quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Cristãos iraquianos perdem a esperança e saem do país

Saudações queridos leitores!

Peço a todos um momento de oração pela melhora nas condições em que vivem os Católicos no Iraque. Fiquem com notícia do Le Monde, traduzida pelo UOL (íntegra aqui). Volto depois.

A minoria cristã perde a esperança de permanecer no Iraque

Hemorragia, êxodo: essas palavras surgem de maneira recorrente para designar a mesma realidade, a de um Iraque que está perdendo sua minoria cristã. Bispos iraquianos, sírios, jordanianos, egípcios vieram debater esta preocupação em Paris, por ocasião de encontros que foram organizados em novembro pelo Instituto Europeu das Ciências da Religião (IESR) e pela Obra do Oriente. As Igrejas da França, o movimento internacional Pax Christi, além de associações (como a Cristãos no Mediterrâneo), estão preparando uma campanha de solidariedade que deverá alcançar o seu auge em 2008, na época da Páscoa.

Segundo esses religiosos iraquianos, uma das mais antigas "cristandades" no mundo, nascida na Mesopotâmia seis séculos antes da chegada do Islã, está prestes a desaparecer. O país não contaria mais do que 400.000 cristãos, ou seja, uma queda de mais da metade desde a primeira guerra do Golfo (1991).

Segundo o arcebispo de Mossoul, a pressão dos militantes islâmicos não pára de aumentar: ela toma várias formas, que vão desde ameaças por telefone até seqüestros, de padres em particular. Em Mossoul, um deles foi assassinado e mutilado no Natal de 2006. Em 3 de junho, um jovem padre de 31 anos e três assistentes foram assassinados ao saíram de uma missa dominical. Vários ônibus que conduziam estudantes cristãos para a universidade de Mossoul foram atacados. "Os cristãos não são os únicos a serem vítimas de atos desse tipo", reconhece Dom Casmoussa, "mas eles estão sendo forçados a deixar a região. Para os muçulmanos, eles continuam sendo pessoas competentes, pacíficas, cultas. Mas a confiança mútua está comprometida".

Entre 1,2 e 1,5 milhão de iraquianos - dos quais pelo menos 100.000 cristãos - se refugiaram na Síria. Mas o "país irmão" está endurecendo a sua atitude. Ele fechou as suas fronteiras, enquanto a maioria dos refugiados que se encontram no país vive de pequenos golpes. "Muitos deles não possuem um alojamento, nem mesmo uma licença para trabalhar. As crianças não estão sendo escolarizadas, porque elas não são portadoras de uma autorização para permanecer no território", testemunha Dom Antoine Audo, um bispo caldeu de Alep. "Os refugiados não têm nenhuma perspectiva. Eles não têm nenhuma esperança de poder retornar ao Iraque e enfrentam enormes dificuldades para obterem vistos que lhes permitam emigrar para os Estados Unidos ou a Europa".

Por sua vez, a Jordânia conta 750.000 refugiados, dos quais 25.000 a 30.000 cristãos. Neste país, as possibilidades de acesso e de permanência vêm se tornando restritas, enquanto as condições de vida estão ficando cada vez mais precárias. "A desesperança é grande", assegura Dom Selim Sayeh, o vicário do patriarca latino em Amã. "Para esta emigração sem esperança de retorno, a Jordânia não passa de um país de trânsito. Poucos são os iraquianos que nele se estabelecem. A sua única esperança é de emigrar para lugares mais distantes".

Voltei. Enquanto muitos cristãos por aqui reclamam por coisas banais e vivem uma fé morna, os poucos que se aventuram a exercer sua fé passam pelas mais difíceis condições. Não é qualquer comunidade que passa pelo que eles passam e continua perseverando.

A perseverança dos iraquianos é admirável e nos faz ser ainda mais gratos por vivermos em um país onde podemos exercer nossos direitos em plena liberdade. Pena que muitos dos que desfrutam de tal direito não dão o devido valor, permitindo que iniciativas cada vez mais autoritárias ganhem espaço.

Que o martírio dos iraquianos nos sirva de inspiração para que lutemos por um mundo com mais justiça e paz para todos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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