quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Blog Entrevista: Lenise Garcia

Saudações queridos leitores!

É com imenso prazer que trago uma entrevista exclusiva que fiz com a Doutora Lenise Garcia, professora no Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília. Ela me concedeu essa entrevista por e-mail no último final de semana.

Fernando - Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por me conceder essa entrevista. Gostaria que falasse um pouco sobre a Lei de Biossegurança e os motivos que a tornam incompatível com a Fé Católica.

Lenise - Eu é que agradeço a oportunidade de contribuir com o seu blog. A Lei de Biossegurança, aprovada em 2005, trata basicamente dos limites e dos cuidados necessários para o desenvolvimento e uso de organismos geneticamente modificados [OGM]. Mas inseriu-se nessa lei um artigo que autoriza o uso de embriões humanos em certas condições. Mais do que à fé católica, isso contraria os direitos inalienáveis da pessoa humana.

Fernando - Além dos motivos de caráter religioso, existe algum problema legal em tal lei?

Lenise - Como disse acima, não se trata de um problema religioso. Embora seja também um mandamento da Lei de Deus, ninguém considera "não matar" uma questão religiosa. É uma questão moral e de direitos humanos. A Igreja se pronuncia a respeito como defensora que é dos direitos humanos. Mas nossa Constituição também resguarda os direitos humanos, e esse artigo é inconstitucional. Este foi o entendimento do então Procurador Geral da República, Cláudio Fonteles.

Fernando - Um assunto que está diretamente envolvido com a Lei de Biossegurança são as fertilizações in vitro. Qual o ponto de vista da Igreja sobre fecundação in vitro?

Lenise - De fato, os embriões cujo uso foi autorizado foram obtidos por fecundação in vitro. Esta é uma prática condenada em si pela Igreja, por contrariar a Lei Natural. Não se podem separar, na geração humana, o ato unitivo do casal e a procriação.

Fernando - Existem muitos embriões fertilizados que estão congelados aguardando um destino. Qual é o destino mais digno a ser dado a eles?

Lenise - Esta é uma pergunta muito difícil, pois o problema é fruto de 2 erros: não deveriam ter sido gerados in vitro e não deveriam ter sido congelados. Costumo comparar com a divisão do produto de um roubo entre vários ladrões que agiram em sociedade. Não há modo ético de se dividir esse roubo. A barreira da ética já foi rompida.

O mesmo ocorre com os embriões congelados, a barreira da ética foi duplamente rompida. Por isso, não há solução realmente adequada. O menos inadequado talvez seja a "adoção", mas é difícil pensar que isso possa ocorrer na proporção necessária. Ou a morte natural pelo descongelamento. A verdadeira solução é deixar de produzi-los.

Fernando - Visto que as pesquisas com CTE's matam embriões que são vidas em fase inicial, que alternativas a esse tipo de pesquisa a Igreja apóia?

Lenise - Não há problemas éticos com um tipo de pesquisa que na verdade é mais promissor: as chamadas células-tronco adultas, tanto as obtidas de diversos tecidos do adulto, como as de cordão umbilical ou líquido amniótico. Na verdade, todos os bons resultados obtidos até hoje em terapia celular foram com essas células.

Fernando - No controverso campo dos resultados das pesquisas, é possível definir, de maneira geral, quais pesquisas têm apresentado melhores resultados?

Lenise - Como disse acima, com as células-tronco adultas. Já há vários grupos em teste clínico. A UFRJ tem em curso um experimento clínico com 2.000 pacientes cardíacos. As CTEs, além dos problemas éticos, têm 2 sérios problemas técnicos: o descontrole da proliferação, que gera tumores, e a rejeição imunológica.

Fernando - Apesar de nosso país ser considerado o maior país Católico do mundo, como se explica que tantas iniciativas contrárias aos ensinamentos da Igreja consigam aprovação?

Lenise - Volto a destacar que não se trata de uma questão religiosa, mas ética. Entretanto, é verdade que a Igreja indica com clareza a ilicitude do uso das CTEs. Penso que temos que apontar o pouco conhecimento e o pouco compromisso de muitos católicos.

Fernando - Em sua opinião pessoal, acha que há algum problema na transmissão dos ensinamentos da Igreja no Brasil?

Lenise - Cristo nos preveniu que até o fim dos tempos haveria joio no meio do trigo, isso em todos os lugares do mundo, fora e dentro da Igreja. Temos sempre que nos esforçar por ser bom trigo e semear a boa semente.

Fernando - Como você acha que tais problemas devem ser combatidos no seio da própria Igreja?

Lenise - Com santidade. Com muita oração, paciência e santidade. Sabendo ser elementos de união com o Santo Padre, divulgando seus ensinamentos. Gosto muito de uma expressão de S. Josemaria: afogar o mal em abundância de bem.

Fernando - Lenise, gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do Blog?

Lenise - Na linha do que conversamos nesta entrevista, gostaria de recordar a todos a nossa responsabilidade de cidadãos coerentes com os próprios princípios e conscientes do próprio papel na construção da sociedade. Concluo com um pensamento de S. Josemaria em Caminho:

Dantes, como os conhecimentos humanos - a ciência - eram muito limitados, parecia bem possível que um só homem sábio pudesse fazer a defesa e a apologia da nossa santa Fé.

Hoje, com a extensão e a intensidade da ciência moderna, é preciso que os apologistas dividam entre si o trabalho, para defenderem cientificamente a Igreja em todos os campos.

- Tu... não podes furtar-te a esta obrigação. (Caminho, 338)

Deixo aqui meus mais sinceros agradecimentos à Lenise pela entrevista concedida.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Um comentário:

Anônimo disse...

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