sábado, 24 de novembro de 2007

Evangelho de Domingo - Cristo Rei

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários dos padres de Navarra.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas

Evangelho (Lucas 23, 35-43 (Cristo Rei))


35
E o povo lá estava a observar! Os chefes, por seu turno, zombavam: Salvou outros - diziam eles - salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito! 36Também os soldados fizeram troça d'Ele, aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre. 37Se Tu és o rei dos Judeus - diziam eles - salva-Te a Ti mesmo. 38Além disso, havia uma legenda por cima d'Ele: "Este é o rei dos Judeus".
39Ora um dos malfeitores que tinham sido suspensos na cruz pôs-se a insultá-Lo: Não és Tu o Messias? - dizia ele. Salva-Te a Ti mesmo e a nós também. 40O outro, porém, interveio e disse-lhe severamente: Nem sequer temes a Deus, tu que te encontras no mesmo suplício? 41Quanto a nós, é de justiça, pois estamos a receber o que mereciam as nossas acções; mas Este nada praticou de condenável. 42E acrescentou: Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres na Tua realeza. 43Em verdade te digo - respondeu-lhe Jesus - hoje estarás comigo no Paraíso!

Palavra da salvação.

35-37. Os soldados do Procurador romano escarnecem de Jesus juntamente com o povo e as autoridades judaicas. Deste modo, todos, judeus e gentios, contribuíram para tornar mais amarga a Paixão de Cristo. Mas não esqueçamos que também nós escarnecemos do Senhor sempre que caímos no pecado ou não correspondemos devidamente à Sua graça. Por isso afirma São Paulo que aqueles que pecam "crucificam de novo o Filho de Deus e expõem-No à infâmia pública" (Heb 6,6).

39-43. A cena dos dois ladrões convida-nos a admirar os desígnios da divina Providência, da graça e da liberdade humana. Ambos se encontravam na mesma situação: em presença do Sumo e Eterno Sacerdote, que Se oferecia em Sacrifício por eles e por todos os homens. Um endurece-se, desespera e blasfema, enquanto o outro se arrepende, recorre a Cristo em oração confiada, e obtém a promessa da sua imediata salvação. "O Senhor, comenta Santo Ambrósio, concede sempre mais do que se Lhe pede: o ladrão só pedia que Se recordasse dele; mas o Senhor diz-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso. A vida consiste em habitar com Jesus Cristo, e onde está Jesus Cristo ali está o Seu Reino" (Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc.). "Porque uma coisa é o homem quando julga quem não conhece, e outra coisa é Deus, que penetra nas consciências. Entre os homens, à confissão segue-se o castigo; enquanto diante de Deus, à confissão segue-se a salvação" (De Cruce et latrone).

Enquanto caminhamos nesta vida, todos pecamos, mas também todos podemos arrepender-nos. Deus espera-nos sempre com os braços abertos para o perdão. Por isso ninguém deve desesperar, mas fomentar uma firme esperança no auxílio divino. Mas ninguém pode presumir da sua própria salvação porque não temos a certeza absoluta da nossa perseverança final (cfr De iustificatione, can. 16). Esta relativa incerteza é um acicate que Deus nos põe para que estejamos sempre vigilantes e possamos assim progredir na tarefa da nossa santificação cristã.

42. "Tenho repetido muitas vezes aquele verso do hino eucarístico: peto quod petivit latro poenitens, e sempre me comovo: pedir como o ladrão arrependido!

"Reconheceu que, ele sim, merecia aquele castigo atroz... E, com uma palavra, roubou o coração de Cristo e abriu, para si, as portas do Céu" (Via Sacra, XII, n° 4).

43. Ao responder ao bom ladrão Jesus Cristo manifesta que é Deus, porque dispõe da sorte eterna do homem; que é infinitamente misericordioso e não rejeita a alma que se arrepende com sinceridade. De igual modo com essas palavras Jesus revela-nos uma verdade fundamental da nossa fé: "Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso a seguir à separação do corpo, como o Bom Ladrão-, constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que estas almas se unirão com os seus corpos" (Credo do Povo de Deus, n° 28).

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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