quarta-feira, 12 de agosto de 2009

São Paulo tem a primeira Igreja 24 horas inaugurada!

Saudações queridos leitores!

Os insones paulistanos têm uma grande notícia! Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, abençoou a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, na rua Tabatinguera, que será a primeira Igreja aberta 24 horas no Brasil. A abertura do templo, que estará dirigido pela Comunidade Aliança da Misericórdia, levou-se a cabo com o rito da dedicação, "obrigatória para todas as igrejas católicas que iniciam suas atividades pela primeira vez".

Abaixo, reproduzo a mensagem de Dom Odilo acerca do fato:

Boa Morte: igreja aberta 24h por dia - Cardeal Dom Odilo P. Scherer

18/07/2009

A igreja de Nossa Senhora da boa Morte completará 200 anos em 2010; construída pela Irmandade da Boa Morte, quando São Paulo ainda era pouco mais que uma vila, o templo testemunhou dois séculos da história da cidade: história religiosa, social, cultural, econômica e política. Seus sinos repicaram alegres à chegada de Dom Pedro I, após a proclamação da independência, e seus bancos abrigaram, lado a lado, brancos e negros, bem antes da abolição da escravatura. Passando pela sua porta, muitos condenados à pena capital, enquanto eram levados ao patíbulo na Liberdade, puderam parar ali para fazer uma última súplica ao Bom Jesus, ou à Virgem Dolorosa, ou ainda a Nossa Senhora da Boa Morte, ali venerada.

Desgastada pelo tempo e pelo uso, devorada pelos cupins e consumida pelo mofo, ela precisava muito de socorro, para não acabar em total ruína. Foi preciso fechá-la, por oferecer riscos à segurança. Dom Cláudio incentivou muito o restauro, iniciado em 2006. Foram 3 anos de trabalhos meticulosos e competentes dos técnicos em recuperação do patrimônio histórico, artístico e cultural. Um significativo aporte financeiro foi necessário para bancar as obras; além de contar com os recursos captados mediante a lei de incentivos à cultura (Lei Rouanet), a realização do trabalho precisou contar com vários apoiadores privados. Tudo para que a Arquidiocese pudesse devolver à cidade de São Paulo um pedaço de sua história e de sua memória. Afinal, a Igreja católica é parte da história desta cidade, desde os seus primórdios.

O templo foi restituído ao seu estilo original, o barroco colonial paulista; também imagens, peças de arte e móveis foram recuperados e, surpresa, no teto, sobre o altar, foi achada uma belíssima pintura sobre a madeira, que estava coberta por uma camada de látex, totalmente esquecida; trata-se de uma esplên- dida cena da Virgem Maria elevada ao céu e coroada pela Santíssima Trindade. Os estudiosos têm algo a esclarecer sobre isso. Quem for visitar a igreja, vai gostar, certamente. Fica na Rua do Carmo, s/n; o acesso mais fácil é pela rua Tabatinguera, atrás da Praça da Sé.

Concluídos os trabalhos e reaberta ao público no dia 11 de julho, a igreja foi devolvida às suas funções religiosas, culturais e sociais logo em seguida, às 8h00 da manhã do domingo, dia 12 de julho; durante a primeira Missa na igreja renovada, foi feita a solene dedicação do templo à glória de Deus e ao louvor da Virgem Maria. Na mesma ocasião, ela foi erigida canonicamente em Oratório público, com o nome ampliado, para melhor explicitar sua identidade: Igreja de N.Sra da Boa Morte (ou da Dormição da Bemaventurada Virgem Maria). Sim, porque a “boa morte”, no caso, é a de Maria, Mãe de Jesus, lembrada outrora na Liturgia como a “Dormição” da B.Virgem Maria. Em Jerusalém existe a igreja da “Dormitio”, ou da Dormição, que recorda a morte de Maria. O título litúrgico, lembrado no dia 14 de agosto, está relacionado intimamente com a festa da Assunção de Maria ao céu, oleni- zada no dia 15 de agosto e da coroação, como Rainha do céu e da terra, no dia 22 de agosto. Aliás, na própria igreja, as imagens de Nossa Senhora “adormecida”, elevada ao céu e coroada na glória da Trindade aparecem numa seqüência plástica perfeita.

O cuidado pastoral do Oratório público de Nossa Senhora da Boa Morte (ou da Dormição da Bemaventurada Virgem Maria) foi confiado ao padre Antonio Cadeddu, como reitor, e ao padre João Henrique, como vice reitor. Ela deverá ficar aberta dia e noite, ininterruptamente; ali deverão ser promovidas as celebrações litúrgicas da Igreja, o sacramento da penitência, a pregação da palavra de Deus, a adoração à Eucaristia, as devoções populares, o conforto aos doentes e aflitos, a acolhida e o cuidado dos pobres e dos necessitados de atenção fraterna e samaritana. A Comunidade Aliança de Misericórdia coordenará, junto com os padres responsáveis, todo tipo de atendimento necessário. Muitas iniciativas poderão ser agregadas ali e muitos grupos e pessoas voluntárias poderão contribuir para dar vida nova à igreja, situada numa área da cidade onde se faz muito necessário testemunhar que “Deus habita esta cidade”.

