quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Protestos fazem papa cancelar palestra em universidade

Saudações queridos leitores!

Saudemos o incrível, tolerante e plural mundo laico. Fiquem com notícia do Estadão (fonte aqui). Volto depois.

Protestos fazem papa cancelar palestra em universidade

Os descontentes citavam um discurso proferido há quase duas décadas na universidade pelo então cardeal

PHIL STEWART - REUTERS

Reuters

ROMA - O papa Bento XVI cancelou, na terça-feira, um discurso que faria na mais prestigiosa universidade romana, a La Sapienza, depois de protestos de alunos e professores. É a primeira vez, em seu pontificado, que Joseph Ratzinger se vê forçado a cancelar um evento, pressionado por manifestações negativas.

O protesto começou com um abaixo-assinado de 67 professores que disseram que o papa, de origem alemã, não era bem-vindo por ser um teólogo retrógrado, que coloca a religião acima da ciência.

"Lamento profundamente a decisão do papa Bento XVI", disse o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, após o anúncio do Vaticano. Prodi pediu que ele reconsidere. "Nenhuma voz deve ser silenciada em nosso país, e ainda mais quando se trata do papa."

Os descontentes citavam um discurso proferido há quase duas décadas na universidade pelo então cardeal Ratzinger, em que ele aparentava justificar a condenação de Galileu, ocorrida no século 17. O cientista italiano foi considerado herege por defender que a Terra gira em torno do Sol.

Seguidores do papa disseram que ele estava apenas citando a opinião de um teólogo austríaco, mas sem concordar com o julgamento de Galileu.

A polêmica reavivou as discussões na Itália sobre o papel do catolicismo na vida do país. "Acho que a visita do papa não é uma coisa boa porque a ciência não precisa de religião. A universidade está aberta a toda forma de pensamento, mas a religião não está", disse o professor Andrea Sterbini, um dos signatários do protesto.

"O papa está fazendo a La Sapienza de refém. Liberdade aos pensadores", diz um cartaz deixado por estudantes.

Já aliados insuspeitos saíram em defesa do papa. O Nobel de Literatura Dario Fó, crítico contumaz da Igreja, defendeu o direito do papa à expressão.

"Sou contra qualquer forma de censura, porque o direito de expressão é sagrado", disse o escritor ao jornal La Repubblica.

Prodi e outros políticos se queixaram do clima de intolerância na Itália, mas os adversários do primeiro-ministro disseram que o governo deveria ter se empenhado mais pelo discurso.

"É uma dolorosa surpresa que fere e humilha o Estado, que não pôde garantir a liberdade de expressão", disse o ex-premiê Silvio Berlusconi.

A La Sapienza foi fundada há 705 anos por um papa, e o chanceler que convidou Bento XVI disse que o incidente serve para levar "crentes e não-crentes" a refletir.

Em 2006, o papa já havia atraído protestos por causa de uma citação em um discurso. Na ocasião, falando numa universidade alemã, ele citou um imperador bizantino do século 14, segundo o qual o islã é uma religião que se baseia na violência.

O discurso provocou violentos protestos no mundo islâmico, e o papa posteriormente pediu desculpas pelo que disse ser um mal-entendido.

Voltei. Se fosse o Dalai Lama, garanto que ele seria recebido com festa. Apesar dos costumeiros desvios jornalísticos da Reuters, aos quais já estou acostumado, podemos ver como a tal liberdade pregada pelo laicismo não passa de pura balela.

Vejam o que disse um professor: "Acho que a visita do papa não é uma coisa boa porque a ciência não precisa de religião. A universidade está aberta a toda forma de pensamento, mas a religião não está", só faltou dizer que a exceção deve ser aberta ao pensamento Católico. não é mesmo? A hostilidade dos professores e alunos mostra qual é realmente o lado retrógrado e fechado ao diálogo.

São uns fanfarrões. Dizem-se intelectuais, pensadores, mas fazem uma bagunça danada por causa de uma citação do Papa enquanto cardeal feita a 18 anos!! Realmente, o único preconceito tolerado na nossa sociedade é aquele praticado contra a Igreja!

Que vergonha, La Sapienza! Que de Sapienza, pelo jeito, resta pouco...

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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