sábado, 19 de abril de 2008

Jornalismo a quatro patas - por André Petry

Saudações queridos leitores!

André Petry nos dá mais uma amostra de como escrever um artigo repleto de ranço e distorções com relação à Igreja. É só mais um que malha a Igreja atrás de holofotes, já que sem esse artifício ele dificilmente alcançaria os índices que alcança. Fiquem com o artigo escrito a quatro patas em vermelho, com minhas intervenções em azul.

O papa e os pedófilos

É constrangedor que tenha sido assim, mas era inevitável: a primeira viagem do papa Bento XVI aos Estados Unidos foi uma visita sobre abuso sexual. O papa tocou no assunto antes que seu avião aterrissasse em solo americano, dizendo que se sentia "profundamente envergonhado" pelos casos de padres pedófilos. Depois, numa cerimônia, voltou ao tema, expressando dor e pedindo atenção pastoral redobrada às vítimas. Chegou até a se reunir com cinco pessoas que foram molestadas sexualmente, todas hoje na meia-idade, num encontro sem anúncio prévio, a portas fechadas, e com vítimas escolhidas a dedo.

O André Petry deve sofrer de algum bloqueio mental. É claro que os escândalos, lamentáveis, foram muito destacados pelo Papa e pela cobetura jornalística. Mas dizer que a visita do Santo Padre se resumiu a esse mero aspecto é um reducionismo bocó. Ele ignora propositalmente todos os outros temas abordados, como a liberdade, a guerra do Iraque e a exortação à esperança e à caridade.

Ele também acha que o Papa deveria ser humilhado em sua visita, levando vítimas que ainda destilam ódio (compreensível, mas inaceitável) contra os lastimáveis abusos e que estariam dispostas a colocar o Santo Padre em situações constrangedoras. O contrangimento ajudaria em alguma coisa? Reverteria as terríveis cicatrizes? Não.

Resolveu? Aplacou a ira santa das vítimas? Que nada.

Petry quer humilhar a Igreja. Já não basta as feridas profundas na própria Igreja causadas por esses indignos sacerdotes, ele queria expor a Igreja em praça pública, jogar tomates e atear fogo nela. Do mesmo modo que as pessoas procediam na Idade Média. Mas já passamos desse tempo. Petry age com obscurantismo. Ele é um obscurantista disfarçado de iluminista.

O escândalo de pedofilia nos EUA é uma cicatriz imensa. Começou a vir à tona em 2002. Atingiu quase todas as dioceses do país. Revelou a existência de 5.000 padres pedófilos. Contabilizou mais de 13.000 vítimas. Custou mais de 2 bilhões de dólares em acordos. E o que a Igreja Católica fez para estancar isso tudo? Quase nada.

Que nada! Alguns bispos erraram ao não tomar atitudes mais enérgicas com relação aos sacerdotes que cometeram os abusos. Mas o que André Petry queria é que a Igreja publicasse suas fotos, os jogasse em praça pública e promovesse linchamentos morais. Qualquer outra coisa diferente disso seria insuficiente para ele. Culpar a Igreja pelos erros de alguns, mesmo que sejam representantes do clero é uma generalização perigosa. Nesse aspecto existe um limite tênue entre a generalização desonesta e da crítica verdadeira e necessária. Petry ignora esse limite.

As vítimas americanas, que têm associação nacional para representá-las, querem que a cúpula da Igreja tome providências concretas para evitar que algo parecido volte a acontecer – ou esteja acontecendo. As providências concretas não vieram. Na semana anterior à chegada de Bento XVI aos EUA, o jornal The New York Times noticiou que um casal de Massachusetts entrou com ação contra um padre acusando-o de molestar seus dois meninos. Quando? Em 2005. As vítimas também querem um plano concreto para expurgar os pedófilos da Igreja e punição aos bispos que acobertaram os casos e mantiveram os padres nas paróquias. Até agora, nada disso foi feito.

