sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Pregador do Papa: Jesus não condena a riqueza, mas seu uso iníquo

Saudações queridos leitores!

Mais uma lição para os comunistas de batina, por Frei Raniero Cantalamessa, de ZENIT.

Pregador do Papa: Jesus não condena a riqueza, mas seu uso iníquo


Comentário do padre Cantalamessa à liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 2 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do padre Raniero Cantalamessa, ofmcap. – pregador da Casa Pontifícia – à liturgia do próximo domingo, XXXI do tempo comum.

XXXI Domingo do tempo comum [C]
Sabedoria 11, 23 12, 2; 2 Tessalonicenses 1, 11 2, 2; Lucas 19, 1 10

Zaqueu, desce logo

O Evangelho nos apresenta a encantadora história de Zaqueu. Jesus chegou a Jericó. Não é a primeira vez que vai, e nesta ocasião, ao aproximar-se, também curou a um cego (v. Lc 18, 35 ss). Isto explica por que há tanta multidão esperando-o. Zaqueu, «chefe de publicanos e rico», para vê-lo melhor, sobe em uma árvore no caminho que as pessoas seguem (logo na entrada de Jericó há ainda um velho sicômoro que seria o de Zaqueu!). «Quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos lhe disse: “Zaqueu, desce logo; porque convém que hoje eu fique em sua casa”. Apressou-se a descer e lhe recebeu com alegria. Ao vê-lo, todos murmuravam dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um homem pecador”».

O episódio serve para evidenciar, uma vez mais, a atenção de Jesus pelos humildes, os rejeitados e desprezados. Seus concidadãos desprezavam a Zaqueu porque praticava injustiças com o dinheiro e com o poder, e possivelmente também porque era pequeno de estatura; para eles, Zaqueu não é mais que «um pecador». Jesus ao contrário vai encontrar-lhe em sua casa; deixa à multidão de admiradores que lhe recebeu em Jericó e vai para casa só de Zaqueu. Faz como o bom pastor, que deixa as noventa e nove ovelhas para buscar a que completa a centena, a que se perdeu.

Também a atuação e as palavras de Zaqueu contêm um ensinamento. Estão relacionadas com a atitude para com a riqueza e para com os pobres. Deste ponto de vista, o episódio de Zaqueu deve ser lido com o fundo das duas passagens que lhe precedem, a do rico e a do jovem rico. O rico negava ao pobre até as migalhas que caiam de sua mesa; Zaqueu dá a metade de seus bens aos pobres; se usa de seus bens só para si e para seus amigos ricos que lhe podem corresponder; outro usa seus bens também para os demais, para os pobres. A atenção, como se vê, está no uso que deve-se fazer das riquezas. As riquezas são iníquas quando se equiparam, subtraindo-as aos mais frágeis e empregando-as para o próprio luxo desenfreado; deixando de ser iníquas quando são fruto do próprio trabalho e se põem a serviço dos demais e da comunidade.

Confrontar o episódio do jovem rico é igualmente instrutivo. Ao jovem rico Jesus diz que venda tudo o que tem e dê aos pobres (Lc 18, 22); com Zaqueu, se contenta com sua promessa de dar aos pobres a metade de seus bens. Zaqueu, em outras palavras, continua sendo rico. A tarefa que realiza (é chefe de aduaneiros da cidade de Jericó, que tem o monopólio de alguns produtos naquele tempo muito solicitados, até no Egito por Cleópatra) lhe permite seguir sendo rico inclusive depois de ter renunciado à metade de seus pertences.

Isto retifica uma falsa impressão que se pode ter de outras passagens do Evangelho. Não é a riqueza em si o que Jesus condena sem apelação, mas o uso iníquo dela. Existe salvação também para o rico! Zaqueu é a prova disto. Deus pode fazer o milagre de converter e salvar a um rico sem, necessariamente, reduzi-lo ao estado de pobreza. Uma esperança, esta, que Jesus não negou jamais e que inclusive alimentou, não desdenhando freqüentar, Ele, o pobre, também a casa de alguns ricos e chefes militares.

Certo: Ele jamais encontrou os ricos nem buscou seu favor suavizando, quando estava em sua companhia, as exigências de seu Evangelho. Completamente ao contrário! Zaqueu, antes de ouvir o que lhe foi dito: «Hoje chegou a salvação a esta casa», teve que tomar uma valente decisão: dar aos pobres a metade de seu dinheiro e dos bens acumulados, reparar as fraudes cometidas em seu trabalho restituindo o quádruplo. O caso de Zaqueu se apresenta, assim, como o reflexo da conversão evangélica que é sempre e por sua vez conversão a Deus e aos irmãos.

[Traduzido por Zenit]

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Dor do Papa pelo falecimento do sacerdote apóstolo das prostitutas

Saudações queridos leitores!

