quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sonhos de São João Bosco

Saudações queridos leitores!

Trago hoje dois sonhos de São João Bosco, para que meditemos, com a finalidade de jamais nos afastar da Verdade que vem de Cristo, contida integralmente unicamente na Santa Igreja Católica, fora da qual é impossível a Salvação e para onde devemos trabalhar para trazer todos a nossa volta.

Sonho 1

São João Bosco foi um santo taumaturgo que viveu em Itália, no século XIX. Teve muitos sonhos-visões, aos quais inicialmente não deu muita importância, mas depois, vendo que neles se concretizava aquilo que lhe era anunciado, passou a registá-los. Um deles (que reproduzo abaixo) parece-me bastante pertinente, não só para os tempos de São João Bosco, mas principalmente para os nossos conturbados tempos.

O Sonho das Duas Colunas

O seu sonho profético central, ocorrido em 1862 (três anos antes do Concílio da Igreja Católica conhecido como Vaticano I), é transcrito a seguir:

Imagine-se no meio de uma enseada, ou melhor, sobre uma rocha isolada, da qual não se divisa nenhum ponto de terra firme, excepto sob os seus pés. Na extensão desse vasto mar, você divisa uma frota incontável de navios de guerra, dispostos para a batalha.

As proas desse navios são pontiagudas e perfurantes, de forma a perfurar e destroçar completamente tudo contra o que se lançarem. Os navios são armados com canhões, muitos rifles, materiais incendiários e outras armas de fogo de vários tipos, e avançam contra um navio bem maior e mais alto do que o deles; e eles tentam atingi-lo com as suas proas, ou queimá-lo, causar-lhe mal de todas as maneiras possíveis.

Escoltando o majestoso navio plenamente equipado, há um sem-número de barcos menores, que recebem comandos daquele por sinais, reposicionando-se para defenderem-se dos ataques da frota inimiga.

Bem no meio dessa imensa extensão marítima, duas poderosas colunas elevam-se altas, a pequena distância uma da outra. No topo de uma coluna encontra-se a estátua da Imaculada Virgem Maria, de cujos pés pende uma enorme placa com a inscrição: Auxilium Christianorum - Auxílio dos Cristãos. Sobre a segunda coluna, que é ainda mais alta e maior, há uma enorme Hóstia, de tamanho proporcional ao da coluna; e, sob ela, outra placa, com as palavras: Salus Credentium - Salvação dos Fiéis.

O comandante supremo do navio grande é o Sumo Pontífice. Observando a fúria dos inimigos e malfeitores, dentre os quais os fiéis se encontram, ele convoca os capitães dos pequenos barcos e ordena um conselho, para juntos decidirem o que fazer.

Todos os capitães vêm a bordo e se reúnem em torno do Papa. Eles iniciam uma conferência, mas nesse meio tempo o vento e as ondas rompem numa grande tempestade, e eles têm de retornar às suas próprias embarcações para salvá-las. Vem, então, uma pequena calmaria; e, pela segunda vez, o Papa reúne os seus capitães em torno de si, enquanto o navio-mãe prossegue em seu curso.

Mas a terrível tempestade retorna. O Papa comanda a embarcação e envia todas as suas energias para direccionar o seu navio às colunas, de cujos topos pendem muitas âncoras e fortes ganchos ligados a correntes.

Todas as embarcações inimigas mobilizam-se para atacá-lo. Elas tentam detê-lo e afundá-lo, de todas as maneiras ao seu alcance: algumas, com livros e escritos inflamáveis, de que dispõem em abundância; outras, com armas de fogo, com rifles e outras armas.

A batalha recrudesce gradualmente. O inimigo ataca de proa violentamente, mas os seus esforços provam não serem eficazes. Eles arremetem em vão, e perdem todo o seu esforço e a sua munição.

O grande navio segue inabalável e suavemente o seu rumo. Às vezes, acontece ele ser atingido por formidáveis tiros, e apresentar grandes brechas laterais. Mas assim que o dano acontece, uma brisa gentil sopra das duas colunas, fechando as fissuras e restaurando os estragos imediatamente.

Entrementes, as armas de fogo dos assaltantes são disparadas, mas os rifles e outras armas, bem como as proas, destroem-se; muitos navios são atingidos e afundam no oceano. Então, os inimigos enfurecidos passam a lutar corpo-a-corpo, com os punhos, tiros à queima-roupa, blasfémias e maldições.