A novidade é que teremos no centro histórico de São Paulo uma igreja católica aberta 24 horas por dia. Poderá ser a primeira de mais outras iniciativas semelhantes, necessárias numa cidade que não dorme e onde o “povo da noite” procura, muitas vezes, uma porta aberta e a luz da esperança. Evidentemente, não bastam portas abertas, é necessário que haja alguém para acolher e escutar. E poderão ser muitos a fazê-lo. Faz parte de nossa missão de discípulos e missionários de Jesus Cristo nesta cidade imensa!

Card. D.Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo

Fonte: Publicado do Jornal O São Paulo do dia 14 de julho de 2009

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A eutanásia e a incapacidade de lidar com a dor

Saudações queridos leitores!

Recebi hoje uma grande notícia. Uma jovem britânica, que tinha se recusado a receber um transplante de coração para o tratamento de uma cardiomiopatia mudou de ideia. Hannah Jones, agora com 14 anos foi diagnosticada com um tipo raro de leucemia vários anos atrás. Após vencer essa batalha, ela descobriu que sofria de cardiomiopatia, uma falha no coração cuja cura em seu caso era um transplante.

Hannah recusou o tratamento e pediu para ser transferida para sua casa, mesmo sabendo que isso seguramente a levaria à morte. Seu caso foi usado por muitos grupos anti-vida como bandeira em favor da eutanásia e do suicídio assistido.

A direção do hospital que a atendia, o Herefordshire Primary Care Trust de Hereford (Reino Unido) ainda entrou em uma batalha judicial para retirar temporariamente a custódia da menina de seus pais que a apoiavam nessa decisão para obrigar a jovem a fazer o tratamento. No entanto, a instituição decidiu, depois de uma longa batalha, abandonar o caso.

Entretanto, no dia 7 de julho, às vésperar de completar 14 anos, a vida de Hannah mudou radicalmente. De acordo com informações do jornal Daily Telegraph, a jovem Hannah sofreu uma falha parcial no rim. Ela não pôde receber uma diálise para tratamento de seu problema justamente pelo fato de seu fraco coração não suportar o tratamento. Depois do acontecido, ela voltou para a lista de receptores, caso contrário, certamente sofreria uma falha renal grave e morreria.

Em sua defesa, a jovem diz que "[Ela sabe] que tinha decidido que não queria isto de nenhuma maneira, mas todo mundo tem direito a mudar de opinião", indicou Hannah depois de submeter-se ao bem-sucedido transplante e expressou sua alegria porque "agora estou tomando 27 remédios, mas logo terei que tomar apenas 12".

Os grupos pró-eutanásia não falam mais sobre ela.

Esse é um caso emblemático. Estamos cercados de uma cultura que não dá valor à vida, onde viver ou morrer já não faz mais diferença. Parece que a vida humana só deve ser vivida se for com "qualidade". Quando digo qualidade, não falo de aspectos físicos apenas, mas também de aspectos financeiros e uma busca pela perfeição, que me lembra muito as ideias eugênicas que eram pregadas pelo nazismo.

Extermínio de deficientes e incapacitados. Pessoas que, por sofrerem dos mais variados males, são consideraas estorvos, gente que não deve atrapalhar o andamento da vida do resto do mundo. "Pra quê cuidar de uma pessoa em uma UTI ou carregar um filho na cadeira de rodas a vida toda? Eles não são eficientes o suficiente para viver." Esse é o pensamento que permeia muitas mentes hoje em dia.

Também há a incapacidade de se lidar com problemas. Lutamos tanto para evitar o sofrimento, buscando uma vida só de alegrias e boas sensações que, ao nos vermos incapacitados de fugir do sofrimento, buscamos saídas de maneiras desesperadas. Isso é reflexo de um esquecimento de como lidar com a dor. É a sensação de sermos nossos próprios deuses que toma conta de nossas mentes. Mas, quando descobrimos que os deuses de nossas cabeças não têm poder, não temos a que nos apegar.

Grande é a coragem desse jovem, que após quase se entregar ao desespero, assumiu novamente as rédeas de sua vida.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nem as consciências cristãs estão a salvo

Saudações queridos leitores!

A perseguição aos cristãos não acontece só no Brasil. Também não se restringe à caça dos símbolos religiosos. Nos Estados Unidos, até mesmo a consciência cristã é perseguida.

Uma enfermeira católica, funcionária do Mount sinai Hospital foi forçada, isso mesmo, forçada, a auxiliar em um procedimento de aborto, contra sua vontade, sendo ameaçada com medidas disciplinares, legais e até mesmo denúncia ao conselho regulador da categoria, caso se recusasse a agir de modo contrário a sua consciência e convicções morais.

