terça-feira, 15 de abril de 2008

Impressões da cobertuda da imprensa sobre a visita do Papa

Saudações queridos leitores!

Como devem saber, hoje inicia-se a visita do Santo Padre aos Estados Unidos. Essa visita será histórica e tenho a esperança de que muitos frutos surgirão de lá. Mas como sempre algumas coisas são distorcidas durante a cobertura da imprensa. O portal Terra publicou uma matéria do The New York Times sobre a visita. A matéria é mediana, mas conta com algumas distorções de praxe. Fiquem com os trechos da matéria em vermelho (íntegra aqui).

A reputação que ele desenvolveu ao longo dos anos é a de um homem duro quanto à doutrina, inimigo da homossexualidade e do aborto e defensor do catolicismo como a verdadeira fé - posições ocasionalmente difíceis de afirmar em um país diversificado como os Estados Unidos. E a reputação de Bento XVI, concordam seus críticos e admiradores, é bem merecida.

Não há nada de surpreendente nessas posições destacadas pela reportagem. Eram as mesmas posições de João Paulo II e de todos os seus antecessores. Colocar as afirmativas dessa maneira faz pensar que antes de Bento XVI a Igreja era complacente com esses comportamentos.

Nada disso implica que Bento XVI, que completará 81 anos na quarta-feira seja um homem centrista, indeciso. Em suas mais de duas décadas como braço direito do papa João Paulo 2° quanto a questões de defesa da fé, ele propeliu as escolhas da Igreja sobre os princípios centrais do catolicismo, contendo o que via como liberalização excessiva promovida pela geração anterior e propondo uma identidade católica forte e abertamente conservadora.

O que o Papa fez nada mais é do que dar uma ênfase maior a um lado da Igreja que foi muito abalado com os abusos ocorridos no clero durante as últimas décadas. Estamos passando por um período intermediário, onde os padres que procuraram o seminário como se fosse uma forma chique de protestar, estão acuados, desorientados pelos duros golpes que Bento XVI desfere contra as suas heresias. Notem aqui uma coisa que raramente vemos na imprensa brasileira: o termo conservados não é usado em sentido pejorativo.

Em seus três anos como papa, ele expôs claramente os seus princípios em duas encíclicas, uma sobre o amor e a outra sobre a esperança. Também procurou se aproximar mais da ala tradicionalista da Igreja ao relaxar as restrições à celebração da missa em latim.

Aqui está uma bobeira que os repórteres sempre cometem. O que foi flexibilizado não foram as celebrações em Latim, mas sim as celebrações do Rito Tridentino. O Rito Novo, que é o que assistimos todo domingo também deve ser celebrado em Latim, mas infelizmente é celebrado somente em vernáculo por um abuso de uma exceção da norma.

Em termos mais amplos, ele ordenou medidas de repressão à homossexualidade nos seminários, e forçou a aposentadoria do líder dos Legionários de Cristo, uma ordem conservadora de sacerdotes, depois de uma longa investigação de escândalos sexuais.

Aqui já vemos a coisa começando a desandar. O afastamento do Padre Marcial Marciel, LC, falecido recentemente não foi forçada. Foi uma recomendação da Santa Sé, devido a sua idade muito avançada e ao stress que as acusações, nunca provadas, lhe causavam.

Os católicos de inclinações mais liberais, entre os quais muitos norte-americanos, podem descobrir que falta lugar para eles nesse rebanho.

Lugar para eles existe sim. Na Igreja existe lugar para todos no mundo. O que não tem lugar são suas doutrinas malucas e contrárias à Igreja. Isso não tem lugar mesmo.

Sinto que o The New York Times foi bonzinho com o Papa. O Santo Padre não encontrou uma cobertura tão séria quando esteve no Brasil. Acompanhemos a visita e rezemos pelos seus frutos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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