domingo, 2 de março de 2008

Petry, um jornalista quadrúpede

Saudações queridos leitores!

André Petry faz parte de uma vertente jornalística que eu chamo de "jornalismo quadrúpede". Ele não vive apenas do que acontece na mídia, mas é um porta bandeira da anti-religião que tenta tomar de assalto a civilização. Quando essa vertente da "razão" chega ao poder, podem preparar-se para o sangue correr (vide comunismo e Revolução Francesa). Fiquem com sua coluna na Veja (em vermelho) com comentários meus.

É pesquisa (ou lixo)

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal decide um dos temas mais relevantes de sua história. Os ministros dirão se é válida ou não a Lei de Biossegurança, no trecho que autoriza a pesquisa de células-tronco de embriões humanos estocados em clínicas de fertilização. Pela lei, os embriões têm de ser inviáveis ou estar há pelo menos três anos congelados. Em qualquer caso, exige-se a permissão dos donos. Como as células-tronco embrionárias são o mais promissor caminho para vencer doenças hoje incuráveis, a aprovação da lei foi saudada como um generoso convite à ciência, ao progresso e à vida.

Para que os leitores não se enganem, é necessário saber que as células tronco embrionárias não são tão promissoras assim. Nos países onde a pesquisa com tais células é liberada não foi constatado até hoje nenhum avanço extraordinário que justifique tal afirmativa. Ao argumentar desse jeito, parece que o Santo Graal da pesquisa com células embrionárias está no Brasil, faz-se pensar que automaticamente aparecerão por aqui as curas para as doenças. Não é assim. As pesquisas com células tronco adultas, que a Igreja apóia, têm dado bem mais resultado hoje em dia.

Mas aí apareceu o então procurador-geral Cláudio Fonteles, que entrou com uma ação no STF dizendo que a destruição de embriões era inconstitucional. Fonteles diz que os embriões, sendo resultado da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, são seres humanos no estágio inicial da vida. A Constituição protege a vida. Portanto, pesquisá-los, ou destruí-los, é como matá-los. E matá-los é inconstitucional. Pronto: a ciência virou sinônimo de assassinato, geneticistas viraram homicidas. Eis o beco obscuro em que a fé do procurador quer nocautear a ciência, o progresso e a vida.

Se os embriões não estão vivos ou não são humanos, o que são? Eu já fui um embrião, você, Petry, também (só não sei se da mesma espécie). O argumento não é religioso, mas sim lógico. Cabe agora ao STF definir a partir de quando se deve reconhecer a vida, que é inviolável em todos os seus estágios. Isso nem sequer é questionado.

Para tanto, o procurador propôs ao STF uma questão: quando começa a vida? Se começa na fecundação, como ele acredita, a lei viola a Constituição. Se a premissa é verdadeira, a conclusão está correta, mas a questão é capciosa. Capciosa porque ninguém sabe se a premissa é verdadeira. Não há resposta exata e consensual para definir o começo da vida. Seria na fecundação do óvulo? Ou quando o óvulo se prende à parede do útero? Ou na formação das terminações nervosas? Ou vida humana só existe quando existe consciência? O que distingue a vida humana da animal? São perguntas sem respostas unânimes.

Essa questão não é unânime nem mesmo em meio aos cientistas que querem a aprovação das pesquisas, o que mostra que há muito já se perdeu a noção constitucional da inviolabilidade da vida, tratando os embriões da forma que mais lhes convém. Em um dado momento, eles argumentam que não há vida, mas quando é conveniente, dizem que não podem usar embriões "mortos". Ora essa, mas se eles não reconhecem a vida nos vivos, o que os permite reconhecer a morte dos mortos?

O procurador não apresentou a questão capciosa porque é mau ou diabólico. Apresentou-a porque é um católico ardente. Nessa condição, propôs um dilema que pertence à pauta religiosa, e não à sociedade laica. Lamentavelmente, confundiu a Constituição com a Bíblia. Disfarçou, claro. Na ação ao STF, ele lista cientistas que defendem sua tese, mas omite que são católicos militantes. Um é da CNBB. Outro é da Academia Pro Vita, do Vaticano. Seis assinam obra da Pastoral Familiar. Os estrangeiros pertencem à reacionaríssima Opus Dei. Fonteles esconde tudo isso do leitor.

Mais uma vez utiliza-se da profissão religiosa para desqualificar os argumentos. Agora, se eu menciono que a Dra. Mayana Zatz é judia, o mundo pode desabar sobre mim, pois logo me acusariam de usar argumentos anti-semitas contra ela. O restante do mundo não tem a metade da rejeição à religião que Petry. Ele argumenta que o fato de alguns dos cientistas contrários às pesquisas com células embrionárias serem Católicos é daninho para o debate. Ei, Petry! O Estado é Laico mas não é anti-religioso, portanto rotular os cientistas contrários às pesquisas de Católicos não deve influenciar em absolutamente nada no debate.