A enfermeira Catherina Cenzon-DeCarlo recebeu a ordem de ajudar no aborto de uma mulher com 22 semanas de gestação. O hospital sabia que a enfermeira não participava de aborto por objeção de consciência desde que a contratou no ano 2004. Ela recordou a seus superiores que não podia participar do procedimento, mas eles a ameaçaram com a acusação de "insubordinação e abandono do paciente", que poderia lhe render um processo disciplinar que culminaria em perda da licença de exercício da profissão.

Após as ameaças e da alegação do hospital de que esse era um procedimento urgente, a enfermeira auxiliou no mesmo, contra sua consciência. Ela recorda que entrou em desespero após o ocorrido, tendo pesadelos durante a noite e constantes crises de choro, além de outros problemas que a fizeram ser afastada do trabalho por alguns dias.

Devido ao ocorrido, a organização Alliance Defense Fund (ADF) está processando o Mount Sinai Hospital por violação de objeção de consciência da enfermeira.

Peço clemência a Deus pelo inocente assassinado e pela enfermeira, ludibriada, ameaçada e obrigada a tomar parte de tal ato asqueroso.

Que Deus nos livre da maldição do aborto!

Fiquem com Deus,
Fernando.

domingo, 9 de agosto de 2009

Evangelho de Domingo - 19º Domingo do Tempo Comum

Saudações queridos leitores!

Segue abaixo o Santo Evangelho desse domingo, dia do Senhor, com comentários de S;ao Cirilo de Alexandria.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João.

Evangelho (Jo 6, 41-51 (19º Domingo do Tempo Comum))

41Puseram-se então os Judeus a murmurar a Seu respeito, por ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu», 42e diziam: Não é Ele Jesus, o filho de José, de quem conhecemos o pai e a mãe? Como é que diz agora:« Eu desci do Céu?». 43Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, o não atrair; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: Serão todos instruídos por Deus. Todo aquele que ouviu e aprendeu do Pai vem a Mim. 46Não é que alguém tenha visto o Pai, senão Aquele que vem de Deus; Esse é que viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que acredita possui a vida eterna! 48Eu sou o Pão da Vida. 49Vossos pais, no deserto, comeram o maná, e morreram. 50Tal é o pão que desce do Céu: quem dele comer não morrerá. 5lEu sou o pão vivo que desceu do Céu. Se alguém comer este pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a Minha carne pela vida do mundo.

Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cirilo de Alexandria (380-444), Bispo e Doutor da Igreja.

Comentário ao evangelho de São Lucas, 22

«E o pão que Eu hei-de dar é a Minha carne, pela vida do mundo»

Como podia o homem, inexoravelmente preso à terra e submetido à morte, ter de novo acesso à imortalidade ? Era preciso que a sua carne se tornasse participante da força vivificadora que é Deus. Ora, a força vivificadora de Deus nosso Pai é a Sua Palavra, é o Filho Único; foi Ele que Deus nos enviou como Salvador e Redentor. [...]

Se deitares um pedacinho de pão em azeite, água ou vinho, impregnar-se-á das propriedades destes. Se o ferro estiver em contacto com o fogo, será tomado pela energia deste e, ainda que de facto o ferro seja por natureza ferro somente, tornar-se-á semelhante ao fogo. Do mesmo modo, portanto, o Verbo vivificador de Deus, ao unir-Se à carne de que Se apropriou, tornou-a vivificadora.

Disse, com efeito: «Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida». E ainda: «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar, é a Minha carne. Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós». Do mesmo modo, portanto, ao comermos a carne de Cristo, Salvador de todos nós, e ao bebermos o Seu sangue, temos em nós a vida, tornamo-nos um com Ele, e Ele permanece em nós.

Ele tinha de vir até nós da maneira que convém a Deus, pelo Espírito Santo, e de integrar-Se de alguma forma nos nossos corpos, pela Sua santa carne e pelo Seu precioso sangue que, em benção vivificadora, recebemos no pão e no vinho. De facto [...], Deus usou de condescendência para com a nossa fragilidade e pôs toda a força da Sua vida nos elementos do pão e do vinho, que estão, assim, dotados da energia da Sua própria vida. Não hesiteis pois em crer, pois o próprio Senhor claramente o disse: «Isto é o Meu corpo» e «Isto é o Meu sangue».

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

sábado, 8 de agosto de 2009

Ex-hétero existe. Ex-gay não pode existir. É o novo dogma do gayzismo.

Saudações queridos leitores!

Querido leitor, hoje eu me dirijo especialmente a você, que pratica o homossexualismo mas que deseja mudar seus hábitos. Me dirijo a você, que quer controlar seus impulsos homossexuais, que, apesar de viver sua homossexualidade, encontra-se infeliz dentro dela. Hoje, querido leitor homossexual, eu venho lhe dizer que você não pode desejar sair do homossexualismo.

