é foi jogada no banco dos réus. E ela nem deveria estar presente no julgamento. Toda a argumentação religiosa partiu justamente... dos apoiadores das pesquisas! Celso de Mello chegou a citar Galileu Galilei, como se apenas uma matéria de crença estivesse em julgamento; como se, no tribunal, duelassem ciência e religião. Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e até mesmo o Livro Sagrado do Êxodo foram usados por Celso de Mello, falava o tempo todo que o Estado é Laico, mas foi o que mais invocou princípios religosos para distorcer e descreditar as opiniões contrárias. A Ministra Ellen Gracie, em um rompante de arrogância, tentou desqualificar o voto do Ministro Menezes Direito, a quem foi colada a pecha de "católico fervoroso", como se isso fosse algo ilegal ou imoral. Se depender de algumas vozes no Brasil, poderá ser.

Os Ministros que votaram pelas pesquisas iluminaram o Brasil. Iluminaram com a luz da fogueira que fizeram para jogar os que ousassem discordar de sua militância.

Fiquem com Deus,
Fernando.

5 comentários:

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Nada mais lamentável...

E acredito sim que a maioria dos cientistas não irão sentir remorsos por ter sacrificado tantos embriões. Apenas dirão que lamentam não ter dado certo. Só isso.

Que chaga ao Coração de Jesus...

Anônimo disse...

Vit�ria da vida contra o fundamentalismo ! Deus seja louvado!

Pesquisa com c�lulas tronco, genoma, aborto...

Palavra da Presid�ncia
Rev. Assir Pereira - Moderador da Assembl�ia Geral da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.



Sei que muitos de n�s, s� de ler o t�tulo acima, j� torcemos o nariz. Por que a igreja tem de se meter em assuntos como eutan�sia, aborto, clonagem, fertiliza�o �extra-corpore�, genoma e, agora, o assunto do qual a imprensa tem se ocupado � exaust�o, pesquisas com c�lulas tronco?
Temos de reconhecer que, em todos estes assuntos, a igreja sempre sai atr�s em sua manifesta�o, se � que ela se prop�e a emitir opini�o. Quase sempre ela opta pela omiss�o.
N�o gostaria que a IPI do Brasil recebesse a pecha de omissa e sem coragem para debater temas que afetam a sociedade. Isto nos levaria a estar � margem desta sociedade e deixar de ser sal, luz e fermento. Isto implicaria aceitar passivamente a agenda do mundo. Isto significaria abrir m�o de nossa voz prof�tica e perder nossa relev�ncia como igreja daquele que jamais se omitiu, mesmo que isto representasse a cruz e o Calv�rio.

IGREJA REFORMADA E LIBERDADE .

O fim da Idade M�dia e in�cio da Moderna foi marcado pela inger�ncia da igreja nos assuntos do Estado, da ci�ncia, das artes, etc. N�o raras vezes, a igreja tomou o lugar Estado e, todas as vezes que assim procedeu, vimos os desastres que aconteceram. N�o foi assim na �guerra santa� empreendida pelas Cruzadas?
Que dizer da inger�ncia da igreja nos assuntos da ci�ncia? Temos o exemplo da �santa inquisi�o� que levou para a fogueira grandes g�nios da ci�ncia e das artes.
Quantos foram os retrocessos e retardamento de avan�os tecnol�gicos e na qualidade da vida das pessoas? Quantas foram as descobertas para o bem da humanidade que poderiam ter sido antecipadas?
Lutero, Calvino e os demais reformadores se levantam contra esta �tica do absurdo. Todo debate entre religi�o e ci�ncia dever� ser feito a partir da liberdade crist� e sob princ�pios �ticos inegoci�veis. Lutero entendia que a criatura de Deus tem de estar preparada e livre para debater sobre temas que lhe dizem respeito. Isto significa que a igreja dever� estar preocupada com tudo aquilo que diz respeito ao bem estar e felicidade do ser humano criado para gl�ria de Deus.
Ao deixar de exercer o mandato de Deus, silenciando-nos sobre estes temas, corremos o risco de ficar nas m�os de governos e cientistas irrespons�veis, que n�o pensam duas vezes, para apertar o bot�o da destrui�o do homem pelo homem, como ocorreu com a explos�o da bomba at�mica na Segunda Guerra Mundial.

C�LULAS TRONCO.

N�o sou cientista; sou pastor. Por isso, n�o irei tratar deste assunto com argumentos que n�o domino. N�o posso, contudo, me calar sobre isso, porque meu rebanho est� exposto aos apelos de uma imprensa marrom, de juristas com a Constitui�o na m�o, cujas tribunas est�o mais para p�lpitos, de religiosos de plant�o com padr�es b�blicos e �ticos question�veis, cientistas altamente respons�veis entre outros nem tanto.
Tenho dito como pastor que sou a favor da vida. Digo sempre que quero envelhecer com qualidade de vida. Por uma simples raz�o: sou morada do Esp�rito Santo.
Quando vemos �religiosos� que sa�ram dos pal�cios episcopais para, novamente como ocorreu no per�odo medieval, usando a B�blia para faz�-la dizer o que a boca de Deus nunca disse, isto nos preocupa por v�rias raz�es. Primeiro, porque n�o lhes demos procura�o para falar em nosso nome; segundo, por adotarem uma �tica nada crist� terceiro, por menosprezarem nossa intelig�ncia; finalmente, por ignorarem milhares de vida que est�o morrendo sem os avan�os da ci�ncia, instrumento dado por Deus para salvar vidas.
O que sei e o que est� escrito na lei � que os embri�es a serem utilizados s�o aqueles que est�o congelados h� mais de tr�s anos e que ser�o descartados, ou seja, ser�o jogados no lixo, ser�o mortos. O que sei e o que a lei diz � que eles s� ser�o utilizados com o consentimento do casal de onde sa�ram estes embri�es. O que sei, dito por ilibados cientistas, � que estes embri�es t�m em m�dia cem c�lulas e que apenas as conhecidas como c�lulas tronco ser�o manipuladas geneticamente para serem colocadas num corpo doente, com o fim de restaurarem as c�lulas doentes. O que sei � que estas novas c�lulas garantir�o aos doentes prolongamento da vida com melhor qualidade.
A grande pergunta � devemos matar vidas em potencial, jogando fora os embri�es, ou usar estas vidas em potencial, que teriam como destino o lixo, para dar melhor qualidade de vida a pessoas com terr�veis limita�es de sa�de? Se defendemos uma vida digna, como podemos ser contra o uso destes embri�es para salvar e oferecer vida com dignidade?
Se creio que Deus criou e dotou de sabedoria homens e mulheres para, ao longo dos s�culos, trazerem melhoria na qualidade de vida para a humanidade, como conden�-los e como determinar, de repente, que eles estacionem ou parem suas pesquisas?

Estamos, na realidade, diante de quest�es �ticas que nos desafiam. N�o temos, infelizmente, um organismo que fale em nome dos evang�licos, como no passado fazia a Confedera�o Evang�lica do Brasil, o que leva as igrejas hist�ricas a terem de se manifestar isoladamente. O fato � que n�o podemos nos silenciar sob pena de assistirmos pessoas inescrupulosas e despreparadas falarem em nosso nome.
A nossa autoridade para tratar destes temas vem da pr�pria Escritura Sagrada, que afirma que Deus �coroou o homem com a gl�ria e a honra de um rei...� e acrescenta: �Deste-lhe dom�nio sobre as obras da tua m�o, e sob seus p�s tudo lhe puseste... � Senhor, Senhor nosso, qu�o magn�fico em toda a terra � o teu nome!� (Sl 8. 5Lj, 9) .

VIVA LUTERO, BUCER, CALVINO !

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Nossa, essa pessoa também te encontrou, é?

Achei que só tivesse enchido o meu saco...

O bom é que a pessoa é tão corajosa que não teve coragem de citar o próprio nome...

Anônimo disse...

Minha querida, por favor, não baixe o nível. Meu nome está em seu blog.

Em Cristo

Jaques.

Evelyn Mayer de Almeida disse...

Jaques,

Eu não baixei o nível não. Em seu primeiro post, vc não colocou o seu nome.