terça-feira, 20 de maio de 2008

Carta do Prelado (maio 2008)

Saudações queridos leitores!

Todos os meses publico a carta enviada pelo Prelado do Opus Dei, Dom Javier Echevarría. É uma grande fonte de meditação e conhecimento, além de mostrar ao mundo muito do carisma da Obra.

Carta do Prelado (maio 2008)


Em maio, D. Javier Echevarría convida a falar com a Mãe de Deus na oração, e a aprender dEla a falar com Cristo. Publicamos a sua carta mensal.

19 de maio de 2008

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Celebra-se hoje na Igreja universal a solenidade da Ascensão do Senhor; em alguns lugares, por motivos pastorais, é transferida para o próximo domingo. Como nos aconselhava o nosso Padre, coloquemo-nos no meio dos Apóstolos e das santas mulheres, que foram testemunhas deste último mistério da vida de Jesus na terra.

É justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-aventurados da Glória [1]. Queremos unir-nos de todo o coração a essa glorificação do nosso Jesus. Sentimos a urgência de prender-nos com força à graça da salvação que Ele nos alcançou e, conscientes de que – tal como aos Onze – também a nós nos pode censurar a nossa pouca fé [2], suplicamos-lhe que imprima no nosso ser a grandeza de uma vida nova, a vida sobrenatural.

O Senhor deixou-nos. Foi para o Céu para nos preparar a mansão definitiva; dali, da direita do Pai, como repete a Liturgia, a gratia Capitis, a graça da Cabeça chega a todos os membros do Corpo Místico. Antes de partir, encarregou-nos de ir por toda a parte, sem medo, sem respeitos humanos, com fé e otimismo, para difundir os seus ensinamentos [3].

É evidente a desproporção entre o encargo recebido e as nossas forças: somos tão pouca coisa para tal empreendimento! Mas que segurança nos infunde a sua promessa de que não nos deixará sós, de que nos enviará o Espírito Santo para sermos suas testemunhas até os últimos confins da terra! [4] A Ascensão do Senhor é, para cada uma e para cada um de nós, um desafio extraordinário e uma confiança total do Céu.

Mas tu e eu nos sentimos órfãos; estamos tristes, e vamos consolar-nos com Maria [5]. Com estas palavra termina São Josemaria o seu comentário ao segundo mistério glorioso do Rosário. Vamos, pois, consolar-nos com a nossa Mãe, para que Ela nos mantenha fiéis, firmemente fiéis, neste compromisso de dar testemunho de Cristo e dos seus ensinamentos.

Em grande parte do mundo, maio é o mês de Maria por antonomásia. Lembro-me do entusiasmo com que São Josemaria se preparava todos os anos para dar à sua vida, nestes dias, um tom especialmente mariano. Pensemos desde já que flores nos propomos oferecer a Nossa Senhora nas próximas semanas: que pormenores de piedade no trato com Jesus, seu Filho muito amado, e no trato com Ela; que mortificações no trabalho, nas relações com as outras pessoas, no cumprimento dos nossos deveres familiares, profissionais e sociais. Mesmo que nos pareçam habitualmente coisas pequenas, se as realizarmos com amor e por amor, exalarão o bonus odor Christi [6], o bom odor de Cristo que todo o cristão está chamado a difundir com o seu comportamento, para que as outras pessoas também conheçam e amem Jesus. Concretizaste já o teu plano pessoal para honrar a Senhora durante estes dias?

O mês de maio está cheio de festas de Nossa Senhora e de recordações marianas da história do Opus Dei, que servem para avivar em nós os sentimentos filiais do nosso coração, à medida que passam os dias. Gostaria, com estas linhas, de vos ajudar nisto.

Amanhã, dia 2, é o aniversário daquela peregrinação com que São Josemaria deu início ao costume da Romaria de maio. Já passaram 73 anos e, desde esse dia, quantos milhares e milhares de visitas dos seus filhos e filhas não recebeu Nossa Senhora, em todo o mundo, seguindo as pegadas daquela que o nosso Padre fez!

Cuidemos do caráter familiar que São Josemaria imprimiu a este Costume mariano do Opus Dei, desde o princípio. Referindo-se à peregrinação de 2 de maio de 1935, escrevia anos mais tarde: Não era uma romaria no sentido habitual. Não era ruidosa nem multitudinária. Íamos apenas três. Respeito e estimo essas outras manifestações públicas de piedade, mas, pessoalmente, prefiro procurar oferecer a Maria o mesmo carinho e o mesmo entusiasmo por meio de visitas pessoais, ou em pequenos grupos, com sabor de intimidade [7].

São tantas as intervenções da Virgem Maria em favor dos seus filhos! A maior parte das vezes, são ações que passam ocultas na história da humanidade, mas que iluminam interiormente a vida dos seus destinatários, que lhes dão forças para melhorar, para aspirar à árdua − mas acessível − meta da união com Deus, a santidade. Estas intervenções, e as respostas generosas que suscitam, mostrarão toda a sua importância quando ficarem patentes no último dia. Esforcemo-nos por olhar todos os acontecimentos e circunstâncias como o nosso Padre, com olhos de eternidade.

Mas, além disso, Nossa Senhora não poupa – assim o quer Deus – as suas intervenções em favor das pessoas, sobretudo nas épocas da história em que os homens estão mais necessitados. Guadalupe, Lourdes, Fátima..., e outras manifestações marianas reconhecidas pela Igreja, são só uma pequena amostra da solicitude de Maria, que se derrama sobre os seus filhos indigentes; Ela é a boa Mãe que usa todos os recursos para nos levar ao arrependimento, para nos conduzir novamente a Cristo, para nos introduzir mais na intimidade divina.

No dia 13 de maio, recordamos uma dessas manifestações: a primeira aparição da Santíssima Virgem Maria em Fátima. Que ressoe nos nossos ouvidos a mensagem de oração, de conversão, de reparação pelos pecados, que com tanta força se difunde daquele santuário mariano. Como é lógico, agradeçamos especialmente a proteção que Nossa Senhora dispensou ao Papa João Paulo II, salvando a sua vida por ocasião do atentado de 13 de maio de 1981. E recordemos também, com agradecimento, as muitas vezes que São Josemaria se prostrou diante dEla na capelinha, impetrando o seu auxílio maternal para a Igreja, para a Obra, para todas as almas. Repetiu freqüentemente que aquele lugar era o seu “refúgio”.

Falei de Lourdes – comemora-se este ano o 150º aniversário das aparições – e vêm à minha memória as vezes em que o nosso Fundador recorreu à nossa Mãe naquele recanto dos Pireneus. Peço-lhe que todos os fiéis do Opus Dei e as pessoas que se aproximam dos nossos apostolados cultivem, tal como São Josemaria, o desejo de crescer diariamente em amor e devoção à Virgem Santíssima.

A invocação de Nossa Senhora de Guadalupe, tão unida à evangelização do Novo Mundo, está muito presente também na história mariana do Opus Dei. Nos próximos dias recordaremos a novena de São Josemaria a Nossa Senhora, na Basílica da cidade do México, de 16 a 24 de maio de 1970, que foi a razão principal da sua primeira viagem ao continente americano. Tive a felicidade – considero-a uma graça muito especial de Deus – de acompanhar o nosso Padre na sua oração pela Igreja e pela Obra. Anos mais tarde, em fins de abril de 1983, voltei a Guadalupe, desta vez acompanhando o queridíssimo D. Álvaro, para dar graças a Nossa Senhora por ter escutado a ardente oração do nosso Padre.

São inumeráveis os ensinamentos que podemos tirar daqueles dias de 1970. Convido-vos agora a considerar a grandeza de coração do nosso Fundador. Recordo muito bem o último dia da novena, 24 de maio. Como nos outros dias, rezamos o Rosário. Antes dos mistérios gloriosos, São Josemaria animou-nos a pedir pelas necessidades do mundo inteiro. A Europa, a Ásia, a África e a Oceania passaram diante dos nossos olhos através das palavras do nosso Padre, enquanto deixávamos nas mãos benditas de Nossa Senhora as necessidades, preocupações e ânsias dos milhões de pessoas que enchem a terra. Imitemo-lo neste anseio de estender os frutos da Redenção de Cristo por todos os lugares e entre todas as pessoas.