Por mais que tal modo de vida o torne infeliz, por mais que você sinta-se compelido, seja por princípios morais ou religiosos ou pelo mero desejo de viver a heterossexualidade, você não pode ter tal desejo e muito menos buscar ajuda para controlar seus impulsos sexuais.

Pois a Associação Americana de Psicologia (APA), declarou que "profissionais de saúde mental não devem dizer a seus pacientes gays que eles podem se tornar heterossexuais por meio de terapia ou outra forma de tratamento". Para eles, os conflitos gerados pela orientação sexual e crençar devem ser encarados com escolhas múltiplas, desde a adoção do celibato até a troca de igreja. Agora, se uma pessoa quiser trocar a sexualidade, não pode. Mais informações aqui.

É a coisa mais torturante que já vi! Para eles, as pessoas podem passar da heterossexualidade para a homossexualidade tranquilamente, mas esse é um caminho sem volta. Pensam que enganos só podem ser cometidos de um lado. É leviano e estúpido, além de obviamente discriminatório pensar desse jeito. A mesma associação havia criticado as terapias de mudança de orientação no passado, mas um grupo de pesquisadores utilizou vários estudos, realizados desde os anos de 1960 para dar mais peso a essa posição.

O documento (disponível aqui em PDF em inglês, com 138 páginas), trata com detalhes de como terapeutas devem abordar os conflitos entre crenças religiosas que desaprovam o homossexualismo e o mesmo. Judith Glassgold, de New Jersey, diz que a esperança é de que o documento ajude a desarmar o debate polarizado entre religiosos conservadores que creem na possibilidade de mudar a orientação sexual e os muitos profissionais da área de saúde mental que rejeitam essa opção. "Os dois lados precisam se educar melhor”, disse a especialista. “Os psicoterapeutas religiosos precisam abrir seus olhos para os potenciais aspectos positivos de ser gay ou lésbica. Terapeutas não religiosos precisam reconhecer que algumas pessoas podem dar preferência a sua religião, em detrimento de sua sexualidade".

No Brasil, um caso emblemático de perseguição a terapeutas que visam ajudar homossexuais a viver sua sexualidade de maneira diferente é a perseguição da qual a Psicóloga Rosângela Alves Justino tem sofrido. Ela sofreu uma censura pública por oferecer tratamento para que gays e lésbicas deixassem de ser homossexuais voluntariamente. Em entrevista ao portal G1, ela declarou que se sente "amordaçada e impedida de ajudar as pessoas que, voluntariamente, desejam largar a atração por pessoas do mesmo sexo".

Em resumo, a vivência da sexualidade, que deveria ser algo livre para os homossexuais é uma imposição. Um hétero pode ser um gay enrustido (como eles falam), mas um gay, nunca pode ser um hétero enrustido. A falibilidade da heterossexualidade e a infalibilidade da homossexualidade são os novos dogmas dos gays.

Suponho que os gays achem que todo mundo é gay enrustido, sendo assim, logo eles exigirão a "conversão" ao gayzismo.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Carta do Prelado (agosto de 2009)

Saudações queridos leitores!

Todos os meses publico a carta enviada pelo Prelado do Opus Dei, Dom Javier Echevarría. É uma grande fonte de meditação e conhecimento, além de mostrar ao mundo muito do carisma da Obra.

Carta do Prelado (agosto de 2009)

Carta mensal do Prelado, desta vez enviada do México. D. Javier Echevarría aproveita as festas marianas do mês de agosto para lembrar-nos da proximidade de Cristo e de sua Mãe, convidando-nos a imitar a sua vida cotidiana.

07 de agosto de 2009

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Assumpta est Maria in caelum, gaudet exercitus angelorum [1]; Maria foi levada ao céu, em corpo e alma, e os anjos participam desse júbilo. Também todos nós, cristãos, nos enchemos de alegria porque a Virgem vive eternamente na plenitude de Deus, contempla e ama a Santíssima Trindade na glória do Céu.

Ao aproximar-se a solenidade do dia 15 de agosto, Assunção de Nossa Senhora, desejo recordar-vos que esta grande festa nos impele a elevar o olhar ao céu. Não um céu feito de idéias abstratas, nem um céu imaginário criado pela arte, mas o céu da verdadeira realidade, que é o próprio Deus: Deus é o céu. E Ele é a nossa meta, a meta e a morada eterna, da qual provimos e para a qual tendemos [...]. É uma ocasião para ascendermos com Maria às alturas do espírito, onde se respira o ar puro da vida sobrenatural e se contempla a beleza mais autêntica, a da santidade [2]. Como e com que assiduidade recorremos à Santíssima Virgem para nos comportarmos sempre e em tudo com sentido sobrenatural? Pedimos à nossa Mãe que cresça nas nossas almas o espírito contemplativo?