De súbito, o Papa cai gravemente ferido. Imediatamente, os que estão com ele ajudam-no e levantam-no. Uma segunda vez, o Papa é atingido; ele cai de novo e morre. Um grito de júbilo e vitória irrompe dentre os inimigos; dos seus navios eleva-se uma indizível zombaria.

Mas, assim que o Pontífice cai, um outro assume o seu lugar. Os pilotos, tendo-se reunido, elegeram outro tão prontamente que, com a notícia da morte do anterior, já se apresentam as boas novas da eleição do sucessor. Os adversários começam a perder a coragem.

O novo Papa, pondo o inimigo em fuga e superando todos os obstáculos, guia o navio directamente às duas colunas, e consegue descansar entre elas. Ele ancora o seu navio à coluna encimada pela Hóstia, prendendo uma corrente leve, que sai da proa, a uma âncora presa à coluna. Uma outra corrente leve, presa à popa, é atracada a uma âncora que pende da coluna sobre a qual está a Virgem Maria.

Neste ponto, inicia-se uma grande convulsão. Todos os navios que estiveram até então em luta, contra o navio do Papa, são dispersados. Eles afastam-se em confusão, colidem e quebram-se em pedaços, uns contra os outros. Alguns afundam e tentam afundar os outros.

Muitas das pequenas embarcações, que lutaram galantemente pelo Papa, correm a prender-se às colunas. Outras, que se haviam mantido à distância, por medo da batalha, observam cautelosamente de longe. E, quando os escombros dos navios afundados são dispersados pelos redemoinhos do mar, elas se aventuram a rumar para as duas colunas, e, alcançando-as, fazem-se prender aos ganchos que delas pendem, para se porem a salvo, à sombra do navio principal, onde está o Papa.

Finalmente [no sonho-visão], reina sobre o mar uma grande calma.

(Adaptação do livro «Quarenta Sonhos de S. João Bosco», compilado e editado pelo Pe. J. Bachiarello, S.D.B.)

Sonho 2

O triunfo da Virgem Maria (ou: Do triunfo do Imaculado Coração de Maria)

Era uma noite escura. Os homens não podiam mais discernir qual fosse o caminho para retornar a suas aldeias, quando apareceu no céu uma luz esplendorosíssima que esclarecia os passos dos viajantes como se fosse meio-dia.

Naquele momento, foi vista uma multidão de homens, de mulheres, de velhos, de crianças, de monges, freiras e Sacerdotes, tendo à frente o Pontífice, sair do Vaticano enfileirando-se em forma de procissão. Mas eis um furioso temporal escurecendo um tanto aquela luz. Parecia engajar-se uma batalha entre a luz e as trevas.

Chegou-se a uma pequena praça coberta de mortos e de feridos, dos quais vários pediam conforto em altas vozes. As fileiras da procissão se tornaram bastante ralas. Depois de ter caminhado por um espaço de duzentos levantar do sol, cada um percebeu que não estava mais em Roma. O espanto invadiu os ânimos de todos, e cada um se recolheu em torno do Pontífice para guardar a sua pessoa e assisti-lo em suas necessidades. Naquele momento, foram vistos dois anjos que portavam um estandarte e o foram apresentar ao Pontífice dizendo: 'Recebe o vexilo d'Aquela que combate e dispersa os mais fortes exércitos da terra. Os teus inimigos desapareceram, os teus filhos, com lágrimas e com suspiros, invocam o teu retorno.'

Levantando, depois, o olhar para o estandarte, se via escrito nele, de um lado: 'Regina sine labe originale concepta'; e do outro lado: 'Auxillium Christianorum'. O Pontífice tomou o estandarte com alegria, mas tornando a olhar o pequeno número daqueles que haviam permanecido em torno de si, ficou aflitíssimo.

Os dois anjos acrescentaram: 'Vai depressa consolar os teus filhos. Escreve a teus irmãos dispersos nas várias partes do mundo que é preciso uma reforma nos costumes e nos homens. Isto só se poderá obter repartindo aos povos o pão da Divina Palavra. Catequizai as crianças, pregai o desapego das coisas da terra.' 'Chegou o tempo', concluíram os dois anjos, 'que os pobres serão os evangelizadores dos povos. Os Levitas serão buscados entre a enxada, a pá e o martelo, a fim de que se cumpram as palavras de Daví: Deus levantou o pobre da terra para colocá-lo sobre o trono dos príncipes do teu povo.'