Mas o Petry é um cara incrível. Ele alimenta um ódio que beira o irracional contra o Opus Dei. No artigo ele joga sobre alguns cientistas o "peso" de serem do Opus Dei. Quem são eles senhor Petry? Dê nome aos bois!

Esconde porque, fora dos cânones divinos, o que realmente interessa – já que não sabemos quando começa a vida – é o destino de milhares de embriões humanos estocados nas clínicas de fertilização: a lata do lixo ou o laboratório de pesquisa? A resposta é óbvia. Óbvia até para crentes que, não sendo dogmáticos, distinguem o mundo real do encantamento mágico. É o que mostra pesquisa ainda inédita, reproduzida aqui, feita pelo Ibope por encomenda do grupo Ca-tólicas pelo Direito de Decidir: 95% dos católicos defendem a pesquisa de células-tronco embrionárias e 94% dos evangélicos pensam do mesmo modo. Belíssimo.

Aqui, vemos a velha tática de acusar os adversários daquilo que ele faz. Ele diz que a "belíssima" pesquisa demonstra que 95% dos Católicos é a favor da pesquisa com os embriões. Só que ele esconde muito capiciosamente, porque não é "mau e diabólico", é que as feministas abortistas demoníacas conhecidas por "Católicas pelo Direito de Decidir" são um grupo condenado pela Igreja, notável justamente por sua militância anti-Católica. Mas não é conveniente a André Petry lembrar isso, pois levaria o argumento dele de que os Católicos aprovam tal pesquisa por água abaixo. Também é necessário lembrar a ele que opiniões são irrelevantes quanto ao fato objetivo.

Como é próprio dos crentes mais inflexíveis, Fonteles sonha com um país laico ajoelhado diante de suas convicções religiosas. Mas, para o bem da ciência, do progresso e da vida, há que torcer para que o STF mantenha a Lei de Biossegurança em pé. Ou, para ficar na língua que o procurador entende, Deus queira que o STF seja iluminado nesta semana.

Esse tipo de papo com o qual ele encerra o artigo faz aflorar em mim meus instintos mais agressivos. É claramente uma chacota para desestabilizar o lado dos religiosos, como se eles fossem proibidos de ter opiniões baseadas em religião.

Toda noite, André Petry deve sonhar com a utopia da razão: aquela mesma utopia que tingiu Paris de vermelho, que inspirou os comunistas com o Estado Ateu e que trouxe mais mortes em 40 anos do que os quinhentos anos anteriores juntos.

Cada um com seu sonho...

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

V�tor Marcello Solis Rezende disse...

Caro Fernando,

Com grande objetividade, voc� discorreu sobre o colunista-abortista-anticrist�o Andr� Petry.

Qualquer leitor atento da "Veja" j� deve ter notado o anticatolicismo raivoso desse jornalista, que escreve semanalmente em um dos mais conhecidos ve�culos de comunica�o do Brasil.

Ele, como os iluministas franceses, mentores da sat�nica Revolu�o Francesa, se considera um indiv�duo superior, e somente � Raz�o, o deus deles, se deve prestar culto.

Contudo, se esquece que essa "divindade" foi a respons�vel direta pelas matan�as cru�is e em massa de centenas de milhares de inocentes durante a dita Revolu�o Francesa (promovida por anticlericais ma�ons). Foi essa revolu�o, cujos ideais se fundavam t�o-somente na raz�o, a inspiradora de todos os movimentos revolucion�rios que assolaram o mundo nos s�culos seguintes, em especial, os norteados pelo marxismo ateu que ceifou mais de 100 milh�es de vidas somente no s�culo 20.

Se mesmo diante desses fatos t�o evidentes, o Sr. Andr� Petry prefere continuar tripudiando a Santa Igreja Cat�lica e continuar exaltando os pseudos-progressos da ci�ncia pag� ou � porque � um desinformado total, ou � porque age na mais descarada m�-f�.

A sua obtusidade � tamanha a ponto de desprezar por completo as argumenta�es de cientistas de renome ou de um ousado e brilhante procurador da rep�blica t�o-somente porque os mesmos s�o cat�licos devotados, que sabem perfeitamente que a f� e a ci�ncia (ou raz�o), podem caminhar lado a lado, de m�os dadas.

Na verdade, a defesa obsessiva que ele faz do aborto e da manipula�o gen�tica de c�lulas-tronco embrion�rias nada tem de racional, mas de demon�aco. Pessoas como ele acusam a Igreja Cat�lica de obscurantista, e que proibir pesquisas com embri�es seria uma volta �s �trevas� da Idade M�dia.

Na verdade, obscurantistas s�o eles, os defensores do assassinato de seres humanos indefesos, que pretendem � um retorno ao paganismo de tempos imemoriais onde se sacrificavam crian�as.

Desconfio que o Sr. Andr� Petry seja adepto da seita Nova Era ou da ma�onaria. Quem sabe as duas coisas juntas. Com o tempo, esse inimigo da cristandade ser� devidamente desmascarado.


Viva Cristo Rei!