As palavras de Bento XVI que acabo de citar são uma eficaz introdução ao mistério de fé que nos preparamos para saborear mais uma vez. Como escreveu São Josemaria, é este um mistério de amor. A razão humana não consegue compreendê-lo. Só a fé pode esclarecer como é que uma criatura foi elevada a uma dignidade tão grande, até se converter no centro amoroso para o qual convergem as complacências da Trindade. Sabemos que é um segredo divino. Mas, tratando-se da nossa Mãe, sentimo-nos capazes de entendê-lo mais do que outras verdades de fé, se é possível falar assim [3]. Dirijamo-nos ao nosso Padre – que contempla face a face o Senhor, a Santíssima Humanidade de Cristo, a Virgem, os anjos e os demais santos – com o pedido expresso de que nos obtenha luz de Deus para aprofundarmos nesta verdade de fé e deste modo amarmos mais e admirarmos mais Santa Maria.

Sugiro-vos em primeiro lugar que pensemos a fundo na resposta quotidiana da Virgem, que nos detenhamos – na meditação pessoal – nas passagens da Sagrada Escritura que nos falam dEla: embora sejam poucas, contêm já todas a magnalia, as grandezas daquilo que o Espírito Santo quis revelar-nos acerca da Mãe de Deus e Mãe nossa: uma riqueza imensa, que cabe a cada um de nós descobrir, guiados sempre pelo Magistério da Igreja. Aconselho-vos a repassar também algum tratado de mariologia e a esforçar-vos por aprofundar – mediante uma leitura meditada e profunda – nas coisas inefáveis que o Todo-poderoso, cujo nome é Santo [4], realizou na Virgem. O cântico do Magnificat, que brotou dos lábios e do coração de Maria inspirada pelo Espírito Santo, mostra-se como a melhor escola para conhecermos, tratarmos com intimidade e imitarmos a nossa Mãe: é um retrato, um verdadeiro ícone de Maria, no qual podemos vê-la tal como é [5].

Reparemos de modo especial na sua vida de oração. Assim a descobrimos ao contemplarmos o primeiro mistério gozoso do Rosário. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração. Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... [6]. Metamo-nos perseverantemente nesta cena para acolhermos com seriedade o convite do nosso Padre. Empenhemo-nos em encontrar – cada um, cada uma – o nosso lugar, ao repassarmos diariamente esse acontecimento-chave da história da nossa salvação, e também na recitação do Ângelus e do Rosário. Podemos pensar em que a Virgem se mantém constantemente em conversa com Deus, e assim se acha quando o Arcanjo lhe transmite a embaixada divina. O mesmo acontece no segundo mistério luminoso, em que, com o seu comentário nas bodas de Caná, a Virgem expõe a Jesus a sua súplica confiante e obtém dEle que realize o seu primeiro milagre, antecipando de certo modo a sua hora, e que os primeiros seguidores do seu Filho recebam o dom da fé, como anota o Evangelho em poucas palavras: Os seus discípulos creram nele [7].

É precisamente São João, o discípulo amado, quem nos transmite este dado. Revela-nos que a Santíssima Virgem, que até esse momento cuidara do seu Filho durante os anos de vida oculta em Nazaré, foi chamada a continuar a colaborar diretamente com o mistério da Redenção. É este desígnio divino que se insinua na resposta de Cristo à súplica da sua Mãe: Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora [8]. O Senhor refere-se ao sacrifício da Cruz. Quando chegar esse momento, quererá – com lógica sobrenatural e humana – que a sua Mãe se encontre junto dEle, como nova Eva, para cooperar na restauração da vida sobrenatural das almas. Assim o relata também São João: Estavam junto da cruz de Jesus a sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo Jesus a sua mãe e perto dela o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, aí tens o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Aí tens a tua mãe”. E dessa hora em diante o discípulo a acolheu em sua casa [9].

Recordava acima, com palavras do Papa, que a festa da Assunção nos convida a erguer os olhos para o céu, a morada definitiva para a qual nos dirigimos, mas sem esquecer – outro ensinamento de Maria – que, antes de ser levada em corpo e alma para o céu, a Virgem acompanhou de perto Jesus Cristo na sua Paixão e Morte redentoras. A nova Eva seguiu o novo Adão no sofrimento, na paixão, assim como na alegria definitiva. Em Cristo residem as primícias, mas a sua carne ressuscitada é inseparável da de sua Mãe terrena. Maria, e nEla toda a humanidade, está envolvida na Assunção para Deus, e com Ela toda a criação [...]. Nascem assim os novos céus e a nova terra, na qual já não haverá pranto nem lamento, porque já não existirá a morte (cfr. Apoc 21, 1-4) [10].

