segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Padre Júlio Lancelotti - Os muitos lados de uma história

Saudações queridos leitores.

Demorei um pouco para voltar a esse tema e por isso o texto ficou grande, já que trato de todos os fatos publicados até agora. Padre Júlio Lancelotti está se enrolando cada vez mais. Para quem não acompanhou o caso, podem ter uma idéia com esse resumo:

Um ex-interno da Febem que foi abrigado em uma casa mantida pelo projeto do Padre Júlio foi acusado de extorsão. Inicialmente a polícia trabalhava com o valor de 30 mil reais extorquidos por Anderson Marcos Batista. Alguns dias depois, essa quantia foi elevada para 50 mil, segundo o próprio Padre Júlio. O trunfo que Anderson dizia ter era uma suposta acusação de pedofilia cometida pelo Padre.

A polícia prendeu então o faxineiro Everson dos Santos Guimarães, que disse à Folha, no CDP (Centro de Detenção Provisória) 1 do Belém (zona leste de SP), que "nunca viu nenhuma ação que indicasse" que o religioso praticou corrupção de menores ou pedofilia, como a polícia diz investigar agora. Guimarães afirmou que, entre junho e setembro (quando foi preso), e a mando de Batista, buscou ao menos cinco vezes envelopes com grandes quantias de dinheiro nos locais em que o ex-interno da Febem pedia para ele encontrar o religioso. "Era sempre muito dinheiro. Dava para perceber por causa do volume. Teve vezes em que ele dava R$ 15 mil, R$ 30 mil. A única vez que veio menos dinheiro foi a última, quando fui preso, e tinha R$ 2.000". Guimarães disse que o padre ia atrás de Batista "quase que todos os dias" e que, quando o religioso não o localizava, "ficava nervoso" "Quando ele [Lancelotti] não ia lá na pensão, ele ligava para saber dele [Batista]. Ele vivia atrás do Anderson."

Padre Júlio Lancelotti já estava sendo incomodado desde outubro de 2004, foi a Polícia pelo menos outras três vezes reclamar do "incômodo" que Anderson lhe proporcionava mas jamais registrou queixa. Então, no dia 16 de outubro finalmente Padre Júlio Lancelotti confirmara que estava sendo vítima da extorsão de uma qudrilha. Indagado sobre os motivos que o levaram a denunciar o crime apenas tanto tempo depois, ele respondeu que "pretendia tocar o coração" do acusado. A origem do dinheiro está sendo investigada pela Polícia, pois há suspeitas que tenha sido desviado da ONG criada por Padre Júlio.

Os policiais foram atrás de Lima e o prenderam. Dias depois da prisão, o padre voltou a entrar em contato com a PM. Falou que, mesmo da cadeia, Lima continuava a ameaçá-lo por telefone. A polícia deu uma prensa no sujeito e as ligações pararam. No fim do mês passado, o padre recorreu a uma delegacia de polícia para formalizar a denúncia de extorsão.

No dia 26 último, Anderson Marcos Batista, acusado de extorquir o padre Júlio Lacenlotti, foi preso. Estava em companhia de sua mulher, Conceição Eletério, e do amigo Evandro Guimarães, ambos também procurados e detidos. Uma mulher que não quis se identificar afirma ter flagrado o padre aos beijos com um rapaz de 15 anos e também o faxineiro Everson Guimarães, que já estava preso. Um vendedor disse quando Anderson comprou um carro de luxo, um Audi A-3, Lancelotti e Conceição acompanhavam o rapaz, e todos pareciam felizes.

O delegado da SIG (Setor de Investigações Gerais), André Luis Pimentel, informou que irá pedir a quebra do sigilo bancário do padre para apurar o valor total da extorsão. Cerca de cinco carros de luxo teriam sido comprados com o valor obtido do padre. Segundo ele, para a polícia, até o momento, as investigações indicam que o padre foi "vítima de extorsão". "Seria leviano afirmar o contrário com o que se tem até o momento," disse.

Como podem ver, a história toma contornos cada vez mais complexos. Não se sabe qual o valor que o Padre pagou, não se sabe a veracidade das acusações de desvio de recursos da ONG e nem a veracidade das acusações de pedofilia. Essas acusações de pedofilia estão sendo confirmadas e negadas com tamanho estardalhaço por setores da mídia favoráveis à ideologia do Padre, que estão servindo para abafar as outras acusações de desvio de verbas. A Arquidiocese de São Paulo ainda não agiu como se espera em um caso desses, o que pode provocar uma crise de credibilidades sem precedentes, visto que os últimos escândalos ocorridos devido a desvio de Padres indignos pelo mundo afora provocou uma onda de desconfiança nos Sacerdotes.

É preciso que a Arquidiocese de São Paulo haja de maneira mais firme no caso antes que seja tarde, pois se continuar fechar os olhos para os frutos da militância ideológica do Padre Júlio Lancelotti, será tragada para o mesmo buraco que ele.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

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