segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Opus Dei, prelazia pessoal

Saudações queridos leitores!

Fazem 25 anos que o Opus Dei foi erigido à Prelazia Pessoal. Em ocasião desse acontecimento, o site da Obra publicou algumas perguntas respondidas pelo Professor José Carlos Erráruiz. Fiquem com as principais questões.

Mons. Carlos José Errázuriz Mackenna, chileno, é professor de Direito Canônico na Pontifícia Universidade da Santa Cruz. É também Consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para o Culto divino e para a Disciplina dos Sacramentos e do Pontifício Conselho dos Textos Legislativos. É autor, dentre outros livros, de Il diritto e la giustizia nella Chiesa (O direito e a justiça na Igreja), publicado por Giuffrè Editori.

O que é uma prelazia pessoal?

Uma prelazia pessoal é uma parte da Igreja Católica, no sentido de que está composta por determinados fiéis e se encontra estruturada de modo hierárquico, com um prelado, que é a sua cabeça e princípio de unidade, e com sacerdotes e diáconos, que colaboram com ele. O que especifica as prelazias pessoais é a promoção da vida cristã e da tarefa evangelizadora da Igreja de um modo complementar ao das dioceses, às quais continuam pertencendo os fiéis que formam parte de uma prelazia pessoal.

A complementaridade das prelazias pessoais pode dar-se por diversos motivos, sempre em relação com o bem espiritual dos fiéis. Pode acontecer, por exemplo, que, com o desejo de favorecer uma maior participação dos imigrantes na vida eclesial, se organize uma prelazia provida de um clero preparado para atender as suas necessidades específicas; ou então, como no caso da prelazia do Opus Dei, pode ocorrer que uma realidade eclesial que nasce de um carisma (isto é, de um dom de Deus para a Igreja) reúna em si mesma as características próprias de uma prelazia pessoal.

O que o Opus Dei era antes de ser prelazia? Em que se diferenciam os estatutos de 1950 dos atuais?

Desde a sua fundação, em 2 de outubro de 1928, o Opus Dei já era essencialmente, ainda que em estado germinal, o mesmo que vemos hoje desenvolvido: uma parte da Igreja, composta por fiéis e estruturada hierarquicamente em torno de uma cabeça, que, primeiramente, foi o fundador, São Josemaria Escrivá de Balaguer, sacerdote. Naturalmente, essa realidade eclesial universal necessitava ser reconhecida pela Igreja, e era preciso que a Santa Sé interviesse para configurá-la como estrutura hierárquica. Foi um processo longo, que se entende por tratar-se de um fenômeno novo na vida da Igreja.

Antes da ereção como prelazia pessoal – que constitui a figura que responde plenamente à sua realidade–, o Opus Dei havia sido aprovado como instituto secular, o que lhe permitia reconhecer que todos os fiéis – sacerdotes e leigos – pertenciam à mesma realidade eclesial, e atribuía uma certa potestade ao sacerdote que estava à frente dela. Os estatutos de 1950 recolhiam fielmente a realidade do Opus Dei, mas, tendo que adequar-se à figura de instituto secular, mantinham elementos que não correspondiam à realidade secular que é própria do carisma do Opus Dei. Esses elementos desapareceram de seus estatutos como prelazia.

O Opus Dei, desde que é prelazia, tem uma autonomia maior? Pode-se falar do Opus Dei como uma igreja dentro da Igreja?

Nenhuma parte da Igreja constitui “uma igreja dentro da Igreja”, mas justamente o contrário: cada parte promove vínculos de comunhão em relação a toda a Igreja. Os fiéis do Opus Dei – precisamente enquanto tais – são e sentem-se membros vivos da Igreja universal e de suas respectivas dioceses, de cuja vida participam como os demais fiéis: é preciso ter em conta, aliás, que esta prelazia, diferentemente do que poderia acontecer com outras, não contempla alguns aspectos da pastoral ordinária (batismos, crismas, casamentos, funerais etc.), e, por outro lado, dedica especial atenção à formação de seus fiéis e dos que participam de seus apostolados (encontros e retiros espirituais, estudo das ciências sagradas, direção espiritual pessoal etc.).

A legítima autonomia do Opus Dei para realizar a sua missão eclesial – como, aliás, a autonomia que, em diversos graus, é própria de todo fiel e de qualquer realidade eclesial – sempre é autonomia na comunhão com a Igreja universal e com o Romano Pontífice, e com as Igrejas particulares e com os Bispos diocesanos. Neste sentido, o Opus Dei, na sua atual configuração como prelazia, dispõe da autonomia própria dos entes da constituição hierárquica da Igreja (cuja cabeça é um sujeito com potestade episcopal), que é diferente da autonomia dos entes de estrutura associativa.

Que diferença há entre um católico corrente, mais ou menos praticante, e uma pessoa do Opus Dei?

Não há qualquer diferença, uma vez que uma pessoa do Opus Dei é um católico corrente, que recebeu uma chamada específica dentro da sua vocação cristã para fazer parte de uma família espiritual e para procurar ser melhor cristão, colaborando com a missão da Igreja. Essa chamada não a distingue dos demais, pois não significa que a sua vida se transforme num sinal eclesial do seguimento de Cristo, como é próprio da vocação dos religiosos. A secularidade é essencial para todos os fiéis do Opus Dei, também para os que vivem o celibato como parte de sua vocação. Obviamente, se por católico se entende uma pessoa, na sua vida, não especialmente comprometida com o Senhor e com a Igreja, os fiéis do Opus Dei procuram, com todas as suas forças, não se verem nesse tipo. Mais do que isto, têm consciência de que estão chamados a recordar que o normal, para os discípulos de Cristo, deve ser segui-lo incondicionalmente, com um estilo de vida, às vezes, surpreendente para quem não o vê dentro de uma perspectiva cristã.

A que se compromete uma pessoa que se incorpora ao Opus Dei?

A incorporação à prelazia do Opus Dei está essencialmente unida à vocação pessoal desse fiel. Daí a incorporação trazer consigo o compromisso de viver tudo o que se refere a essa vocação. Nas suas manifestações externas, esse compromisso se situa sempre e exclusivamente no plano da vida eclesial da pessoa, sem nunca entrar em âmbitos de natureza temporal. Trata-se de deveres que se referem à vida espiritual, à própria formação, à participação ativa nas atividades apostólicas promovidas pela prelazia. Por se tratar tão somente dos âmbitos em que um fiel dispõe de liberdade para seguir um caminho ou outro, o compromisso com a prelazia é perfeitamente harmônico com os deveres do fiel em relação à Igreja universal e à Igreja particular, e com outras obrigações que tiver assumido, naturalmente ou por vontade própria. A vinculação ao Opus Dei visa precisamente ajudá-lo a viver o conjunto dos seus deveres correntes, tanto na Igreja como na sociedade civil.

Para alguns fiéis, o compromisso também compreende o celibato apostólico e uma maior disponibilidade para servir às atividades apostólicas próprias da prelazia.

Íntegra aqui.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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