A colaboração da Virgem com o sacrifício da Cruz foi única; por isso a Igreja a honra “com os títulos de Advogada, Auxílio, Socorro, Medianeira”, sem que isto “tire nem acrescente nada à dignidade e eficácia de Cristo, único Mediador” [11]. É nesta cooperação estreitíssima com a obra da Redenção que assenta também o título de Mulher eucarística com que João Paulo II a chamou na sua última encíclica. A Sagrada Eucaristia é a atualização sacramental do sacrifício da Cruz, porque na Santa Missa se faz presente o que se realizou no Calvário. E não se pode passar por alto que, no Gólgota, o Senhor manifestou à Virgem a sua nova maternidade. “As palavras de Jesus – sublinha João Paulo II – assumem o seu significado mais autêntico no quadro da missão salvífica. A circunstância de terem sido pronunciadas no momento do sacrifício redentor confere-lhes o seu valor mais alto. Com efeito, o evangelista, depois das palavras de Jesus à sua Mãe, acrescenta um inciso significativo: «Sabendo Jesus que tudo estava consumado» (Jo 19, 28), como se quisesse sublinhar que o seu sacrifício tinha culminado ao confiar a sua Mãe a João e, nele, a todos os homens, dos quais Ela se converte em Mãe na obra salvadora da salvação” [12].

Em cada Missa, a Virgem acha-se misteriosamente presente junto do altar onde se atualiza de modo incruento o Sacrifício da Cruz. Nesse insondável mistério – escreveu o nosso Padre – percebe-se, como que por entre véus, o rosto puríssimo de Maria: Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo [13]. Esta é a firme convicção da Igreja, manifestada numa das orações que a liturgia recomenda aos sacerdotes para se prepararem melhor para a celebração do Santo Sacrifício: À vossa piedade recorro, ó Mãe de piedade e misericórdia, Santíssima Virgem Maria [...], para que, assim como estivestes junto do vosso dulcíssimo Filho pregado na Cruz, também estejais junto de mim, miserável pecador, e junto de todos os fiéis que aqui e em toda a Santa Igreja vamos participar daquele divino sacrifício [14]. Recorres filialmente a Ela, todos os dias, antes de celebrares ou participares da Santa Missa?

De Belém até o Gólgota, a Santíssima Virgem soube mostrar Cristo, conduzir para Cristo os discípulos do seu Filho, homens e mulheres: se João, Maria Madalena, Salomé e as demais mulheres – como nos pormenoriza o Evangelho – perseveraram firmes junto da Cruz de Jesus e depois foram testemunhas da sua ressurreição, isso se deveu a que não se afastaram de Maria naquelas horas; a que a acolheram em sua casa – em todo o espaço da sua caminhada espiritual – desde o momento inefável em que Cristo os confiou à sua Mãe no Calvário.

Minhas filhas e filhos: Aquela que é toda de Deus, Mulher eucarística e Mestra de oração, quer que intensifiquemos o trato com Ela, que lhe peçamos que nos ensine a enamorar-nos de Jesus Cristo com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, para sermos inteiramente fiéis nos diversos momentos e circunstâncias. A festa da Assunção da Virgem propõe-nos um grande mistério de amor: Cristo venceu a morte com a onipotência do seu amor. Só o amor é onipotente. Esse amor impeliu Cristo a morrer por nós e assim vencer a morte. Sim, só o amor faz entrar no reino da vida! E Maria entrou atrás do seu Filho, associada à sua glória, depois de ter sido associada à sua paixão. Entrou ali com ímpeto irreprimível, mantendo aberto atrás de si o caminho a todos nós. Por isso a invocamos hoje como “Porta do Céu”, “Rainha dos Anjos”e Refúgio dos pecadores” [15].

Desfiemos piedosamente a ladainha e as demais orações marianas – a Ave-Maria, a Salve, o Rosário e as jaculatórias que o carinho filial nos sugira – com esmerada devoção e piedade de filhos, porque Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou com seu pé imaculado a cabeça do dragão infernal [16]. Unidos a esse grande enamorado da Virgem que foi e é o nosso Padre, admiremos mais como o Pai, o Filho e o Espírito Santo a coroam como Imperatriz que é do Universo.

E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos..., e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos..., e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos..., e todos os pecadores, e tu e eu [17].

Nas cartas e documentos de família, São Josemaria costumava assinar com o nome Mariano. Entremos, pois, na escola de Mariano, imitando o nosso Padre na sua terna devoção pela Santíssima Virgem, como filhos pequenos que em todo o momento se sabem necessitados dos cuidados da sua Mãe.

Santa Maria, além disso, mostrou-se sempre Mãe do Opus Dei, desde o seu nascimento, e a Obra desenvolveu-se ao amparo do seu manto: precedeu-nos, acompanhou-nos e seguiu-nos em todos os passos da nossa história familiar e do nosso peregrinar pessoal. No mês de agosto, recordamos alguns desses momentos: a Consagração da Obra ao Coração dulcíssimo da Virgem, em Loreto, a 15 de agosto de 1951, que renovamos anualmente; o convite para recorrermos à misericórdia divina por meio do Trono da glória, que é Maria, a 23 de agosto de 1971... E tantas outras intervenções da Rainha dos céus e da terra que agora é impossível enumerar.

