quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Cardeal iraquiano: «Somos filhos da esperança»

Saudações queridos leitores!

Fiquem com uma reportagem emocionante de ZENIT, volto depois.

Cardeal iraquiano: «Somos filhos da esperança»

Fala Emmanuel III Delly, Patriarca da Babilônia dos Caldeus

Por Marta Lago


ROMA, segunda-feira, 26 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Chamando a atenção sobre sinais de esperança e unidade no Iraque, Emmanuel III Delly, Patriarca da Babilônia dos Caldeus, encaminhou-se no sábado à púrpura cardinalícia.

Na véspera, antes da sessão vespertina do encontro de reflexão de cardeais de todo o mundo com o Papa, o patriarca caldeu se reuniu com um grupo de meios de comunicação, entre eles Zenit, na «Domus Romana Sacerdotalis», muito próximo do Vaticano.

«Vim [a Roma] para receber esta dignidade que o Santo Padre me concedeu: criar-me cardeal para a Igreja universal – iniciou. Dou graças à Providência Divina, dou graças de coração ao Santo Padre, agradeço a todos vós, especialmente aos que oraram por mim e continuam orando por mim e por meu querido país, Iraque, país torturado nestes últimos anos. Que o Senhor lhe dê a paz, o amor, a caridade e o perdão de uns pelos outros.»

Na véspera do consistório [do sábado, quando foi criado cardeal], Bento XVI – disse Emmanuel III Delly – lhe expressou seu desejo de que este gesto fosse um sinal de reconciliação para o Iraque, um país ao qual ama muito. Ele voltou a afirmar isso horas depois, em sua homilia do sábado.

O patriarca caldeu quis manifestar a grande satisfação do governo de seu país pela dignidade cardinalícia à qual foi chamado. Não se outorgou «por minha pobre pessoa – refletiu –, mas que se deu a todos os iraquianos», dentro e fora da nação.

«Mas esta dignidade deve ser útil não só ao Iraque, mas a todos os nossos queridos amigos no mundo, a toda a humanidade», deseja.

O bispo auxiliar do patriarcado caldeu em Bagdá, o bispo de Mosul, o embaixador do Iraque na Santa Sé e a ministra iraquiana (cristã) de Direitos Civis – à frente da delegação de seu país (formada por cristãos e muçulmanos), por ocasião do consistório – acompanharam o patriarca caldeu neste encontro com a mídia, facilitado pelo Pe. Philip Najim – procurador da igreja caldéia ante a Santa Sé.

O sofrimento do Iraque esteve presente nas perguntas feitas a Emmanuel III Delly, que precisou: «O que ocorre no Iraque aos cristãos ocorre a nossos irmãos muçulmanos, e o que ocorre a nossos irmãos muçulmanos ocorre aos cristãos».

«Vivemos catorze séculos juntos, temos relações juntos»; «é verdade que há ocasiões em que os cristãos sofrem mais, por muitas razões», «mas um carro bomba mata igualmente muçulmanos e cristãos», deplorou.

Então destacou a necessidade do amor entre todos e a construção da paz. «Convido também a comunidade internacional a ajudar-nos para poder criar esta paz», expressou.

«Convido o povo iraquiano com as palavras de Nosso Senhor – acrescentou: devemos amar-nos uns aos outros, e não só o povo iraquiano, mas toda a população; assim, chamo à boa vontade para poder criar a paz em todo o mundo, e especialmente com estas palavras dedico todo meu ser ao serviço da Igreja e de minha pátria.»

Quanto à sua missão como cardeal, sintetizou: «Vim para servir, não para ser servido»; «estamos ao serviço da Igreja universal, não só da caldéia – da qual sou patriarca, chefe e pai –, mas de toda a Igreja», e «tudo o que dei a meu povo continuarei dando sempre; amo a minha pátria, eu a sirvo: todos os iraquianos são iguais para mim, sem distinguir xiitas, sunitas, cristãos ou curdos».

E sublinhou que a delegação iraquiana chegada a Roma estava formada pelos grupos mencionados e membros de todas as etnias de seu país.

«Isso quer dizer que ainda estamos em um Iraque unido e seguirei servindo-o com todas as minhas forças até a última gota de meu sangue», anunciou.

Vista a relativa calma que se respira, comentou que, em Bagdá, «algumas famílias já voltaram a Dora e seu auxiliar foi celebrar a missa há uma semana em uma igreja que havia estado fechada».

«É um início que esperamos que continue fazendo bem a nosso povo e a todos», porque não só foram atacadas as igrejas – apontou –, mas «todos os lugares de culto», como o caso de 134 mesquitas.

«As igrejas vão sendo reconstruídas e as pessoas começam a voltar a seus lugares. Somos filhos da esperança – afirmou –, devemos ser otimistas; o Senhor nos protegerá, é nosso Pai e Ele nos ama.»

Criado cardeal, estes são os planos imediatos de Emmanuel III Delly, de 80 anos: «Voltarei ao Iraque e seguirei servindo o meu país», e «especialmente, também em minhas viagens, convencerei todos os que deixaram o país para que regressem, a fim de poder trabalhar e construir o Iraque juntos».

Fonte aqui.

Voltei. Não há muito o que falar depois de tal depoimento. Estou emocionado. Em anos que não vejo um testemunho tão grande de amor à Igreja e ao povo. O Patriarca Emmanuel III Delly é certamente uma das maiores forças que atuam na união do Iraque e na reconstrução do país. Um grande pai que está vendo seu rebanho partir, fugindo para salvar a própria vida.

Devemos todos rezar para que a situação no Iraque, país que vem sendo assolado por uma guerra que já dura anos e que não tem previsão de fim, volte a ter dias de paz, onde cristão e muçulmanos, apesar das diferenças de fé, consigam conviver pacificamente.

O mundo precisa de mais pessoas como o Patriarca Emmanuel II Delly. Que Deus nos envie pessoas com o coração tão grande e cheio de amor para nosso mundo tão sofrido.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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