segunda-feira, 19 de maio de 2008

Justiça de outro mundo

Saudações queridos leitores!

Parece mentira mas não é. Uma recém-formada associação de Juristas espíritas quer que cartas psicografadas sejam aceitas como provas em julgamentos! A ilegalidade é flagrante! Vamos analisar um pouco do que pensam os juristas em vermelho. A íntegra do texto está aqui.

"O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita", afirma o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE.

Se esse promotor trabalha assim, deve ser imediatamente afastado! Entre os princípios do Estado Laico está a não-influência de crenças religiosas nas decisões de seus representantes. Se, além da Lei esse promotor se pauta na doutrina espírita para atuar, suas decisões são nulas e ele deve ser afastado. Se um jurista manifestasse que pauta as decisões no Evangelho, o mundo cairia sobre sua cabeça.

Embalada na esteira do crescimento da Abrame (Associação Brasileira de Magistrados Espíritas), que hoje reúne 700 juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores, e que aceita apenas togados como membros, a AJE surge com uma proposta de abranger todos os operadores do direito e já conta com 200 associados ou interessados, entre promotores, delegados de polícia e advogados, além de juízes.

Eles podem se reunir em que associação quiserem. Se quiserem se reunir na Associação de Devotos do Unicórnio Rosa Invisível, não dou a mínima. Agora, se quiserem pautar seu trabalho nas mensagens do Unicórnio, aí a coisa complica.

"Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim ou por você e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém", diz Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do CNJ, designado pelo conselho para falar a respeito das associações.

Não enxergaria diferença? Então melhor ir ao oftalmologista, pois precisa de novos óculos para poder ler a Constituição. É ilegal. Além do mais, não dá pra aceitar uma prova que não possui base científica. Se for assim, "espíritos" podem baixar muito convenientemente para provar o que for mais cômodo ao réu.

Será que esse mesmo juiz aceitaria uma revelação privada de Nosso Senhor Jesus Cristo ou de Maria Santíssima como prova em um tribunal?

Segundo Zalmino Zimmermann, juiz federal aposentado e presidente da Abrame, o propósito da associação "é questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar".

Está aí, com todas as letras. Eles querem colocar a doutrina espírita, que deveria ser de foro particular deles, acima da Lei. Eles podem crer no que quiser, isso é problema deles, mas não podem, em hipótese alguma, colocar sua crença acima dos preceitos da Constituição.

Essa história não pode ir pra frente. Caso essa influência se consolide, o pouco de Justiça que há no Brasil vai para o mundo dos mortos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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