Nestes dias, encontro-me no México, aonde vim para participar da dedicação da igreja construída em honra de São Josemaria, no Distrito federal. Com cada uma e cada um de vós, dou também graças a Deus, porque esta circunstância me permitiu rezar diante da Virgem de Guadalupe na Villa, evocando os passos do nosso Padre em 1970. Algumas das intenções que então absorviam o coração do nosso Fundador mantêm-se plenamente atuais; outras já se cumpriram, graças à intercessão da nossa Mãe. Vim, insisto, em nome de todas e de todos – os que agora estamos na Obra e os que chegarão no decorrer dos séculos –, para pedir pela Igreja, pelo Papa e seus colaboradores, pelos Bispos e sacerdotes do mundo inteiro – especialmente neste Ano sacerdotal –, pelo Opus Dei e por todo o povo cristão; pelo nosso enamorar-nos quotidianamente de Jesus Cristo. Conservo muito presente na memória aquela locução que tanto sacudiu o nosso Padre, e que nos relatou imediatamente com uma comoção visível em agosto de 1970; vimo-lo muito instado a comportar-se como perseverante rezador. O Senhor imprimiu na sua alma aquelas palavras – Clama, nem cesses! [18] – que desejo que incorporemos à nossa piedade e aos nossos afazeres.

Acompanhai-me nas minhas petições, especialmente no dia 15 de agosto, quando renovarmos a consagração ao Coração dulcíssimo de Nossa Senhora. E meditemos com profundidade nesta recomendação de São Josemaria:

Adeamus cum fiducia ad thronum gloriae, ut misericordiam consequamur (cfr. Hebr 4, 16). Tende-o muito presente nestes momentos e também depois. Eu diria que é um querer de Deus: que metamos a nossa vida interior pessoal dentro dessas palavras que vos acabo de dizer. Escutá-las-eis às vezes sem ruído nenhum, na intimidade da vossa alma, quando menos o esperardes.

Adeamus cum fiducia: ide – repito – com confiança ao Coração Dulcíssimo de Maria, que é nossa Mãe e Mãe de Jesus. E com Ela, que é Medianeira de todas as graças, ao Coração Sacratíssimo e Misericordioso de Jesus Cristo. Com confiança também, e oferecendo-lhe reparação por tantas ofensas. Que nunca vos falte uma palavra de carinho: quando trabalhais, quando rezais, quando descansais, e também nas atividades que parecem menos importantes: quando vos divertis, quando contais uma anedota, quando fazeis um pouco de esporte...: com toda a vossa vida, numa palavra. Ponde em tudo um fundamento sobrenatural e um trato de intimidade com Deus [19].

Com todo o afeto, abençoa-vos

o vosso Padre

† Javier

México, 1º de agosto de 2009.


[1] Missal Romano, Assunção de Nossa Senhora, Aclamação antes do Evangelho.

[2] Bento XVI, Homilia na solenidade da Assunção, 15.08.08.

[3] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 171.

[4] Lc 1, 49.

[5] Bento XVI, Homilia na solenidade da Assunção, 15.08.08.

[6] São Josemaria, Santo Rosário, primeiro mistério gozoso.

[7] Jo 2, 11.

[8] Ibid., 4.

[9] Jo 19, 25-27.

[10] Bento XVI, Homilia na solenidade da Assunção, 15.08.08.

[11] Concílio Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 62.

[12] João Paulo II, Discurso na audiência geral, 29.04.97.

[13] São Josemaria, La Virgen del Pilar, artigo publicado no “Libro de Aragón”, Saragoça 1976.

[14] Missal Romano, Orações preparatórias para a Santa Missa.

[15] Bento XVI, Homilia na solenidade da Assunção, 15.08.08.

[16] São Josemaria, Santo Rosário, quinto mistério glorioso.

[17] Ibid.

[18] Is 58, 1.

[19] São Josemaria, Notas tomadas numa tertúlia, 09.09.71.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dica de Leitura Dupla!

Saudações queridos leitores!

Literatura de qualidade é algo cada vez mais raro em nossos dias. Quando aparece algo que sabemos ser bom, é melhor anunciar mesmo. E hoje recebi uma dica dupla!

