terça-feira, 27 de maio de 2008

A guerra das células tronco embrionárias

Saudações queridos leitores!

Amanhã será retomado a partir das 08:00 da manhã o julgamento que decidirá sobre a proibição das pesquisas com células-tronco embrionárias.

Nesses dias que antecederam o julgamento, vimos muitas manifestações de ambos os lados, tanto de grupos favoráveis quando contrários às pesquisas. Vários veículos da mídia já demonstraram claramente seu apoio às pesquisas. O Estadão publicou um editoria favorável às pesquisas, a revista Veja fez duas entrevistas nas páginas amarelas com pessoas que apóiam as pesquisas e nenhuma entrevista com cientistas contrários à iniciativa. Grupos favoráveis e contrários se manifestam nos fóruns de discussão pela internet, muitas vezes de forma virulenta e vários cientistas e intelectuais brasileiros divulgaram um manifesto, a Declaração de Brasília, que pode ser encontrado no arquivo do Blog. O Ministério da Saúde, que deveria manter-se neutro até o julgamento da questão, também se manifesta abertamente de maneira favorável às pesquisas.

Mas o que está em jogo nessa polêmica?

Está em jogo muito mais do que embriões, pesquisas e liberdades. Está em jogo uma ética, um modo de pensar e de agir que influenciará diretamente em nós e nas gerações futuras. Ao se discutir a permissão do uso de embriões para pesquisas com células-tronco, estamos julgando se podemos destruir vidas humanas, terceiros, identificáveis por seu código genético diferenciado, em prol do tratamento de doenças que afetam a nós. Mas acontece que esses seres humanos em estágio embrionário serão sacrificados por algo que nem sequer há certeza.

Esse uso revela um egoísmo muito grande por trás de clichês como qualidade de vida, liberdade e progresso. Em nome de nossa qualidade de vida, estaremos aceitando que inocentes morram para que possamos buscar, sem certeza de encontrar, curas para doenças que nos assolam. Em nome dessa liberdade, estaremos privando pessoas em sua fase inicial de existência do direito de viver, de ter uma história, de serem felizes, de saber a que mundo eles pertencem. Em nome do progresso de nossa civilização, estaremos jogando por terra valores indeléveis que permitiram que a humanidade chegasse até onde chegou. Mães estarão abrindo mão de seu instinto materno, permitindo que seus filhos sejam mortos para que outras pessoas busquem curas para mazelas, sem nem mesmo ter certeza de que encontrarão.

E se, após tudo isso, milhares de embriões humanos mortos, os cientistas chegarem à conclusão de que estavam no caminho errado para alcançar a cura? Será que eles devolverão as vidas que tomaram? Será que eles se desculparão com os pais por terem matado seus filhos em vão? Será que os pais sentirão algum remorso por terem entregue seus filhos para um sacrifício inócuo?

Existe outro caminho muito mais promissor, que é a pesquisa com as células-tronco adultas. É um caminho sem riscos, pois não coloca vida alguma em risco. O que quer que seja descoberto através das pesquisas com as células-tronco adultas, será lucro, pois não terá custado a vida de nenhum embrião.

Você, leitor, que é pai ou que é mãe, desejaria para seu filho que ele se tornasse parte de tecido de um estranho, que fosse simplesmente descartado como uma tentativa frustrada ou que ainda pior, se tornasse um tumor decorrente de uma experiência mal sucedida?

Olhe para seu filho e pense. A diferença entre os embriões congelados e seus filhos é apenas o tamanho.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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