O dia 31 de maio é também festa da nossa Mãe. Mal o Arcanjo Gabriel lhe comunicou o próximo nascimento de São João Batista, levantou-se Maria e foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel [8]. Já tendes na imaginação a cena que contemplamos todos os dias no segundo mistério gozoso do terço: a chegada de Maria, as palavras de Isabel, os saltos de júbilo de São João Batista ainda não nascido... Depois ficou em casa da sua prima uns três meses, para ajudá-la em tudo o que fosse preciso. Quanto pode a presença de Maria! Comentando este fato, Santo Ambrósio escreve: “Se a sua simples entrada [naquela casa] produziu um efeito tão grande que, com a saudação de Maria, o menino saltou de alegria no seio materno e a mãe ficou cheia do Espírito Santo, em quanto avaliaremos os efeitos da presença de Maria durante tanto tempo?” [9].

Podemos aplicar à nossa resposta ao Senhor as palavras deste Padre e Doutor da Igreja. Se nos esforçarmos por estar muito perto da Virgem Santíssima, neste mês de maio e sempre, quantas graças não se derramarão sobre as nossas almas! Entre outras, a grande alegria de nos sentirmos amigos e filhos de Deus.

A presença da Virgem Maria em cada um dos nossos dias converte-se na melhor escola de oração. Dizia-o o Papa Bento XVI há uns meses. “São Lucas diz-nos duas vezes que Nossa Senhora «guardava todas estas coisas e as meditava no seu coração” (Lc 2, 19; cfr. 2, 51). Era uma pessoa em colóquio com Deus, com a palavra de Deus, e também com os acontecimentos através dos quais Deus lhe falava. O Magnificat é um «tecido» feito de palavras da Sagrada Escritura e mostra-nos como Maria viveu em colóquio permanente com a palavra de Deus e, assim, com o próprio Deus [...]. Aprendamos de Maria a falar pessoalmente com o Senhor, ponderando e conservando na nossa vida e no nosso coração a palavra de Deus, para que se converta em verdadeiro alimento para cada um. Deste modo, Maria guia-nos numa escola de oração, num contacto pessoal e profundo com Deus” [10].

Antes de acabar, quero pedir-vos que rezeis pelos fiéis do Opus Dei que vão receber a ordenação sacerdotal em Roma, no próximo dia 24. Que Nosso Senhor, por intercessão da sua Santíssima Mãe, os faça santos, doutos e alegres.

No mês que acaba de passar, fiz duas breves viagens, uma à Inglaterra e outra à Áustria, para alentar os fiéis e cooperadores da Prelazia no seu trabalho apostólico a serviço da Igreja. Com a viva recordação do nosso Padre e de D. Álvaro, fui rezar a Nossa Senhora de Willesden, em Londres, e a Maria Pötsch, em Viena. Também nesses lugares – como em Aparecida, Luján, Lo Vásquez, etc. –, São Josemaria colocou toda a Obra sob o manto de Nossa Senhora. Aprendamos a seguir este caminho de auxílio seguro.

Em Viena, prolongando a oração de São Josemaria em 1955, recorri à Stella Orientis pedindo a sua ajuda para a tarefa apostólica que já estamos realizando em bastantes países do centro e do leste da Europa, antes submetidos ao comunismo, e nos outros que esperam por nós: Romênia, Bulgária, Ucrânia, Bielorússia... Pensas acompanhar todos os que, no mundo, recorrerem a Nossa Senhora fazendo romarias? Que dirás às pessoas que te rodeiam sobre a grandeza de Nossa Senhora e sobre a sua onipotência suplicante? Pensaste no modo de dirigir o teu olhar com mais afeto para as suas imagens? Rezarás com mais piedade as Ave-Marias?

Normalmente, no dia 1º de maio comemora-se a festa de São José Operário. Dirijo­‑me ao Santo Patriarca para que nos ensine a ter com a sua Esposa virginal muitas delicadezas ao longo das próximas semanas e sempre.


Com todo o afeto, abençoa-vos

o vosso Padre

† Javier
Roma, 1º de maio de 2008.

[1] São Josemaria, Santo Rosário, segundo mistério glorioso.

[2] Cfr. Mc 16, 14.

[3] Cfr. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15.

[4] Cfr. Jo 14, 15-18; Mt 28, 20.

[5] São Josemaria, Santo Rosário, segundo mistério glorioso.

[6] 2 Cor 2, 15.

[7] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 139.

[8] Lc 1, 39-40.

[9] Santo Ambrósio, Exposição do Evangelho de São Lucas, 2, 29.

[10] Bento XVI, Encontro com sacerdotes em Roma, 22.02.2007.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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