quarta-feira, 5 de março de 2008

STF julga sobre a Vida

Saudações queridos leitores!

Hoje começa um julgamento histórico no Brasil. Os Ministros do STF julgarão a constitucionalidade das pesquisas com uso de células tronco embrionárias. Mas o que está em jogo é mais do que o futuro das pesquisas com embriões, mas sim a vida desses embriões.

Esse é um debate que tem sido muito acirrado de ambos os lados. Enquanto especialistas e leigos favoráveis às pesquisas argumentam que no futuro esses estudos trarão benefícios para muitas pessoas que sofrem de doenças degenerativas que são intratáveis hoje, outro grupo de cientistas argumenta que não é ético destruir uma vida em sua fase inicial (embrionária) para se estudar e tentar tratar outros.

O que acontece é que esse debate é bem mais complexo do que vemos.

Em primeiro lugar, nenhum dos lados é contrário ao progresso da ciência. Quem diz que esse ou aquele lado é contrário às pesquisas, mente. O que está em jogo é o sacrifício de seres humanos em estágio embrionário para o uso em tais pesquisas. Se houvesse uma maneira de extrair essas células dos embriões sem que os mesmos fossem destruídos, é claro que ninguém faria oposição a isso, mas não é assim.

Há um grupo que claramente não se importa em sacrificar seres humanos para as pesquisas. Isso é moralmente inaceitável. É uma lógica semelhante aos experimentos que Hitler fazia com os judeus em busca da raça perfeita. Mas entre os favoráveis à pesquisa, há outro grupo que não reconhece o embrião como pessoa humana. E nesse grupo é que estão os maiores equívocos.

Para muitos cientistas e para a Igreja, um novo ser humano é gerado a partir da concepção. Esse argumento encontra sua base científica no fato de que a partir do momento que o óvulo foi fecundado, forma-se um novo ser, com sua própria herança genética, que, apesar de ser dependente do hospedeiro (a mãe), é dotado de individualidade e que possui todas as condições de se desenvolver naturalmente, sem qualquer intervenção artificial. Com os embriões congelados é a mesma coisa. A grande diferença é que sua fecundação foi feita fora de um útero. Mas mesmo assim, é um novo código genético, e isso caracteriza um indivíduo.

Essa intervenção não muda isso. Não é o útero que define a individualidade do embrião, mas sim seu patrimônio genético, seu DNA. Portanto, um embrião vivo, esteja onde estiver, mantém consigo seu patrimônio genético, o que o torna único.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Nenhum comentário: