terça-feira, 16 de outubro de 2007

Arquitetura moderna nas Igrejas

Saudações queridos leitores!

Estive olhando com mais atenção às fotos da Igreja da Santíssima Trindade, que foi recentemente inaugurada em Fátima, Portugal. É um templo construído seguindo as modernas linhas arquitetônicas, projetado pelo arquiteto greco-ortodoxo Alexandros Tombazis.

As linhas arquitetônicas do templo me lembraram de um artigo que li certo tempo atrás, que tratava sobre o assunto. O título é "Igrejas modernas, “feias como o pecado”", publicado na Revista Catolicismo. O artigo trata sobre o best-seller Ugly as Sin, do arquiteto Michael Rose, Doutor em Belas Artes pela Brown University (EUA) apresenta a catedral Notre Dame de Paris como a jóia-da-coroa da Cidade Luz, o verdadeiro epicentro, a alma da capital francesa.

O autor nos lembra que as Igrejas contruídas no estilo clássico são como verdadeiros "Evangelhos de pedra". Qualquer pessoa que olhe para as esculturas, gravuras, vitrais e demais imagens sacras percebe a aura de solenidade que emada dos locais. Esses templos emanam sacralidade, impelem o fiel a orar. A arquitetura das Igrejas impõe um limite entre o sagrado e o profano, coisa que muitos templos modernos não consegue mais expressar com a clareza de antes.

Vejamos os detalhes. Na Basílica de Fátima, a primeira imagem representa Cristo, enquanto a segunda representa a Cristo na recém-inaugurada Igreja da Santíssima Trindade.

Qual delas expressa de forma mais clara a idéia que querem passar?

Entendam que o intuito desse artigo não é criticar a arquitetura moderna. Ela existe e tem sua beleza, utilidade e funcionalidade. O que quero chamar a atenção é que tal tipo de arquitetura não é o ideal para um templo, pois não expressa com o mesmo esplendor a plenitude do Cristianismo. Michel Rose insiste que Notre Dame é arte no sentido mais nobre do termo, é arquitetura da mais alta classe, um “lugar sagrado” que espelha esplendorosamente as realidades eternas. Em muitas cidades pequenas e em volta das Igrejas mais antigas, praças e largos cumprem uma função de transição, do ambiente profano para o sagrado. Ela é, antes de tudo, a casa onde Deus habita na Terra. Assim Deus era visto quando foi construída.

Michel Rose diz que as palavras de Cristo no Sermão das Bem-Aventuranças são normativas. Nosso Senhor ensinou: “Não pode se esconder uma cidade que está situada sobre um monte. Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos que estão na casa” (Mt 5, 14-15).

A fachada é o rosto da igreja. Ela evangeliza, ensina, catequiza. Na Idade Média, bastava ao catequista explicar o significado das inúmeras estátuas e cenas entalhadas na pedra, para dar aulas perfeitas sobre as verdades fundamentais da fé, as virtudes e os vícios opostos, a História Sagrada, a ordem do Universo, a hierarquia das ciências, etc.

A arte católica não pode nascer apenas de uma racionalização ou de uma artificial adaptação do que é moderno ao uso sacro simplesmente por ser moderno. Ela deve nascer do íntimo do artista católico, que conhece, ama e vive a Fé, e por isso sabe identificar o que é compatível ou não com a mesma.

A tradicional arquitetura sacra surgiu do encontro da Fé com as basílicas romanas, que tinham um ambiente de sacralidade e reverência (por serem palácios imperiais e o imperador ser considerado "divino"), e puderam ser aproveitadas, depois de devidamente "evangelizadas".

Ao longo dos séculos, os templos foram sendo construídos a partir dessa Fé cristã que havia impregnado os modos de pensar, de sentir, de agir, configurando a arte e a cultura ocidental em geral, de modo que a história da grande arte ocidental quase confunde-se com a história da arte sacra, até o Século XVIII (e mesmo o Renascimento, ao voltar aos padrões clássicos pré-cristãos, aplica-os ao conteúdo da Fé).

Com a artificial ruptura entre a Fé e a vida civil, depois da Revolução Francesa, simultaneamente ao caráter dessacralizado do protestantismo que cada vez ganhou mais espaço no catolicismo, gerando as concepções modernistas, a distinção entre o sacro e o profano - que estavam harmonizados e hierarquizados no catolicismo - foi desaparecendo e o que é profano, utilitário, foi adquirindo cidadania numa arte que em muitos casos já não se pode chamar de sacra.

Não é impossível fazer Igrejas em estilo contemporâneo utilizando a arquitetura atual e ao mesmo tempo manter a reverência dos templos antigos. Tudo é uma questão de querer expressar a Fé ao se desenhar essas Igrejas, sem ideologismos.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

4 comentários:

Lilian disse...

Me fica uma pergunta: " o que é a plenitude do Cristianismo?"

jorgielly disse...

Bem legal o seu comentário.
Penso que as igrejas estão perdendo sua sacralidade, perdendo seus elementos básicos como a cruz, por exemplo dando lugar ao "moderno"

Anônimo disse...

Muito obrigada! Me ajudou muito com o trabalho da escola.

Rodolfo Cristiano disse...

Olá meu caro,

publiquei seu texto no khristianos.blogspot.com

abraço, Rodolfo