sábado, 8 de março de 2008

Lembo pergunta: Fim do celibato sacerdotal? Eu respondo: Não!

Saudações queridos leitores!

Cláudio Lembo acha que está com a bola toda! Mais uma vez ele tenta apitar na Igreja. Vamos ao segundo debate com ele.

Fim do celibato sacerdotal?

Alguns veículos da imprensa internacional concederam espaço nobre a posicionamentos do clero brasileiro. Querem os integrantes da hierarquia católica liberdade para contraírem matrimônio. Para aqueles que desconhecem a História da Igreja Católica no Brasil a notícia parece extravagante. Não é, contudo. O catolicismo brasileiro sempre se mostrou muito independente.

Não existe catolicismo independente. Existe dotrina mais próxima ou mais distante da Igreja. Quanto mais "independente", mais afastado da Igreja.

A primeira razão se encontra na concordata existente, na época do descobrimento, entre o Papado e o Rei de Portugal. Este documento conferia grande liberdade ao segmento católico no espaço português.

A par deste texto diplomático, a extensão do território brasileiro e a ausência de clérigos para responder pelos ofícios religiosos geraram uma comunidade leiga ativa, formada por rezadores, sacristãos, beatas e beatos.

Tais fatos não justificam a desobediência a Roma. Pessoas muito próximas geograficamente também são capazes dos maiores atos de desobediência, vide Lutero.

Se tanto não bastasse, por influência judaica, as irmandades - ordens terceiras - contratavam sacerdotes, mas se estes não agiam de acordo com a vontade da congregação, rompia-se o contrato. O sacerdote era liberado.

O sacerdote era liberado do trabalho pela Ordem, mas não de sua fidelidade para com a Igreja.

Estas situações deram identidade muito especial ao clero brasileiro. Ainda recentemente, quando a maioria dos sacerdotes latino-americanos apoiaram o militarismo, os padres brasileiros desafiaram os quartéis.

Nesta mesma época, a atividade política democrática encontrava-se limitada. Por meio das comunidades eclesiais de base, o povo se movimentou e reivindicou perante as autoridades.

Todo e qualquer regime totalitário deve ser condenado. Se os outros sacerdotes apoiaram os regimes militares, erraram e devem prestar contas sobre isso. Isso não é progressismo, mas sim obediência à Igreja. Como gostam de classificar, a obediência à Igreja é "conservadorismo", podemos dizer que os padres que se levantaram contra a ditadura tomaram uma atitude classificada de conservadora.

Um dos componentes significativos da redemocratização, no Brasil, constituiu-se na ação dos padres e dos leigos católicos. Estes permitiram o nascimento de traços de cidadania em uma sociedade acostumada à submissão.

Após a democratização, ocorrida nos anos 80, a Igreja Católica no Brasil parece haver recuado, de maneira parcial, de sua atuação social. Retornou à ação pastoral, sem, contudo, perder traços de originalidade.

A luta contra os regimes totalitários, quaisquer que sejam dever da Igreja. Os padres não estavam fazendo nada além do que lhes é exigido. Os sacerdotes continuam a fazer isso mundo afora, contra toda e qualquer ditadura. Se há algum padre que não faz isso, está se omitindo.

Os padres cantores atingem, com seus ritos alegres, milhões de fiéis. Cantam e dançam com a alegria do protocristianismo. Abandonam os rígidos cânones do Concílio de Trento.

Ao longo de quinhentos anos, os leigos proporcionaram festas populares repletas de figuras e simbolismo cristãos. As cavalhadas, procissões, reisados e rezas apresentam-se como antecedentes dos padres cantores.

Essa parte não tem absolutamente nada a ver com o assunto do texto. Empulhação pura.

Agora, afastada da militância social mais ativa, a Igreja Católica no Brasil retirou-se para a sua intimidade. Surgiram desta introspecção petições capazes de perturbar o sossego do Vaticano.

Querem os padres brasileiros democratização na escolha dos bispos. A indicação deve surgir das bases. Afasta do vértice romano a possibilidade de uma nomeação monocrática.

Lembo faz tempestade em um copo d'água. Os padres podem querer o que bem acharem. Podem até pedir para celebrar com um chapéu de frutas igual ao de Carmem Miranda. Isso é totalmente irrelevante para a Igreja.

Já é muito. Mas, pedem mais os sacerdotes brasileiros. Desejam a reinserção dos divorciados, após novo casamento, no seio da Igreja, permitindo-lhes participar da eucaristia.

Os padres não devem pedir a Comunhão de "recasados" para a Igreja, pois não foi ela que instituiu isso. Se têm alguma queixa a fazer com relação a isso, que falem com Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi quem instituiu isso.

Bastariam estas solicitações para levar a Cúria Romana a alarme. Pedem mais os padres brasileiros: o rompimento de tradição nascida no ano 300, no Sínodo de Elvira, hoje um subúrbio de Granada, na Espanha.

Neste Sínodo decidiram os bispos pela instituição do celibato eclesiástico. Antes inexistente e até hoje distante da Igreja oriental. O princípio mereceu reafirmação pelo Papa Gregório VII, no ano de 1074.

O celibato é uma norma da Igreja, nasceu em um determinado período da História e está em vigor para os Católicos de Rito Latino até hoje. Quem opta por ser sacerdote sabe muito bem disso.

Aqui, Cláudio Lembo distorce uma informação. O celibato sacerdotal não está distante dos Ritos Orientais, tanto é que somente um sacerdote celibatário pode se tornar Bispo nos Ritos Orientais.

Narram os historiadores o boicote do clero. Em Brescia, na Itália, ao proibir o matrimônio dos sacerdotes, espancaram o bispo. Os alemães, adeptos da hierarquia, tomaram idêntica atitude contra o bispo de Passau.

Irrelevante. Padres desobedientes. Não é porque os sacerdotes espancaram bispos que isso os torna certos. Os torna duplamente errados.

O tema não se encontra em contextualização bíblica. Apresenta-se como elemento da tradição católica. No caso, mais que milenar. Os sacerdotes brasileiros romperam muros seculares com a petição elaborada.

Que muros foram rompidos? Não houve nem sequer uma rachadura. Os padres desobedientes podem pedir o que quiserem. Se pedirem algo que vá contra a Igreja não serão atendidos. Tentar superdimensionar esse pedido como uma quebra de paradigma é vandalismo intelectual.

A confrontação entre os oponentes pode conduzir a situações extremas. Mutações, contudo, não devem ser esperadas. A Cúria Romana, particularmente no papado de Bento XVI, mostra ortodoxia.

A Ortodoxia não é de Bento XVI ou da Cúria, mas sim da Igreja.

No passado, quando se introduziu o celibato sacerdotal, as penas para os transgressores foram duras. As mulheres de sacerdotes consideradas concubinas.

E até hoje o são. Elas são mulheres que vivem relacionamentos ilegítimos com sacerdotes. Que nome se dá a quem vive uma união ilícita aos olhos da Igreja? Lembo pode usar o sinônimo ou o eufemismo que quiser, mas elas são concubinas.

Os filhos, gerados na vida em comunhão, requisitados como escravos para o bem da Igreja. Outros tempos, mas a lembrança das sanções permite aquilatar o grau da reação contemporânea à vontade do clero brasileiro.

Verdade? Eram tranformados em escravos? Cadê as provas? Tem que citar o fato e mostrar a fonte! Sem fonte a afirmação vale tanto quanto nota de três reais.

O clero brasileiro sempre se apresentou libertário, traço peculiar do catolicismo local. Conhece as contingências de um povo sofrido e repleto de paixão. Age de acordo com seu rebanho.

Simples antever a resposta da Congregação para o Clero. Uma sonora desconsideração de todos os pedidos. Ferem as tradições da Igreja européia. Não se coadunam com a tradição. Ponto e basta, como diria um italiano enfadado.

Ainda bem que a Igreja não é uma democracia, pois se fizessem a vontade da maioria em detrimento de Cristo, certamente no próximo Concílio os padres iriam com suas esposas, e no outro, iriam com seus maridos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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