Nesse dia de finados, rezemos pelo Padre Oreste Benzi, um verdadeiro anjo para os mais humildes. Ele viveu o chamado Evangélico da ajuda ao pobre de maneira plena e deve ser visto como um exemplo para muitos sacerdotes pelo mundo afora que se comportam mais como militantes ideológicos de batina. Fiquem com notícia de ZENIT.

Dor do Papa pelo falecimento do sacerdote apóstolo das prostitutas


O padre Oreste Benzi, 82 anos, com uma vida entregue aos marginalizados

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 2 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI expressou em uma mensagem sua dor pelo falecimento do padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade João XXIII, mundialmente conhecido por seu trabalho de ajuda a pessoas a sair das redes de prostituição e da droga.

Segundo informou a secretaria geral da Comunidade, o sacerdote faleceu às duas da manhã desta sexta-feira, aos 82 anos, por causa de um infarto, em sua casa da cidade italiana de Rímini.
Em uma mensagem de pêsames, enviada através do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, o Papa qualifica ao padre Benzi de «humilde e pobre sacerdote de Cristo».

O bispo de Roma recorda «sua intensa vida pastoral como pároco» em Rímini, e «como incansável apóstolo da caridade a favor dos últimos e dos indefesos, carregando muitos dos graves problemas sociais que afligem ao mundo contemporâneo».

A carta do Papa conclui garantindo suas orações para que o falecimento do sacerdote seja motivo de esperança cristã para «toda sua família espiritual».

Em 1968, Benzi fundou a Comunidade Papa João XXIII, uma associação internacional privada de fieis de Direito pontifício que se dedica de maneira especial à atenção material e espiritual do mundo da marginalização na Itália, Zâmbia, Tanzânia, Quênia, Serra Leoa, Brasil, Chile, Bolívia, México, Venezuela, Bangladesh, China, Índia, Croácia, Kosovo, Albânia, Rússia, Romênia e Austrália.

Pe. Benzi apresentou a João Paulo II, em várias ocasiões, algumas das meninas que sua comunidade havia conseguido livrar da prostituição. Em 15 de maio de 2002 participou em uma audiência oferecida pelo falecido pontífice acompanhado por centenas delas.

A ação da Comunidade João XXIII no vasto mundo da marginalização deu origem a numerosas casas de família, onde pessoas ou casais são por um período de tempo limitado ou de forma definitiva, pais e mães, irmãos e irmãs de pessoas com deficiências, menores em dificuldade e viciados, alcoólatras, pessoas com problemas psíquicos.

Neste contexto, a associação criou comunidades terapêuticas para a recuperação de viciados, casas de oração, centros para meninos da rua, cooperativas sociais que promovem atividades educativas ou outras atividades que integram a pessoas com incapacidades.

Outras das atividades da comunidade são casas para moças libertas da escravidão da prostituição e casas de fraternidade e de primeira acolhida.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Federação de Religiosos da Espanha engrossa o coro contra a EpC

Saudações queridos leitores!

Mais uma entidade espanhola protesta contra a medida do Governo socialista que visa doutrinar as crianças na escola. Fiquem com notícia da ACI. Volto quando puder, pois o serviço está exigindo demais hoje.

Religiosos do ensino assinam manifesto contra Educação para a Cidadania


MADRI, 30 Out. 07 / 12:00 am (ACI).- A Federação dos Religiosos do Ensino (FERE) de Alicante, junto com outros coletivos e instituições familiares e escolar, assinou o manifesto "Objeção de consciência: uma alternativa responsável a Educação para a Cidadania" que foi apresentado recentemente nesta cidade valenciana.

Em um ato que foi qualificado pela imprensa de "rebelião interna" em relação à federação estatal, os religiosos do ensino alicantinos expressaram através do manifesto seu "firme rechaço à implantação da disciplina", somando-se pela primeira vez ao maciço movimento de objeção de consciência contra EpC.

Frente ao "verdadeiro programa ideológico" que constitui a disciplina, o texto recorda que "o direito e a obrigação primária de educar os filhos de acordo às próprias convicções morais e religiosas corresponde aos pais e de um modo subsidiário a escola" e que "em nenhum caso o Estado pode assumir este papel".

Deste modo assegura que "a negativa a aceitar esta matéria supõe uma verdadeira preocupação pela educação das pessoas, além disso cidadãos" e critica que EpC seja "leito de manipulação ideológica do governo que quer constituir-se em formador moral de meninos e jovens segundo sua visão particular da pessoa e do mundo".

Ante esta situação, o manifesto expressa que "cabe acolher-se" a uma "objeção em liberdade que não deveria ter nenhuma conseqüência negativa, nem para pais, nem para alunos nem para os próprios docentes forçados a repartir contidos que violentam suas consciências".