Se o sacerdote em questão realmente for culpado, que ele pague a justa pena, tanto na Igreja quanto na Justiça. Mas devemos ter em mente o que é uma justa pena. Uma exposição exacerbada, um linchamento moral, são penas justas? Deve-se distinguir entre a justiça e a vingança.

A omissão e a letargia em reconhecer que milhares de padres desgraçaram a vida de milhares de crianças católicas produziram um cortejo de constrangimento ao papa. Em cada cidade, havia uma exposição de fotografias de crianças sexualmente molestadas. Em Washington, em frente a uma igreja, havia sessenta fotos, quinze delas com uma moldura preta, sinalizando que se suicidaram. Em Nova York, uma exposição no Soho fazia a mesma denúncia.

E todos os culpados devem pagar por isso. O que é injusto é jogar tudo isso sobre o Papa, que na época em que os escândalos surgiram, não tinha autoridade para tratar do assunto, visto que ele era responsável por outro setor na Igreja.,

E tudo porque até hoje o Vaticano não mudou o código canônico, no qual consta tudo o que impede um padre de manter-se padre ou virar padre. A saber: homicídio, automutilação, tentativa de homicídio ou auxílio a aborto. Abuso sexual pode? Pode. Pedofilia pode? Pode. Na sexta-feira, quando Bento XVI chegava a Nova York, o Vaticano anunciou que estava pensando em fazer mudanças no código. Pensando.

Eu pergunto: para ser prefeito pode ser pedófilo? Para ser bancário pode ser pedófilo? Não está escrito em lugar algum, mas todos nós sabemos que não pode. Simplesmente porque não se pode ser pedófilo em nossa sociedade. Isso é de entendimento de todos. Se for assim, teremos que estipular milhares, senão milhões de condições para que se possa assumir qualquer cargo em qualquer lugar em nossa sociedade. Não é porque não está escrito que é permitido! Tratar essa possibilidade como entendimento da Igreja acerca da questão é estupidez das grandes.

Talvez isso explique por que boa parte dos 64 milhões de católicos nos EUA tem virado as costas para a Igreja e suas orientações. Uma pesquisa divulgada na semana passada mostrou que 44% dos católicos americanos são contra o aborto e 48% contra o casamento gay. A maioria dos católicos, portanto, ou é a favor do aborto e do casamento gay ou não tem opinião formada.

Seja lá o que explique a frouxidão dos Católicos americanos, é errado. A Igreja não apóia o comportamento desses sacerdotes e sua doutrina independe disso. Se há tantos Católicos que têm essas opiniões diferentes da Igreja, quem está errado são eles, não a Igreja.

Ou os católicos americanos são mais arejados do que a Igreja ou a postura leniente da Igreja com padres pedófilos abriu uma cratera na confiança desses católicos.

O que Petry chama de arejado? Gente que apóie a sodomia e o assassinato de inocentes? Então para ele Hitler devia ser um cara muuuuito arejado, visto que foi o responsável pela perda de milhões de vidas durante a Segunda Guerra Mundial. Os "camaradas" comunistas são pessoas super arejadas, são uns 100 milhões de vidas mais arejados que a Igreja...

Seja o que for, é bom.

Aqui está a síntese do pensamento de André Petry. Ele não quer justiça. Quer apenas o fim da Igreja. Ele não se importa de quantos deverão sofrer para que isso ocorra. Para ele não faz mal que milhares ou milhões sofram por enganos cometidos por alguns, ou até mesmo muitos, em nome da Igreja. Se isso contribuir para um pretenso fim da Igreja, ele achará bom, tratará as vítimas como meros mártires de sua causa, pessoas que sofreram por um bem maior. Se ele tiver a oportunidade de evitar o mal ou deixar que o mal ocorra e a Igreja se dê mal, ele certamente deixará o mal prosperar.

É de dar nojo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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