Ouvindo isto, o Pontífice se moveu e as filas da procissão começaram a engrossar-se. Quando, afinal, ele colocou o pé na cidade santa, ele começou a chorar por causa da desolação em que estavam os cidadãos, dos quais muitos não existiam mais. Reentrado, enfim, em São Pedro, ele entoou o Te Deum, que foi respondido por um coro de anjos, cantando: 'Gloria in excelsis Deo, et pax in terris hominibus bonae voluntatis'.

Terminado o canto, cessou de fato toda escuridão e se manifestou um sol fulgidíssimo. As cidades, as aldeias, os campos tinham a população muito diminuída, a terra estava pisada como por um furacão, por um temporal e pelo granizo, e as pessoas iam umas para as outras dizendo com ânimo comovido: 'Há um Deus em Israel'.

Do começo do exílio até o canto do Te Deum, o sol se levantou duzentas vezes. Todo o tempo que transcorreu para se cumprirem estas coisas corresponde a quatrocentos levantar de sol."

Tentativa de explicação destes sonhos de Dom Bosco

Os dois sonhos apresentam uma mesma estrutura: os dois mostram que a Igreja - ou o Papa - se afastam de um lugar seguro - e santo - para colocar-se numa situação de perigo, longe da Hóstia e de Nossa Senhora, longe de Roma. O que significa um misterioso afastamento da Fé, da devoção eucarística, portanto, da Missa, e da devoção a Nossa Senhora.

Ora, o milagre do sol em Fátima, em 1917, tem o mesmo esquema: o sol que cai e retorna a seu lugar de sempre. Depois de peripécias, o navio da Igreja e a procissão do Papa retornam ao ponto seguro, de onde não deveriam ter se afastado. O sol volta a seu lugar normal, e volta a brilhar com um tal fulgor que não podia ser fixado. Parece evidente que afastar-se o navio da Igreja das colunas, onde estava preso e seguro, foi um erro. Quem se afasta da Hóstia e de Nossa Senhora só pode encontrar perigos e tentações. Do mesmo modo, a procissão que sai do Vaticano e caminha duzentos dias, até que o Papa, e cada um, se dão conta de que não estão em Roma, indica o mesmo erro. O sol caiu em direção à terra, ao humano. E que significa aí sair de Roma? Será sair fisicamente de Roma ou sair espiritualmente? Que significa que o sol caiu?

Evidentemente, este sair não foi físico - como a queda do sol foi apenas simbólica - porque, se fosse um sair fisicamente de Roma, como o Papa e os que o seguiam só perceberam que estavam fora da cidade santa depois de 200 dias de caminhada? Sair de Roma significa afastar-se do que ensina a Fé, assim como fazer o navio da Igreja afastar-se da coluna da Eucaristia, isto é, da Missa, e de Nossa Senhora, significa abandonar os dois pontos fundamentais de nossa religião. Como o cair do sol simboliza uma queda sofrida pela Igreja em sua parte humana.

Esta visão da procissão que sai de Roma tem pormenores muito curiosos que a aproximam sobremaneira da visão do terceiro segredo, na qual os Cardeais Sodano e Ratzinger identificaram a "Via Crucis dos Papas no século XX". Ora, a Via Crucis é uma espécie de procissão... Só que, pelo sonho de Dom Bosco, essa Via Crucis marchou para um exílio de Roma. Alguém orientou mal a Via Crucis, como alguém fez mal em soltar a nau da Igreja das colunas da Eucaristia e da devoção a Nossa Senhora. Quem cometeu essa culpa atraiu para a Igreja e para o mundo um grande castigo de que fala a visão do terceiro segredo. E tal castigo ainda não aconteceu.

No auge da crise, haverá uma intervenção sobrenatural que fará um Papa tomar o caminho de volta para Roma - para as duas colunas de salvação: a Missa e a devoção a Nossa Senhora. O Papa que iniciará esse retorno parece fazê-lo de modo vacilante. Ele cambaleia, hesita, chora, vendo os estragos causados por aqueles que deram uma orientação errada ao caminho da procissão e da nau. Não fica claro se o Papa que começa a retornar é o mesmo que, afinal, prende a nau da Igreja solidamente às duas colunas, se ele é o mesmo Papa que entoa o Te Deum de triunfo. Provavelmente são vários os Papas que são indicados nas visões de Dom Bosco, e mesmo na visão do terceiro segredo de Fátima. Que essa causa ocorreu no século XX, parece óbvio, pelo que dizem as mensagens de Fátima.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

Anônimo disse...

Por que não citar a fonte do artigo, que está no site Montfort? (http://montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=fatima3&lang=bra#fatima6)

Isso não é muito honesto...