Os autores do manifesto fazem um chamado a que "a Escola Católica, da definição de seu caráter próprio, rechace com valentia as ingerências ideológicas que lhes impõem em seus princípios educativos" e pede aos educadores cristãos "jogar um importante papel em altares de reforçar esta linha de respeito e liberdade ideológica".

O manifesto também leva a assinatura da Confederação Nacional Católica de Associações de Pais de Alunos (CONCAPA), o Foro Espanhol da Família (FEF), Profissionais pela Ética (PPE) e a Fundação Universitária CEU.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A. A. V. R. (sempre é bom relembrar)

Saudações queridos leitores!

Fica a dica de leitura do artigo do Olavo de Carvalho, publicado originalmente no Jornal Zero Hora, na edição de 19 de março de 1006. Conheça mais de Olavo de Carvalho em seu website.

A. A. V. R.

Tenho sugerido, para eliminar a polêmica em torno do aborto e satisfazer os instintos humanitários dos adeptos dessa prática, uma solução fácil e rápida que denomino Auto-Aborto Voluntário Retroativo (A. A. V. R.). Inspira-se no exemplo de um francês, deficiente físico, que processou seus pais por não o haverem abortado. Processou e ganhou. Ora, se um erro pode ser punido, com muito mais razão deve poder ser corrigido. Cada amante do aborto, portanto, pode alcançar a plena satisfação de suas reivindicações esmagando o próprio crânio a fórceps ou por meio de qualquer outro instrumento obstétrico apropriado e solicitando, antes ou depois desse ato cirúrgico, a anulação do seu registro civil de nascimento. Consumada a sua total erradicação do mundo físico e histórico, o distinto ainda teria a satisfação de poder ingressar na esfera do além portando um curriculum mortis idêntico àquele de milhões de bebês que, antes dele, exerceram o direito inalienável de ser abortados.

Observo, de passagem, que, se a apologia do abortismo é feita em nome da liberdade da mulher dispor do seu próprio corpo, a sentença acima referida mostrou que para os próprios abortistas essa liberdade não existe de maneira alguma, já que negam a cada mãe o direito dar prosseguimento a uma gravidez que seu filhinho, no futuro, possa vir a julgar indesejável. O A. A. V. R. protegerá os abortistas contra esse tipo de encrencas lógicas modelo exterminador-do-futuro, retirando-os deste baixo mundo antes que alguém se dê conta de que são completamente loucos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

498 Mártires Espanhóis beatificados!

Saudações queridos leitores!

498 Mártires Espanhóis foram beatificados no Vaticano no último fim de semana. Foi a maior cerimônia de beatificação da história. Todos foram vítimas das milícias esquerdistas durante o regime de Franco. Os socialistas espanhóis torceram o nariz, fizeram alarde e reprovaram a iniciativa, pois eles monopolizam as vítimas apenas para seu lado. Fiquem com notícia da ACI meio atrasada por minha parte.

Mártires espanhóis entregaram a vida por amor a Cristo, diz Cardeal Bertone

.- Durante a multitudinária Missa de Ação de Graças pela beatificação de 498 mártires espanhóis celebrada nesta segunda-feira, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, assinalou que os mártires morreram por amor a Cristo e não por razões políticas.

"Os mártires não foram propostos ao povo de Deus por sua implicação política, nem por lutar contra ninguém, mas sim por oferecer sua vidas como testemunho de amor a Cristo e com a plena consciência de sentirem-se membros da Igreja", explicou o Cardeal Bertone.

"Sua morte �continuou� constitui para todos um importante incentivo que nos estimula a superar divisões, a revitalizar nosso compromisso eclesiástico e social, procurando sempre o bem comum, a concórdia e a paz".

O Secretário de Estado explicou em seguida o conceito católico do martírio: "ao unir seu sangue ao de Cristo sacrificado na cruz, a imolação do mártir se transforma em oferenda ante o trono de Deus, implorando clemência e misericórdia para seus perseguidores".

"Todo martírio acontece certamente em circunstâncias históricas, mas em meio desse drama, o mártir sabe transcender o momento histórico concreto e contempla seus semelhantes desde o coração de Deus".

"Deus queira que esta beatificação suscite na Espanha um forte chamado a reavivar a fé cristã e intensificar a comunhão eclesial e sirva também para que surjam numerosas e santas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada", concluiu o Cardeal Bertone.

A Missa, celebrada na Basílica de São Pedro com a participação de milhares de peregrinos espanhóis, deu início nesta segunda-feira com as palavras de bem-vinda do Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha, Cardeal Antonio Cañizares, quem destacou que os mártires "constituem um chamado premente à unidade, à paz, ao reconhecimento e respeito a cada ser humano, ao diálogo, à mão tendida, ao perdão e à reconciliação entre todos".

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Em Defesa do Celibato

Saudações queridos leitores!

Hoje trago um texto sobre o celibato, tema que está em evidência no atual momento e que é fruto de ataques de todos os lados. Fiquem com o excelente texto de Rodolfo Barreto Canônico.

Em Defesa do Celibato


De alguns anos para cá tem sido desenvolvida uma poderosa campanha, por parte da mídia e de grupos (pseudo) católicos, contra o celibato, especialmente o sacerdotal. É fato que tais ataques coincidem com a crise que assola a Igreja desde meados da década de 1960 e com a chamada “revolução sexual” – que veio como efeito colateral ao surgimento de métodos anticoncepcionais altamente eficazes. Houve, nesse período, forte mudança na mentalidade ocidental, que vinha se caracterizando, desde o final do século XVIII – especialmente – por uma constante secularização de seus costumes. Porém, na segunda metade do século XX, esse fenômeno intensificou-se muito, com boa parte da sociedade ignorando cada vez mais os princípios de uma via cristã reta.

O celibato é um dos grandes presentes que Deus concede à Igreja. O próprio Deus feito homem – e perfeito homem -, Jesus Cristo, assumiu a condição de celibatário. Não só Ele, como também a mais perfeita das criaturas – a Santíssima Sempre Virgem Maria – e também seu castíssimo esposo, São José. Todos eles, celibatários. Os apóstolos, também, celibatários. Mesmo São Pedro, que possuía uma sogra – e, por extensão e obviamente, uma esposa – abandonou tudo para seguir a Jesus. E “tudo” pressupõe uma entrega, de fato, total, pois São Paulo explicita que o homem casado deve dividir suas atenções entre Deus e a família, e o fato de São Pedro ter deixado tudo para trás indica total dedicação ao apostolado.

A grande tradição espiritual da Igreja ainda sustenta que o perfeito modelo de homem a ser seguido é, evidentemente, o de Nosso Senhor, o que deixa claríssimo que a pessoa que esteja disposta a buscar um estado de “maior perfeição”, por assim dizer, deve buscar o celibato. O celibatário imita, com maior perfeição, à Nosso Senhor.

Além disso, conforme bem nos indica São Paulo, o celibatário pode dedicar-se integralmente suas atenções ao apostolado, enquanto o casado deve santificar-se tanto no apostolado, como na vida em família, ou seja, dividindo atenções. Principalmente no caso dos sacerdotes, a dedicação total aos trabalhos apostólicos é fundamental. Já nos ensina o Mestre: “a messe é grande e pouco são os operários”. De fato, Cristo, com essa afirmação, acaba anunciando que o número de fiéis será sempre grande, e que o número de pessoas dispostas a servi-Lo com seriedade seria pequeno. Ocorre que, da década de 1960 para cá, o número de vocações caiu assustadoramente. Inclusive, um número impressionante de sacerdotes pediu dispensa de suas funções, nesse período. Esse é o mote de que muitos (pseudo) católicos precisavam: a solução para tal crise seria, portanto, acabar com o celibato obrigatório. Com isso haveria aumento no número de vocações. Nada mais falso.

O núcleo deste argumento é que o celibato não é um dogma, antes uma disciplina da Igreja que, assim como foi instituída em um determinado período, pode ser revogada a qualquer momento. A questão não é tão simples assim. O celibato tornou-se disciplina obrigatória para os sacerdotes, na Igreja Latina, a partir do século XI. Isso não significa que, antes disso, havia enor

No Ocidente foi notável o número de sacerdotes que, livremente, decidiam-se a ser celibatários, tanto para buscar melhor imitação de Cristo, como para dedicar-se com mais afinco às atividades sacerdotais. Os próprios bizantinos, antes do cisma de 1054, achavam estranho essa postura dos sacerdotes ocidentais em manter-se, em sua ampla maioria, celibatários. Além disso, vários concílios regionais já haviam optado pelo celibato obrigatório aos sacerdotes, vendo os grandes benefícios que esta condição trazia.

Passado um milênio, não é assim tão simples alterar uma norma como essa. A própria implantação dessa norma foi em um contexto no qual o celibato já era a “regra” para os sacerdotes, e não a “exceção”. Está fortemente arraigada, na mentalidade ocidental, a noção de sacerdócio associado ao celibato. E essa é uma regra que trouxe impressionantes frutos para a Igreja, ao longo dos séculos, especialmente pensando as audazes missões, como a dos jesuítas, por exemplo, que seriam completamente impossibilitadas para uma pessoa com família.

Porém, os argumentos desses grupos não acabam por aí. Com muita audácia, sustentam que, com o fim do celibato obrigatório, haveria um aumento considerável no número de vocações, resolvendo assim o problema da escassez de sacerdotes. A falta de fé, contida nesse argumento, é impressionante. Como mencionado anteriormente, o próprio Cristo avisou que haveria poucos operários para a messe, e ordenou (sim, no imperativo): “Rogai, pois, ao Senhor da messe, para que envie mais operários”. Parece que para algumas pessoas é muito difícil a oração, e preferem revoltar-se contra as disposições da Igreja a seguir as recomendações do Senhor. Além disso, como a própria etimologia da palavra indica, a “vocação” é algo dado por Deus, um chamado. Ora, como assegurar, então, que, cessando a norma do celibato, aumentaria – certamente – o número de sacerdotes? Como essas pessoas sabem que Deus suscitaria mais vocações nesse caso?

Acaso é possível fazer uma análise estatística e probabilística sobre a ação de Deus na vida das pessoas?

Alguns acabam esquecendo que a Igreja possui as chaves do céu e da terra, e que tudo que for ligado/desligado na terra será ligado/desligado no céu. Ora, a Igreja sabiamente “desligou” a possibilidade (ao menos na Igreja Latina, no Ocidente) de pessoas casadas tornarem-se sacerdotes. Logo, Deus – em conformidade com a promessa feita por Jesus – também “desliga” essa possibilidade: pessoas casadas definitivamente não possuem vocação sacerdotal. Evidente que para pessoas com um resquício mínimo de fé, como esses (pseudo) católicos, fica difícil aceitar esse argumento. Por outro lado, uma pessoa com verdadeira confiança em Deus sabe que a Divina Providência guia indiretamente a Igreja e que Cristo, verdadeira cabeça da Igreja, faz Sua Vontade prevalecer.

Também é importante lembrar que há várias igrejas orientais, em perfeita comunhão com Roma, nas quais o celibato não é regra e há, portanto, sacerdotes casados. Um exemplo dessas é a Igreja Maronita. No último Sínodo dos Bispos, realizado em 2005 por ocasião do encerramento do Ano da Eucaristia, a questão do celibato foi tratada por nossos amados pastores. Dentre esses bispos, participou o Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, Patriarca da Antioquia dos Maronitas (Líbano). Ele explicou que o celibato não é solução para a falta de clero, explicando que: "a metade de nossos sacerdotes diocesanos estão casados. Mas terá que reconhecer que se o matrimônio dos sacerdotes resolve um problema, também cria outros graves". Ele argumenta que "um sacerdote casado tem o dever de ocupar-se de sua esposa e de seus filhos, de lhes assegurar uma boa educação, de lhes garantir o futuro". "Outra dificuldade para um sacerdote casado pode ser a de não entender-se com seus paroquianos. Apesar disso, seu bispo não pode transferi-lo devido à impossibilidade de que sua família se desloque com ele".

E conclui: "o celibato é a jóia mais preciosa do tesouro da Igreja Católica". Na Igreja Maronita também há escassez de sacerdotes, mesmo não havendo celibato obrigatório.

Então, qual seria a explicação para a escassez de vocações? Ora, a crise no clero está associada a uma crise mais ampla, da sociedade como um todo. Não há apenas falta de sacerdotes, mas carência de matrimônios cristãos, onde o casal esteja aberto a receber os filhos que Deus queira enviar, com muita generosidade, educando os filhos num ambiente verdadeiramente cristão. Aliás, se a maioria das famílias se preocupassem de fato a dar uma educação cristã digna à seus filhos, certamente haveria muito mais vocações sacerdotais e religiosas. Tanto que em grupos católicos onde a fé é vivida com mais seriedade, como na RCC, Regnum Christi, dentre outros movimentos, há enorme abundância de vocações. Logo vê-se que o problema não é a falta de vocações, mas sim a falta de fé.

Impressionante ainda é o fato de que muitas pessoas, mesmo não católicas, optam pelo celibato. Eu mesmo conheço uma pessoa assim, que optou, em boa parte de sua vida (até hoje, aliás), a não formar uma família, pois deveria cuidar dos pais gravemente doentes. Há, ainda, muitos leigos, atualmente, que praticam o celibato apostólico – não religioso. Essa escolha é feita por amor à Cristo, para dedicar sua vida exclusivamente ao apostolado, além de manter as atividades normais de um leigo, notadamente um trabalho profissional.

Mais curioso, porém, é o argumento sobre a dificuldade de manter-se celibatário. As pessoas olham com pena a um celibatário, pensando: “coitadinho, não vai ter família”. Ou – pior ainda – “nunca vai manter uma relação sexual”. Esquecem que Cristo prometeu que daria cem vezes mais àqueles que entregaram tudo – e isso inclui a família, eventualmente – por amor a Ele. E que a vocação, seja ela ao celibato ou ao matrimônio, é um presente maravilhoso de Deus que deve ser acolhido com muita alegria. Pior ainda é aqueles que defendem que, caso os padres fossem casados, haveria a diminuição dos problemas de homossexualidade no clero, e de pedofilia, afinal é “muito difícil” manter o celibato. Ora, se por um lado o celibatário abre mão de todas as mulheres do mundo, por outro lado a pessoa casada abre mão de todas, menos uma – que é a sua esposa. A diferença é apenas de uma pessoa, afinal também não é nada fácil para um marido manter-se fiel à sua esposa, especialmente sabendo que Cristo assegurou-nos que aquele que apenas deseja uma mulher com o olhar já cometeu adultério no coração. É muito difícil viver essa pura intenção na prática, e por acaso alguém aí defende a poligamia para os cristãos? Ou a infidelidade conjugal? Afinal, Deus concede graças especiais para as pessoas viverem santamente em seu estado, seja o celibato, seja o matrimônio, e portanto as falhas provêm de nossas misérias e fraquezas, e não pela impossibilidade de manter-se casto no celibato ou no matrimônio.

O mais importante disso tudo é que, em todas as circunstâncias, o celibato é um ato extremo de amor. Em alguns casos, amor dos filhos em relação aos pais gravemente doentes, e que precisam de cuidados especiais; no caso de muitos cristãos, um profundo amor a Deus. Amor tão grande que possibilita a própria negação de si mesmo, afinal, Cristo exige grandes renúncias para segui-Lo: a uns pede mais – o celibato, ou seja, a própria vida – e a outros pede um pouco menos. E essa entrega não encerra em si tristeza, muito pelo contrário, é fonte de grande alegria, pois cumprir a vontade de Deus em nossas vidas é sempre a maior felicidade que podemos alcançar. O que não podemos permitir, como cristãos, é que o maravilhoso dom do celibato seja atacado covardemente por pessoas que, infelizmente, não conseguem compreender a grandeza de amor que este encerra em si.

Rodolfo Barreto Canônico é estudante universitário da UEL.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Reações contra a EpC na Espanha

Saudações queridos leitores!

A Igreja Espanhola mostra mais uma vez seu descontentamento e preocupação com o projeto socialista da chamada "Educação para a Cidadania", que visa expulsar Deus da Espanha. Fiquem com notícia da ACI. Volto depois.

EpC é "imprópria de um governo democrático", assegura Bispo espanhol

Orihuela-Alicante, Dom Rafael Palmero, assegurou que a polêmica disciplina de Educação para a Cidadania (EpC) na Comunidade Valenciana é "claramente inaceitável" e é "imprópria de um governo democrático".

Assim o assinalou ontem o Prelado durante a inauguração da primeira das jornadas sobre educação que realiza o Bispado e que contou com a participação de mais de meio milhar de pais e professores.

"Não vamos contra ninguém, mas nos preocupa um tema tão polêmico e delicado, de fundo alcance educativo", assinalou o Bispo ao referir-se à imposição do EpC na Espanha.

Coincidindo com o expresso pelos expositores convidados à jornada como o Presidente do Foro da Família (FEF), Benigno Blanco, e o dos Profissionais pela Ética (PPE), Jaime Urcelay, Dom Palmero reclamou um "clima de liberdade no ensino" e afirmou que a nova disciplina é "inaceitável na forma e no fundo".

Na forma, explicou o Prelado, porque "impõe legalmente uma antropologia que só alguns compartilham", e no fundo por "seus conteúdos prejudiciais para o desenvolvimento integral da pessoa, já que impõe normas de comportamento e avalia uma determinada formação da consciência".

Dom Palmero acrescentou que a consciência "forma parte do âmbito interior do ser humano" e, por isso mesmo, "deve ser iluminada por uma lei mais elevada" e nunca contra o critério dos pais "em seu direito à educação que recebem seus filhos".

Voltei. Dom Rafael Palmero tocou em um ponto importantíssimo dessa doutrina. Ela visa tirar dos pais a responsabilidade pela educação dos filhos e passar tal tarefa para o Estado, que educaria as crianças segundo a ideologia que bem entendesse. É uma clara invasão em questões de foro íntimo e uma usurpação do poder dos pais, garantido pela estrutura familiar.

Esse tipo de intervenção só está sendo possível porque a instituição familiar já vem sendo duramente atacada na Espanha a um bom tempo. Já não é de hoje que o governo socialista tem se metido em questões relativas à estrutura familiar com o intuito de enfraquecer a estrutura tradicional. Dois dos exemplos são a alteração nas certidões de nascimento, que ao invés de trazer os termos "Pai" e "Mãe", terá escrito "Progenitor A" e "Progenitor B" (informações aqui) e o reconhecimento da união de pessoas do mesmo sexo.

Só Deus sabe o que ainda está por vir.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Padre Júlio Lancelotti - Os muitos lados de uma história

Saudações queridos leitores.

Demorei um pouco para voltar a esse tema e por isso o texto ficou grande, já que trato de todos os fatos publicados até agora. Padre Júlio Lancelotti está se enrolando cada vez mais. Para quem não acompanhou o caso, podem ter uma idéia com esse resumo:

Um ex-interno da Febem que foi abrigado em uma casa mantida pelo projeto do Padre Júlio foi acusado de extorsão. Inicialmente a polícia trabalhava com o valor de 30 mil reais extorquidos por Anderson Marcos Batista. Alguns dias depois, essa quantia foi elevada para 50 mil, segundo o próprio Padre Júlio. O trunfo que Anderson dizia ter era uma suposta acusação de pedofilia cometida pelo Padre.

A polícia prendeu então o faxineiro Everson dos Santos Guimarães, que disse à Folha, no CDP (Centro de Detenção Provisória) 1 do Belém (zona leste de SP), que "nunca viu nenhuma ação que indicasse" que o religioso praticou corrupção de menores ou pedofilia, como a polícia diz investigar agora. Guimarães afirmou que, entre junho e setembro (quando foi preso), e a mando de Batista, buscou ao menos cinco vezes envelopes com grandes quantias de dinheiro nos locais em que o ex-interno da Febem pedia para ele encontrar o religioso. "Era sempre muito dinheiro. Dava para perceber por causa do volume. Teve vezes em que ele dava R$ 15 mil, R$ 30 mil. A única vez que veio menos dinheiro foi a última, quando fui preso, e tinha R$ 2.000". Guimarães disse que o padre ia atrás de Batista "quase que todos os dias" e que, quando o religioso não o localizava, "ficava nervoso" "Quando ele [Lancelotti] não ia lá na pensão, ele ligava para saber dele [Batista]. Ele vivia atrás do Anderson."

Padre Júlio Lancelotti já estava sendo incomodado desde outubro de 2004, foi a Polícia pelo menos outras três vezes reclamar do "incômodo" que Anderson lhe proporcionava mas jamais registrou queixa. Então, no dia 16 de outubro finalmente Padre Júlio Lancelotti confirmara que estava sendo vítima da extorsão de uma qudrilha. Indagado sobre os motivos que o levaram a denunciar o crime apenas tanto tempo depois, ele respondeu que "pretendia tocar o coração" do acusado. A origem do dinheiro está sendo investigada pela Polícia, pois há suspeitas que tenha sido desviado da ONG criada por Padre Júlio.

Os policiais foram atrás de Lima e o prenderam. Dias depois da prisão, o padre voltou a entrar em contato com a PM. Falou que, mesmo da cadeia, Lima continuava a ameaçá-lo por telefone. A polícia deu uma prensa no sujeito e as ligações pararam. No fim do mês passado, o padre recorreu a uma delegacia de polícia para formalizar a denúncia de extorsão.

No dia 26 último, Anderson Marcos Batista, acusado de extorquir o padre Júlio Lacenlotti, foi preso. Estava em companhia de sua mulher, Conceição Eletério, e do amigo Evandro Guimarães, ambos também procurados e detidos. Uma mulher que não quis se identificar afirma ter flagrado o padre aos beijos com um rapaz de 15 anos e também o faxineiro Everson Guimarães, que já estava preso. Um vendedor disse quando Anderson comprou um carro de luxo, um Audi A-3, Lancelotti e Conceição acompanhavam o rapaz, e todos pareciam felizes.

O delegado da SIG (Setor de Investigações Gerais), André Luis Pimentel, informou que irá pedir a quebra do sigilo bancário do padre para apurar o valor total da extorsão. Cerca de cinco carros de luxo teriam sido comprados com o valor obtido do padre. Segundo ele, para a polícia, até o momento, as investigações indicam que o padre foi "vítima de extorsão". "Seria leviano afirmar o contrário com o que se tem até o momento," disse.

Como podem ver, a história toma contornos cada vez mais complexos. Não se sabe qual o valor que o Padre pagou, não se sabe a veracidade das acusações de desvio de recursos da ONG e nem a veracidade das acusações de pedofilia. Essas acusações de pedofilia estão sendo confirmadas e negadas com tamanho estardalhaço por setores da mídia favoráveis à ideologia do Padre, que estão servindo para abafar as outras acusações de desvio de verbas. A Arquidiocese de São Paulo ainda não agiu como se espera em um caso desses, o que pode provocar uma crise de credibilidades sem precedentes, visto que os últimos escândalos ocorridos devido a desvio de Padres indignos pelo mundo afora provocou uma onda de desconfiança nos Sacerdotes.

É preciso que a Arquidiocese de São Paulo haja de maneira mais firme no caso antes que seja tarde, pois se continuar fechar os olhos para os frutos da militância ideológica do Padre Júlio Lancelotti, será tragada para o mesmo buraco que ele.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Pauta do Blog

Saudações queridos leitores!

Infelizmente não tenho conseguido dar conta de todos os assuntos que gostaria no Blog e nem mesmo da pauta que me sugerem. Mas peço que continuem lendo. Atualizo todos os dias e prometo que assim que possível, coloco a pauta em dia.

Pretendo tratar nessa semana sobre o caso do Padre Júlio Lancelotti, Dom Odilo Scherer, esquerdas na Igreja e na política, da seita do Edir Macedo e da entrevista que o Sérgio Cabral deu para a Folha.

Bem que para me ajudar o mundo podia girar um pouco mais devagar para eu ter tempo suficiente para escrever tudo, mas como não dá, vou correr mesmo.

Continuem comentando e sugerindo a pauta.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

domingo, 28 de outubro de 2007

Dica de Leitura - The New Anti-Catholicism: The Last Acceptable Prejudice

Saudações queridos leitores!

Hoje indico um livro em Inglês, pois nunca o vi em uma edição brasileira.

Sinopse

O medo e o ódio ao catolicismo têm uma história longa na parte inglesa da América do Norte terra estabelecida, apesar de tudo, por Protestants mais sanguinários do que o sangue sobre sua liberdade religiosa. O livro de Jenkins sobre o anti-anti-Catolicismo, primeiramente relembra a história do anti-Cathlicismo americano e o distingue o anti-Catolicismo do anticlericalismo, ou a desconfiança e o ódio ao clero que necessitam não ser nem anti-Católico nem anti-Cristão. Tanto a direita quanto a esquerda foram anti-Católiccas em tempos diferentes. A política do "não saber nada" e a Ku Klux Klan atacando o catolicismo nos séculos XIX e XX, os liberais que criticavam a processo de planeamento famíliar, a educação sexual, queriam a legalização do aborto, o feminismo, direitos para os gays e o outro anti-Catolicismo abraçado às causas do progressista mais tarde. Jenkins examina o anti-Catolicismo liberal nos capítulos sobre se "a igreja odeia mulheres" e "a igreja mata gays"; o tratamento dos católicos e da igreja pelos meios de notícia, nos filmes, e na TV; "a crise atual da pedofilia do clero"; e critica dos historiadores' dissidentes católicos e as relações de Pio XII com o terceiro reich.

Recomendo a leitura. Quem não souber Inglês, use um dicionário, mas não perca.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Evangelho de Domingo

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários dos padres de Navarra.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas

Evangelho (Lucas 18, 9-14)

9Disse também a seguinte parábola, para alguns, que estavam intimamente convencidos de que eram justos e desprezavam os demais: 10Subiram ao Templo dois homens para orar: um fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, perfilado, fazia lá consigo esta oração: "Ó Deus, dou-Te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, ou ainda como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana; pago o dízimo de tudo quanto recebo". 13E o publicano, mantendo-se a distância, não ousava nem sequer erguer os olhos ao Céu, mas batia no peito, dizendo: "Ó Deus, sê clemente para comigo, que sou pecador!". 14Eu vos digo: Desceu este justificado para sua casa, ao contrário do outro, porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.

Palavra da salvação.

9-14. O Senhor completa o Seu ensinamento sobre a oração; além de ser perseverante e cheia de fé, a oração deve brotar de um coração humilde e arrependido dos seus pecados: Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies (Ps 51,19), o Senhor, que nunca despreza um coração contrito e humilhado, resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes (cfr 1 Pet 5,5; Iac 4,6).

A parábola apresenta dois tipos humanos contrapostos: o fariseu, meticuloso no cumprimento externo da Lei; e o publicano, pelo contrário, considerado pecador público (cfr Lc 19,7). A oração do fariseu não é agradável a Deus devido ao seu orgulho, que o leva a fixar-se em si mesmo e a desprezar os outros. Começa a dar graças a Deus, mas é óbvio que não se trata de verdadeira acção de graças, visto que se ufana do bem que fez, e não é capaz de reconhecer os seus pecados; como pensa que já é justo, não tem necessidade, segundo ele, de ser perdoado; e, efectivamente, permanece nos seus pecados; a ele se aplica também o que disse o Senhor noutra ocasião a um grupo de fariseus: "Se fôsseis cegos não teríeis pecado, mas agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece" (Ioh 9,41). O fariseu baixou do Templo, pois, com os seus próprios pecados.

Pelo contrário, o publicano reconhece a sua indignidade e arrepende-se sinceramente: estas são as disposições necessárias para ser perdoado por Deus. A jaculatória do publicano, que exprime tais sentimentos, alcança o perdão divino: "Com razão, explica São Francisco de Sales, alguns disseram que a oração justifica, porque a oração contrita ou a contrição orante eleva a alma a Deus, une-a à Sua bondade e obtém o Seu perdão em virtude do amor divino que lhe comunica este santo movimento. Por conseguinte, devemos sentir-nos fortes com tais jaculatórias, feitas com actos de dor amorosa e com desejos de divina reconciliação a fim de que, por meio delas, expressando diante do Salvador as nossas angústias (Ps 142, 2), confiemos a alma ao Seu Coração misericordioso que a receberá com piedade" (Tratado do amor de Deus, liv. 2, cap. 20).

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando