domingo, 9 de março de 2008

Tomás de Torquemada

Saudações queridos leitores!

Muitos tremem ao ouvir o nome de Torquemada. Normalmente ele é associado com os abusos ocorridos durante a Santa Inquisição. Mas muito pouca gente tem um conhecimento da biografia de Torquemada minimamente sólido para emitir qualquer opinião.

Tormás nasceu no vilarejo de Torquemada, na Espanha e de acordo com os costumes da época, teve incorporado a seu nome a sua procedência. Frei Tomás de Torquemada foi um frade dominicano que levava uma modesta vida no mosteiro de Santa Cruz, em Segóvia. Com o passar do tempo foi adquirindo um prestígio cada vez maior, o que o levou a se tornar confessor de Fernando e Izabel, Reis da Espanha. Foi Inquisitor Geral da Espanha por cerca de 13 anos, até 1496, quando se retirou para o Convento de São Tomás de Aquino, em Ávila, onde morreu em 1498.

Henri Maisonneuve descreve Torquemada em seu livro "L'Inquisition" da seguinte maneira: "Torquemada é o símbolo de todos os temores inquisitoriais. O que devemos dispensar? Torquemada, alto e seco, fisionomia fechada, olhos negros e penetrantes, asceta muito austero, enérgico e duro para consigo próprio como para com os outros, apaixonado pelo triunfo da religião e pela grandeza da Espanha, faz da Inquisição o instrumento ao mesmo tempo do absolutismo religioso e do absolutismo real, praticamente confundidos. Muito inteligente, muito culto, teólogo, canonista, ele se interessa pela literatura e pelas belas-artes, mas parece desprovido de todo calor humano. Recomenda todavia em suas cartas a justiça e a misericórdia, mesmo a piedade." Mas o escritor faz uma ressalva: "Entre a inclinação da Santa Sé à indulgência e a inclinação dos reis Católicos à severidade, ele não hesita."

Tendo em vista seu perfil, todo o temor que ronda a figura de Torquemada não se deve à sua crueldade, mas sim ao fato de ele ter sido quem elaborou o modelo mais conhecido da Inquisição Espanhola e a sua eficiência como Inquisitor.

Os críticos da Igreja necessitavam de um modelo de prepotência e Torquemada foi o escolhido, tendo sua imagem denegrida com enorme exagero. As instruções que Torquemada deixou para orientar a atuação inquisitorial são claras e precisas e nelas é possível ver suas preocupações com a moderação e a justiça nos processos. Torquemada também escreveu muitas cartas, que ficaram ocultas por vários anos, onde ele revela um espírito enérgico, mas também caritativo.

Ele sempre trabalhou pela execução honesta das atividades inquisitoriais e reprimindo eventuais abusos. Foi o responsável por ampliar a competência dos tribunais inquisitoriais, permitindo-lhes que se ocupassem além dos hereges, de delitos graves cometidos, como padres que se amancebavam, seduziam mulheres e as incitavam a não confessar seus pecados, carcereiros que violentavam as prisioneiras, falsos santos e falsos místicos. Graças a seus cuidados e a seu zêlo, os presídios eclesiásticos, dos quais já falei aqui no começo do blog, receberam grandes melhoramentos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

3 comentários:

R. B. Canônico disse...

Excelente postagem!

Torquemada deve ser mais odiado por aí do que o Demônio, graças a essa distorção causada pela ignorância.

Espero que muitas pessoas leiam esses esclarecimentos - pois, buque no google por "torquemada" e veja o que é divulgado!

Grande abraço!

Anônimo disse...

Eu gostaria de encontrar caridade em inquisidores.
Não entendo também como sermos chamados de humanos, defendendo uma causa como essa (equivoco).

E realmente tenho certeza que ele não foi um demônio como dizem, mas contribuiu bastante para evitar nossa evolução moral e intelectual (os grandes pensadores foram queimados como hereges).

Abraço e fique com Deus

Anônimo disse...

Fantástico, esqueceu de dizer o principal, além de culto, inteligente, austero, zeloso, Tomas também foi responsével pela morte de centenas nas fogueiras da inquisição, algo de conhecimento geral de diversos historiadores, que em essência, não tem razão para denegrir a Igreja, mas somente revelar as verdades da história.
Além de escrever, com ajuda de jurisas, as regras para os inquisitores e para a condução de inquéritos do Santo Ofício, ele julgou e condenou centenas à fogueira.
Triste que a pretexto de defender sua Igreja, alguns, ainda hoje, CONTINUEM a lançar TREVAS sobre a verdade.