Rafael Vitola Brodbeck, do Apostolado Veritatis Splendos acaba de lançar dois livros que recomendo vivamente a leitura: E oVerbo se fez carne - Vol. I e Meditações sobre a Saudação à Santíssima Virgem. Vejam abaixo mais informações sobre os livros:

E oVerbo se fez carne - Vol. I

Meditações e reflexões bíblicas, litúrgicas e doutrinárias, baseadas no Evangelho dos Domingos e Solenidades, conforme o calendário litúrgico romano da Igreja Católica. Não se trata de um livro de meditações que servem apenas para os dias assinalados. Na realidade, as datas nas quais elas foram compostas, aliás, já passaram! A mensagem, todavia, permanece... Nosso presente escrito é um livro de doutrina e de espiritualidade. Como ensinava Evágrio, o Pôntico, “se tu rezas, verdadeiramente és teólogo; se és teólogo, deves rezar em verdade.” A doutrina e a oração devem estar unidas para uma sadia exposição catequética, e para uma vida espiritual que frutifique. Esse é o conselho e a experiência dos Santos Padres.

Autor: Rafael Vitola Brodbeck
Número de páginas: 431
Edição: 1 (2009)
Preço: R$ 60,57. Clique aqui para adquirir.

Meditações sobre a Saudação à Santíssima Virgem

Tradicionalíssima oração é a Saudação à Santíssima Virgem, que, na maior parte do ano litúrgico, traduz-se pela recitação de frases relacionadas com o evento da Encarnação do Filho de Deus, no que chamamos ordinariamente o Angelus. Do latim, significando “anjo”, esse termo designa São Gabriel, o ser espiritual mandado por Deus à residência de Nossa Senhora para anunciar-lhe a maravilhosa notícia de que seria Mãe do Redentor. Composto de três diálogos - estes, por sua vez, com um versículo e seu responso, conforme iremos logo observar -, retirados todos das páginas da Sagrada Escritura, e seguidos cada um da reza da Ave Maria, uma invocação à Santíssima Virgem, rogando-lhe sua proteção e intercessão, uma oração final, e o Glória repetido três vezes, o Angelus foi, outrora, um costume bastante arraigado entre os simples fiéis, que o utilizavam como prece habitual, incorporada a seu método de espiritualidade diário.

Autor: Rafael Vitola Brodbeck
Edição: 1ª (2009)
Número de páginas: 41
Preço: R$ 26,75. Clique aqui para adquirir.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.

Pergunte ao Fernando: O Levítico e o aborto

Saudações queridos leitores!

Recebi hoje pela manhã pelo e-mail pergunte@blogdofernando.com.br uma dúvida do leitor e amigo Teodorico. Como é algo que tem relação com um tema da maior importância para todo mundo, reproduzo sua dúvida e a minha resposta.

Olá, Fernando

(...)

Minha dúvida (da vez, rs), é a seguinte (não lembro se já fiz essa pergunta, em caso positivo, peço desculpas, mas não lembro da resposta):

Ao assistir um filme é citado (para defender o aborto) que a alma não surge no momento da concepção (óvulo + espermatozóide) e sim após 18 dias que é quando o feto possui sangue, e foi citado Levítico 17,1: "Pois a alma da carne está no sangue e dei-vos esse sangue para o altar, a fim de que ele sirva de expiação por vossas almas, porque é pela alma que o sangue expia" Como fundamentar este argumento que deve ter alguma falha que não consigo encontrar devido ao fato de não ter conhecimentos teológicos suficientes?

(...)

Abração Cristão.

Francisco Teodorico Pires de Souza
http://reflexoeseutopias.wordpress.com/

Olá Francisco!

Para respondermos a tal afirmativa, devemos ter em mente que as Sagradas Escrituras não foram escritas com a intenção de ser um livro científico, mas que elas foram escritas para que possamos alcançar a Salvação.

Diversas passagens bíblicas fazem descrições imprecisas e até incorretas em relação a fatos científicos, mas isso não tem importância prática, pois, além de ser o conhecimento da época, não são elementos necessários à Salvação. Um exemplo que posso dar é quando se fala nos Evangelhos que o grão de mostarda é a menor semente existente. Apesar do grão de mostarda ser uma semente bem pequena, hoje em dia sabemos que existem sementes menores na natureza. Isso invalida a parábola que foi ilustrada pelo exemplo? Definitivamente não.

Da mesma forma, a afirmação de que a alma reside no sangue da pessoa não tem valor salvífico, pois a ideia que é passada, que é a de que a alma está em nós desde o princípio, dado que para os judeus onde não há sangue não há vida, é um conceito que não podemos levar ao pé da letra. Mas a ideia foi perfeitamente passada: já que para os judeus o sangue é sinônimo de vida (lembre-se de que eles não comem carne com sangue), ao afirmar que a alma reside no sangue, devemos entender que a alma reside onde existe a vida. Portanto, desde que esteja vivo, já tem alma. Hoje sabemos que a partir da concepção é um ser inteiramente novo, porém totalmente dependente, que existe.

Pense também nas transfusões de sangue. Será que ao recebermos sangue via transfusão recebemos também um "pedacinho" da alma do doador? E será que perdemos parte de nossa alma toda vez que sangramos?

Mande você também suas dúvidas para pergunte@blogdofernando.com.br.

Fiquem com Deus e divirtam-se,
Fernando.